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domingo, 18 de dezembro de 2011



Havana (Prensa Latina) Há milhares de civilizações e grupos humanos que habitam o continente africano, os quais em sua quase totalidade foram vítimas da exploração escravista ou do sistema colonial subseqüente, impostos a partir do século XV pelas potências dominantes européias.

  Na Conferência de Berlim (1884-1885), onde as metrópoles do Velho Continente repartiram a África, foram traçadas as fronteiras dos países de acordo com as ambições coloniais deixando separado um mesmo grupo étnico, repartido entre duas ou mais nações.

Essa dura realidade é vivida pelos masai, um povo originário do Nilo. Uma parte está assentada no sul do Quênia e a outra no norte da Tanzânia, dois estados vizinhos da África Oriental, que obtiveram sua independência do Reino Unido nos anos 60 do século XX.


Apesar da separação pelas fronteiras coloniais que os governos depois da libertação respeitaram, os masai -que habitam duas nações- conservam suas tradições, levam uma vida nômade, possuem língua própria, forma de vestir, cerimônias, hábitos, costumes e valores culturais muito particulares.

Em suas origens eram caçadores e coletores mas devieram pecuaristas. Por suas crenças religiosas não cultivam a terra, e nunca aprenderam a faze-lo; compram verduras em mercados próximos, têm galhinhas mas não as comem, só vendem os ovos. Das vacas tomam o sangue e o leite que misturam numa xícara, além da carne.

Ao norte de Tanzânia, em pleno vale do Rift, entre os lagos Natrón e Nanyara habita o verdadeiro deus dos masai; trata-se de Ol Doinyo Lengai, um vulcão em atividade permanente que produz um estranho tipo de lava.

Essa lava está composta em sua maior parte por sódios-carbonato, dos quais os masai extraem o sal, uma matéria prima indispensável para a existência. Este acidente geográfico está a 2.800 metros de altura e sua cratera é de 300 metros de diâmetro e 50 de profundidade.

O lago salgado Natrón está na Tanzânia, ainda que bem próximo da fronteira com o Quênia, o que permite aos masai que vivem em ambos países verem-se favorecidos pelo sal.

Para os masai o deus Enkai habita a montanha. Na origem do mundo, fez a partilha dos dons terrestres a seus filhos: ao povo ndorobo entregou-lhe a caça e o mel, a outros sementes e aos masai correspondeu-lhes o gado.

Mas um ndorobo zeloso reclamou o gado, e ao negar-lho cortou a corda que unia o Céu com a Terra; da ira de Enkai surgiu o sofrimento dos homens. Por sua vez, o sal é um dom que essa divinidade entregou aos seus filhos prediletos: os masai.

No entanto, segundo a lenda, esse deus único está dividido em duas pessoas, Enkai-Norok, deus negro e generoso da chuva e Enkai-Nonyocik, deus vermelho e malicioso da seca. É assim tanto no Quênia como na Tanzânia.

Numa região onde são frequentes as secas catastróficas, esse fenômeno meteorológico está vinculado à existência mesma da etnia e é lógico que essa tragédia lhe atribua ao deus Enkai-Norok.

Os BAMBARA

Vivem os bambara em dois países que foram colônias da França - o Mali e a Mauritânia - até 1960, quando atingiram a independência depois de mais de um século de presença gala.

No Mali, os bambara são o grupo étnico dominante e a maioria de sua população. Ao outro lado da fronteira, na Mauritânia, vivem nas proximidades do povo chamado Timbreda.

Essa divisão deve-lhe ao colonialismo. Ambos falam bamana, que é uma das línguas mandinga e está ligada com a bantu, a qual inclui o swahili e o zulu.

A maioria dos bambara são agricultores, à diferença dos masai, só pecuaristas. Entre seus cultivos estão milho, iúca, fumo e hortaliças, e também criam gado, cavalos, cabras, ovelhas e galhinhas, dedicando-se também à caça para aproveitar carnes e peles. Nesta etnia, homens e mulheres compartilham as tarefas agrícolas.

Cada povo bambara compõe-se de muitas unidades familiares diferentes, em geral todas de uma mesma linhagem ou família extensa. Cada lar ou gwa é responsável pelo provimento de todos seus membros, bem como pela ajuda com as tarefas agrícolas.

