Nego Drama

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Secretaria estuda recomendar criação de cotas raciais por decreto



Universidades devem ser orientadas para criação de cotas raciais.
Eloi Araujo informou que documento será apresentado até 20 de outubro.                                                                                                

    
  O ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo, informou ao G1 que um grupo de trabalho da secretaria trabalha atualmente em nota técnica que deve recomendar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que crie cotas para negros em universidades federais por meio de decreto.
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"Na nota técnica vamos tomar providências no sentido de buscar que pretos e pardos tenham direito de ingressar no ensino superior. A nota técnica poderá dizer que é necessário um decreto. Eu estou aguardando a finalização da nota técnica para marcar audiência com o presidente. Eu penso que um decreto é uma boa medida para adotar se não houver por parte de todo mundo a adoção da política de cotas", afirmou o ministro.
"A nota técnica vai orientar inclusive como as cotas deverão ser observadas pelas instituições de ensino superior. Algumas organizações imaginam que haja uma autonomia universitária. A autonomia não é absoluta, é relativa", completou o ministro.
De acordo com ele, a nota técnica será finalizada e entregue a Lula até o dia 20 de outubro, dia em que o estatuto entra em vigor. O texto foi sancionado pelo presidente no último dia 20 de julho e tem 90 dias para começar a vigorar.
Se a população é composta por 80% de pessoas que ganham até cinco salários, então vamos fazer isso [com as cotas sociais]. Se for qualquer outro número, é só para dizer que está fazendo. É coisa para inglês ver. É como se não tivesse havido a grande ofensa da escravidão e houve. Qualquer informação que não leve em consideração a gravidade que foi a escravidão, não é sequer educativa. Deveria observar os dois aspectos, sociais e raciais"
Ministro Eloi Araujo, ao criticar ações afirmativas de universidades que não considerem questões raciais
Logo após a aprovação do estatuto no Senado, antes da sanção presidencial, Eloi Araujo falou ao G1 que o estatuto permitia a criação de cotas sem que uma lei sobre o tema fosse discutida e aprovada por deputados e senadores. Na ocasião, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) disse que isso era uma tentativa de "golpe". "Isso é o que se chama de tentativa de fazer com que o Congresso brasileiro seja fechado ainda que esteja aberto. Essa matéria tão polêmica deve ser regulamentada evidentemente através de uma lei. (...) É o que se chama de falsa polêmica. O ministro se viu derrotado em uma posição e tenta dar um golpe".
De acordo com Eloi Araujo, não se trata de golpe porque a lei é clara. "A lei é soberana. É dura, mas é a lei. E prevê a adoção de ações afirmativas. O Congresso aprovou essa lei." Ele afirmou crer que uma definição sobre um eventual decreto para estabelecer cotas saia ainda neste governo.
Eloi explicou que o grupo de trabalho é formado por técnicos da secretária, como professores e advogados. Esse grupo será responsável pela nota técnica que vai dar uma diretriz sobre o que deve ser regulamentado no estatuto. Cinco temas devem ser priorizados: educação, trabalho, moradia, cultura e saúde.
"Nossa preocupação diz respeito ao propósito de contribuir com os amigos da Corte, aqueles que têm defesa de nossas ações. No Supremo Tribunal Federal (STF) temos ações muito perversas contra a população negra, contra cotas, contra o Prouni e contra as comunidades quilombolas. (...) Esse grupo está debruçado em oferecer subsídios nesses casos com base no estatuto."


Cotas sociais
O ministro afirmou ser contra universidades que privilegiam cotas sociais a cotas raciais. Estudo do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) divulgado no começo desta semana mostrou que 71% das universidades federais e estaduais já têm cotas com base em seus conselhos ou leis estaduais. A maioria das instituições, porém, favorece as cotas sociais, para quem vem de escola pública.
Segundo ele, ações afirmativas que só privilegiam o lado social, sem analisar a questão racial, devem ser revistas. "Essas medidas precisam ser revistas porque deveriam ser observados dados técnicos oferecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se a população é composta por 80% de pessoas que ganham até cinco salários, então vamos fazer isso. Se for qualquer outro número, é só para dizer que está fazendo. É coisa para inglês ver. É como se não tivesse havido a grande ofensa da escravidão e houve. Qualquer informação que não leve em consideração a gravidade que foi a escravidão, não é sequer educativa. Deveria observar os dois aspectos, sociais e raciais."
Para Eloi Araujo, no entanto, pode-se discutir por quanto tempo as cotas raciais seriam válidas. "Isso é justiça social e não precisa ser para sempre. Podemos estabelecer por um período, duas décadas, e depois analisar a evolução."
fonte: G1



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

SPE inicia formatação da Semana da Consciência Negra 2010


Na manhã desta sexta-feira (27), na sede da Secretária de Projetos Especiais (SPE), ocorreu a primeira reunião para formatação da programação da Semana Municipal da Semana da Consciência Negra 2010, que transcorre de 14 a 20 de novembro. Para o encontro, a Coordenadoria do Afrodescendente da SPE convidou representantes de entidades que trabalham com a temática afro.
Neste primeiro momento, foi nomeado como coordenador da Semana 2010, João Fernando Rodrigues, gestor da Coordenadoria Afrodescentente da pasta. Outra decisão tomada na reunião foi a que todas as quartas-feiras, às 17h,na sede da SPE (Marechal Deodoro, 979) serão realizados encontros com o mesmo objetivo.
Da reunião participaram representantes do Grupo de Apoio ao Esporte e a Cultura (GAEC), Clube Cultural Fica Ahí Pra Ir Dizendo, Fórum Social do Movimento Negro de Pelotas, Liga Estadual de Umbanda e Cultos Afrobrasileiros, Secretaria Municipal de Cultura (Secult), New Life Produções, além do apoio das Coordenadorias da Mulher e do Idoso da SPE.
A New Life Produções já anunciou que realizará o Concurso Mais Bela Negra e Mais Belo Negro durante a Semana, para integrar o Calendário de eventos. A Coordenadoria da Mulher, bem como a do Idoso, ambas sob a tutela da responsável interina, Maria José Garcia, anunciou que realizará atividades voltadas à saúde de idosos e mulheres afrodescendentes durante a programação.
Os participantes e organizadores salientaram a importância da participação de representantes das entidades. “Este é o momento de construir de forma articulada um calendário amplo para atingir toda comunidade”, lembrou Maria José.

fonte: Secom

sábado, 28 de agosto de 2010

Movimento Black Rio comemora 40 anos em Belo Horizonte


A música negra ganha merecido festão neste fim de semana, promovido pelo Fest Afro Brasil, que celebra o cinquentenário da independência de 17 países africanos. Os shows louvarão a riqueza de ritmos que o Continente Negro espalhou pelo mundo, como reggae, samba, soul, jazz, rap e – claro – nossa boa e velha MPB, a música preta brasileira.

Vários artistas subirão ao palco montado no Parque Municipal. A festa de amanhã, na certa, vai acabar em baile, pois serão homenageados os 40 anos do Movimento Black Rio. Surgido nos subúrbios da Cidade Maravilhosa na década de 1970 – na trilha de James Brown, da revolução de costumes e da luta contra o racismo –, dali saiu o soul brasuca de Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Carlos Dafé e Tony Tornado. A onda carioca contaminou o país (e a MPB) com seu invejável suingue.

Amanhã à noite, BH receberá a “versão século 21” da antológica Black Rio, banda setentista conhecida por seu particular funk instrumental verde-amarelo, com pitadas de jazz, soul e sambalanço, cultuado nas pistas londrinas nos anos 90. William Magalhães, filho do pioneiro Oberdan Magalhães, fundador do conjunto, está à frente da empreitada.

Convidado especial dos rapazes, o cantor, compositor e dançarino Gerson King Combo vai comemorar meio século de soul. Com os “hinos” Mandamentos black e Funk brother soul, o veterano incendiou pistas de décadas atrás. O tempo passou, mas ele continua cultuado pela moçada sangue-bom que ama – com força – James Brown. O show começa às 22h.

Antes, às 19h, se apresentam os rappers Dokttor Bhu e Shabê, acompanhados da banda Kilombando e do DJ Roger Dee. Às 20h, Dona Jandira canta clássicos de Lupicínio Rodrigues, Ary Barroso e Ataulfo Alves. Às 21h, Tom Nascimento mostra TecnoGroove.

