Nego Drama

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Cinco evidências que Jesus não era branco


A questão da cor de Jesus sempre foi um tema polêmico, evocando fortes paixões tanto a favor como contra a negritude e branquitude de Cristo. Tem uma brincadeira que os negros norte-americanos costumam dizer sobre três maneiras que prova que Jesus era Negro:

  • Ele chamou todos de  irmãos,
  • Gostava do Evangelho, e
  • Ele não poderia ter um julgamento justo.

 
Brincadeira  à parte, o fato é que existe fortes evidencias bíblicas que Jesus não era branco. Vejamos 5 delas:

  1. Jesus nasceu em Africa. Os Evangelhos dizem de maneira explícita que Jesus nasceu em “Belém de Judá, no tempo do rei Herodes” (Mt 2,1 cfr. 2, 5.6.8.16), (Lc 2, 4.15), (Jo 7, 40-43). Nos tempos antigos, incluindo o tempo de Jesus, Belém de Judá era considerado parte de  África. Até a construção do Canal de Suez, Israel fazia parte da África. Esta visão haveria de perdurar até 1859, quando o engenheiro francês Ferdinand de Lesseps pôs-se a construir o Canal de Suez. A partir daí, foi a África separada não somente geográfica, mas sobretudo histórica, cultural e antropologicamente do que hoje chamamos Oriente Médio. Aquela milenar extensão da África passa a figurar nos mapas como se fora Ásia. 
  2. Jesus tinha presença negra na linhagem familiar. A genealogia de Jesus foi misturada com a linha de Cam desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia. Nos antepassados de Jesus através de Cam, lado feminino desta mistura, há cinco mulheres mencionadas na genealogia de Jesus Cristo ( Tamar, Raabe, Rute, Bateseba e Maria) (Mateus 1:1-16). As primeiras senhoras mencionadas eram de descendência de Cam. Assim, Jesus pode ser aclamado etnicamente pelos povos semitas e descendentes de Cam.
  3. Jesus era da tribo de Judá, uma das tribos Africanas de Israel. Ancestrais masculinos de Jesus vêm da linha de Sem (miscigenados). No entanto, a genealogia de Jesus foi misturada com a linha de Cam desde os tempos passados em cativeiro no Egito e na Babilônia. O antepassado de Jesus através de Cam é narrado em Gênesis 38: então Tamar, a mulher Cananéia (Negra) fica grávida de Judá, e dá à luz aos gêmeos Zerá e Perez, formando a Tribo de Judá, antepassados do rei Davi e de José e Maria, os pais terreno de Jesus. 
  4. Jesus se escondeu entre os Negros. Não foi por acaso que Deus enviou a Maria e José para o Egito com o propósito de esconder o menino Jesus do rei Herodes (Mateus 2:13). Ele não poderia ter sido escondidos no norte da África se fosse um menino branco. Não por proteção militar já que nessa época o Egito era uma província romana sob o controle romano, mas porque o Egito ainda era um país habitado por pessoas negras. Assim, José, Maria e Jesus teriam sido apenas mais uma família negra entre os negros, que tinham fugido para o Egito com a finalidade de esconder Jesus de Herodes, que estava tentando matar o menino. Se Jesus fosse branco, loiro de olhos azuis, teria sido difícil para ele e sua família se esconder entre os egípcios negros sem ser notado. O povo hebreus era muito parecido com povo egípcios, caso contrario  teria sido difícil reconhecer uma família hebraica entre os egípcios Negros. Foi no Egito que o povo de  Israel  teve seu auge da negritude, Setenta israelitas entraram no Egito e lá ficaram  durante 430 anos, trinta anos os israelitas foram hóspedes, e 400 anos  cativos no Egito, eles e seus descendentes se casaram com não-israelitas, chegando a mais de 600.000 homens, mulheres e crianças. Saíram do Egito uma multidão misturada. Etnicamente, os seus antepassados eram uma combinação de afro-asiáticos. 
  5. Jesus era semelhante pedra de jaspe e de sardônio. Em apocalipse a Bíblia continua mostrando a negritude de Jesus. Ele é chamado o Cordeiro de Deus segundo as Escritura Sagrada, com seu cabelo lanoso, sendo comparado a lã de cordeiro, e os pés com a cor de bronze queimado(Apocalipse 1:15), com uma aparência semelhante pedra de jaspe e de sardônio (Apocalipse 4:3), que são geralmente pedras amarronzadas. As cores de jaspe e sardônio não são únicas e absolutas, são diversas cores.

