Nego Drama

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Conselho Tutelar tem um membro do Movimento Negro de Pelotas

Por Cláudio Rodrigues


O dia 13 Novembro de 2009 ficará marcado para sempre no coração de José Assumpção Conceição. Ele é mais um militante do Movimento Negro de Pelotas que obteve êxito em contrariar as estatisticas e ascender politica e socialmente dentro de nossa sociedade.

"Nego Zé", como é conhecido pela grande maioria com quem se relaciona, afirma que "Não concordava com a linha de pensamento de alguns militantes do Movimento Negro, das décadas de 80 e 90. Por isso não participava ativamente de reuniões, mas sempre lutou em prol do negro por sofrer na pele as discriminações e preconceitos de uma sociedade racista."

Para se traçar um breve histórico de nosso Conselheiro Tutelar, Nego Zé é Educador social, há aproximadamente dez anos, na secretaria de cidadania do município; ativista social e cultural, nas rodas de samba da cidade; acadêmico em ciências sociais, pelo ISP/UFPEL, e também voluntário da ronda da cidadania.


Parabéns Nego Zé!
São os votos de todos que confiaram e apostaram em ti

sexta-feira, 22 de maio de 2009

II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Porto Alegre


Nos dias 22 e 23 de maio de 2009 será promovida a II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Porto Alegre.



Participarão como delegados:

Cláudio Rodrigues e Nara Louro - Saúde da população negra.

Ledeci Lessa Coutinho - Terra e trabalho.

Sandro Mesquita e Lisiane Lemos - Inclusão, segurança e cultura.

Francine Pinto e Sandra Obama - Política internacional.

Joseph Handerson e Ivete Oliveira da Silva -
Educação.

Geovane Lessa - Geração de trabalho e renda.

Carla Ávila - Moradia.



Também participam os militantes: Professor Éder Coutinho, como observador; Ademar Ornel e Cláudia Ferreira pelo poder público; Sérgio Dorneles representante do o CODENE.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Divergências sobre presidência e religião marcam preparatória de conferência

Por Juliana Cézar Nunes, colaboradora do blog
e integrante da Comissão de Jornalistas
pela Igualdade Racial do DF (Cojira-DF)



Genebra - Representantes de governos e organizações da sociedade civil trabalham para concluir, até o final de semana, o documento preliminar da Conferência de Revisão de Durban, a ser realizada de 20 a 24 de abril, na sede das Nações Unidas (ONU), em Genebra.


Durante as reuniões do comitê preparatório, as delegações tentarão resolver diversos impasses. Entre eles, a escolha do presidente da conferência. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a ser cotado para o cargo, mas descartou a possibilitade em virtude de outros compromissos assumidos e em respeito às candidaturas africanas.


O governo do Quênia apresentou o nome do procurador-geral do país. A indicação recebeu uma objeção do relator especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston. Os representantes europeus seguiram a objeção e também fizeram restrição à candidatura queniana.

Esta semana, os países africanos reiteraram a indicação do nome do procurador-geral e solicitaram razões pelas quais fora rejeitado. As negociações prosseguem nos bastidores e transformam os encontros preparatórios em reuniões fechadas. Outro impasse central seria a reivindicação dos países islâmicos para que seja estabelecido no documento base da conferência um parágrafo sobre proteção às religiões. Os europeus são contrários e defendem uma redação que proteja, na verdade, o direito dos indivíduos à religião.

A disputa gira em torno do texto final do parágrafo 11, o qual “reconhece com profunda preocupação os estereótipos negativos de religiões que resultam na negação ou ameaça aos direitos de pessoas com elas associadas, e o crescimento global no número de incidentes de intolerância racial ou religiosa”.


Após o 11 de setembro, as comunidades islâmicas passaram a apontar o ressurgimento da difamação religiosa, termo que os Estados Unidos e União Européia consideram inaceitável. “A conferência estava bem adiantada, com as tratativas próximas de um acordo, mas, na quinta-feira, as posições tornaram-se mais difíceis.


Há uma certa resistência, tanto por parte da União Européia quanto por dos grupos de países islâmicos, na aceitação de uma determinada redação que se refira a questão da difamação religiosa e de incitação ao ódio religioso. "É isso que vamos tentar clarear”, afirmou a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, delegada permanente do Brasil em Genebra. De acordo com Azevedo, as delegações pretendem seguir logo para reuniões pequenas e informais sobre temas mais controversos, tais como os mecanismos de segmento da Conferência de Durban, o tráfico de escravos, holocausto e genocídios.


“Esses outros temas eu vejo com mais otimismo quanto ao resultado. O problema maior é a questão religiosa. Há um facilitador russo, que tem a partir de consultas construído um texto. Como o Brasil e os países da América Latina têm posições mais equilibradas e centradas em temas de racismo, nossas posições acabam sendo de compromisso. O Brasil tem participado fazendo a ponte entre extremos”, ressalta a embaixadora.


Para ela, caso os impasses sejam resolvidos, a presença de ministros de Estado na conferência pode ser reforçada. Os países não querem correr o risco dos ministros virem a Genebra para trabalhar a partir de um texto controverso. A tendência, no entanto, é que as delegações cheguem a um consenso, uma vez que temem o insucesso da revisão de Durban.

O fracasso poderia representar a deslegitimação dos mecanismos multilaterais de ação.“Eu reconheço que existem divergências legítimas de visão sobre alguns assuntos que estão em debate nesse processo de revisão de Durban. Para encontrar uma base comum nesses assuntos, necessitamos trabalhar juntos e em boa fé, com as mentes abertas e o pensamento construtivo”, disse a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navanethem Pillay. Segundo Pillay, a luta contra a intolerância deve ser o principal interesse de todos. “O processo de negociação do documento preliminar demonstra que um acordo amplo é possível”, considerou a alta comissária.