As casas dos bambara caracterizam-se por serem maiores que as moradias de outros grupos étnicos das nações da África Ocidental. Algumas gwa têm 60 ou mais pessoas e os membros da cada uma trabalham juntos todos os dias exceto as segundas-feiras, dedicados ao comércio.

O matrimônio é caro, considerado como um tipo de investimento. Seu propósito principal deriva em ter filhos que proporcionem à família a força trabalhista e assegurem a continuidade da linhagem familiar.

A maioria das mulheres bambara têm em média oito filhos. Todos os adultos estão casados; inclusive viúvas de idade avançada, em seus 70 ou 80 anos, têm pretendentes porque os bambara acham que uma mulher aumenta o status do homem.

Quanto à religião, ainda que a maioria afirme que são muçulmanos, muitas pessoas seguem suas crenças tradicionais de culto aos antepassados. Segundo os bambara, os espíritos ancestrais podem assumir a forma de animais ou inclusive de verduras.

Nas cerimônias extraordinárias, os espíritos são adorados e fazem-se oferendas de farinha e água. O membro de linhagem mais antigo atua como o "mediador" entre os vivos e os mortos.

Apesar dos cinco séculos combinados de escravatura e exploração colonial, as metrópoles não puderam acabar com os hábitos, costumes e cultura dos grupos autóctones. Esses valores atuaram como proteções contra a barbárie estrangeira.

*Jornalista cubano especializado em política internacional, tem sido co-responsável em vários países africanos e é colaborador da Prensa Latina.

Fonte: Prensa Latina

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

14 de Novembro Traição de Porongos

Meses finais da Guerra dos Farrapos. Madrugada de 14 de novembro de 1844. Tropas imperiais comandadas pelo coronel Francisco Pedro de Abreu (1811-1891), o Moringue, atacam soldados farroupilhas que estavam acampados nas imediações do Cerro de Porongos, no atual município de Pinheiro Machado, no estado do Rio Grande do Sul, resultando na morte e na prisão de muitos. Em sua maioria, eram lanceiros negros, escravos que lutavam no exército farroupilha em troca da promessa de alforria. Anos depois, a divulgação de um documento que ficaria conhecido como Carta de Porongos, revelando um suposto acordo entre lideranças militares para dizimar esses lanceiros, inicia uma controvérsia que gera polêmica até hoje. 

A Guerra dos Farrapos, ou Revolução Farroupilha (1835-1845), foi o maior dos conflitos internos enfrentados pelo governo imperial. Durante dez anos, uma parcela da elite pecuarista rio-grandense, motivada por fatores políticos e econômicos, sustentou uma revolta contra o poder imperial, chegando a proclamar a República Rio-Grandense em 1836.

Para arregimentar soldados, os farroupilhas incorporaram escravos às suas fileiras, prometendo em troca a liberdade após o fim do conflito. De olho na alforria, alguns negros fugiram das propriedades onde eram mantidos escravos para aderir à luta. Outros foram cedidos por senhores de terra que apoiavam a revolução. Já senhores contrários ao movimento podiam ter seus escravos capturados à força, como aconteceu nas charqueadas – propriedades rurais onde se produz o charque (carne salgada) – de Pelotas.

Estima-se que em alguns momentos os lanceiros negros, como ficaram conhecidos estes soldados, tenham representado metade do exército rio-grandense. O africano José, de nação angola, foi um desses homens que sonharam em conquistar a liberdade pegando em armas. Em dezembro de 1837, José foi preso e interrogado pelas autoridades imperiais em Porto Alegre, informando que quase toda a “infantaria dos brancos” já havia desertado e que naquele momento os combatentes seriam quase exclusivamente “pretos, uns com armas e outros com lanças”. Estas eram as principais armas do conflito, já que as de fogo ficaram restritas a uma minoria. Além disso, pelo próprio caráter de guerra móvel, muitas vezes os lanceiros negros entravam nos batalhões sem maiores treinamentos.

No final da década de 1850, o político, charqueador e ex-líder farroupilha Domingos José de Almeida (1797-1859) denunciou publicamente o conteúdo da correspondência que teria sido enviada pelo então barão de Caxias (1803-1880) a Francisco Pedro de Abreu. A Carta de Porongos conteria evidências de um acordo prévio entre Caxias (comandante do Exército imperial no conflito) e o líder farroupilha Davi Canabarro (1796-1867). O objetivo seria favorecer a vitória imperial no combate do Cerro de Porongos. Em determinado trecho, Caxias informaria a Francisco Pedro o local, o dia e o horário para o ataque, garantindo-lhe que a infantaria farroupilha estaria desarmada pelos seus líderes.