Fonte: Afrokut

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

80 Anos da Frente Negra Brasileira


"A Frente Negra Brasileira foi fundada em 16 de setembro de 1931 e durou até 1937, tornando-se partido político em 1936. Foi a mais importante entidade de afrodescendentes na primeira metade do século, no campo sócio-político. A Frente Negra foi um movimento social que ajudou muito nas lutas pelas posições do negro aqui em São Paulo.

Existiam diversas entidades negras. Todas essas entidades cuidavam da parte recreativa e social, mas a Frente veio com um programa de luta para conquistar posições para o negro em todos os setores da vida brasileira. Um dos seus departamentos, inclusive, enveredou pela questão política, porque nós chegamos à conclusão de que, para conquistar o que desejávamos, teríamos de lutar no campo político, teríamos de ter um partido que verdadeiramente nos representasse.

A consciência que existia na época eu acho que era muito mais forte que a que existe agora. Quando o negro sente uma pressão, quando qualquer agrupamento humano sente uma pressão, procura um meio de defesa. A pressão era tão forte que muitos jornais publicavam: "Precisa-se de empregado, mas não queremos de cor".
Havia alguns movimentos também no interior, principalmente nos lugares em que os negros não passeavam nos jardins, mas na calçada. Muitas famílias não aceitavam, inclusive, empregadas domésticas negras; começaram a aceitar quando se criou a Frente Negra Brasileira. Chegou-se ao ponto de exigir que essas negras tivessem as carteirinhas da Frente.
Então, essa consciência era muito mais acentuada do que nos dias atuais. Porque hoje os jovens negros, a meu ver, estão muito acomodados, não sei se por receio ou não. A Frente Negra funcionava perfeitamente. Lá havia o departamento esportivo, o musical, o feminino, o educacional, o de instrução moral e cívica. Todos os departamentos tinham a sua diretoria, e o Grande Conselho supervisionava todos eles. Trabalhavam muito bem.

Dessa forma, muitas entidades de negros que cuidavam de recreação filiaram-se à Frente Negra. E existiam diversas sociedades em São Paulo e pelo interior afora. Por isso a Frente cresceu muito, cresceu de uma tal maneira que tinha delegação no Rio de Janeiro, na Bahia, no Rio Grande do Sul, e, Minas Gerais etc."