ASSINATURA

PEÇO A TODOS QUE UTILIZEM ESSA FERRAMENTA PARA COMUNICAÇÃO
QUE FAÇA SUA ASSINATURA EM BAIXO.
OU CITEM A FONTE DA MATÉRIA!!!!!




CLÁUDIO RODRIGUES

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cresce Mobilização para a II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial

Montenegro sedia o encontro da Região 1, que abrange a Região Metropolitana, Vales dos Sinos, do Caí, do Paranhana e do Jacuí. Governos Federal, Estadual, Municipal e Sociedade Civil constróem o encontro juntos.

Nos dias 22 e 23 de maio, Porto Alegre sedia a II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (II COEPIR) do RS, a qual pretende mobilizar os quilombolas, as comunidades de terreiro, os clubes sociais negros, os mestres de capoeira, os artistas, a juventude, as mulheres, as associações de samba, os núcleos de estudos étnicos, os povos indígenas, as populações ciganas, os palestinos e judeus em solo gaúcho, bem como todos os setores interessados na promoção da igualdade na diversidade.

O foco central da II COEPIR é a análise dos "Avanços, Desafios e Perspectivas da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR)", com prioridade no debate sobre os seguintes temas: Terra, trabalho, educação e saúde.

Segundo a Coordenadora Estadual de Promoção da Igualdade Racial do RS (COPIR/SJDS www.sjds.rs.gov.br), Sátira Machado, o encontro é um divisor de águas. "O diálogo sobre a igualdade racial chega aos lugares mais longíquos do Rio Grande do Sul. São novas vozes, novas lideranças gaúchas emergindo. Mais e mais municípios estão fortalecendo as parcerias com a sociedade civil, nomeando gestores e conselheiros, com o objetivo de impulsionar as políticas públicas de igualdade racial.", destaca.

A II COEPIR é organizada pela Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social do RS, através do Departamento de Direitos Humanos, em conjunto com a Sociedade Civil. A II COEPIR é precedida da Etapa Regional, conforme calendário: Região 1- Montenegro: 18 de maio; Região 2 - Santa Cruz do Sul: 18 de maio; Região 3 - Caxias do Sul: 8 e 9 de maio; Região 4 - Osório: 14 de maio; Região 5 - Pelotas: 16 de maio; Região 6 - Santana do Livramento: 9 de maio; Região 7 - Santa Rosa: 15 de maio; Região 8 - Santa Maria: 16 de maio; Região 9 - Passo Fundo: 15 de maio.

Alguns municípios realizarão encontros municipais para participar das etapas Regional e Estadual, antecessoras da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (25 a 28 de junho - DF).

As propostas apresentadas na II COEPIR serão incluídas na Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, documento que servirá de subsídio para a construção do Planoi Estadual de Promoção da Igualdade Racial, a ser aderido também pelos municípios gaúchos.

Mais informações através do e-mail:conferenciaigualdaderacialrs@gmail.com
PORTAL DA NEGRITUDE GAÚCHA

sábado, 21 de fevereiro de 2009

9° Acampamento de Cultura Afro da Região Sul

Data - De 20 a 22 de março de 2009

Local - Galpão Crioulo do Camping

Organização - Vera Lucia Rodrigues Duarte - gd Afro Munjolo

Descrição do evento
- A Associação do Movimento Popular de Cultura Afro - Região Sul/RS, tem o prazer de convidar a participar conosco do “IX Acampamento Regional de Cultura Afro".


Principais objetivos - Resgatar a Cultura Afro Regional, valorizando e estimulando os grupos já existentes; fomentar a integração Cultural entre os municípios da região.

Resgatar a dignidade e a alegria de nossos afro-descendentes junto à sociedade, através da musica, dança, artes plásticas, artesanato, canto, capoeira, culinária, seminários, ferramentas excelentes para nos conduzir à reflexão de nossa realidade, resistência de nossa luta.

Nos últimos anos, a luta dos afro-gaúchos pelo reconhecimento pleno de sua cidadania, cultura e religião avançou significativamente, graças à organização da comunidade afro, juntamente com seguimentos da sociedade, os quais se uniram aos negros na luta contra a discriminação.


Informes:

1) Chegada: 20 de março, a partir das 13h.

2) A Programação será composta de música, dança, painéis, oficinas, apresentações artísticas, desfile afro, lazer e diversão.

3) Recepção e Credenciamento: dia 20, a partir das 13 horas.

4) Trazer: material para café, barraca, colchonete, pratos, talheres, roupa de cama.

5) Cada delegação deverá trazer também duas bandeiras, sendo uma do município e outra da entidade.


Valores:

Estadia do Camping – Livre (não será cobrada na portaria pela administração do Camping).

Alimentação – R$ 4,00 para refeição.

Certificado –R$ 2,00.

7) Durante o acampamento ocorrerá a 9ª Edição do Concurso Pérola Negra Região Sul/RS, Escolha da Musa do Acampamento e do Mais Belo e Criativo Traje Afro.

8) Confirmação de presença, envio de listagem e ficha de inscrição (concurso) até 19/03, pelo e-mail kilombomunjolo@yahoo.com.bryanassoafro@hotmail.com aos cuidados de Vera Duarte.



Observação: A AMOPOCUA não se responsabilizará por possíveis perdas de qualquer gênero e não será permitida a utrilização do Galpão Crioulo como alojamento.