Kora Hoje, a festa começa às 19h. O mineiro Mestre Jonas abre a noite, interpretando suas composições – algumas delas gravadas por Chico César, Nei Lopes e Hermínio Bello de Carvalho, entre outras feras. Às 20h, Celso Moretti mostra seu reggae e comemora três décadas de carreira.

Às 21h, estreia nos palcos da capital o senegalês Zal Idrissa Sissokho. Ele vai apresentar aos mineiros o som da kora, espécie de harpa africana, e canções do povo mandinga. Às 22h, os mineiros Sérgio Pererê e Play dividem palco. O paulistano Rappin’Hood, a partir das 23h, canta seu rap engajado, conhecido por dialogar com a MPB.

FEST AFRO BRASIL
Hoje – 19h: Mestre Jonas. 20h: Barraco de Aluguel e Celso Moretti. 21h: Zal Idrissa Sissokho. 22h: Sérgio Pererê e Play. 23h: Rappin’ Hood
Amanhã – 19h: Dokttor Bhu, Shabê, Kilombando e DJ Roger Dee. 20h: Dona Jandira. 21h: Tom Nascimento. 22h: Banda Black Rio e Gerson King Combo. Parque Municipal, Avenida Afonso Pena, s/nº, Centro. Ingressos: R$ 10

fonte:africas.com.br

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Feira quilombola debate a igualdade racial




Negra Li, Sandra de Sá e o rapper MV Bill estarão em Curitiba nesta semana para shows durante a I Feira Quilombola do Paraná.

Negra Li, Sandra de Sá e o rapper MV Bill estarão em Curitiba nesta semana para shows durante a I Feira Quilombola do Paraná. Realizada em conjunto pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), por meio do Sesi-PR, e o Instituto Adolpho Bauer, de Curitiba, a feira acontece no Cietep, sexta-feira e sábado (27 e 28) e reunirá programação cultural, debates e reflexão sobre a questão dos quilombolas e uma grande exposição de produtos das 86 comunidades existentes no Paraná. Os shows com os artistas afro-brasileiros acontecem no Teatro Sesi/Cietep. O primeiro é da Negra Li, que se apresenta às 20h30 de sexta-feira. No sábado, às 16 horas, é a vez de MV Bill. O show de Sandra de Sá começa às 20h30 de sábado. Os ingressos custam R$ 43,00 e R$ 23,00 (estudantes e terceira idade) para os shows de Negra KLi e o MV Bill. Os ingressos para o show de Sandra de Sá custam R$ 80,00 e R$ 40,00. Todos podem ser adquiridos pelo Disk Ingresso, através do telefone (41) 3315-0808 e quiosques nos shoppings Mueller, Estação e Total. Informações: 0800-648-0088.
Selo Quilombola — As atividades começam às 10h30 de sexta-feira. A abertura oficial será às 14 horas, com a presença da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes; do governador Orlando Pessuti; do secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira de Araújo; do secretário Nacional de Relações Institucionais, Alexandre Rocha Santos Padilha; do presidente do Sistema Fiep, Rodrigo da Rocha Loures; do presidente da Federação Quilombola do Paraná, Antonio Carlos de Andrade Pereira, além de líderes do movimento negro paranaense e brasileiro, artistas e intelectuais ligados à questão da equidade de raça e gênero. Na solenidade haverá o lançamento do “Selo Quilombola”. O selo foi criado em 2009, pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção à Igualdade Racial, para certificar a origem e a qualidade dos produtos fabricados pelas comunidades quilombolas de várias regiões do País e promover o afro-empreendedorismo e a auto-sustentabilidade desses núcleos. O Paraná é o primeiro a adotar o selo regionalmente. Na abertura do evento serão lançados, também, o Curso de Qualificação Profissional para pessoas das comunidades quilombolas e o Curso para Afroempreendedores, que serão ofertados pelo Sesi e o Senai Paraná.
Segundo o coordenador do Instituto Adolpho Bauer, Adilton de Paula, existem no Paraná 86 comunidades quilombolas. “O evento vai ajudar a dar visibilidade ao que elas produzem, bem como mostrar, ao conjunto da sociedade, a importância da cultura negra na construção da história brasileira”, diz Adilton. O encontro discutirá os temas: Quilombos, Cidades Inovadoras, Conhecimento Econômico e Desenvolvimento Territorial Sustentável (sexta-feira, às 10h30); Quilombos, Estatuto da Igualdade Racial, Trabalho e Promoção de Igualdade (sexta, às 18h30); Desafios da Lei 10639, Educação Quilombo e Educação para a Paz (sábado, 10h30); Juventude, Cultura e Desenvolvimento Sustentável (sábado, 17h15). A programação completa está no site www.sesipr.org.br

SERVIÇO
Primeira Feira Quilombola do Paraná
Data: 27 e 28 de agosto de 2010
Horário: 10 às 18 hs
Local: Cietep – átrio 2
Endereço: Av. Com. Franco, 1341 – Jardim Botânico – Curitiba/PR

PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira (27.08) às 10 h
Capoeira (Mestre Sergipe) às 10h30
Mesa Redonda:
Quilombos, Cidades Inovadoras, Crescimento Econômico e Desenvolvimento Territorial Sustentável
Movimento de Mulheres Negras às 11h45
Apresentação Cultural às 14 h
Abertura Oficial
Lançamento do Selo Quilombola, do Curso de Qualificação Profissional e o Curso de Afroempreendedores.
Representantes de países africanos às 16 h e 17 h
Apresentação Cultural às 18 h
Banda Gafieira Universal às 18h30

Mesa-Redonda
Quilombos, Estatuto da Igualdade Racial,
Trabalho e Promoção de Igualdade
Fund.Cultural Palmares às 20h30
Show Musical: Negra Li
Sábado (28.08) às 10 h
Capoeira Grupo Muzenza às 10h30

Mesa-Redonda
Desafios da Lei 10639, Educação Quilombo e Educação para a Paz.
Sesi Paraná 11h
Peça teatral “Pixaim”14h
Grupo Hip Hop “Notas de Honra”14h45
Banda MUV16h
Show MV Bill17h15

Mesa-Redonda
Juventude, Cultura e Desenvolvimento Sustentável
MV Bill
Fundação Cultural Palmares
Secretaria Nacional da Juventude 18h15
Roda de Tambores20h30. Show Sandra de Sá

fonte:africas.com.br

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Candidatos participam de debate com a comunidade negra gaúcha


Evento foi uma promoção dos clubes sociais negros do Estado em parceria com lideranças do Movimento Negro

"Diálogos para a promoção da Igualdade Racial" foi o tema do evento que reuniu entidades e lideranças do Movimento Negro do Rio Grande do Sul, autoridades e candidatos nesta quinta-feira (05/08), na Sociedade Satélite Prontidão, em Porto Alegre. O encontro foi organizado em conjunto Movimento de Clubes Sociais Negros em parceria com lideranças das religiões de Matriz Africana e do Movimento Negro.

A mesa de debates contou com a participação do senador da República Paulo Paim, do ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal, Eloi Ferreira de Araujo, do candidato do Partido dos Trabalhadores ao Governo do Estado do RS, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, do deputado estadual e presidente estadual do PT, Raul Pont, do presidente da Sociedade Satélite Prontidão, Nilo Feijó. Também estiveram presentes o presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra do RS (Codene), Victor Hugo Amaro, o representantes do RS na Comissão Nacional de Clubes Sociais Negros, Luis Carlos de Oliveira, que também é vice presidente da Associação Floresta Montenegrina de Montenegro, a Ialorixá Sandra Bueno e o representante do Movimento Hip-Hop, o rapper PX.

Prestigiaram a atividade candidatos à vagas para a Assembléia Legistiva gaúcha e para a Câmara dos Deputados.

Debates

A trajetória e a luta da comunidade negra para a criação até a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial pelo Congresso Nacional foi exaltada pelo ministro da Seppir, Eloi Ferreira e pelo senador e candidato à reeleição, Paulo Paim.


O candidato ao Governo do Estado, Tarso Genro, parabenizou a organização do evento e salientou a implementação da política de cotas nas universidades federais, através do ProUni, quando foi ministro da Educação e do Pronasci, no Ministério da Justiça, que atua com a segurança cidadã, envolvendo jovens das periferias.