fonte:: Portal Gelédes

sábado, 6 de agosto de 2011

O negro de alma negra: Uma entrevista com Oliveira Silveira 2008

por Fernanda Pompeu *

Junho de 2008. Eu estava na recepção de um hotel no centro de Porto Alegre. Faltavam três minutos para as 10 da manhã. Sentia uma pequena apreensão, comum toda vez que aguardo alguém para entrevistar. No caso, seria um trabalhinho rápido. Precisa apenas de uma ou duas declarações do entrevistado para ilustrar uma matéria. Como em geral, nós brasileiros, não primamos pela pontualidade, sentei-me e abri um exemplar da Zero Hora - o mais afamado jornal gaúcho. Antes de ler a segunda manchete, olhei para o relógio (10 horas) e, automaticamente, para a porta de entrada. Então, vi surgir um dos homens mais elegantes que já vi na vida. Muito magro, vestindo um sobretudo e apoiando-se em uma bengala. Sem nenhuma senha, trocamos um olhar e sorrimos. Eu perguntei: "Oliveira Silveira?" Ele estendeu a mão para que eu a apertasse.
Minutos depois nos acomodamos em um café na esquina do hotel. Liguei o gravador, peguei caderneta e caneta. No lugar de uma declaração, meu entrevistado me deu uma aula. Começou contando que seu nome inteiro era Oliveira Ferreira da Silveira, nascido na gaúcha Rosário do Sul (384km de Porto Alegre), no ano de 1941. Acrescentou que amava as palavras antes e depois de tudo. "Sou escritor, trabalho mais com poesia. Mas também escrevo prosa, na forma de ensaios e matérias jornalísticas. Enfim sou uma pessoa da literatura", sublinhou ao mesmo tempo que fez menção à minha caneta de tinta verde. Tive certeza do seu amor à escrita, pois apenas escritores reparam na cor da tinta das canetas. Oliveira Silveira, entre outros livros, publicou Poema sobre Palmares, Banzo Saudade Negra, Pelo Escuro, Roteiro dos Tantãs, além da participação em várias antologias.
Da literatura, a conversa saltou para o drama dos Lanceiros Negros na revolta Farroupilha (1835-1845). Os lanceiros, depois de dez anos de lutas, foram dizimados em uma emboscada. Por quê? Para não serem alforriados, conforme o que havia sido combinado. "A história da contribuição dos negros ao nosso país recém-começou a ser contada, trata-se de um esforço para gerações inteiras". Oliveira continuou "no final dos anos 1960, senti curiosidade e necessidade de pesquisar o protagonismo de mulheres e homens negros no Rio Grande do Sul em particular e no Brasil em geral". Foi então que teve a ideia de reunir um grupo de interessados. Sem sede, o pequeno grupo, formado só por pessoas negras, passou a se encontrar na Rua da Praia - a mais querida rua da cidade (que na placa chama-se Rua dos Andradas). Diga-se de passagem, cantada nos versos e nas prosas dos autores gaúchos.
Oliveira seguiu: "nossas conversas giravam em torno da insatisfação com 13 de Maio, achávamos que a comemoração, além de chapa branca, homenageava uma princesa "portuguesa" e não o povo negro. Daí  percebi que era preciso encontrar uma data que fizesse justiça à luta continuada dos negros brasileiros". Foi o que fez. Atirou-se aos livros, mergulhou na importância do Quilombo dos Palmares. "É útil recordar que Palmares foi muito mais do que um quilombo, foi uma reunião de quilombos. Era tratado ora como república, ora como reino. Começou por volta de 1595 na Serra da Barriga, Alagoas. Resistiu por quase um século. Nos quilombos, viveram mulheres, homens, velhos e crianças que conseguiam escapar do terror escravista. Essa realidade desmente a bobagem de que os escravizados aceitavam sua submissão".
Durante a pesquisa, o jovem Oliveira Silveira topou com a data que precisava: 20 de novembro de 1695 - dia e ano da morte do líder Zumbi. "Do dia do nascimento dele ninguém tem registro". Zumbi é herói tão relevante para nossa história quanto o alferes Tiradentes. A primeira vez que soube da data foi num dos fascículo da série Grandes Personagens da História, da Editora Abril. Pesquisador cuidadoso, foi atrás da comprovação. "Confirmei no livro Quilombo dos Palmares de Edson Carneiro, publicado em 1947. Também o historiador português Ernesto Ennes mencionava o 20 de novembro em As guerras de Palmares, de 1938." Mais tarde, Oliveira Silveira conheceria e se tornaria amigo do historiador gaúcho Décio Freitas, autor do livro Palmares, la Guerrilla Negra, editado no Uruguai. Por empenho de Oliveira, esse trabalho viria a ser publicado, no Brasil, com o título Palmares, a Guerra dos Escravos.
Com o dia da morte de Zumbi confirmado, Oliveira Silveira partiu para a ação. Em 1971, em plenos anos de chumbo, fundou o Grupo Palmares. "Na formação inicial estavam: eu, Ilmo da Silva, Antônio Carlos Cortes, Vilmar Nunes, Anita Leocádia Prestes Abdad e Nara Helena Medeiros Soares. Mais adiante, entraram Helena Victória dos Santos Machado e Marisa de Souza da Silva, grandes intelectuais." Com o grupo estruturado, decolaram para a longa viagem de publicitação da data. "Nossa estratégia foi organizar debates em torno de personalidades negras. A primeira delas foi o escritor, jornalista e historiador Luís Gama (1830-1882), seguido do abolicionista José do Patrocínio (1853-1905)", ele recorda e acrecenta que poucas pessoas compareceram a essas discussões. A época não ajudava, estávamos no auge da repressão política. Também havia o estranhamento com um grupo de negros promovendo alta cultura.
20 de novembro de 1971, no Clube Náutico Marcílio Dias - um dos tantos clubes frequentados por negros em Porto Alegre -  foi realizada uma homenagem a Zumbi dos Palmares com inteção e inflexão de exaltação da negritude (palavra ainda não popularizada). "Compareceram umas vinte pessoas, mas todas da maior qualidade." Oliveira sorri ao recordar o que hoje é uma anedota saborosa. "Saiu na imprensa que Zumbi seria homenageado por negros do teatro. O pessoal da censura exigiu que mostrássemos a eles a programação. No final, o evento ocorreu com tranquilidade." O que a ditadura e a maior da população não imaginavam era que aquela reunião de gatos pingados negros e, entre eles, um ou dois brancos, seria a inuguração de uma data evocativa e de luta, nascidinha para fazer história. E que história! "Não o chamávamos ainda de Dia Nacional da Consciência Negra", continuou Oliveira. "O feliz nome seria dado, sete anos depois, numa assembleia do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial (MNUCRD), pelo ativista Paulo Roberto dos Santos."
Nos anos que se seguiram, o desmanche do mito da democracia racial brasileira ganhou impulso. Mulheres e homens negros começaram a sair dos porões da história e assumir seus lugares nas salas de vistas. Populações de origem quilombola foram localizadas e valorizadas, organizações de mulheres negras levantaram a voz. Foram criados a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, do qual Oliveira Silveira foi integrante por notório saber. "Há muitas conquistas a serem celebradas pelo povo negro e brasileiro, por exemplo, as cotas. Mas um enorme trabalho precisa continuar sendo feito a favor da população negra, diz Oliveira.
Pedimos a conta à dona do café. Desligo o gravador, não por que o poeta, escritor e ativista tenha dito tudo o que queria, mas  por culpa do relógio marcando o meio-dia. Meu voo para São Paulo seria duas horas depois. No avião, burlando a monotonia das nuvens, vim pensando que havia vivido um grande pivilégio - desses que, às vezes, a vida presenteia. Oliveira Silveira tinha conversado comigo. Proseado detalhes que futuramente estarão na memória da história do Brasil. Em primeiro de janeiro de 2009, ouvi pelo rádio que o inventor do 20 de Novembro havia morrido. O que é uma meia verdade.
Fonte: Portal Geledés