Soweto: O bairro mais negro de Johanesburgo

Fonte: Diario Catarinense


Soweto, o bairro mais negro de Johanesburgo, e também o mais cheio de história. Foi lá, na época do Apartheid, que moravam todos os negros; a maior parte em condições subumanas.

Hoje, é praticamente uma cidade, onde podem se avistar boas casas, de alvenaria, casinhas de madeira, trailers e casebres de papelão e pedaços de tábuas. Difícil de acreditar que permanecem em pé. As crianças são lindas e o povo é bastante receptivo aos turistas.

Uma curiosidade: nunca pedem esmola. Querem vender seus produtos, não mendigar. Muito legal este orgulho do povo africano.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

De um lado, o Carnaval; de outro... a fome total!


Por Maurício Pestana
(Presidente do Conselho Editorial
da revista Raça Brasil)
pestana.raca@escala.com.br


A cultura, em um mundo globalizado, é setor estratégico em vários países. Prova disso são os relatórios do Banco Mundial, indicadores que 7% do PIB do planeta provêm deste produto.

A América Latina e a África, apesar da diversidade cultural que possuem, não somam 4% da movimentação desse mercado em que apenas cinco paises controlam 60% de toda a produção. Somente as empresas de Hollywood possuem 80% das salas de cinemas de todo o planeta. No Brasil, segundo os últimos dados do IBGE, a indústria cultural conta com mais de 269 mil empresas e emprega 1, 4 milhão de pessoas (sem contar a economia informal).

Em um país onde a cultura negra é patente, presente em todos os aspectos, tais como música, culinária, religião, artes visuais, moda, dança, entre outros, torna-se praticamente impossível pensar no Brasil sem reportar à sua influência. E qual a contrapartida econômica que esta contribuição tem dado a nós negros?

Nas vésperas de realizar o maior evento cultural do país, o Carnaval, ressurge a velha história: quando se trata de setores estratégicos e lucrativos, mesmo sendo nós os protagonistas da festa, não levamos a maior parte do bolo. Das grandes escolas de sambas, concentradas principalmente no eixo Rio-São Paulo, a maioria não é mais comandada por famílias negras, como no passado, quando o Carnaval não era um negócio lucrativo dos milhões de dólares dos dias atuais.

Se focalizarmos a cidade onde a cultura negra é soberana - onde mais de 80% de sua população é negra - o retrato será igualmente desolador e a história se repete: os que mais lucram no Carnaval de Salvador não são os negros. Registrado no Guinness Book como a maior festa popular do mundo, o Carnaval soteropolitano, neste ano, tem investimentos astronômicos de empresas que vão de grandes cervejarias à telefonia móvel, passando pelas de cartões de créditos, entre outros gigantes financeiros.

A cobertura jornalística se fará em180 paises, através de 24 jornais (oito internacionais e 17 nacionais) e 37 emissoras de televisão estrangeiras. Estima-se que mais de dois milhões de pessoas circularão durante a festa, (das quais 450 mil são turistas brasileiros e do exterior) , o que gera uma receita de US$ 87.000.000, segundo as Secretarias de Cultura e deTurismo da Bahia (Bahiatursa).

Mas não são necessárias estatísticas para demonstrar a nítida desigualdade!O protagonismo negro apresenta-se maciçamente na outra ponta da economia, a dos trabalhos informais, como cordeiros de blocos, ambulantes de acarajés, picolés, venda de coco na praia, catadores de latinhas, evidências incontestáveis da verdadeira face do Apartheid social e racial existente na principal cidade negra do país.

Em meio a todas essas desigualdades, e depois de muitos protestos dos blocos Afros, algumas ações do governo têm procurado atenuar as disparidades. Uma delas é o programa Ouro Negro, que, no ano passado, distribuiu R$ 3,7 milhões de reais como apoio a 106 blocos de matriz africana, os quais, sem esse auxílio, não teriam condições de sair às ruas.

Outra importante iniciativa é o incentivo ao turismo étnico, com o objetivo de alavancar negócios na comunidade negra, ainda tímida diante do tamanho da desigualdade que, nos dias de hoje, mudaria o verso do poeta Vinicius de Moraes para: "Se o samba nasceu lá na Bahia e se hoje ele é branco na poesia, ele é ..." branco demais também na divisão dos lucros!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cursos afro terão R$ 3,6 milhões em 2009!



Conforme solicitação de 72% dos municípios, em seus planos de ações articuladas (PAR), a formação de professores na temática étnico-racial, história e cultura afro-brasileira, o Ministério da Educação selecionou 27 universidades públicas, federais e estaduais, para organizar os cursos e produzir material didático-pedagógico em 2009.

Para executar essa tarefa, as universidades terão R$ 3,6 milhões. Cada projeto recebeu, no final de 2008, entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Entre as 27 universidades, o Ministério escolheu duas instituições para organizar livros e criar vídeos para uso de professores e alunos nas salas de aula.

A UFSCar vai produzir livros para o professor e para o aluno das séries finais do ensino fundamental, e a UFRGS vai criar um vídeo sobre a história da África. Entre as instituições que farão seleção para curso no início deste ano, está a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Campus da cidade de Jequié.

O curso está previsto para começar em 21 de março. Entre as disciplinas do currículo elaborado pela UESB, estão a antropologia das populações afro, história e cultura afro-brasileira, diversidade lingüística. As aulas terão início em fevereiro.

Entre os temas a serem abordados, estarão a literatura africana e afro-brasileira, violência e relações raciais, estudos sobre a África, relações étnico-raciais no Brasil, territórios quilombolas, saúde e grupos étnico-raciais.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Oliveira Silveira: Tua presença na ausência fortalece a nossa luta!


