Nego Drama

domingo, 17 de janeiro de 2010

Abertura do Seminário Helena do Sul


Neste domingo teve início o
Fórum Social do Movimento Negro de Pelotas. Participaram da mesa de abertura: o professor Fábio Gonçalves; Geovane Lessa; as primas de Maria Helena Vargas, Suzete Vargas e Regina Dutra Vargas, juntamente com a filha da saudosa escritora, Shaiane Vargas.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

1° Seminário Helena do Sul


De 17 a 23 de Janeiro de 2010,
na Câmara Municipal de Vereadores de Pelotas



Cronograma

Ø 17/01 – Abertura.

19h - Coquetel de Abertura.


20h – Composição da Mesa – Mediador: Prof. Doutorando Fábio Gonçalves.


20h30min - Homenagem Póstuma à Educadora e Escritora Maria Helena Vargas da Silveira.


21h – Relato de Shaiane Vargas (filha) e Suzete Vargas (afilhada).


21h30min - Intervenção Artística – Interpretação de Poemas de Oliveira Silveira.


Ø
18/01 – Eixo Base: Estruturação do Conselho para Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Pelotas.

19h – Composição da Mesa – Mediadora: Professora Maria Ledeci Coutinho.


19h30min – Ciclo de Explanações:


. A Política e a Representação do Povo Negro – Maria Conceição (ONG Maria Mulher-POA).


· Relato de Experiência – CODENE – Flávio Souza (Ex-presidente do CODENE).


· A Mídia e o Negro - Jornalista Carlos Machado (Delegado Regional do Sindicato dos Jornalistas).


· Representatividade Quilombola – Nilo (CAPA).


21h30min - Intervenções.


Ø
19/01 – Eixo Base: A Questão da Intolerância Religiosa.

19h – Composição da Mesa – Mediador: Edson Mesquita (CUFA).


19h30min – Ciclo de Explanações:


· Babalorixá Babadiba – Matrizes Africanas.


· Pastor Hamsés – Igreja Anglicana.


· Ministro Francisco – Igreja Católica.


· Pastor Marcos Garcia – Igreja Evangélica.


· Yalorixá Nara Louro – Federação Sul Rio-grandense de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros.


21h – Intervenções.

21:30 – “Cucuana” - Ceia.

Ø
20/01 – Eixo Base: Calendário de Execução ano 2010 – Datas alusivas à Comunidade Negra.

19h – Composição da Mesa – Mediador: Giovane Lessa (CRIAS-BGV).


19h30min – Apresentação das Emendas ao Orçamento Municipal de 2010 em favorecimento à Comunidade Negra.


· Atividades propostas – Defesa;


20h30min – Ciclo de Explanações:


· Fabrício Tavares – Vice-prefeito.


· Ademar Ornel - Vereador.


· Sandro Mesquita – CUFA.


·21h30min – Encerramento: Intervenção Artística - Cantigas Africanas.



sábado, 28 de novembro de 2009

Sancionada a Rearticulação do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Pelotas

Por Cláudio Rodrigues





28 de novembro de 2009: um dia a ser lembrado para os que lutam pela igualdade racial em Pelotas





Há alguns anos, militantes do Movimento Negro pelotense lutavam pela rearticulação do Conselho de Desenvolvimento e Participação da comunidade negra junto aos órgãos públicos. O insucesso pode ser resultado direto da falta de ação política, dos poderes Executivo ou Legislativo.

Seja como for, 2009 foi um ano positivo para a comunidade negra de Pelotas. As conferências municipal, regional e estadual de promoção da igualdade racial contou com expressiva participação na aprovação de propostas elencadas e aprovadas.  Em 19/11, dia anterior a morte de nosso heroi, Zumbi dos Palmares, foi votado, na Câmara de Vereadores, em três instâncias, o projeto que propõe a rearticulação do Conselho da Comunidade Negra de Pelotas; e, neste sábado, foi sancionado pelo prefeito em exercício, Fabrício Tavares.