A partir de então, o Combate de Porongos gerou uma acalorada controvérsia entre os historiadores e estudiosos que se debruçaram sobre o tema da Guerra dos Farrapos. Com base na Carta de Porongos, surgiram acusações de que o general Davi Canabarro – comandante do destacamento de negros – teria traído a causa farroupilha ao desarmar e facilitar a derrota dos lanceiros. Essa atitude teria como objetivo facilitar a assinatura do tratado de paz que vinha sendo negociado, já que o governo imperial era contra a ideia farroupilha de conceder a alforria aos escravos que lutaram como soldados. Por outro lado, negar a liberdade e mandar os lanceiros de volta às senzalas era algo não cogitado nem por alguns farroupilhas, devido ao temor de que um grande contingente de escravos militarizados, politizados e insatisfeitos com o não cumprimento da prometida alforria insuflasse levantes – a quantidade de escravos na província do Rio Grande do Sul em 1846, um ano após o término da Guerra dos Farrapos, correspondia a 20,9% da população.

Relatos da época, como o de Manuel Alves da Silva Caldeira, farroupilha presente em Porongos, afirmam que Canabarro teria sido avisado da aproximação de tropas inimigas e, mesmo assim, não teria tomado providência alguma. Pelo contrário, teria propositalmente desarmado e separado os lanceiros do resto das tropas acampadas perto do Cerro de Porongos. Dando crédito a estes argumentos, o episódio teria sido uma traição aos soldados negros.

A autenticidade da Carta de Porongos, no entanto, é questionada por alguns estudiosos, já que a versão que se tornou pública é uma cópia, e a original nunca foi encontrada. Uma das explicações é que o documento teria sido forjado pelo coronel Francisco Pedro de Abreu após o combate para desmoralizar Canabarro, único chefe farroupilha que ainda teria condições de reaglutinar as desgastadas forças rebeldes. Félix de Azambuja Rangel, subordinado ao coronel Francisco Pedro, afirma ter presenciado o momento em que seu comandante levou a carta para Caxias assinar e em seguida distribuir cópias entre os adversários. Por essa versão, os lanceiros negros não teriam sido traídos, e sim pegos de surpresa pelas tropas imperiais, assim como seus comandantes. 

Parece haver consenso entre os pesquisadores de que os lanceiros foram atacados em condições extremamente desfavoráveis, com inferioridade de armamentos, e que acabaram eliminados em quantidade considerável.

Somente nos últimos anos a importância e a dimensão da participação negra neste conflito têm recebido maior atenção. Hoje é possível afirmar com segurança que negros, índios e mestiços desempenharam papel fundamental na Guerra dos Farrapos não somente como soldados, mas também trabalhando em diversos outros setores importantes da economia de guerra, como nas estâncias de gado, na fabricação de pólvora e nas plantações de fumo e erva-mate cultivadas pelos rebeldes.

Apesar das promessas, em nenhum momento a República Rio-Grandense libertou seus escravos. A questão da abolição era controversa entre seus líderes. Ao mesmo tempo em que o governo rebelde prometia liberdade aos escravos engajados e condenava a continuidade do tráfico de escravos, seu jornal oficial, O Povo, estampava anúncios de fugas de cativos. Houve uma tentativa de abolição por meio de projeto apresentado na Assembleia Constituinte de 1842 por José Mariano de Mattos (1801-1866), que foi recusado. Anos após o fim do conflito, vários líderes farroupilhas ainda tinham escravos, como Bento Gonçalves (1788-1847), que morreu deixando 53 cativos para seus herdeiros.

O destino dos lanceiros negros no fim do conflito também é tema controverso. As negociações de paz, que resultaram na assinatura do Tratado de Ponche Verde em 1845, definiram que os escravos ainda engajados deveriam ser entregues ao barão de Caxias e reconhecidos como livres pelo Império. Sabe-se que, juntamente com outro grupo feito prisioneiro em batalhas, foram enviados ainda em 1845 para o Rio de Janeiro na condição de libertos, como noticiaram o Jornal do Commercio e o Diário do Rio de Janeiro de 26 de agosto daquele ano. Se de fato receberam a liberdade ao chegarem a seu destino, não se tem certeza. O ex-farroupilha Manuel Caldeira levantou suspeitas de que tenham sido novamente escravizados e levados para a Fazenda de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, agora como propriedade do Estado.