"...Nossos mortos não morreram, eles estão presentes entre nós.."
(Birago Diop - poeta africano senegalês)


O professor, poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira morreu nesta quinta-feira, 01/01/09, em Porto Alegre. O óbito ocorreu na noite do Dia Mundial da Paz, em decorrência de um câncer, no Hospital Ernesto Dornelles, onde estava internado há 15 dias.

Natural de Rosário do Sul (RS), era formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especialização em língua francesa, e professor aposentado da rede pública de ensino. Era divorciado. Deixa filha e netos. Seu corpo será cremado amanhã, em cerimônia reservada. As cinzas serão transportadas para sua cidade natal, de acordo com desejo expresso a familiares e amigos.

Era conhecido nacionalmente pelo 20 de Novembro - cujas comemorações se iniciaram em 1971 pelo Grupo Palmares, na capital gaúcha -, como data referência para os afro-brasileiros em contraponto ao 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura.

Em sua homenagem, deixamos aqui postado um dos poemas mais forte, belos e reconfortantes. Assim como o convite para inspirados em teus versos permanecermos firmes na luta iniciada por ti. Que Oxalá te receba com a distinção a qual sempre fizeste por merecer. Axé!



Treze de Maio

Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão

Liberdade de asas quebradas como este verso.

Liberdade asa sem corpo: sufoca no ar, se afoga no mar.

Treze de maio – já dia 14 o Y da encruzilhada: seguir banzar voltar?

Treze de maio – já dia 14 a resposta gritante:pedir servir calar.

Os brancos não fizeram mais que meia obrigação

O que fomos de adubo o que fomos de sol ao que fomos de burros cargueiros

o que
fomos de resto o que fomos de pasto senzala porão e chiqueiro

nem com pergaminho nem pena de ninho nem cofre de couro nem com lei de ouro.

O que fomos de seiva, de base, de Atlas o que fomos de vida e luz chama

negra em
treva branca quem sabe só com isto:

que o que temos nós lutamos para sobreviver e também somos esta pátria em nós

ela está plantada nela crispamos raízes de enxerto mas sentimos

e mutuamente
arraigamos quem sabe só com isto:

que ela é nossa também, sem favor, e sem pedir respiramos seu ar a largos narizes

livres bebemos à vontade de suas fontes a grossas beiçadas fartas tapamos-

destapamos horizontes com a persiana graúda das pálpebras escutamos seu

baita
coração com nosso ouvido musical e com nossa mão gigante

batucamos no seu
mapa, quem sabe nem com isso

e então vamos rasgar a máscara do treze

para arrancar a dívida real com nossas
próprias mãos.


Oliveira Silveira Banzo - Saudade Negra

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pesquisa aponta aumento da proporção da população negra no país



Fonte: G1
(de 16/12/2008)


A proporção de negros no país, entre 1993 e 2007, passou de 45,1% para 49,8%, de acordo com a terceira edição da pesquisa “Retrato das Desigualdades”, divulgada nesta terça-feira. Entre a população masculina, os negros são maioria desde 2005, representados por 51,1% da população; enquanto os brancos são 48,1%. Já entre as mulheres, a tendência de crescimento também é verificada, mas as mulheres negras ainda são minoria: 48,5% frente a 50,6% da população branca.



O aumento da população identificada como preta ou parda ocorre em praticamente todas as faixas etárias, o que indica, conforme a pesquisa, que o aumento da população negra no país não é causado por uma maior taxa de natalidade entre os negros. Segundo os pesquisadores, o aumento da população negra não está relacionada ao número de filhos, mas ao auto-reconhecimento das pessoas como negras.

A ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, ressaltou que a política de cotas tem sido um elemento absolutamente importante para o crescimento dessa auto-afirmação. Outro fator observado na pesquisa é o envelhecimento, quando este também é uma tendência observada no país.

Entre 1993 e 2007, o grupo de homens brancos com 60 anos ou mais passou de 8,2% para 11,1%, enquanto o de negros nessa mesmo faixa etária aumentou de 6,5% para 8%. Entre as mulheres, no mesmo período, o grupo de brancas passou de 9,4% para 13,2% e o de mulheres negras nessa faixa etária passou de 7,3% para 9,5%.


Chefia de família

Um dos principais indicadores da pesquisa referentes à estrutura familiar indica que, entre 1993 e 2007, houve um crescimento das famílias chefiadas por mulheres. O índice passou de 22,3% para 33%. A tendência é observada, de acordo com o levantamento, tanto em famílias da zona urbana quanto da zona rural, mas de forma mais intensa nas áreas urbanas. Do total das famílias chefiadas por mulheres, houve um decrescimento das monoparentais femininas, de 63,9% em 1993 para 49,2% em 2006. Já entre as famílias chefiadas por homens notou-se o crescimento do número de famílias monoparentais masculinas, de 2,1% em 1993 para 3% em 2007.


Educação

No que diz respeito à educação, a pesquisa revela desigualdades racial e de gênero no acesso à escolaridade. Em 1993, a taxa de analfabetismo para homens brancos de 15 anos ou mais era de 9,2%, passando a 5,9%, em 2007. Entre as mulheres brancas na mesma faixa etária, o índice passou de 10,8% para 6,3%, e entre as mulheres negras passou de 24,9% para 13,7%. Mesmo com a redução observada nas taxas de analfabetismo para os diversos grupos, as desigualdades entre os grupos raciais, segundo a pesquisa, ainda são significativas (mais de oito pontos percentuais entre homens brancos e negros e mais de sete pontos percentuais entre as mulheres destes grupos). Com relação aos anos de estudo, houve um aumento médio de dois anos de estudo no período analisado pela pesquisa, em todos os grupos etários, de gênero e raciais.