Os representantes do Movimento Negro enfatizaram a necessidade do apoio do Poder Público para as manifestações e entidades religiosas e culturais afrobrasileiras, bem como para a formulação de políticas públicas de igualdade racial no Estado, que contemplem a população negra.

Clubes Sociais Negros
O movimento Clubista envolve um número aproximado de mais de 100 clubes sociais negros, distribuídos em diversas cidades do Brasil, tendo no Rio Grande do Sul sua maior expressão com 55 dos clubes da federação. Entre estas entidades, algumas já completaram mais de um século de história como reduto permanente da cultura e hábitos dos negros de nosso país.

Conforme descreve o poeta e historiador Oliveira Silveira, “os Clubes Sociais Negros são espaços associativos do grupo cultural étnico afro-brasileiro, originário da necessidade de convívio social do grupo, voluntariamente constituído e com caráter beneficente, recreativo e cultural, desenvolvendo atividades num espaço físico próprio”.

Texto e fotos:
Lisandro Láercio Rangel Paim - jornalista/RS - MTE 12878
Presidente da Associação Cultural e Beneficente Seis de Maio - Gravataí/RS
Coordenador Região Metropolitana Movimento Clubes Sociais Negros/RS
Secretário Municipal de Comunicação substituto - Gravataí/RS
Contatos: (51) 81063486 / e-mail: lisandro_rpaim@yahoo.com.br

domingo, 1 de agosto de 2010

Abdias do Nascimento Rebate a Tentativa de Manipulação Por Parte da SEPPIR


Brasília - O ex-senador Abdias Nascimento, 96 anos, o maior ícone vivo do Movimento Negro Brasileiro, não gostou da tentativa de manipulação feita pela Coordenação de Comunicação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que apresentou uma carta sua datada de 20 de julho como parte da propaganda em favor do texto do Estatuto aprovado pelo Senado e sancionado pelo Presidente da República.

Em outra carta enviada ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro chefe da Seppir, Elói Ferreira de Araújo e ao senador Paulo Paim (PT-RS), o velho líder é incisivo. “A sanção do Estatuto nos termos negociados não me inspira qualquer sensação de euforia ou ufanismo, e muito menos de vitória. Todos nós sabemos que, no processo de negociação do texto prevaleceu o peso das forças contrárias ao ponto de descarecterizá-lo de forma significativa”, afirma.

Sobre o texto, Abdias acrescenta que “é mais do que tínhamos antes, sim; é uma referência jurídica nova, sim”. Mas, o ganho é ínfimo diante das justas demandas da população negra e diante dos próprios avanços que o movimento social já conseguiu construir”.
Fonte: Afropress

Veja, na íntegra a carta enviada por Abdias

Rio de Janeiro, 23 de julho de 2010.
Carta Aberta aos Excelentíssimos Senhores
Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República
Elói Ferreira de Araújo, Ministro Chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Paulo Paim, Senador da República,

Ao ato de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, tive ocasião de dirigir a Vossas Excelências, e à todos os presentes àquela cerimônia, uma saudação respeitosa reconhecendo possibilidades que a nova legislação oferece. A Seppir publicou o texto em seu site caracterizando-o como aplauso.

Minha mensagem homenageia as pessoas que atuaram durante uma década com competência, compromisso e dedicação na construção do projeto, observa a intervenção de forças políticas contrárias no conteúdo do Estatuto; constata que mesmo assim ele constitui uma referência jurídica de apoio a ação social em busca de reais avanços; afirma que o movimento negro continuará a sua luta; oferece aos ativistas desse movimento palavras de incentivo e axé.

Senhor Presidente, Senhor Ministro, Senhor Senador,

A sanção do Estatuto nos termos negociados não me inspira qualquer sensação de alegria, euforia e ufanismo, e muito menos de vitória. Todos nós sabemos que, no processo de negociação do texto, prevaleceu o peso de forças contrárias ao ponto de descaracterizá-lo de forma significativa. Em aspectos específicos seus dispositivos estão aquém do alcance de ações já existentes. Ficamos com um conjunto de princípios gerais enunciados em linguagem de notável confusão conceitual. É mais do que tínhamos antes, sim; é uma referência jurídica nova, sim. Mas o ganho é ínfimo diante das justas demandas da população negra e diante dos próprios avanços que o movimentos social já conseguiu construir.

A substituição da palavra “racial” pela palavra “étnica” em todo o texto reflete a triste permanência da ideologia racial que nos oprime há meio milênio. Arautos da continuação de privilégios raciais encastelados por meio da discriminação hoje inventam um absurdo imaginário em que os alvos dessa discriminação se tornaram culpados de um suposto racialismo. Os inventores de tal imaginário manipulam o ingênuo senso comum e popular de igualitarismo, tão equivocado quanto é caro à identidade nacional. A má fé desses manipuladores se manifesta em ataques covardes difundidos pelo poder da grande imprensa contra intelectuais dignos como o professor Kabengele Munanga, cuja boa fé ninguém em sã consciência consegue duvidar.

Não me cabe apoiar ou aplaudir a legislação do país. Cabe-me sim, apoiar e aplaudir as forças políticas que se dedicam a combater o racismo. Isto eu farei sempre.

Atenciosamente,
Abdias Nascimento

Cresce mobilização em defesa do voto negro e anti-racista


S. Paulo - A frustração de setores expressivos do ativismo com o acordo que resultou na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, desfigurado e transformado em alvo de marketing, está provocando uma inédita reação no Movimento Negro Brasileiro que passou a defender com mais ênfase o voto negro e anti-racista nas eleições de 03 de outubro deste ano.

O exemplo mais eloqüente disso são as duas iniciativas programadas para a primeira quinzena de agosto, quando efetivamente começa a campanha, com a veiculação da propaganda eleitoral gratuita na TV.

Segundo o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil – 2007/2008, do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais, e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), coordenado pelo economista Marcelo Paixão, da UFRJ, dos 513 deputados eleitos nas eleições passadas, apenas 11 eram negros – 10 homens e uma mulher – e 35 pardos, 33 homens e duas mulheres.

No total, os negros (pretos e pardos) foram apenas 46 deputados – 43 homens e três mulheres, o equivalente a apenas 9% dos deputados eleitos. Em 2.006, pretos e pardos representavam 49,5% da população brasileira. Atualmente, segundo dados do IBGE, são 51,3% da população brasileira.

Para onde vai o voto?

O Movimento Negro Unificado (MNU) e mais entidades como a CONLUTAS, o MST, a Intersindical, o Tribunal Popular, o Círculo Palmarino, o Coletivo de Entidades Negras, a FORJUNE, e a Abraço – Associação de Rádios Comunitárias, além da Frente Negra e Popular em Defesa dos Territórios Quilombolas, promovem no dia 13 de agosto na sede da APEOESP, centro de S. Paulo, debate sobre “Prá quem vai o voto negro e popular (Nulo, útil ou na esquerda?).”

Na primeira semana, será a vez da Educafro, a Rede de Cursinhos Pre-Vestibulares, dirigida pelo Frei David Raimundo dos Santos, que promove debate com candidatos negros, na sede da entidade, à Rua Riachuelo Centro de São Paulo.

Para terem chance de receber apoio dos ativistas, os candidatos terão de assumir os compromissos contidos na Carta–Compromisso com a População Afro-Brasileira.

Entre os compromissos estão o da reserva de vagas para pobres e negros nas universidades públicas, e a defesa de projetos com cota mínima a ser definida segundo o IBGE, para afro-brasileiros nos cargos de confiança dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, bem como em todos os escalões da Administração Pública.

Sub-representação

Segundo o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais, e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), 87% dos parlamentares eleitos em 2.006, eram brancos; 0,8% amarelos e 3,3% não se auto-classificaram. Nenhum parlamentar se assumiu indígena.

No caso das mulheres, o Relatório aponta apenas uma mulher negra, correspondendo a 0,2% e duas pardas 0,4%. No total, pretas e pardas representavam apenas 0,6% dos deputados, para uma população correspondente a 24,8% da população.

Vazio nos Partidos

No Senado, a situação não era diferente: 76 dos 81 senadores eram brancos (93,8%), somente quatro pardos e apenas um negro. Senadores pretos e pardos eram apenas 6,2%. Todas as 10 senadoras eram brancas (12,3%).