domingo, 24 de julho de 2011

25 de julho Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha


       Nesta segunda-feira, 25 de julho celebramos o Dia da Mulher Afro-latino- americana e Caribenha. Não poderíamos deixar passar esta data, sem parabenizar a todas as mulheres e aqui pontuo todas as educadoras que nesta luta constante e diária, defendem uma educação pública de qualidade.
       As mulheres negras da diáspora africana celebram 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, como símbolo de (re)união e de (re)conhecimento mundial de suas histórias de vida guerreira, combativa e imprescindível à construção de um mundo solidário, multiétnico e pluricultural.
       A escolha da data ocorreu no I Encontro das Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, realizado na República Dominicana, em 1992. O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha é mais do que uma data comemorativa, representa a luta pelo empoderamento das mulheres negras fora da África.
      No Brasil, as mulheres negras têm, em comum, vidas marcadas pela opressão de gênero, agravadas pelo racismo e pela exploração sexual. Só será possível pensarmos em um mundo novo ou num outro Brasil, quanto as diferenças forem consideradas como riquezas e não utilizadas como sinônimo de inferioridade.
      Deixamos o poema a seguir, como homenagem, temos plena certeza que ainda é pouco, mas que nossa escrita se torne mais um instrumento de reflexão nos 365 dias do ano. O poema  fala um pouco da trajetória dessas mulheres sempre presentes na caminhada para a superação das dificuldades, escrito por Serafina Machado (in Cadernos Negros 29).
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NEGRA
Para Gizelda
Sou mulher
Sou Negra.
Escura como a noite.
Escura como o Nilo, jorrando ondas de negralma.
Fui escrava.
Como mucama limpei o caminho dos meus senhores.
Fui corpo, sangue, orifício para o prazer do outro.
Fui operária, doméstica, lavadeira...
Negrimaculei a alvazia sociedade.
Costurei o rasgo da invisibilidade.
Subi o morro:
Favela de São Jorge.
Lá no alto, fui pássaro... Cantei.
Da África para o mundo
Mostrei minha voz humilhada,
porém, no ritmo do tambor,
forte.
Fui vítima
da minha cor, do meu sexo.
Muitas portas fechadas.
Fui guerreira e acordei
No meio da noite... tiroteios
São Jorge havia liberado o dragão.
Cuspes de fogo tentaram queimar meus sonhos.
Resisti...
Sou mulher
Sou Negra
Sou pobre
Sou história.
Escura como a noite.
Escura como o Nilo, jorrando ondas de
negralma.