Saúde

Os cânceres de mama e de útero são os mais frequentes na população feminina e, segundo a pesquisa, a doença está entre as principais causas de morte de mulheres entre 30 e 60 anos, ao lado de doenças circulatórias e mortes provocadas por causas externas. Em 2003, no entanto, ainda de acordo com o levantamento, 32% das mulheres que moravam em áreas urbanas nunca haviam realizado o exame clínico de mamas. Em áreas rurais, esse índice sobe para 63% das mulheres, no mesmo ano.Ainda em 2003, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi responsável por 63,5% dos atendimentos e 69,3% das internações no país. Para a população branca, esse índice corresponde a 54% dos atendimentos e 59% das internações. Quando os dados do SUS são referentes à população negra, os atendimentos e internações correspondem, respectivamente, a 76% e 81,3%. Pouco mais de 33% dos brancos possuem plano de saúde privado e menos de 15% dos negros estão na mesma situação.


Saneamento

Quase a totalidade dos domicílios urbanos do país (98%) contam com coleta de lixo, o que corresponde à ampliação de uma cobertura que, em 1993, chegava a 85% das cidades. Não há distinção na distribuição desse serviço entre domicílios chefiados por homens e mulheres e mesmo entre os brancos e negros a diferença é de menos de três pontos percentuais (99% das casas chefiadas por brancos e 96,7% das chefiadas por negros). A Região Nordeste é a que apresenta o menor percentual de domicílios cobertos por esse serviço (94,2%). O serviço de esgotamento sanitário atende a 82,3% dos domicílios. As desigualdades de raça, região e renda com relação a esse serviço são destacadas pelo estudo. Enquanto 88% dos domicílios chefiados por brancos possuíam esgotamento sanitário em 2007, esse percentual era de 76% para os domicílios chefiados por negros.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Agenda Negra de Dezembro

01 – Rosa Parks recusou-se a ceder lugar no ônibus para um branco, no Alabama (USA) sendo presa por isso, em 1955. Este fato provoca o início do movimentopelos direitos civis nos Estados Unidos.– Dia Mundial de Luta contra a AIDS.02 – Dia Nacional do Samba.06 – Morreu João Cândido Felisberto, em 1969.- Faleceu João do Vale, cantor e compositor, em São Luís, Maranhão, em1996,Sendo sepultado em sua cidade natal, Pedreiras.- Falece, em 1961, o célebre psiquiatra martinicano, Frantz Fanon, autor dos Livros “Escuta Branco”, “Os condenados da Terra” e “Pele Negra, Mascarasbrancas”.07 – Independência da Costa do Marfim, em 1960.10 – Dia da Declaração dos Direitos Humanos, instituído em 1948, pela ONU.- Proclamação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.- Fundação do M.P.L. A – Movimento Popular de Libertação de Angola, em1956.11 – Independência do Kênia, em 1963.13 – Início da Balaiada, em 1838, no Maranhão, cujos líderes foram: Manoel Francisco dos Anjos Ferreira e Negro Cosme.14 – Rui Barbosa, decretou, em 1890, “a queima de matrículas de escravizados(as),dos(as) ingênuos(as), filhos(as) livres de mulheres escravizadas, libertos(as) esexagenários(as)”.16 – Fundação do “Umkonto we Sizwe” (A Lança da Nação), braço armado do ANC (African National Congress), na luta contra o apartheid, na África doSul, em 1960, e presidido por Nelson Mandela.17 – Morre Rainha Nzinga , em 1663. Nascida em 1582, na região do Ndongo, Angola, despertou e encorajou o primeiro movimento nacionalista de que se tem conhecimento em África.20 – Morre, em 1980, Eduardo de Oliveira e Oliveira, escritor, sociólogo, pesquisador, autor teatral, co-autor da peça: “E agora falamos nós”; criadordo Coral Negro, em 1969; co-fundador, juntamente com Tereza Santos, do Centro de Cultura e Arte Negra.21 – Morte de Chico Mendes (1988).

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Redenção!

Velhos piratas, sim, eles me roubaram. Venderam-me para navios mercantes.

Minutos depois, me jogaram no fundo do porão, mas minhas mãos foram

feitas pelas mãos do TODO PODEROSO.

Nós avançamos nessa geração triunfantemente.Tudo o que eu sempre tive foram

canções de liberdade.

Você não irá ajudar-me a cantar essas canções de liberdade?

Porque tudo o que eu sempre tive foram canções de redenção.

Liberte-se da escravidão mental. Ninguém além de você pode libertar sua mente.

Não tenha medo da energia atômica, porque eles não podem parar o tempo.

Por quanto tempo vão matar nossos profetas, enquanto nós permanecemos de

lado, olhando?

Sim, alguns dizem que é apenas uma parte de nós que têm que cumprir o livro.


Canção da Redenção
(Bob Marley)

sábado, 22 de novembro de 2008

Marcha de 20 de novembro de 2008: Homenagem a Oliveira Silveira, nosso poeta maior!

Há mais de 30 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira (1941-2009) sugeriu que se comemorasse em 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, pois essa data era mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. “Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão”, assim definia Silveira o Dia da Abolição da escravatura em um de seus poemas, referindo-se à Lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de trabalhar e viver com dignidade.


Oliveira Silveira: "Livres",
mas sem condições de viver com dignidade


Em 2003, o Congresso brasileiro aprovou uma Lei Federal que criava e tornava obrigatório nas escolas o estudo sobre a história e a cultura afro. A ideia é ensinar aos alunos de todo o país a história dos povos africanos, a luta dos negros no Brasil e a influência do negro na formação da sociedade nacional.