Alguns soldados negros podem ainda, ao longo do conflito, ter escapado para o Uruguai, formado quilombos ou mesmo buscado refúgio nas cidades, onde tentaram se passar por homens livres. Muitos permaneceram escravos no próprio Rio Grande do Sul. Um sobrinho-neto do general Antônio de Souza Netto (1801-1866) relata que, após a batalha de Porongos, uma parte dos lanceiros negros teria acompanhado seu antepassado farroupilha até sua propriedade no Uruguai, e que descendentes destes soldados viveriam até hoje nessa área rural conhecida como Estância “La Gloria”, na região de Paissandu. 

domingo, 13 de novembro de 2011

Semana Cultural Filhos de Aruanda e Netos de Zumbi !


Grupo Afropel Olodumaré
PROMOVE:
Semana Cultural                Filhos de Aruanda e                  Netos de Zumbi !
Tema: FILHOS DE MUITOS E IRMÃOS DE TODOS!                    
De 12 a 19 de novembro de 2011
ORIXÁS HOMENAGEADOS: Odé, Otim e Xapanã
Organização:                                                                GRUPO AFROPEL OLODUMARÉ
apoio:                                                                           Centro Africano de Pai Oxalá e Mãe Jurema,                 Reino de Ogum Onira e Xangô Agodô                                                                                   Reino de Tranca Rua e Beira Mar,                               Reino de Ogum Megê,                                                       C.E.U Caboclo Sete Flechas e Vó Maria Conga,                   C.E.U Cacique Caboclo e Rei Congo,                               Reino de Yansã Oyá, 
 e Secretaria Municipais...             
A X É...                                                   
SEMANA CULTURAL                                                 FILHOS DE ARUANDA E NETOS DE ZUMBI!
TEMA: SOMOS FILHOS DE MUITOS E IRMÃOS DE TODOS! Alusivo a                                                                                      SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA DE PELOTAS
CRONOGRAMA:
DIA: 12 DE NOVEMBRO      ÁS: 20 hs                                                                     
ABERTURA ESPIRITUAL  -  HOMENAGEM AO POVO DE EXÚ – TRANCA RUA                                                   RESPONSÁVEL:  CACIQUE FLÁVIO ROGÉRIO DE OGUM ( REINO DE OGUM MEGÊ )                        LOCAL: DANIEL LOPES R. MORAIS Nº 241  ( RUA 7 )  DUNAS                               APRESENTAÇÃO CULTURAL:                                                                                    DANÇARINOS (TAIFERSON, LUIZ MAURO E PAMELA)
DIA: 13 DE NOVEMBRO      ÁS: 15 hs                                                                             
ABERTURA OFICIAL DA SEMANA CULTURAL                                                                              FILHOS DE ARUANDA E NETOS DE ZUMBI!                                                                    RODA DE CONVERSA, COM O TEMA RELIGIOSIDADE, SAÚDE E EDUCAÇÃO!                                                           PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTES DAS ÁREAS CITADAS ACIMA!                        PALESTRANTE ANTROPOLOGA CARLA AVILÁ                                                                  E SERÁ CONTADO A HISTÓRIA DA MÃE NECI D’ OXALÁ “SUAS DORES, ALEGRIAS, ENCANTOS E SUA ENTRADA PARA O MUNDO AFRO-UMBANDISTA”                                                                      RESPONSÁVEL: BAIANO D’ OXALÁ ( GRUPO AFROPEL OLODUMARÉ )                                                         LOCAL: RUA PROFESSOR MÁRIO PEIRUQUE Nº 1010  BOM JESUS                                  1ª TARDE CULTURAL E LAZER NO BAIRRO – MUITAS ATRAÇÕES