Estiveram também presentes na solenidade o vereador Ademar Ornel; Cláudio Rodrigues, Coordenador de Relações Inter-Raciais da Central Única das Favelas (CUFA); Ledeci Lessa Coutinho, do Movimento Quilombista; Marielda Medeiros e Ivete Oliveira, representantes do núcleo de educadores negros de pelotas; Geovane Lessa, Geração Trabalho e Renda; Simone; e Shaiane, do CDD e Quilombo "É Aqui", entre outros.

Durante esta semana, haverá uma reunião com o objetivo de definir a estrutura do Conselho.

Parabéns a tod@s que estiveram em mais esta construção de cidadania!

domingo, 22 de novembro de 2009

Um marinheiro negro põe a República Velha de joelhos


João Cândido





22 de novembro 1910
Um marinheiro negro
põe a República
Velha
de joelhos


Em 15 de novembro de 1910 tomara posse no governo federal, cuja sede era então a cidade do Rio de Janeiro, que contava com pouco mais de um milhão de habitantes, o marechal Hermes da Fonseca, substituindo Nilo Peçanha após uma intensa campanha eleitoral, à época denominada de "civilista", encabeçada por Rui Barbosa, contra o candidato reacionário. A vitória de Hermes da Fonseca representou o predomínio dos setores mais reacionários sobre o Estado contra o candidato democrático das classes médidas e de setores da burguesia.

O Brasil era considerado a terceira potência naval do mundo, sendo sua esquadra formada por dois encouraçados, o Minas Gerais - um dos mais modernos do mundo - e o São Paulo, dois cruzadores e outras embarcações num total de 24. O poderio militar naval brasileiro e sua superioridade em relação aos demais países da região chegou a obrigar que o País se desfizesse de um encouraçado, o Rio de Janeiro, por pressões diplomáticas da Argentina e de outros países.

As forças armadas burguesas apóiam-se sempre em uma disciplina burocrática. No Brasil da República Velha, mais ainda do que hoje, a Marinha constituía-se na força mais reacionária e mais aristocrática do que o Exército, dominado pela tradicional camarilha reacionária, mas ainda impregnado de toda a luta democrática que ia desde a Abolição até a proclamação da República e os primeiros anos dos governos republicanos. Esta circunstância ofereceu o incitamento para uma crise que estava latente em toda a sociedade e que se havia acentuado com a polarizada (e fraudada, o que serviria para consolidar as tradicionais "eleições de bico de pena") campanha eleitoral.

Seguindo um ilegal costume da oficialidade da Marinha e do Batalhão Naval, no dia 22 de novembro, o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes, foi condenado a 250 chibatadas.

A chibata havia sido abolida na Armada pelo terceiro decreto do primeiro governo republicano do País, em 16 de novembro de 1890, mas continuava em vigor na prática, a critério dos oficiais. Centenas de marujos, de expressiva maioria negra, continuavam tendo seus corpos retalhados, como nos tempos da escravidão pelos oficiais, sem exceção brancos.

Conforme o relato do 2º sargento Eurico Fogo, uma das vítimas da chibata, publicado no livro de Edmar Morel A revolta da Chibata, "o bandido (carrasco que aplicava a pena, NR) apanhava uma corda mediana, de linho, atravessava-a de pequenas agulhas de aço, das mais resistentes e, para inchar a corda, punha-a de molho com o fim de aparecer apenas as pontas das agulhas. A guarnição formava e vinha o marinheiro faltoso algemado. O comandante, depois do toque de silêncio, lia a proclamação. Tiravam as algemas do infeliz e o suspendiam nu da cintura para cima no pé de carneiro, ferro que se prendia ao balaustrada do navio. E, então, Alipío, mestre do trágico cerimonial, começava a aplicar os golpes. O sangue escorria. O paciente gemia, suplicava, mas o fascínora prosseguia carniceiramente o seu mister degradante. Os tambores batiam com furor, sufocavam os gritos (...) A marinhada, possuída de repulsa e de profunda indignação concentrada, murmurava: - Isto vai acabar!".

O marinheiro Marcelino recebeu as 250 chibatas assistidas por toda a tripulação do navio. Mesmo depois de desmaiado o flagelo continuou.