O dia 20 de novembro é aniversário da morte de Zumbi, grande líder guerreiro do quilombo dos Palmares, assassinado em 1695, há mais de 300 anos. Ele é considerado simbolo da resistência contra a escravidão e, por isso, as entidades e organizações não governamentais dos movimentos negros no Brasil definiram esse dia para manter viva a memória dessa figura e sua importância na luta pela libertação dos escravos.

Quem é Oliveira Silveira

Oliveira Ferreira da Silveira, Serra do Caverá, Distrito Touro passo, município Rosário do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, 1941. A partir de 1959, residência de Porto Alegre. Mantida ligação com cidade e meio rural de origem. Atuação no movimento negro: Grupo Palmares que, por sugestão sua, propôs e assinalou, desde 1971, a data de 20 de novembro. Palmares, mais tarde considerada Dia Nacional da Consciência Negra por iniciativa do MNU em 1978;



grupos Razão Negra e Tição; Movimento Negro Unificado-MNU; participação do grupo Semba, de arte negra, com a filha Naira, desde o início do trabalho em 1979.Dispersos na imprensa gaúcha (além de entrevistas) estudos, reportagens notas como Luis gama; Palmares; jornal de negros O Exemplo ( Porto Alegre, 1892-1930); Sociedade Floresta Aurora, centenária ( fundada por negros em 1871 ou 72 em Porto Alegre); Maçambique de Osório-RS; o negro no Rio Grande do Sul; a obra de Oswaldo de Camargo; a poesia de Seghor, Césaire, e Langston Hughes ( com tradução de poemas). Redação do livreto Mini-História do Negro Brasileiro, Porto Alegre, Grupo Palmares, 1976. Co-autoria do livreto História do Negro Brasileiro- Uma síntese, Porto Alegre, Prefeitura Municipal- SMEC- 1986 ( com Anita L. P. Abad, Helena Vitória S. Machado, Luiz Mário T. da Rosa e Marisa Souza da Silva).

- Mostra Internacional de São Paulo, Bienal Nestlé-SP, Encontros de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros ( I-SP e III-RJ), curso de extensão universitária ( PUC- UFRGS) e promoções do movimento negro. Estudos em andamento: Jongo e outras manifestações artísticas. Prefácios a Atabaques, de Éle Semog e José Carlos Limeira, Rio de janeiro, ed. dos autores, 1983, e a Cristal Noturno, de Abelardo Rodrigues ( em processo de edição).

Racismo, sem açúcar e se, afeto. Valeu Zumbi ! Valeu Oliveira Silveira!





quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Explicando o inexplicável



Uma vez mais o desrespeito da administração municipal, representado pela Secretaria de Projetos Especias, tenta explicar a falta de interesse e respeito pela questão da negritude em nossa cidade. Com um total de 45 pessoas, entre as quais militantes do Movimento Negro de Pelotas, ficaram à espera - em frente ao Teatro Sete de Abril - pelo ônibus que deveria levá-los à Marcha em homenagem a nosso líder maior, ZUMBI dos PALMARES, em Porto Alegre.

A comissão de organização da Semana da Consciência Negra de Pelotas, recebeu a confirmação da secretária na terça-feira, 18/11/08, de que o ônibus estava reservado e pronto para levar as pessoas. Pra surpresa de todos, inclusive da comissão, na útlima hora, fomos comunicados pela secretária Cláudia Ferreira de que o ônibus tinha sido vetado pela prefeitura.

Cláudia Ferreira tenta explicar o inexplicável: o porquê do descaso
da prefeitura de Pelotas para com o Movimento Negro



"Coincidentemente", o mesmo fato ocorreu no ano passado, no dia 20 de novembro de 2007. Ao tentar explicar o inexplicável, a secretária eximiu-se de qualquer responsabilidade e pôs, como de costume, a culpa no Movimento Negro.
São atitudes lamentáveis como essa que nos fortalecem ainda mais, que aumentam a nossa força e mobilização!


RUMO À MARCHA: "RACISMO SEM AÇÚCAR E SEM AFETO" VALEU ZUMBI!!!
AXÉ!!



Dia de Zumbi é feriado em mais de 300 cidades brasileiras

Fonte: Afropress


Enquanto o projeto que declara feriado nacional o 20 de Novembro - dedicado à memória de Zumbi dos Palmares - continua parado no Congresso Nacional, no Brasil, o número de cidades, que adotaram o Dia Nacional da Consciência Negra como feriado municipal, passou de 276 para 303, um aumento de 91% em relação ao ano anterior.

O Brasil tem 5.664 municípios. Em São Paulo, com 645 municípios – e que tem a maior população negra do país em números absolutos com 12,5 milhões de afro-brasileiros -, o número de cidades pulou de 66, em 2007, para 90 este ano – um aumento de 73% em relação ao ano anterior.




O aumento do número de cidades que adotaram o feriado reflete o crescente avanço de consciência da sociedade civil, mais adiantada que o Congresso Nacional na providência de reconhecer a data por meio das suas Câmaras Municipais.

No Congresso, o projeto do senador Paulo Paim, que declara a data feriado nacional – a exemplo do Estatuto da Igualdade –, continua parado e sem previsão de ser levado à plenário para votação. Entre as 27 capitais do país, apenas São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Cuiabá e Maceió instituíram o feriado. No nordeste, com uma população majoritariamente negra ou parda, são apenas seis o número de cidades que celebram a data. Em Salvador, por exemplo, onde 80% da população é negra, o dia é lembrado por entidades e organizações do Movimento Negro; porém, não é feriado.