DIA: 14 DE NOVEMBRO      ÁS: 10  hs                                                                          OFICINA DE DANÇA AFRO EM ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL                                 RESPONSÁVEL: (GRUPO AFROPEL OLODUMARÉ )
DIA: 15 DE NOVEMBRO    ÁS: 18  hs                                                          
HOMENAGEM AO POVO AFRICANO – VÓ CHINICA E COSMES                   RESPONSAVEL: ROSIMAR D’ YANSà (CENTRO AFRICANO DE PAI OXALÁ EMÃE JUREMA)        LOCAL: PROFº MARIO PEIRUQUE Nº 1010                                              APRESENTAÇÃO CULTURAL:                                                                     DANÇARINOS (AMANDA, MARCELO, PATRICIA, KAREN, AMANDA BORGES E LUANA)                                     
DIA: 16 DE NOVEMBRO    ÁS: 10  hs                                                                  OFICINA DE DANÇA AFRO  COM ALUNOS DE ESC. ESPECIAIS           RESPONSÁVEL: (GRUPO AFROPEL OLODUMARÉ)                                               
DIA:  17 DE NOVEMBRO    ÁS: 18  hs                                                                      
PASSEIO AFRO – HOMENAGEM AOS NOSSOS ORIXÁS                                       ENTREGA DE FLORES NA ESCADARIA DA IGREJA, RODA EM HOMENAGEM AOS ORIXÁS DA BEIRA DA PRAIA NA BALSA E                                                       RETORNO AO REINO DE MÃE NECI D’ OXALÁ!                                                                                                  RESPONSÁVEL: BAIANO D’ OXALÁ E MARTA D’ AGODÔ
DIA: 18 DE NOVEMBRO    ÁS: 20 hs                                                   
ENCERRAMENTO ESPIRITUAL – HOMENAGEM AO POVO CIGANO – CIGANO IGOR RESPONSÁVEL: CACIQUE ALEX SANDRO D’ XANGÔ(REINO DE BEIRAMAR E TRANCA RUA) LOCAL: RUA MONSENHOR SILVANA DE SOUZA Nº 192  BOM JESUS APRESENTAÇÃO CULTURAL:                                                                   DANÇARINOS (ANDRESSA, LARRÂNDER E MAXIMILIANO)
DIA: 19 DE NOVEMBRO    ÁS:  20 hs                                                                   
ENCERRAMENTO DA SEMANA CULTURAL                                                           FILHOS DE ARUANDA E NETOS DE ZUMBI!                                                           BAILE BLACK E ESCOLHA DA GAROTA PERÓLA NEGRA E GAROTO DIAMANTE... ERÊS DOS REINOS PARTICIPANTES                                                        RESPONSÁVEL: LOIRACY D’ OYÁ (CENTRO AFRICANO DE PAI OXALÁ E MÃE JUREMA)    LOCAL: RUA 4 Nº 234  BOM JESUS – “SEDE DO REI F. CLUBE”                                                                                 
·      OBS:
 NÃO SERÁ PERMITIDO A ENTRADA COM ROUPAS IMPROPRIAS PARA OS EVENTO RELIGIOSOS. EX: SAIAS CURTAS, ROUPAS DEGOTADAS OU TRANSPARENTE, BERMUDA, ROUPAS PRETAS E PESSOAS ALCOOLIZADAS.