O Relatório das Desigualdades também aponta a sub-representação negra nos partidos: No PMDB, 93,3% é de brancos;no PT, 83,1%, PSDB, 92,4%, no PFL (DEM) 86,2%, no PTB, 95,5%, PDT, 87,5%, no PPS 81,8% e no PSB, 96,3%.

Mais preto no branco

A exemplo do que fez há quatro anos com o lema “Mais preto no branco da política”, a Afropress, passa a abrir espaço para a campanha nacional pela eleição de parlamentares negros e anti-racistas nas eleições de 3 outubro.

O objetivo é aumentar a representação parlamentar negra e de deputados comprometidos com a defesa do combate ao racismo, a adoção de ações afirmativas e cotas na Educação e no mercado de trabalho, a denúncia da intolerância religiosa e da escalada de violência que atinge a juventude negra nas periferias das grandes cidades.

Semanalmente será reservada matéria especial sobre eleições com entrevistas com candidatos negros e anti-racistas, comprometidos com a defesa da igualdade e com o aprofundamento da democracia no Brasil.
Fonte: Afropress

Censo inicia nesta segunda feira dia 2 de agosto, afirme sua NEGRITUDE



Quantos somos? Quem somos? Como vivemos? Quem emigrou? Quem imigrou? Onde estamos? Estas e outras perguntas serão respondidas no Censo 2010 e o resultado nos dirá como é a cidade, o Estado e o país em que vivemos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inicia em todo o país, no dia 2 de agosto a coleta de dados junto a milhões de residências de Norte a Sul do Brasil. O prefeito Fetter Júnior (PP) será o primeiro a receber o recenseador, na segunda, 2 de agosto, data da abertura do Censo 2010.

Daiane Ferreira Pinheiro, 26, e Elvino Araújo Pinheiro, 29 residem com os filhos no extremo Norte de Pelotas, junto à BR-116, quilômetro 493, na divisa com Turuçu, há dois anos e serão uma das famílias a receberem os recenseadores. Distante dos Pinheiro está Jorge Luiz Chagas Oliveira, 47, que mora no extremo Sul há mais de 20 anos, na rua Alberto Rosa, número um, com o filho Rainã Oliveira, 6.

Na reportagem especial do jornal Diário Popular de domingo (1°) o leitor poderá conhecer um pouco mais sobre o trabalho dos recenseadores, que terão a importante tarefa de definir o perfil do brasileiro.
fonte: Diário Popular

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lula diz que dívida do Brasil com negros não pode ser paga em dinheiro


Ao comentar a sanção da lei que cria o Estatuto da Igualdade Racial na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (26) que a dívida do Brasil com os negros não pode ser paga em dinheiro, mas com solidariedade.

No programa semanal "Café com o Presidente", ele avaliou que a importância da lei está em garantir que, a partir de agora, não exista diferença entre brancos e negros no País. Lula lembrou que o projeto tramitou no Congresso Nacional por vários anos, até a elaboração de uma proposta única.

“Não é tudo o que a gente quer. Ainda faltam coisas pra gente fazer, mas é importante que a gente tenha a clareza de que hoje nós temos o Estatuto da Igualdade Racial, nós temos uma lei que dá mais direitos, que recupera a cidadania do povo negro brasileiro”, disse.

O estatuto prevê garantias e políticas públicas de valorização, além de uma nova ordem de direitos para os brasileiros negros, que somam cerca de 90 milhões de pessoas. O documento é formado por 65 artigos e tem como objetivo, segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a correção de desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do País.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Paim comemora sanção do Estatuto da Igualdade Racial


O senador Paulo Paim (PT-RS) anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta terça-feira (20) o Estatuto da Igualdade Racial, originado de um projeto de sua autoria, e agradeceu a ajuda recebida de vários movimentos sociais que colaboraram com sugestões para a proposta. Em discurso nesta segunda-feira, Paim lembrou a luta pela aprovação do estatuto, dizendo que foram anos "de sangue, suor e lágrimas".
Ao comemorar a sanção do estatuto, Paim afirmou que não são as palavras nem as ações de discriminação que causam a maior dor a quem é discriminado, mas a discriminação "sentida no olhar".
- É algo, eu diria, inexplicável. Mas dói, e dói muito! Chega a atravessar o nosso peito, cutuca o nosso coração e atinge a alma - disse o senador.
Paim lamentou que após dez anos de debate o Estatuto da Igualdade Racial tenha sido aprovado sem grande parte das reivindicações que ele acreditava pudessem ser contempladas. Reconheceu, no entanto, que o estatuto já é um avanço.
- É um passo à frente; é uma conquista. Possui uma representatividade jurídica, histórica, legal e moral - assinalou.
Paim lembrou que a Abolição da Escravatura não instituiu políticas públicas para os negros, mas que esta parcela da população, "com resistência e luta, alcançou o estatuto". Ele disse que o Estado brasileiro abre os olhos e começa a encarar a dura realidade do processo de exclusão vivenciado pelos descendentes de escravos.
- Temos que olhar para o futuro sem esquecer o passado. O Estatuto da Igualdade Racial não é o fim e nem é o começo. Ele faz parte de um novo patamar de formulação das políticas públicas no nosso país - afirmou.
Da Redação / Agência Senado

domingo, 18 de julho de 2010

Assinala-se domingo o Dia Internacional de Nelson Mandela


Luanda – Assinala-se domingo, 18 de Julho, pela primeira vez, o Dia Internacional de Nelson Mandela, instituído em Novembro de 2009 pela Assembleia Geral da ONU, pela contribuição do ex-presidente sul-africano para a cultura da paz e da liberdade.

Por consenso dos 192 países membros, a ONU determinou que, a partir de 2010, se passe a celebrar o Dia Internacional de Nelson Mandela, na data do aniversário do dirigente negro que, em 1993, partilhou o Prémio Nobel da Paz com o seu compatriota sul-africano Frederik de Klerk.

A Assembleia Geral decidiu assim reconhecer, o primeiro da organização a um individuo, a contribuição fundamental de Mandela, nascido em 1918 na pequena vila de Mvezo, para a resolução dos conflitos, a liberdade no mundo e a promoção das boas relações entre todos os grupos étnicos.

Reconheceu também a dedicação de Mandela ao serviço da humanidade na resolução de conflitos, relações entre raças, promoção e protecção dos direitos humanos, reconciliação, igualdade entre os sexos e os direitos das crianças e de outros grupos vulneráveis.

Por ocasião da data, que se celebra sobre o slogan “Dia Internacional de Nelson Mandela: Pela liberdade, a justiça e a democracia”, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que Mandela é um "exemplo vivo dos principais valores das Nações Unidas. Um cidadão global exemplar".

Por sua vez, a família de Mandela anunciou que o ex-presidente sul-africano comemorará seu 92º aniversário em casa, em Johanesburgo, com pessoas próximas. Um total de 95 crianças do povoado de Mvezo, no sudeste do país, onde nasceu Mandela, e da cidade próxima de Qunu viajarão para Johanesburgo para "passar o dia com ele", afirmou sua neta Zwelivelile Mandela, que disse que toda a família se reunirá com o líder.

Mathole Motshekga, líder do grupo parlamentar do Congresso Nacional Africano (CNA), ao qual pertence Mandela, anunciou que as principais comemorações oficiais do aniversário do ex-presidente serão realizadas em Mvezo, uma comunidade pobre na província do Cabo Oriental.

Motshekga afirmou que o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, assistirá às comemorações em Mvezo, para promover a campanha "Faça de Cada Dia o Dia de Mandela", que pretende estimular as pessoas a tornarem seus dias cada vez melhores.

Nelson Rolihlahla Mandela coordenou, em 1961, uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para a Argélia para treinamento paramilitar.

Em Agosto de 1962, Nelson Mandela foi preso após informações da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas anti-apartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de Fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prémio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de Julho de 1991 a Dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de Maio de 1994 a Junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Após o fim do mandato de presidente, Mandela recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª, a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Nelson Mandela recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias à cooperação internacional (1992), Ordem ao mérito do Reino Unido (1995),Prémio Lenin da Paz (1962), Prémio Internacional Simón Bolívar (1983) e Prémio Nacional da Paz (1995)

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em Junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou a sua retirada da vida pública.

sábado, 17 de julho de 2010

Lula sancionará dia 20 Estatuto Racial



Brasília - Será no próximo dia 20 deste mês, às 9h, no Palácio do Planalto, a cerimônia de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado pelo Senado, alvo de protestos de lideranças e entidades negras descontentes com o projeto aprovado no mês passado no contexto de um acordo envolvendo a SEPPIR, o senador Paulo Paim – autor da proposta original – e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Segundo o Secretário das Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Alexsandro Reis, está prevista uma grande atividade no Palácio com o Presidente Lula, e a presença de lideranças que apóiam a iniciativa de todo o país, que serão convidadas à Brasília.