Parabéns, Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas!!!


Professora Marielda Medeiros

Marielda B. Medeiros
Departamento Pedagógico / Equipe de Diversidade
Assessoria do Afro Brasileiro e Quilombolas / 5ª CRE / Pelotas 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

África do Sul canta 'parabéns pra você' pelos 93 anos de Nelson Mandela


A África do Sul comemorou nesta segunda-feira o 93º aniversário de Nelson Mandela: as crianças das escolas cantaram para o ex-presidente, e toda a população foi convidada a realizar boas ações em homenagem a sua luta política.

Por iniciativa de sua fundação, o 18 de julho foi declarado "Dia de Mandela", data reconhecida agora pela ONU como uma convocação mundial para que cada pessoa consagre 67 minutos de seu tempo a ajudar seus semelhantes, conforme os valores defendidos pelo ex-presidente sul-africano.
Estes 67 minutos representam os 67 anos que Mandela dedicou ao combate do apartheid e por uma democracia multirracial.
Por Stephane de Sakutin
Em todas as escolas da África do Sul, às 08H05 (03H05 de Brasília), mais de 12 milhões de crianças cantaram um "parabéns para você" especial, africanizado para a ocasião por um compositor sul-africano.
Rádios e televisões transmitiram a canção e todos os moradores do país foram convidados a cantá-la ao mesmo tempo.
"Como primeiro presidente de uma sociedade livre e democrática na África do Sul, ele criou as bases de uma sociedade verdadeiramente não racista, não sexista, democrática e próspera", declarou o presidente Jacob Zuma em sua mensagem de felicitação.
No âmbito da operação do Dia de Mandela, os sul-africanos foram convidados a limpar ou pintar os colégios e orfanatos, a reparar as casas em mau estado em favelas pobres, a ajudar os necessitados, a doar sangue, etc.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ampliou a operação, exortando todos os cidadãos do mundo a consagrar também 67 minutos a fazer o bem.
Nelson Mandela, presidente de 1994 a 1999, se retirou da vida política em 2004. Dada a fragilidade de seu estado de saúde, comemorará o aniversário em família em sua cidade de Qunu, no sul do país.