Organização Grupo Afropel Olodumaré                                                                                           e Terreiros da Comunidade Bom Jesus e Dunas                                                                 APOIO: SECRETÁRIA DA IGUALDADE SOCIAL E DA CULTURA
                                           
e-mail: projeto.afropel08@gmail.com                                                                                                                   cel: 53-91403006 ou 53-32288967                                                                                                                       Baiano = Coordenador Afropel

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Primeira juíza negra no Brasil é indicada à premiação voltada a mulheres que fazem a diferença em políticas públicas


A juíza baiana Luislinda Valois, 66 anos, decretou a primeira sentença aos 9 anos, numa aula de matemática. A filha de Luiz, motorneiro de bonde (responsável por recolocar o carro elétrico no trilho), e da costureira Lindaura estava contente com o compasso de madeira que seu pai havia comprado à custa de muito suor. Quando o professor viu que o material não era de plástico, soltou: "Você não devia estar estudando, e sim cozinhando feijoada para branca!".
Juíza Luislinda Valois
Ainda hoje, 57 anos depois, os olhos da juíza negra e de cabelo rastafári do Brasil se enchem de lágrimas ao lembrar da cena que definiu seu futuro: "Vou ser juíza para te prender!", sentenciou. Luislinda não é mulher de desonrar palavra, mas resolveu usar o poder com gente mais precisada.
Lavadeira e miss
Filha de Iansã, orixá do candomblé que simboliza a encarnação de tempestades e raios, ela criou, em 2003, o projeto Balcão de Justiça e Cidadania (em parceria com a Fundação Norberto Odebrecht), que resolve conflitos de populações de bairros pobres de Salvador, áreas de remanescentes dos quilombos e comunidades indígenas.
Por feitos como esse, tem passagem livre em lugares como o bairro da Paz, a região mais violenta da capital baiana. Mas não é de agora que Luislinda gosta de desafio. Aos 7 anos, lavava fraldas para pagar o curso de datilografia. Aos 15, com a morte da mãe, virou chefe da casa que dividia com três irmãos e o pai.
Na escola, era a primeira da sala. Antes de cursar Direito, foi eleita Miss-Mulata Bahia e estudou teatro e filosofia. Em 1991 passou em primeiro lugar em um concurso nacional para a Advocacia Geral da União. Virou juíza em 1984 e até hoje não abre mão de seus colares de conta do candomblé nas audiências. "Só de olhar, sei se uma testemunha vai mentir", garante.
Negra, pobre, divorciada e rastafári

Luislinda já não participa dos projetos que criou, mas escreve um livro sobre a influência negra nas metrópoles e passa férias na casa do único filho, o promotor de justiça Luis Fausto, em Aracaju (SE), com suas duas netas. Com a consciência apoiada num confortável travesseiro, ela dorme tranqüila.
Em casa Luislinda sempre falou para eles que ser negro é maravilhoso. Mas também que não era para deixar ninguém tomar conta deles. "Sou muito séria nas minhas posições. Não posso vacilar, afinal sou negra, pobre, vim da periferia, sou divorciada e ainda sou rastafári", brinca.
A autora do livro "O negro no século XXI", publicado em 2009 fica orgulhosa. A obra reúne artigos sobre temas variados como cultura, educação, políticas públicas, justiça social e religião. Todos mediados pela experiência negra no país pós-escravidão.
Luislinda também foi a primeira a dar uma sentença tendo como base a Lei do Racismo. Foi a ação movida por Aila Maria de Jesus, que se recusou a abrir a bolsa num supermercado, depois de ter sido acusada injustamente de ter roubado um frango e um sabonete.
Juíza é indicada ao Prêmio Claudia 2010
Luislinda concorre ao Prêmio Claudia 2010, principal premiação voltada para a mulher brasileira, que neste ano está na 15ª edição.
A juíza se junta a outras 14 indicadas ao prêmio, que contempla, além de mulheres que fazem a diferença nas áreas de políticas públicas, outras que participam nas categorias ciências, negócios, trabalho social e cultura. Uma homenageada especial, reconhecida pelo conjunto de sua obra, também é eleita todos os anos.
Além dos leitores, a própria redação da revista Claudia e uma comissão de notáveis, formada por dois representantes de cada quesito, escolherão a vencedora.
Com o propósito de valorizar exemplos de generosidade, de coragem e perseverança que existem na mulher brasileira, o Prêmio Claudia tornou-se uma referência para o público. É a maior e mais importante premiação da capacidade da mulher de transformar sua realidade com iniciativas originais que podem ser replicadas. Firmou-se como a grande celebração da força feminina no Brasil, além de ser um projeto assinado pela revista que é líder absoluta em seu segmento no país e na América Latina.
Ao todo, o prêmio já consagrou 70 mulheres, entre elas Fernanda Montenegro, Mayana Zatz, Luiza Helena Trajano e Nicette Bruno. No ano passado a atriz Bibi Ferreira foi contemplada com a homenagem. (Com informações de Revista TPM, Juruá Editora, Bahia Notícias, Correio 24 horas e Linhas & Laudas).

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Lanceiros Negros, o lado B que a história gaúcha insiste em esconder


Entre 1835 e 1845 o império brasileiro testemunhou o mais longo conflito ocorrido em nosso território, a Revolução Farroupilha. E, é neste contexto histórico, que surgiram os lanceiros negros farroupilha. Recrutados em meio aos negros campeiros e domadores da atual Região Sul do Estado gaúcho (Canguçu, Pelotas, Bagé, Piraí...), os lanceiros quando na sua fundação foram organizados em duas divisões: "uma de cavalaria, e a outra de infantaria, criados respectivamente, em 12 de setembro de 1836 e 31 de agosto de 1838". As referidas divisões, segundo o historiador e oficial do Estado Maior do Exército Brasileiro, Cláudio Moreira Bento "eram constituídas basicamente, de negros livres ou de libertos pela República Rio-Grandense,(...)."