Reis confirmou a participação na Assembléia Negra e Quilombola promovida na semana passada em Brasília para pedir ao Presidente o veto ao projeto, porém, negou que tenha falado e se retirado imediatamente. “Fiquei mais de meia hora, depois de falar, e só saí porque tinha outro compromisso”, justificou.

Segundo ele, algumas das entidades que estão no movimento pró-veto sempre foram contrárias ao Estatuto. “O MNU sempre foi contra”, acrescentou.

Lista errada

Reis também disse que nomes de entidades e de parlamentares incluídos na lista de apoio ao veto, já desmentiram que estejam apoiando esse movimento. Ele citou o caso dos deputados Walmir Assunção, do PT da Bahia e Zezéu Ribeiro, este último deputado federal, que já teriam se declarado a favor do Estatuto aprovado.

“Nós queremos dialogar com os contrários, mas é preciso dizer que por falta de informações muita gente está adotando posições equivocadas. Há ainda muitas entidades que não foram consultadas para autorizar a inclusão do nome nas listas de apoio ao veto”, afirmou.

O dirigente da SEPPIR, que pertence a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), corrente de ativistas ligados ao PC do B, lembrou que o parecer do senador Demóstenes Torres estava pronto desde dezembro do ano passado e que ninguém se preocupou em convocar uma Assembléia do Movimento Social para discutí-lo. “Agora, tem força para se mobilizar contra o Estatuto, mas não se movimentaram para ir ao Congresso fazer a disputa. É uma aventura para se agarrar numa bandeira. Parece brincadeira”, finalizou.
fonte; afropress

domingo, 4 de julho de 2010

Estatuto da Igualdade Racial: o debate que não houve

Por Jaqueline Lima Santos

Encontramos, no Movimento Negro, há alguns anos, diferentes posturas sobre o texto, tantas vezes alterado, para implementação desta lei.

Apresentado em 2005 pelo Senador Paulo Paim, a lei 6.264/05 tinha como objetivo geral “garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnico-raciais individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnico-racial”. Ao longo desses cinco anos, uma série de alterações foram realizadas no texto original, provenientes de acordos e negociações entre as forças presentes no legislativo brasileiro, retrocedendo frente às reivindicações do Movimento Negro, estas construídas em encontros, congressos, seminários e conferências.

Inicialmente, a crítica maior é de que o Estatuto tem um caráter autorizativo, sem o poder de imposição legislativa, ou seja, não obriga o Estado Brasileiro, em todas as suas instâncias, a implementar os pontos nele apresentado. Outra crítica é a de que não havia nenhum recurso direcionado para a implementação do mesmo, logo, um Estatuto autorizativo, sem verba, seria implementado como? Se o Estado lhe garante o status de facultativo, e não direciona nenhum recurso para sua implementação, o Estatuto se configura, parafraseando Reginaldo Bispo, como a nova Lei Áurea, não muda nada, e continuamos reféns do racismo institucional, preconceitos, discriminações e da ausência de políticas específicas que atendam nossas demandas.

O debate que não houve, sobre esse estatuto, foi com a sociedade civil. O Estatuto não foi discutido em audiências públicas, e pouco se levou em consideração os documentos retirados em conferências, congressos e seminários de organizações do movimento negro sobre o mesmo, isto é, quando as organizações se propuseram a discutir o documento em questão, pois esse debate ficou esvaziado dentro desses próprios grupos, como se o Estatuto, independente do seu texto, trouxesse grandes avanços para nós, negras e negros. Muitos defendem o Estatuto sem ao menos conhecê-lo na íntegra, acompanhar o debate que está sendo travado em torno do mesmo, simplesmente por carregar o nome “Estatuto da Igualdade Racial”. Ainda há uma alienação coletiva do processo.

O MNU (Movimento Negro Unificado), como resolução de Congresso Nacional, propôs na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), e em debates públicos, a retirada desse Estatuto para que este fosse debatido pelos setores do movimento negro e sociedade civil, e posteriormente fosse apresentado ao Estado brasileiro. Esta proposta dividiu a delegação da II Conferência, que mesmo votando a favor do Estatuto, se posicionou contra as negociações partidárias que tirassem da pauta direitos reivindicados por negras e negros. Nossa organização tem travado um debate crítico sobre o Estatuto a mais de três anos, sem recuar em nossas reivindicações históricas e nos negamos a abrir mão dos nossos direitos, nos recusamos a trocá-los por migalhas.

Mesmo estes e outros problemas sendo levantados, o Estatuto, ao invés de avançar, levando em consideração os apontamentos trazidos por alguns setores movimento negro, retrocede novamente. Isto mostra como as vozes que ainda tem força na sociedade brasileira são as vozes das elites brancas, isto porque, nós negros, neste campo, não temos o direito de decidir sobre o nosso próprio futuro, e as políticas de Estado que são direcionadas para o nosso segmento ainda depende dos “superiores” sobre o que é o mais importante para nós, dou exemplos para esta afirmativa.

O Estatuto da Igualdade Racial aprovado no dia 16 de junho de 2010, fruto do acordo entre os DEMOcratas e a SEPPIR, esta ultima responsável pela Conferência Nacional de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, espaço onde delegadas e delegados de todo o Brasil se manifestaram contra a retirada de direitos reivindicados historicamente pela população negra do Estatuto, teve como suprimidos pontos referentes as ações afirmativas, identidade, direitos dos quilombolas e saúde da população negra. Segundo Reginaldo Bispo “o projeto diz não a titulação das áreas quilombolas, a cota no serviço publico, nas universidades, nas legendas partidárias. Não ao auto-reconhecimento identitário. Proíbe que doenças com maior incidência em negros, sejam consideradas assim (...)”.

Para Jurema Werneck as mudanças no capítulo de saúde do Estatuto e a supressão quesito cor no atendimento do SUS desrespeitam deliberações construídas em espaços de democracia participativa, como o Conselho Nacional de Saúde, e ignora uma série de conquistas históricas no campo da saúde, além de prejudicar diretamente a população negra. Ignora as especificidades e os dados estatísticos que trazem a tona a vulnerabilidade e risco social que este segmento está submetido, o que contribuiu para o reconhecimento da necessidade de um atendimento específico para esta parcela da população. Logo concluí que “o Estatuto faz mal para a saúde da população negra, ao Sistema Único de Saúde, e à sociedade brasileira”.

Frei Leandro, integrante da Educafro, considera este Estatuto “capenga, descaracterizado em sua origem e sem forças políticas para o movimento negro brasileiro. Com efeito, a aprovação satisfez as posturas conservadoras de algumas entidades negras. Porém, na verdade, o que foi aprovado foi um Estatuto do Senador Demóstenes Torres (DEM - GO) que fez descer goela a dentro um texto que, político e ideologicamente, representa o Partido Democratas, corado por seu conservadorismo e atraso social”.

Guacira Cesar de Oliveira apresenta os argumentos do setor conservador que defende as alterações no Estatuto: “o estatuto vai racializar a sociedade brasileira, como se a idéia de raça, da superioridade branca e inferioridade negra não tivesse fundado o Brasil desde a colônia; não existe racismo no Brasil, como se quem vive o racismo na pele, na verdade estivesse sofrendo delírios; as quotas vão racializar a sociedade brasileira e gerar confrontos que hoje não existem, como se o assassinato de jovens negros pela polícia nesse país fosse uma peça de ficção”. Estes argumentos, segundo ela, se contradizem com a realidade colocada, em que o racismo se expressam em dados de exclusão, preconceito e discriminação.

Hoje, anos depois, o Estatuto é colocado no centro do debate das redes do movimento negro. Alguns celebram, outros lamentam.