quinta-feira, 7 de julho de 2011


Batalhão dos PMs do caso Juan é um dos mais letais


O 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Baixada Fluminense, onde trabalhavam os quatro policiais suspeitos de envolvimento na morte do menino Juan de Moraes, de 11 anos, é um dos quatro batalhões que mais matam no Rio de Janeiro.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria Estadual de Segurança (Seseg), em 2010 e 2011 (até maio), militares lotados no 20º BPM foram responsáveis por 87 autos de resistência - morte de suspeito em confronto com a polícia. Em média, são pelo menos cinco ocorrências por mês.
Ao longo de suas carreiras, somente os quatro PMs envolvidos no caso Juan se envolveram em 36 autos, todos na Baixada. O batalhão que mais matou este ano também fica na região, o 15º BPM, em Duque de Caxias, com 52 ocorrências.
Somando-se os autos de resistência de todos os batalhões do Estado, foram 311 ocorrências em 2011. A média nos cinco primeiros meses do ano é menor que a de 2010, quando 855 casos foram registrados. Entre 2007 e o ano passado, 4.700 pessoas morreram.
De acordo com a assessoria de imprensa da PM, as ocorrências envolvendo suspeitos mortos em confronto são encaminhadas para a delegacia da área. Os policiais civis, "geralmente", solicitam as armas dos militares. "Se na investigação ficar comprovada a culpabilidade dos policiais, eles podem sofrer punições diversas, dependendo de cada caso e da sentença do juiz", informou. 
A Seseg disse que 947 policiais civis e militares foram demitidos ou expulsos entre 2007 e o início de 2011 porque tiveram "algum comportamento grave". Durante a inauguração do teleférico do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que qualquer servidor da Seseg que estiver envolvido em desvio de conduta, seja da natureza que for, será punido "exemplarmente".
"Mesmo que muitas vezes a gente erre, como a polícia errou, essas pessoas serão responsabilizadas. E, se por ventura, esses policiais tiverem qualquer tipo de participação nesse fato horrendo, eles serão punidos", disse, referindo-se aos quatro militares, afastados na quarta-feira pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.
Enterro
O corpo de Juan, que desapareceu em 20 de junho após incursão de militares do 20º BPM à comunidade Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada, deve ser enterrado amanhã. A reconstituição do crime também está marcada para esta sexta-feira.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Racismo e Preconceito na Sociedade de Classes: Contraposições, iniciativas e quebra da reprodução de conceitos racistas


Existe uma prática cotidiana de taxar o negro de racista às avessas, quando reproduz algum tipo de preconceito a outro segmento racial. Acreditamos que para este debate é fundamental entender dois conceitos. Primeiro, o conceito de racismo. Alguns intelectuais erram quando restringem o racismo ao ódio entre as raças. O segundo ponto é a concepção de preconceito.


O racismo é o preconceito contra um grupo racial distinto, fazendo com que o grupo opressor construa mecanismos de distanciamento e de controle sobre outro grupo racial. O racismo cria mitos, padrões, formatos, critérios, etc. Esses elementos juntos conformam-se em valores morais e estéticos, formalizando o que é certo e o que não é, o que é bonito e o que é feio, o que deve ser aceito e o que deve ser repudiado. Não é necessário entrar no debate já superado sobre o conceito de raça biológica. Todos sabemos que, do ponto de vista biológico, as raças não existem. Reivindicamos a raça negra sob critério político, de um segmento étnico no Brasil, em sua maioria afrodescendentes que sofreram e sofrem preconceito e discriminação. 