Naquela mesma noite, às 22 horas, a bordo do Minas Gerais, primeiro e, depois do São Paulo e do cruzador Bahia, centenas de marinheiros se amotinaram, destituíram seus comandantes e toda a oficialidade. Tudo conforme haviam arquitetado os líderes da revolta, à frente dos quais se encontrava João Cândido, marinheiro negro do Minas Gerais.

A revolta

Em um relato objetivo, João Cândido resume assim os acontecimentos: "Pensamos no dia 15 de novembro. Acontece que caiu forte temporal sobre a parada militar e o desfile naval. A marujada ficou cansada e muitos rapazes tiveram permissão para ir à terra. Ficou combinado então que a revolta seria entre 25 e 26. Mas o castigo de 250 chibatas do Marcelino Rodrigues precipitou tudo. O Comitê Geral resolveu, por unanimidade, deflagrar o movimento no dia 22. O sinal seria a chamada da corneta das 22 horas. O Minas Gerais, por ser muito grande tinha todos os toques de comando repetidos na proa e popa. Naquela noite o clarim não pediria silêncio e sim combate. Cada um assumiu seu posto e os oficiais de há muito já estavam presos em seus camarotes. Não houve afobação. Cada canhão ficou guarnecido por cinco marujos, com ordem de atirar para matar contra todo aquele que tentasse impedir o levante.

"Às 22:50, quando cessou a luta no convés, mandei disparar um tiro de canhão, sinal combinado para chamar à fala os navios comprometidos. Quem primeiro respondeu foi o São Paulo, seguido do Bahia. O Deodoro a princípio ficou mudo. Ordenei que todos os holofotes iluminassem o arsenal da marinha, as praias e as fortalezas. Expedi um rádio para o Catete (sede do governo, NR), informando que a esquadra estava levantada para acabar com os castigos corporais.

"Os mortos na luta foram guardados numa improvisada câmara mortuária e, no outro dia, de manhã cedo, enviei os cadáveres para a terra.

"O resto foi rotina de um navio em guerra".

Ultimato

A mensagem enviada pelo rádio do Minas Gerais foi um ultimato dos marinheiros ao regime político, de modo seco e direto: "Não queremos a volta da chibata. Por isso, pedimos ao presidente da República, ao ministro da Marinha, queremos resposta já e já. Caso não tenhamos, bombardearemos a cidade e navios que não se revoltarem". Dezenas de oficiais foram mortos outros detidos ou ainda desembarcados. Muitos marinheiros também tombaram. Uma após outra, quase todas as embarcações, as quais foram sendo assumidas pelos marujos e João Cândido, juntamente com outros líderes, assumiu o comando de toda a Armada. Pela primeira vez na história da humanidade um marinheiro foi comandante de toda uma esquadra. Na manhã do dia seguinte chegaram ao cais da Baía de Guanabara, dentre outros os corpos do capitão-de-mar e guerra Batista Neves, comandante do Minas Gerais e do capitão-tenente, José Cláudio da Silva. A população, informada pelos jornais da revolta, tinha por ela grande simpatia e dirigiu-se às praias e ao alto dos morros para acompanhar os acontecimentos. No mastro dos navios, os revoltosos hastearam bandeiras vermelhas.

Governo refém

O governo ficou prostrado diante do fato consumado. Reunido o alto comando militar, bem como as principais autoridades e lideranças do governo e do congresso, todos tentavam em vão encontrar uma saída que não fosse a rendição diante da revolta. O regime político burguês e latifundiário, como sempre somente começava a se mexer diante da ação extrema das camadas subalternas da população.

O ministro da marinha e demais setores militares se opunham à capitulação diante de tripulações de marujos em sua maioria negros, analfabetos, descalços, etc.

Alguns, como o prefeito, Gal. Bento Ribeiro, e o chefe da polícia, Belisário Távora, chegaram a defender pela imprensa a resistência, o não estabelecimento de nenhuma negociação com os revoltosos e, casos estes não se rendessem, "mandar torpedear os navios". As ameaças da direita do regime, se bem expressassem a vontade dos senhores do país, não eram acompanhadas da necessária coragem para enfrentar, não marinheiros desarmados e subjugados pelo terror da disciplina militar, mas em posse dos navios de guerra e dispostos a lutar.