Edna Roland defende que não há mais negociações, e que o Estatuto de Demóstenes viola uma série e Convenções, Declarações e Documentos em que o Estado brasileiro assinou, e logo teria o compromisso de combater o racismo em forma de discriminação e preconceito, além de promover políticas de promoção da igualdade racial. Para Edna Roland, o Senador Demóstenes nega as contradições sociais produzidas pela escravidão e, ao substituir palavras como “derivadas da escravidão” do Estatuto, ao afirmar que no Brasil não há discriminação por causa da cor, ao defender a meritocracia, mutilou um projeto original construído pelo Senador Paulo Paim. Ela afirma também que é “impossível para o relator manter a coerência: não ousou retirar o Racial do nome do Estatuto, nem pode eliminar tais palavras dos conceitos discriminação racial ou étnico-racial, e desigualdade racial, mas pretende eliminar do conteúdo de tais conceitos. Assim, o Senador Demóstenes Torres, se arvora o direito de mutilar não apenas o projeto do Estatuto, mas também a própria Convenção Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial: para ele raça não é um fator com base no qual ocorra a discriminação racial, já que ele insiste em utilizar uma definição genética de raça e geneticamente raça não existe. Para ser coerente, o Senador deve propor o veto integral ao projeto, pois se trataria, segundo ele, de um projeto acerca de algo que não existe”. Com isso, ela conclui afirmando que estamos por nossa própria conta, e que “não podemos esperar nada de um Senador da República com a mentalidade de um senhor de escravos: segundo ele qualquer política que promova a igualdade no mercado de trabalho vai produzir rancor dos que vão perder os seus privilégios e portanto não devem ser aprovadas”, e que é preciso relembrar Palmares, se a história já mostrou o que deu certo, “há momentos em que somente a derrota pode nos salvar”.

Segundo Onir de Araújo, membro do GT quilombola do MNU-RS, o Estado brasileiro, desde a conquista da Constituição de 1988, não cumpriu o seu papel de entregar os devidos títulos as terras quilombolas, e o Estatuto de Demóstenes, ao retirar o direito à titulação das terras quilombolas do texto original, marca a posição da bancada ruralista e reforça a ADI 3239 dos DEMOcratas, que defende os interesses dos grandes latifundiários e viola os direitos das comunidades quilombolas, ameaçando-as de perderem o direito a titulação de seus territórios. Não foi a toa que elegeram tal Senador para ser o relator desse projeto lei.

O propositor das alterações, Demóstenes Torres, é o mesmo que nas audiências públicas sobre cotas no STF, em março deste ano, negou as mazelas da escravidão brasileira e afirmou que as mulheres negras consentiram com os estupros dos quais foram vítimas de senhores brancos no período da colonização, utilizando este argumento para, mais uma vez, afirmar que nós constituímos uma harmonia racial, sem contradições e correlações de força. No caso do Brasil, por exemplo, a miscigenação não significou a ausência de racismo, mas a causa de uma racismo diferente, que envolve uma discussão sobre raça e sexualidade. A miscigenação ainda hoje é glorificada como exemplo da nossa “democracia racial”, utilizada para justificar a existência de uma harmonia entre a Casa Grande e a Senzala, como dizia Gilberto Freire em seus escritos. O que não é levado em consideração é a violência pela qual foram expostas milhares de mulheres negras diante do sistema colonial, desconsidera-se os atos de violência sexual, estupros em detrimento do discurso de que não temos conflitos raciais e que somos um povo misturado.

Nós, negras e negros, que devemos ser os propositores, temos que ser protagonistas das nossas próprias histórias. Até quando teremos que ter nossas vozes caladas pelas vozes da elite branca, ou teremos que falar pelas vozes das elites brancas? Temos nossos próprios enunciados, e estes devem ser levados em consideração. Porém, nosso debate sobre esse Estatuto ainda está esvaziado.

No Brasil fala-se tanto da democracia participativa, da importância dos Conselhos e Conferências como forma de exercer o controle social sobre o Estado, mas diante desta questão eu me pergunto: quem tem exercido o controle social, a sociedade civil ou o Estado? Como afirma Silvany Euclênio, “fomos traídas e traídos”.

Há quem jogue a culpa do fracasso do Estatuto nos críticos que colocaram os problemas desta lei em debate, defendendo que deveríamos ir para o Congresso Nacional pressionar os parlamentares para que a nossa pauta seja atendida. Ora, já fomos para conferências, congressos, seminários, organizamos marchas e caravanas, ajudamos a eleger uma série de parlamentares, e mesmo assim houve quem tentou esvaziar o debate crítico, e hoje temos esse Estatuto, fomos traídas e traídos. Não existe mais negociação, o Estado, a SEPPIR, o DEM e os adesistas desse Estatuto passaram por cima da democracia participativa.

Vamos aderir a Mobilização Nacional para que o Presidente Lula não sancione o Estatuto do Demóstenes e da SEPPIR.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Por que iremos à Assembleia Nacional Popular e Negra em Brasília

Nota Pública do Círculo Palmarino sobre a NÃO aprovação do Estatuto de Igualdade Racial e sobre a Assembleia Nacional Popular e Negra de Brasília


No dia 30/06 ocorrerá em Brasília a Assembleia Nacional Popular e Negra convocada por várias organizações do Movimento Negro e Social brasileiro. Na pauta, dois pontos principais: contra a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI-3239), movida pelo DEM contra o Decreto 4887, que regulamenta as terras ocupadas por remanescentes de quilombos e pelo veto de Lula ao Estatuto de Igualdade Racial aprovado pelo Senado.

Nós, do Círculo Palmarino, organização do Movimento Negro pautada no afro-comunismo, decidimos participar da Assembleia por entender que a mesma se pauta na cultura estratégica dos movimentos sociais de luta e ação direta sobre a institucionalidade para pressionar por mudanças na ordem burguesa, mesmo sabendo da insuficiência de tais ações sem levarem ao objetivo final: a mudança de sistema econômico-social capitalista.

Entendemos que durante o histórico de lutas do Movimento Negro, algumas características se arraigaram em nossa forma de agir na sociedade, como o movimento ser pautado pela ação coletiva do negro como sujeito político no combate para criar direitos para nosso povo e incidir na luta social de nosso país. Sempre de forma independente e autônoma em relação ao estado, partidos políticos e seus governos.

Sendo assim, nós do Círculo Palmarino sempre defendemos a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial por entender ser essencial um marco legal que possa garantir ao nosso povo direitos sociais historicamente negados. A versão original do Estatuto foi apresentada no Congresso Nacional há 15 anos atrás como produto da Marcha 300 anos da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, que reuniu mais de 30 mil militantes negras e negros em Brasília, hegemonizadas por um bloco de forças negras de caráter democrático, socialista e popular. Ou seja, foi construída com lastro e legitimidade social e no calor da luta política. Hoje, vemos uma total inversão dessa lógica de mobilização social e, por isso, uma derrota do Movimento Negro com a aprovação de um NÃO Estatuto da Igualdade Racial.

Por isso, mesmo participando da Assembleia não nos furtamos de fazer a crítica na forma como várias organizações do Movimento Negro trataram a questão da aprovação do Estatuto, principalmente UNEGRO, CONEN e CNAB, invertendo a lógica dos movimento sociais, investindo em acordos de gabinete através da SEPPIR, desmobilizando as bases e não priorizando a luta e a ação direta para aprovar o Estatuto. Entendemos que todas as modificações que o Estatuto teve desde a apresentação da versão original do mesmo, culminando em uma lei que significa um retrocesso em relação a vários temas como cotas raciais, saúde da população negra e quilombola e em tantos outros é apenas autorizativa, sem determinar ações concretas por parte do estado é uma derrota de tal postura dessa parte do movimento negro e nós, do Circulo Palmarino, denunciamos isso na II CONAPIR, após a NÃO aprovação do Estatuto na câmara, quando da não convocação da etapa do CONNEB de Salvador e neste momento.

Entendemos que as forças políticas conservadoras, capitaneadas pelo DEM e seu senhor de engenho Demóstenes Torres, saíram vitoriosas desse processo porque parte do Movimento Negro achou que poderia atuar na institucionalidade com tanta desenvoltura como aquelas que dominam o estado brasileiro a mais de 500 anos. A troca da luta, mobilização e ação direta por cargos, financiamentos do estado e espaço no aparato burguês se demonstrou uma profunda derrota para essa parte do Movimento Negro.