Temidos pelo fato de serem truculentos e ao mesmo tempo exímios esgrimistas, esses combatentes, sobretudo a cavalaria, utilizava como equipamentos de combate: lanças compridas; coletes de couro cru; esporas afiadas presas aos pés e boleadeiras. A boleadeira, por exemplo, quando arremessada capturava o inimigo que por ventura estivesse distante de uma montaria.
Subordinados a vários ex-oficiais do militarismo imperial brasileiro, entre eles, os idealizadores dos lanceiros, coronéis Joaquim Pedro Soares e Teixeira Nunes, o efetivo formado pela parcela mais discriminada da população, isto é, os negros, ocuparam um importante destaque na nomenclatura do conflito. Isto porque, foram muitas as batalhas em que os milicianos agiram em defesa dos mesmos objetivos ensejados pelos revolucionários, ou seja, o de garantir um futuro melhor e mais justo para todos os provincianos.
Sob os olhares de Bento Gonçalves, do casal Garibaldi e de David Canabarro, os revolucionários negros participaram efetivamente da tomada de Porto Alegre, da conquista de Laguna, e do conflito na Região de Lages, além da Batalha de Porongos.
De acordo com historiadores, Canabarro teria ordenado desarmar os cerca de 600 lanceiros na noite de 14 de novembro de 1844. Tal determinação não chamaria a atenção, se ela não tivesse sido transmitida na mesma noite do ataque imperialista. São muitas as fontes afirmando o "pacto de extermínio dos negros com Caxias para que não houvesse impedimento na assinatura do tratado de paz com os revoltosos". A realização do provável acordo "arquitetado por Caxias ''tinha embasamento alicerçado em duas vertentes naturais. Ao exterminar o maior número de negros possível, certamente diminuiriam também as exigências dos revoltosos no que tange o acordo de paz. Por outro lado, "manter a liberdade do grande contingente negro com experiência militar era um grande risco para sociedade".
Desarmados e sem apresentar nenhuma reação, a tropa de choque mais temida do Sul brasileiro foi dizimada no cair da madrugada. Infelizmente, o passado relacionado aos lanceiros negros farrou pilha sempre esteve atrelado aos bastidores da historiografia oficial, e somente em 1870, é que surgiu o primeiro livro sobre o assunto.

De 07 a 20 de setembro, a história deste grupamento será relembrada na maior festa popular do Rio Grande do Sul através da Semana Farroupilha.

A força está no cabelo


Negra, Negra!
Solte esse cabelo!
Pois seu cabelo é beleza!
Seu cabelo são as forças da natureza!

Seu cabelo não é sensual, exótico ou misto de inferioridade estético ocasional!
Seu cabelo é a representação de nossos ancestrais!
A continuação de Lélias Gonzáles, Ângela Davis, Rainhas Nzingas e Cleopatas!

Negra, Negra!
Solte esse cabelo deixe os alisantes!
Tire-o das correntes das queimaduras constantes

Negra nosso cabelo não é ruim, duro ou feio!
Nosso cabelo é a concretização geométrica!
O ideal dos múltiplos formatos!
O volumoso matemático!

Negra dê o grito de liberdade e resgate nossa ancestralidade
Diga não a discriminação introjetada pela opressão
daqueles que só nos fizeram mal!

Negra Nanã, Oxúm,Iansã, Iemanjá e tantas outras deusas africanas são o símbolo de nossa beleza.
Negra nossa beleza é africana originada das mais belas abstrações míticas!
Negra somos a arte em carne e sangue

Poesia de: Luane Bento dos Santos

Energias da natureza

Já nem sei mas quem sou. sou a fusão de todas as energias da natureza, que ficaram de Atlântico para cá.
Tem horas que me sinto meio terra, meio vento, meio mar, meio água doce, meio barro, meio folha, meio fogo, meio trovão, meio a morte
, entremeios a vida.
É pois é sou minha ancestralidade!
Sou mandiga!
Sou feiticeira!
Sou cabocla!
Sou preta, negra, retinta, dourada!
Sou o conjunto de África!