O racismo constrói leis, regras e mecanismos para manter o poder político e econômico, em detrimento da raça oprimida. Conforme Lênin, “o Estado é a organização especial de um poder: é a organização da violência”. A Universidade, na qual entram os filhos das elites, que são os das melhores escolas particulares, que por uma naturalização perversa são os filhos dos não-negros. A televisão, que prefere “gente bonita” que obedece a um padrão de beleza europeu, que é necessário para aparecer na mídia; logo, o padrão negado – o negro, no caso do Brasil -, não estará na televisão. Obviamente existem exceções, existe um ou outro negro que se adapta ou adéqua ao padrões para adquirir aceitação. Enfim, o racismo é um mecanismo perverso de manutenção de hegemonia, para exercê-lo é fundamental conseguir preponderância, coisa que hoje a população negra não possui. Não existem leis, regras, universidades, política, normas que fortaleçam uma dominação negra contra um segmento dominado.
O preconceito, por sua vez, é um juízo preestabelecido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou culturas consideradas diferentes. O ser humano tenta de forma equivocada estabelecer conceitos sobre coisas das quais desconhece, ou conhece superficialmente. Reproduzir o preconceito é um equívoco irrefletido.
As opressões sempre são geradas a partir de um movimento em cadeia, responsável por sua perpetuação. Três atores são fundamentais na constituição da opressão racial: o ser hegemônico, que organiza a opressão; o emissor da opressão; e o receptor oprimido. Dois dos maiores emissores do racismo, Demétrio Magnoli e o deputado federal Jair Bolsonaro, repetem que todos os avanços das políticas afirmativas criam uma sociedade divida em raças. É bastante cômico, pois não fomos nós quem criamos a sociedade racializada, ela foi construída com tijolos sólidos pelos não-negros. Existindo esta sociedade racializada, utilizamos o conceito político de raça para exigir reparação. No final, percebemos que não debater a divisão racial da economia é manter as estruturas como estão, o que não é nada ruim para a elite hegemônica, que no Brasil é formada por não-negros.
Nesse sentido, a ministra Matilde Ribeiro ousou ao afirmar que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”. E disse ainda: “A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”. Entendemos que a declaração da ministra aponta na direção de desconstruir a ideia de um racismo às avessas, uma vez que a prática racista apóia-se em um tripé político-econômico-étnico, inacessível ao trabalhador negro. O racismo é uma prática eminentemente política, interessante a uma elite branca que oprime política e economicamente. É importante ressaltar essas dimensões política e econômica do ato racista, pois existem os milhões de brancos brasileiros descendentes de imigrantes europeus pobres que vieram trabalhar na lavoura do café no fim do século XIX, após a abolição da escravatura, e que mais tarde, no veloz processo de urbanização e industrialização do país no século XX, com o declínio da economia cafeeira, migraram para as grandes cidades e transformaram-se nos operários oprimidos pela mesma hegemonia racista, que de tão abrangente afeta também o branco pobre. Portanto, é preciso revelar a luta de classes, em que há uma elite branca opressora e uma imensa massa oprimida, em grande maioria negra, mas que também incorpora os não-negros que historicamente sofreram o êxodo rural e os descendentes dos povos indígenas, que tiveram suas terras violentamente roubadas. O brasileiro trabalhador que discrimina seu companheiro negro reproduz irracionalmente o discurso do ser hegemônico, que organiza, legitima e dissemina a opressão racial e a falsa inferioridade do povo negro.


Ainda abordando o “racismo às avessas”, podemos citar o caso do bloco afro ilê aiyê, que sofreu muitas acusações de promover essa atitude. O bloco surgiu em 1974, e desde aqueles dias até hoje tem provocado muita polêmica. Quando surgiu, o jornal “A Tarde” publicou: "Bloco Racista, Nota Destoante", declarando que “não temos, felizmente, problema racial. Esta é uma das grandes felicidades do povo brasileiro”. Naquela época, os blocos de Salvador faziam um criterioso pente-fino com foto, endereço e faixa salarial para acessar ou não um bloco de carnaval pago. De lá para cá algumas coisas mudaram. O Bloco ganhou notoriedade, organizou movimentos, afirmou um povo e propõe a igualdade, a seu modo, empurrando o dedo na ferida. Mesmo com fama e prestígio, o Ilê Aiyê representa as cotas no Carnaval, na festa onde os trabalhadores negros trabalham para os brancos beijarem-se e divertirem-se. Para acessar o Ilê o critério não é meramente econômico, até porque se fosse assim excluiria a população negra. O critério para acessar o ilê aiyê é racial, é político, utiliza um mecanismo de combate ao racismo que se chama “discriminação positiva”: discriminar para dar entrada aos excluídos. O seu principal objetivo é fazer luta. Com certeza, um dia o Ilê se abrirá, mas quando houver igualdade.
O sentido de políticas afirmativas, como a do Ilê, é corrigir as desigualdades historicamente construídas, não criar um novo apartheid. O povo negro não deseja incitar o ódio ou a segregação, como afirmam os servos midiáticos da elite, mas protagonizar o processo de libertação dos trabalhadores oprimidos. “A grande tarefa humanística e histórica dos oprimidos é libertar-se a si e aos opressores,” como anunciou Paulo Freire. Isso só se torna possível quando os oprimidos lutam para libertar-se da situação de opressão em que vivem e modificar as estruturas do sistema opressor, que permite a violência do dominador, para que ninguém mais seja oprimido. Até porque, caso contrário, a luta não teria sentido, pois seria apenas uma troca de elites.
O problema da ação do capital no Brasil se dá principalmente em detrimento da população negra. Para Marx, “a história da sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes”. A luta de classes no Brasil está intrinsecamente ligada à luta anti-racista. É necessário organizar uma contra-ofensiva, não orientada pelo ódio – inútil à revolução - , mas norteada pela consciência da luta de classes e pela revolta contra esse modo indigno, desumano e injusto de organização social, promovido pela elite branca contra o trabalhador, especialmente o trabalhador negro. Não perdemos de vista que “o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor”, como afirmou Che.
A tarefa é árdua, mas a vitória virá! Evidentemente, nós, negros e negras organizados, devemos dialogar nossas pautas cotidianamente com os setores que fazem a luta. Existem muitos aliados não-negros, por isso militantes da esquerda, movimentos sociais, dos direitos sexuais e das mulheres devem permanecer unidos.
Tendo em vista os aspectos observados, percebemos que os negros muitas vezes até reproduzem o preconceito que eles sofrem, mas isso não pode ser chamado de racismo. Mesmo assim, qualquer tipo de preconceito é nocivo, perverso e deve ser extirpado das relações humanas. O preconceito racial deve ser denunciado e excluído de toda forma de ação do Estado ou política pública. Para tal, nos organizemos duramente contra esse mal! Recordando o grande Luther King, “devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.”
Herlom Miguel é Militante do Coletivo Nacional Enegrecer
Diego Lustosa e Estudante História da Universidade Católica de Salvador, Militante da Kizomba e aliado da Luta Anti-racista