Por fim, entendemos que a Assembleia é um espaço impar para que as organizações do Movimento Negro que reivindicam a autonomia do movimento negro em relação ao Estado, aos governos e aos partidos políticos construam uma frente com unidade de ação para mobilizar a maioria da população deste país, nós negras e negros, a construir um projeto político para nosso povo. Por isso, voltamos a propor a criação da Aliança Negra Brasileira (ANB). O principal desafio ao construir a ANB é mostrar que a NÃO aprovação do Estatuto não representa o fim das lutas do povo negro: tramitam no Congresso Nacional diversos projetos de Leis que beneficiam a população negra, sejam leis afirmativas ou reparatórias, e estes passam a ser o grande alvo da luta das/os militantes na busca destes marcos legais que promovam, efetivamente, alteração dos indicadores sociais do cotidiano da população negra e seus territórios. É necessário lutar contra o processo de extermínio, encarceramento, desterritorialização e pauperização dos territórios negros urbanos que denunciamos como uma verdadeira Faxina Étnica, a serviços dos interesses da burguesia branca e racista.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CONDICA / GAEC / CLUBE FICA AHÍ / COEP, promovem passeio ciclístico




Campanha do agasalho, dia 20 de junho de 2010, as 9h:30, com
concentração na AV. Bento Gonçalves (Enfrente ao Altar da Pátria), o
objetivo do evento é proporcionar o lazer para os participantes,
desenvolvendo a concientização da preservação do meio ambiente, na
estimulação do uso da bicicleta como meio de transporte que causa
menos empacto ao meio ambiente.
inscrição: um agasalho no local do evento, com sorteio de vários
brindes entre os participantes.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pobres foram removidos para embelezar a Cidade do Cabo

Moradores pobres na Cidade do Cabo foram removidos de albergues e prédios invadidos perto de estádios e pontos turísticos e realocados em Blikkiesdorp, um assentamento de barracões de ferro ondulado cercado por um muro de concreto, informa o jornal americano "The Washington Post", após denúncias de ativistas de direitos humanos.

O motivo para estarem ali? "A Copa do Mundo", responde ao jornal Shirley Fisher, 41, que foi retirada de um albergue perto de um estádio onde as estrelas do futebol treinam.

Segundo o "Washington Post", ativistas de direitos humanos acusam as autoridades sul-africanas de forçarem milhares de pobres a mudaram-se para Blikkiesdorp e outros assentamentos, para apresentar uma boa imagem durante a Copa.

"Estamos vivendo em um campo de concentração", diz ao jornal Padru Morris, 47, outro morador.

Em Blikkiesdorp, milhares de pessoas vivem em barracões de um cômodo, cada um ocupado por entre cinco e sete pessoas, que têm de dividir as camas. Quatro barracões dividem um banheiro e uma torneira, segundo a reportagem.

Como o local fica longe do centro, os moradores reclamam que é muito caro se locomover e que não têm dinheiro para levar seus filhos à escola ou ao médico, informa o jornal.

"Esse é um depósito de lixo para pessoas", disse Jane Roberts, uma moradora e ativista da Campanha Contra Expulsão do Oeste do Cabo. "É como o apartheid, apenas praticado por caras novas", disse ao jornal.

Blikkiesdorp foi construído há dois anos para pessoas que ocupavam prédios ilegalmente, e autoridades de Cidade do Cabo dizem que o lugar serve como "área de realocação temporária" até que se consiga construir moradias apropriadas, diz o jornal.

"Reconhecemos que Blikkiesdorp não é uma solução perfeita, mas é o que podemos fazer com os recursos existentes", disse Kylie Hatton, porta-voz de uma subprefeitura, em entrevista ao "Washington Post". Ela defende que ninguém foi "removido deliberadamente" de nenhuma região por causa da Copa.

Em março, a enviada especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para moradias adequadas, Raquel Rolnik, reportou que cidades como Cidade do Cabo estavam priorizando "embelezamento acima das necessidades dos moradores locais".

Segundo o jornal, a Anistia Internacional também reportou casos crescentes de assédio de policiais contra os pobres, incluindo expulsão de sem-tetos e de moradores de ruas de áreas próximas a localidades da Copa e destruição de "moradias informais".
fonte: folha.com de 11/06

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SEPPIR faz acordo com DEM para votar Estatuto da Igualdade

Brasília - O senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás), que em março passado tentou fazer a revisão da história negando um dos aspectos mais perversos do escravismo - o estupro das mulheres negras -, conseguiu o que parecia impossível: um acordo com a SEPPIR para votar o Estatuto da Igualdade Racial.

O texto do relator que irá à votação suprime pontos como as cotas – já implantadas em mais de 90 universidades brasileiras – rejeita qualquer menção as desigualdades “derivadas da escravidão”, nega a existência de uma identidade negra no país e repõe os pressupostos do mito da democracia racial, que negam os efeitos do racismo.

Com o acordo o projeto do Estatuto na versão Demóstenes, será votado na sessão da próxima quarta-feira, dia 16 de junho, a partir das 10h, um dia depois da estréia do Brasil na Copa do Mundo e às vésperas do recesso parlamentar de julho.

Aval do ministro

A Afropress apurou que o acordo teve o aval do ministro chefe da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo (foto). O senador Paulo Paim – autor do projeto do Estatuto apresentado em 2003 -, também participou das negociações. Paim, porém, mostrou-se resistente as alterações feitas por Demóstenes e evitou, até o momento, fazer declaração pública defendendo o acordo.

A jornalista Sandra Almada, da Assessoria de Comunicação da SEPPIR, não quis falar sobre os termos do acordo, mas adiantou que nesta sexta-feira (11/05) será distribuído documento com a posição da Secretaria defendendo o entendimento para aprovação do projeto como um primeiro passo.

A SEPPIR defende que o texto de Demóstenes mantém uma série de avanços e ao mesmo tempo abre espaço para negociações futuras. O entendimento é de que “se trata de um passo, um ponta-pé inicial que terá vários desdobramentos".

Retrocesso

O senador Demóstenes Torres mantém na sua versão do Estatuto as posições defendidas na Audiência Pública, promovida em março deste ano pelo Supremo Tribunal Federal para discutir as ações afirmativas e cotas na Universidade de Brasília (UnB).

O senador demista tornou-se o pivô de uma polêmica e despertou a indignação, especialmente das mulheres, ao propor a revisão da história, fazendo a defesa de que as mulheres negras teriam consentido nos estupros em massa de que foram vítimas no período do escravismo.

No texto, o senador goiano é enfático na defesa do mito da democracia racial. “Geneticamente, raças não existem. Na medida em que o Estado brasileiro institui o Estatuto da Igualdade Racial, parte-se do mito da raça. Deste modo, em vez de incentivar na sociedade brasileira a desconstrução da falsa idéia de que raças existem, por meio do Estatuto referido o Estado passa a fomentá-la, institucionalizando um conceito que deve ser combatido, para fins de acabar com o preconceito e com a discriminação“, afirma.

Ele também nega os efeitos do racismo – que aparece em todos os indicadores sócio-econômicos -, rejeita qualquer menção a raça no Estatuto, nega-se a reconhecer a existência de uma identidade negra no Brasil (“o que existe é uma identidade brasileira”) e minimiza os efeitos da cultura da discriminação que atinge predominantemente negros.

“Não existe no Brasil uma “identidade negra”, paralela a uma “identidade branca. O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação no País não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada, na qual os valores nacionais são vivenciados pelos negros e pelos brancos”, conclui.

O senador goiano do Democratas vai além. “Encontram-se elementos da cultura africana em praticamente todos os ícones do orgulho nacional, seja na identidade que o brasileiro tenta construir, seja na imagem do País difundida no exterior, como samba, carnaval, futebol, capoeira, pagode, chorinho, mulata e molejo".

Desse modo, acrescenta, existem valores nacionais brasileiros que são comuns a todos os tipos e cores que formam o povo. Por nunca ter havido a segregação das pessoas por causa da cor, foi possível criar um sentimento de nação que não distingue a cultura própria dos brancos da cultura dos negros”.

Estranheza

Por enquanto, apenas os APNs – Agentes Pastorais Negros, organização com origens na Igreja Católica -, assumiram publicamente a defesa do acordo com Demóstenes. Segundo o coordenador nacional dos APNs, Nuno Coelho, “não é o momento de discutirmos os pontos frágeis do projeto e nem criarmos embate com os contrários a versão final do Estatuto, mas sim de garantirmos a imediata aprovação deste documento que será objeto de emendas no futuro”.