Luane Bento do Santos




Poesia de: Luane Bento dos Santos

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cinco evidências que Jesus não era branco


A questão da cor de Jesus sempre foi um tema polêmico, evocando fortes paixões tanto a favor como contra a negritude e branquitude de Cristo. Tem uma brincadeira que os negros norte-americanos costumam dizer sobre três maneiras que prova que Jesus era Negro:

  • Ele chamou todos de  irmãos,
  • Gostava do Evangelho, e
  • Ele não poderia ter um julgamento justo.

 
Brincadeira  à parte, o fato é que existe fortes evidencias bíblicas que Jesus não era branco. Vejamos 5 delas:

  1. Jesus nasceu em Africa. Os Evangelhos dizem de maneira explícita que Jesus nasceu em “Belém de Judá, no tempo do rei Herodes” (Mt 2,1 cfr. 2, 5.6.8.16), (Lc 2, 4.15), (Jo 7, 40-43). Nos tempos antigos, incluindo o tempo de Jesus, Belém de Judá era considerado parte de  África. Até a construção do Canal de Suez, Israel fazia parte da África. Esta visão haveria de perdurar até 1859, quando o engenheiro francês Ferdinand de Lesseps pôs-se a construir o Canal de Suez. A partir daí, foi a África separada não somente geográfica, mas sobretudo histórica, cultural e antropologicamente do que hoje chamamos Oriente Médio. Aquela milenar extensão da África passa a figurar nos mapas como se fora Ásia. 
  2. Jesus tinha presença negra na linhagem familiar. A genealogia de Jesus foi misturada com a linha de Cam desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia. Nos antepassados de Jesus através de Cam, lado feminino desta mistura, há cinco mulheres mencionadas na genealogia de Jesus Cristo ( Tamar, Raabe, Rute, Bateseba e Maria) (Mateus 1:1-16). As primeiras senhoras mencionadas eram de descendência de Cam. Assim, Jesus pode ser aclamado etnicamente pelos povos semitas e descendentes de Cam.
  3. Jesus era da tribo de Judá, uma das tribos Africanas de Israel. Ancestrais masculinos de Jesus vêm da linha de Sem (miscigenados). No entanto, a genealogia de Jesus foi misturada com a linha de Cam desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia. O antepassado de Jesus através de Cam é narrado em Gênesis 38: então Tamar, a mulher Cananéia (Negra) fica grávida de Judá, e dá à luz aos gêmeos Zerá e Perez, formando a Tribo de Judá, antepassados do rei Davi e de José e Maria, os pais terreno de Jesus. 
  4. Jesus se escondeu entre os Negros. Não foi por acaso que Deus enviou a Maria e José para o Egito com o propósito de esconder o menino Jesus do rei Herodes (Mateus 2:13). Ele não poderia ter sido escondidos no norte da África se fosse um menino branco. Não por proteção militar já que nessa época o Egito era uma província romana sob o controle romano, mas porque o Egito ainda era um país habitado por pessoas negras. Assim, José, Maria e Jesus teriam sido apenas mais uma família negra entre os negros, que tinham fugido para o Egito com a finalidade de esconder Jesus de Herodes, que estava tentando matar o menino. Se Jesus fosse branco, loiro de olhos azuis, teria sido difícil para ele e sua família se esconder entre os egípcios negros sem ser notado. O povo hebreus era muito parecido com povo egípcios, caso contrario  teria sido difícil reconhecer uma família hebraica entre os egípcios Negros. Foi no Egito que o povo de  Israel  teve seu auge da negritude, Setenta israelitas entraram no Egito e lá ficaram  durante 430 anos, trinta anos os israelitas foram hóspedes, e 400 anos  cativos no Egito, eles e seus descendentes se casaram com não-israelitas, chegando a mais de 600.000 homens, mulheres e crianças. Saíram do Egito uma multidão misturada. Etnicamente, os seus antepassados eram uma combinação de afro-asiáticos. 
  5. Jesus era semelhante pedra de jaspe e de sardônio. Em apocalipse a Bíblia continua mostrando a negritude de Jesus. Ele é chamado o Cordeiro de Deus segundo as Escritura Sagrada, com seu cabelo lanoso, sendo comparado a lã de cordeiro, e os pés com a cor de bronze queimado(Apocalipse 1:15), com uma aparência semelhante pedra de jaspe e de sardônio (Apocalipse 4:3), que são geralmente pedras amarronzadas. As cores de jaspe e sardônio não são únicas e absolutas, são diversas cores.

Fonte: Afrokut