Por Herlom Miguel * e Diego Lustosa**
"A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido"
(Steve Biko)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Centro Cultural Erico Verissimo realiza Recorte Étnico

O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) promove, de 8 de junho a 6 de julho, a exposição Recorte Étnico no Rio Grande do Sul, com a participação de artistas plásticos descendentes de portugueses, espanhóis, japoneses, alemães, italianos e africanos, que tem a coordenação geral de Estelita Branco e de Arte, Mara Caruso. A mostra pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h e aos sábados das 11h às 18h, na sala O Arquipélago, primeiro andar.

O objetivo da exposição é homenagear as matrizes étnicas formadoras do povo brasileiro, com destaque à indígena, portuguesa e africana e a alguns grupos de imigrantes radicados no Estado: alemães, espanhóis, italianos e japoneses.





Os artistas buscam com esse trabalho resgatar biografias e cartografias, descrevendo formas, objetos, lembranças e emoções. "E com a imersão nessa fonte autêntica de inspiração deram vida à imaginação artística", diz a coordenadora Estelita Branco. Segundo ela, o envolvimento com histórias e heranças culturais do grupo escolhido propiciou laços com antepassados e com objetos familiares significativos. O retorno no tempo pode levá-los à reflexão, produzindo obras que reivindicam o direito à subjetividade e a autonarração.

Durante o processo de criação e elaboração dos trabalhos, as imagens dos objetos e personagens que fazem parte de todas essas histórias foram representadas nas mais diferentes técnicas e materiais, onde cada artista expressou as suas criações sobre a etnia e a cultura que escolheu trabalhar.

Processo de criação
Foram dois anos de pesquisa, nos quais o grupo formado por Estelita Branco, Déo Miranda, Júlia Toba, Leci Bohn, Mara Caruso, Sandra Fraga e Suzana Campozani, fez reuniões para apresentação dos estudos realizados, além de trocar idéias e lançar novos desafios. O elemento integrador entre as etnias focalizadas, durante o processo de criação e elaboração dos trabalhos, foi o mar.

Estelita Branco ressalta também que na construção do trabalho foram realizados almoços étnicos, com suas comidas, bebidas e objetos típicos. A partir desses eventos daí foram confeccionados cartazes em técnica digital impressos sobre lona plástica.

Exposição Recorte Étnico
Quando: de 08 de junho a 06 de julho
Onde: sala O Arquipélago, 1º andar, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas 1223 - Centro Histórico de Porto Alegre

Quanto: Entrada franca


Fonte: Diário Popular 06/06/11