Coelho está mobilizando os Agentes pastorais negros para estarem em Brasília e o movimento negro para lotar as galerias do Senado para pressionar os parlamentares. Não explica o porque haveria a necessidade de pressão se já houve um acordo, inclusive avalizado pela SEPPIR.
fonte: AFROPRESS

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Círculo de Conversas Clube Cultural Fica Haí e Biblioteca Negra



O ciclo de conversas neste sábado dia 29 passado no espaço Cultural do Samba do Clube Cultural Fica Ahí uma ação da Biblioteca Negra de Pelotas e o Fica Ahí foi um sucesso. A Tematica Clubes Negros resistencia Cultural foram muito bem explanada pelas palestrantes a Historiadora Fernanda Oliveira que conversou a respeito dos Clubes Negros de Pelotas e Giane Vargas Escobar Mestre em Patrimônio Cultural que conversou sobre o movimento nacional de Clubes ela que faz parte da comissão Nacional e um pouco do genesis deste processo que iniciou em 2005 tendo como um dos grandes articuladores o professor Oliveira Silveira. As palestrantes deram um Show a parte, tivemos também o testemunho do Chove Não Molha com o processo de revitalização de seu espaço fisico. Um ponto a destacar foi a presença do publico que permaneceu por mais de quatro horas no evento. O Ciclo de Conversas proporcionou aos presentes uma mostra do saudoso Professor Oliveira Silveira.

fonte: Rubinei Machado

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sábado, 22 de maio de 2010

Propostas devem sair do papel, conclui Conferência nos EUA

Atlanta/EUA - Terminou nesta sexta-feira (21/05) em Atlanta, Geórgia, com a presença do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon e do ministro chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Elói Ferreira de Oliveira, a IV Conferência "Call do action" (Chamado à Ação) do Plano de Ação Conjunta Brasil/EUA para a Eliminação da Discriminação Étnico-Racial e a Promoção da Igualdade.

A Conferência que reuniu representantes da sociedade civil e doze jornalistas convidados pelo Departamento de Estado - entre os quais o editor de Afropress, Dojival Vieira - faz parte do Plano assinado em março de 2008, ainda sob o Governo Bush pela secretária de Estado, Condeleeza Rice, e pelo ministro da SEPPIR, deputado Edson Santos.

O ex-ministro esteve presente em Atlanta à convite do Departamento de Estado e participou da abertura da Conferência no Centro Martin Luther King, localizado na Auburn Avenue, na quinta-feira (20/05). No Centro, inaugurado em 1.968 para celebrar a memória do líder americano do movimento dos direitos civis, estão os túmulos do Reverendo King, assassinado em 1.968, e de sua mulher, Coretta King, morta em 2006.

Segundo o ministro Elói Ferreira “o evento ganhou uma importância extraordinária pela participação dos Governos e sociedade civil”. “Esse Encontro está vitorioso porque celebra o congraçamento a paz entre duas nações irmãs para vencer o preconceito e a discriminação. O Plano coloca mais liga na relação do Brasil com os EUA”, destacou Ferreira.

Relação global

O embaixador Shannon, ao falar na abertura no auditório Bank Of America da Faculdade Morehouse - instituição em que estudam majoritariamente negros -, definiu o conceito do Plano. “Esse é um tema muito relevante para os dois países. O Plano de Ação conjunta somente pode ter sucesso na medida em que empoderarmos a sociedade civil”, afirmou.

Shannon disse que o Plano faz parte de um novo conceito de relações entre os dois países - de bilateral para global. “Não se trata mais de relação entre governos, mas também entre as sociedades. É uma diplomacia inovadora. Quero que todos fiquem sabendo que estão agora forjando o futuro entre as duas principais democracias do mundo ocidental”, concluiu o embaixador sob aplausos.

Sociedade civil

Na entrevista coletiva de encerramento, o embaixador Arturo Valenzuela, que chefiou a delegação americana, voltou a destacar a importância da sociedade civil na execução do Plano. “Trata-se de uma diplomacia de inclusão social. Governos, setor privado e sociedade civil, todos trabalhando em conjunto. Esse é um novo campo para nós diplomatas. Eu me sinto entusiasmado e encorajado para reforçar o entendimento entre Estados e Governos”, afirmou.

Empresas americanas como a Delta Airlines e a Coca-Cola já assumiram compromissos com a implementação do Plano, porém, nenhuma empresa brasileira, até o momento se comprometeu com o projeto, nem esteve presente em Atlanta.

A delegação brasileira foi chefiada pelo embaixador nos EUA, Mauro Vieira, e pelo ministro chefe da SEPPIR.

Valenzuela também destacou que, depois de quatro encontros (Brasília, Salvador, Washington, e Atlanta) agora é a fase de Planejamento com reuniões técnicas, a cada semestre, e reuniões anuais com participação do setor privado e da sociedade civil.

Oportunidades

Do Brasil, cerca de 40 ativistas e lideranças de vários setores - Olimpíadas, Saúde e Educação e Comunicação - participaram da Conferência, participação que se dividiu em várias etapas - inclusive a visita a comunidade haitiana do bairro Little Haiti (Pequeno Haiti), em Miami.

João Bosco Borba, do Coletivo de Empresários Afro-Brasileiros, disse que a visita a Little Haiti, onde vive uma comunidade de cerca de 1 milhão de haitianos, foi uma descoberta para os empreendedores brasileiros. “São muitas as oportunidades de colaboração mútua”, afirmou.

Segundo o sub-secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas, que é responsável pela Coordenação geral do Plano de Ação, a Conferência representou um passo adiante na direção da concretização das ações que levarão a uma maior interação entre os dois países para o enfrentamento das desigualdades raciais.

O coronel Jorge da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenador de Estuados e Pesquisas em Ordem Pública, Polícia e Direitos Humanos, e o jornalista Paulo Rogério, ao final, destacaram as oportunidades que o Plano abre, em especial, pelo interesse americano em inseri-lo no contexto das relações com o Brasil.

Segundo Rogério, da reunião de Salvador para a de Atlanta, o Plano “deu um salto”. “É possível dizer que o Plano deu um salto nesta conferência. Agora é preciso passar à ações concretas”, afirmou.
 
Júlia Nogueira, Secretária Nacional de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Telma Vicotr, da Secretaria de Formação da CUT/SP e representante do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR) também consideram que daqui para a frente é necessário sair do plano das intenções e partir para a ação com a execução de propostas concretas.
fonte: afropress 22/05/10

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Referência para inúmeros artistas negros, Malcolm X faria 85 anos hoje


Ele era um excelente aluno e um dia resolveu falar para seu professor que queria ser advogado. O mestre riu de sua cara e respondeu que no máximo seria carpinteiro. Essa pequena cena é sintomática na formação do grande Malcolm X, que ao lado de Martin Luther King, é um dos responsáveis pelas conquistas dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e exemplo para as lutas contra o racismo em todo o mundo. O lider que nasceu Malcolm Little e depois, ao se converter ao islamismo, tornou-se El Hajj Malik El Shabazz, faria 85 anos nesta quarta-feira (19), se não fosse tragicamente assassinato em 1965.
Com uma infância paupérrima, sua adolescência e o começo da fase adulta foram na bandidagem até ser preso. Sobre os anos de prisão, ele declarou: “A prisão, depois da universidade, é o melhor lugar para uma pessoa ir, se ela estiver motivada, pode mudar sua vida”. Na cadeia, Malcolm se converteu ao islamismo.

Durante os anos de conversão, divulgou a seita religiosa Nação do Islã que tinha como tese que Deus criou primeiramente o homem negro e o homem branco é uma invenção de um cientista louco negro chamado Yakub.

Expulso da seita por ciúmes de seus participantes, ele funda a Organização da Unidade Afro-Americana. Sua linha de militância passava por 3 pontos vitais: O islamismo, o socialismo e a violência como resposta ao racismo.

E foi exatamente essa mesma violência que o matou, em 1965, com 16 tiros à queima-roupa, transformando o homem em mito.
Sua influência perdura até hoje, seja no rap com Afrika Bambaataa, Public Enemy ou Jay-Z, como no cinema representado na figura de Spike Lee. Até nos esportes ele provocou mudanças, o grande Cassius Clay alterou seu nome para Muhammad Ali por influência das ideias de X. E com certeza, sua figura será sempre acionada enquanto houver racismo no mundo.