Informados, os marinheiros não se abateram e reafirmaram suas ameaças, por meio de novas mensagens para as autoridades onde diziam: "não queremos fazer mal a ninguém, porém, não queremos mais a chibata, pediam o apoio da população - ao povo brasileiro os marinheiros pedem que olhem sua causa com simpatia que merecem, pois nunca foi seu intuito tentar contra as vidas da população laboriosa do Rio de Janeiro"- mas deixam claro sua disposição de ir até às últimas conseqüências - "...quando atacados ou de todo perdidos, os marinheiros agiram em sua defesa" - e exigem providências - "... esperam, entretanto que o governo da República se resolva a agir com humanidade e justiça".

O ministro da marinha, Joaquim Marques Batista de Leão chega a assinar, em 25/11, uma ordem de ataque contra os navios comandados por João Cândido, determinando que seja hostilizados pelas poucas embarcações ainda fiéis e pelos canhões dos fortes à beira-mar, exigindo que fossem "metidos à pique sem medir qualquer sacrifício".

A revolta, no entanto, dispunha de informantes no interior das corporações de terra, em particular dentre os rádio telegrafistas, responsáveis por enviar a mensagem do comando às embarcações e unidades. João Cândido foi informado dos planos da marinha e tomou providências como o afastamento dos navios da costa durante a noite, para que não pudessem ser alvos dos canhões das fortalezas.

A vitória dos marinheiros

O governo - incluindo os setores mais direitistas - recua. Não há condições para dominar e derrotar o motim. Os revoltosos dispõem de enorme poder bélico (de fato, capaz de arrasar com a cidade antes que sejam dominados) e o governo não dispõe de apoio político popular para ações mais ousadas devido à crise do regime. As eleições haviam dividido os partidos das oligarquias rurais e da burguesia e da pequena burguesia das cidades, bem como os militares, e a revolta provocava pânico na população (depois das ameaças de resistência) e obtinha uma crescente simpatia, diante da enorme capacidade e organização demostrada pelos marinheiros, não só em assumir o camando da esquadra mas em mantê-la em funcionamento em perfeitas condições.

Importantes lideranças políticas, como os senadores Rui Barbosa ( candidato democrático derrotado nas eleições presidenciais), Campos Sales, Bernardino Monteiro e Sá Freire e os deputados José Carlos de Carvalho, entre outros, embora condenando a revolta, colocam-se na defesa de um acordo. Rui Barbosa, líder da oposição, aproveita para atacar o governo e, com outros senadores apresenta, no dia 24/11 um projeto de anistia dos revoltosos.

Nas negociações entre os revoltosos e os representantes do governo e parlamentares, os últimos prometem apenas fazer a lei que já existia proibindo a chibata, pôr em discussão as demais melhorias reivindicadas pelos marinheiros e assegurar-lhes a anistia contra a ‘insubordinação’ e mortes de oficiais ocorridas.

Após intensa discussão no Congresso Nacional, o projeto é submetido a votação, usando-se inclusive da fraude de anunciar que os marinheiros haviam suspendido a revolta declarando-se arrependidos e suplicando a anistia. Tudo isso, como explica Edmar Morel, "foi forjado para facilitar a tarefa do Senado Federal que precisava de uma saída honrosa". Três horas após ser aprovado no Senado, o projeto foi aprovado por larga maioria na Câmara dos Deputados, demonstrando uma vez mais como uma verdadeira pressão sobre o parlamento (não os lobbies que a burocracia sindical e a esquerda petista apreciam tanto) é capaz de fazer para superar a proverbial lerdeza e má-vontade dos deputados e senadores em atender as reivindicações populares!

O Comitê Geral, dirigido por João Cândido, diante da aprovação da anistia e do fim da chibata, resolve em 25 de novembro terminar a revolta e depor as armas dos mais de três mil marujos sob seu comando. A oligarquia da República Velha e a burguesia haviam capitulado diante da exigência armada dos marinheiros.