A Parada Negra deste ano não será na Avenida Paulista. Realizada há dois anos, não ocorrerá este ano na Avenida Paulista, centro de São Paulo, mas em várias cidades do Estado, por iniciativa de ativistas e entidades ligadas à Causa da Igualdade Racial. A manifestação chegou a reunir 20 e 30 mil pessoas, respectivamente, em 2006 e 2007, segundo os organizadores. A convocação para a Avenida Paulista foi desaconselhada por conta das divergências políticas, que, no ano passado, por pouco, não culminaram em confronto aberto envolvendo correntes do Movimento Negro que rejeitam a designação de Parada Negra para a manifestação.

Entre essas correntes estão a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), ligada ao PT; à União dos Negros pela Igualdade (UNEGRO), ligada ao PC do B; o Congresso Nacional Afro-Brasileiro, ligado ao MR-8; ao PMDB; e o Movimento Negro Unificado (MNU).Essas entidades monopolizaram a manifestação e hostilizaram os manifestantes, identificados com a proposta da Parada Negra.

A coordenação do Movimento Brasil Afirmativo, articulação de ativistas negros e anti-racistas, responsável pela convocação da Parada, decidiu suspender a manifestação na Paulista este ano e conclamar as entidades e ativistas para que organizem manifestações semelhantes em suas cidades e regiões também para estimular a interiorização do movimento e despertar a Consciência Negra em todas as cidades.

No final do dia será feito um balanço e divulgados os números de manifestantes. Mesmo assim, o cálculo da presença de pessoas nas manifestações será difícil, reconhecem os organizadores; primeiro, pela dificuldade natural de comunicação; e, segundo, porque em muitas cidades, as entidades promoverão atividades durante toda a semana, de 13 a 20 de novembro, e em outras durante todo o mês. "Não vamos ficar disputando o metro quadrado na Avenida Paulista, com pessoas que se acham donas do Movimento Negro, mas que na prática, agem como verdadeiros comissários dos partidos a que pertencem", afirmou o ativista João Bosco Coelho, do Movimento Brasil Afirmativo. Bosco fez um apelo às entidades e ativistas negros e anti-racistas para que ajudem a fazer a Parada Negra nas suas próprias cidades. "Convide as entidades co-irmãs. Entre em contato com a Prefeitura da sua cidade e realize sua manifestação. Mostre a realidade e cobre soluções para suas demandas", acrescentou. O tema deste ano, segundo Bosco, será "Com racismo, o Brasil não anda. Por um Brasil afirmativo, sem racismo e com oportunidades iguais para todos".

Barueri, Itapecerica e Cubatão, na região metropolitana de São Paulo - pelo menos em duas cidades -, já confirmaram atividades que integrarão a Parada Negra. Em Barueri, o jornalista Gerson Pedro, da Ação Negra de Integração e Desenvolvimento (ANID), disse que estão programadas várias atividades, entre as quais palestras e oficinas que culminarão com a entrega do Troféu ANID, homenagem tradicional prestada pela entidade a personalidades negras que tiveram destaque em suas áreas de atuação. "Este ano não vamos para a Paulista, porque não aceitamos disputar espaço com quem quer nos dividir", afirmou. Também em Itapecerica da Serra o Conselho Municipal do Negro (CONEGRO) está preparando uma extensa programação para celebrar o Dia Nacional da Consciência, segundo Denis Rodrigues e Kátia Trindade, dirigentes da entidade.Na Baixada Santista, em Cubatão, haverá atividade durante todo o dia 20 na principal avenida da cidade - a Nove de Abril - e, à noite, um ato contra o racismo. Cubatão é a cidade com maioria de população negra mais importante do Estado de São Paulo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Novo Movimento Negro

Por José Raimundo.
(Bacharel em Direito. Pan-africanista, Afrocentrado.
Membro do CNNC/BA- Conselho Naiconal
de Negras e Negros Cristãos/BA)
E-mail: panafricanista@hotmail.com


Há quem afirme que nenhum acontecimento do passado se perde no tempo, mas sim, transforma-se. Pelo visto, a transformação, dando origem a algo novo, é um processo natural da existência das coisas. E por ser um processo natural, a transformação é inevitável. Existindo ou não uma força contrária, ela sempre irá acontecer, mesmo que parcialmente, para o benefício da continuidade da existência.

Hoje, acontece algo de crucial importância para sobrevivência do Movimento Negro, e, por que não dizer, da comunidade negra no Brasil, qual seja, a existência de análises e avaliações aprofundadas das ações e políticas do movimento negro nos últimos tempos e seus possíveis avanços.

O fruto destas análises e avaliações é o advento da necessidade de renovação do movimento negro contemporâneo, seja pela mudança estrutural e ideológica do que concebemos tradicionalmente, no Brasil, como Movimento Negro (o movimento social negro), seja pelo surgimento de um novo segmento do Movimento Negro de caráter libertário, que seguirá seu caminho próprio e natural.

No entanto, a meu entender, só uma mudança estrutural e ideológica do tradicional movimento social negro no Brasil não significa necessariamente um avanço se a finalidade do mesmo ainda for a mesma: a busca incessante por integração racial e aceitação do desumano projeto de relações humanas que está aí posto. Acredito que o avanço essencial compreende, para além da necessária mudança estrutural e ideológica, uma mudança da própria finalidade do Movimento Negro e do rumo por ele a ser tomado.

Apesar do momento histórico “não ser favorável à existência de um Movimento Negro de caráter libertário”, pois as relações raciais entre negros e brancos, e a dominação (política, social e, sobretudo, econômica) deste último se dar no Brasil e no mundo sob o discurso da “democracia”, dos “diretos humanos universais” e da “igualdade entre os povos”, nos permitindo ter a falsa impressão de que “estamos chegando lá”, acredito que é necessário transcendermos a esta realidade ideológica e analisar as relações raciais sob a luz do fato de que nós estamos, na essência da verdade, em todas as partes do mundo, por nossa própria conta em risco e que os brancos não estão afim de viverem junto com os negros numa sociedade igualitária, justa e solidária.

Mais do que em tempos passados, quando tínhamos que reagir contra o inimigo certo e visível, e não tínhamos esta falsa sensação de liberdade, e deste falso tributo ideológico à igualdade, presentes como velcro da dominação branca, precisamos ser a força reacionário e subversiva que vai possibilitar o surgimento de um novo contexto histórico de luta para o nosso povo. E é justamente a percepção desta necessidade de forçar a mudança do contexto histórico que nos envolve que surge, como efeito colateral, a necessidade de mudança da finalidade do movimento negro, adquirindo este uma percepção de luta de caráter libertário, com vistas a autodeterminação do povo preto-africano.

No entanto, é de se perceber que a necessidade do surgimento de um novo Movimento Negro, ou de um novo segmento do movimento negro, de caráter libertário, deve emergir antes da desconfortável realidade de subjugação e dominação que se abate sobre a população negra do que do contexto histórico que nos faz pensar o mundo. Apesar de ser compreensível que o contexto histórico é um fator determinante para a constituição e significação das ações e percepções humanas, não é menos verdade que a realidade vivenciada por um determinado grupo também determina, ou pelo menos deveria determinar, suas ações e percepções. Por exemplo, quando afirmam que o pan-africanismo não tem mais razão para existir porque o contexto histórico que permitiu seu nascimento desapareceu, nada mais estão fazendo os observadores limitados do que condicionar as ações e percepções de luta de um povo ao contexto histórico controlado pelo opressor. Daí, na contramão desta afirmativa errônea, surge uma outra afirmativa, a de que: a existência da ideologia pan-africanista é necessária, pois a realidade do povo preto ainda é de subjugação, de humilhação em suas condições, de desesperanças, de falta de autonomia para realizar o básico por si, sem o real poder de interferir no seu destino (O Poder Negro), de falta de identidade e sentimentos coletivos, etc., do que do fato de o contexto histórico atual permitir ou não, ou ser favorável ou não, a existência do mesmo.

O pan-africanismo encontra razão para existir porque ainda somos um povo escravizado, sendo que, enquanto estivermos subjugados pelos dogmas do racismo, que é a continuação da escravidão numa perspectiva moderna, deve existir a necessidade da ideologia libertária pan-africana. O pan-africanismo é a única saída para o povo negro do mundo encontrar-se consigo mesmo num futuro de paz e liberdade O pan-africanismo é a mais eficaz ferramenta de unificação dos povos africanos do mundo, nos possibilitando pensar num real projeto de libertação negra, para além das fronteiras e identidades nacionais que limitam o nosso pensamento, nos dando um sentido para vivermos enquanto uma nação negra. Seja lá qual for os rumos e as finalidades dos movimentos negros no Brasil, pois sua complexidade e pluralidade é visível, o que mais deve deixar a comunidade negra tranqüila é o fato de existir dentro do movimento negro um segmento transformador, revolucionário e libertário, que soube, e esta sabendo, transcender na análise do contexto histórico controlado e imposto pelo opressor e buscar uma real e verdadeira saída para libertação do povo preto, sem acreditar que somente a vivência conjunta com os brancos é a única solução para os nossos problemas.

Um novo movimento negro não significa, necessariamente, a mudança dos quadros dos militantes e das ideologias políticas integracionistas que norteiam as ações e pensamentos do movimento negro social. Até porque sempre existirão os “Pai Tomas” que estarão atrelados à estrutura de Poder Branca e fazendo o jogo do opressor. Um novo movimento negro significa o surgimento de uma militância negra alternativa, liberta da cosmovisão européia de mundo, que está preocupada em trabalhar para construção de uma nação africana, seja continentalista seja diaspórica, forte e auto-suficiente. O novo movimento negro (libertário) pode e vai co-existir paralelamente ao velho (integracionista). Mas o novo é preciso e já está nascendo. O novo movimento negro é aquele que acredita que a liberdade africana do passado é a mesma que deve ser reconquistada no futuro. Ou façamos por nós mesmos em vistas de nossa liberdade e dignidade, ou deixemos os outros fazerem aquilo que nós deveríamos fazer por nós mesmo e nos dominar eternamente. Nós, do CNNC, acreditamos nessa perspectiva.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Conselho da Comunidade Negra

Por Cláudio Rodrigues
No dia 5 de dezembro do corrente ano, foi protocolada uma audiência com o prefeito Fetter Jr, para tratar da rearticulação do Conselho da Comunidade Negra. No entanto, dada a impossibilidade de o Sr. prefeito nos atender, fomos recebidos pelo Secretário de Governo, Sr. Abel Dourado, que também não resolveu o problema. Aguardamos a definitiva implementação do Conselho, pois é urgente a efetivação de políticas públicas referentes à população negra de Pelotas. Presentes nesta reunião: O coordenador do Movimento Negro de Pelotas, Sandro Mesquita; Marielda Medeiros, 1ª secretária; Cláudio Rodrigues, 2º secretário; a presidente da casa dos conselhos, srª Nara Louro.