Alguns setores dos revoltosos se opõem ao acordo, considerando-o insuficiente, como aconteceu com a tripulação do Deodoro. Seu comandante rebelde, o marinheiro José Alves de Souza redige um protesto criticando João Cândido, com o qual tenta chamar as demais embarcações a permanecerem em revolta. José Alves declara: "Não devemos ter pressa da anistia. Esperemos por alguns dias. Não dizem que nosso soldo será discutido no Congresso? Pois aguardemos a sua discussão. Nós temos forças. O povo está conosco. Ele há de nos ajudar a forçar o governo a dar tudo o que desejamos".

A posição de recuo de João Cândido triunfa, no entanto, e no dia 26 as embarcações começam a atracar no cais e o comando das embarcações é novamente entregue ao Ministério da Marinha.

Um exemplo de luta

Superando, por força das condições miseráveis que lhes eram impostas, o profundo atraso cultural em que viviam os milhares de marinheiros liderados pelo negro João Cândido, então com trinta anos, foram os protagonistas de um dos mais extraordinários episódios, dentre muitos outros dos quais a história do Brasil está repleta, que exemplificam a coragem, a determinação e a capacidade das massa exploradas do país, em particular do seu proletariado, de se insurgirem contra a exploração, a opressão e a tirania dos exploradores e seus governos.

Os limites naturais, estabelecidos pela inexperiência política de João Cândido, bem como de toda a nascente classe operária brasileira não lhe tira em nada o mérito desta luta heróica. A falta de experiência levou-os a conferir crédito às promessas dos setores da oligarquia no governo, bem como à farsa da anistia realizado no Congresso, que não impediu que as forças militares pusessem em marcha o processo de perseguição e vingança que consumiu a vida de centenas de marinheiros de forma cruel e sanguinária.

João Cândido, o Comitê Geral e todos e seus comandados em revolta são um exemplo heróico de luta que desmente, como tantos outros o mito do caráter submisso e acomodado, que a burguesia e seus teóricos pequenos burgueses, que se propagam como ervas daninhas no movimento operário e popular, tentam atribuir ao povo brasileiro.

João Cândido e a Revolta da Chibata é um exemplo para a classe operária e todos os explorados, em geral, e para os trabalhadores e a juventude negra, em particular, de quais são os métodos e o caminho para se conseguir a emancipação diante da opressão capitalista: a organização independente dos explorados, a luta com seus próprios métodos e instrumentos de luta por suas reivindicações e mesmo a sua derrota após a vitória ilustram a necessidade de liquidar com o governo e o regime político da burguesia para ver essas reivindicações fundamentais atendidas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Conselho Tutelar tem um membro do Movimento Negro de Pelotas

Por Cláudio Rodrigues


O dia 13 Novembro de 2009 ficará marcado para sempre no coração de José Assumpção Conceição. Ele é mais um militante do Movimento Negro de Pelotas que obteve êxito em contrariar as estatisticas e ascender politica e socialmente dentro de nossa sociedade.

"Nego Zé", como é conhecido pela grande maioria com quem se relaciona, afirma que "Não concordava com a linha de pensamento de alguns militantes do Movimento Negro, das décadas de 80 e 90. Por isso não participava ativamente de reuniões, mas sempre lutou em prol do negro por sofrer na pele as discriminações e preconceitos de uma sociedade racista."

Para se traçar um breve histórico de nosso Conselheiro Tutelar, Nego Zé é Educador social, há aproximadamente dez anos, na secretaria de cidadania do município; ativista social e cultural, nas rodas de samba da cidade; acadêmico em ciências sociais, pelo ISP/UFPEL, e também voluntário da ronda da cidadania.


Parabéns Nego Zé!
São os votos de todos que confiaram e apostaram em ti

sexta-feira, 22 de maio de 2009

II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Porto Alegre


Nos dias 22 e 23 de maio de 2009 será promovida a II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial em Porto Alegre.



Participarão como delegados:

Cláudio Rodrigues e Nara Louro - Saúde da população negra.

Ledeci Lessa Coutinho - Terra e trabalho.

Sandro Mesquita e Lisiane Lemos - Inclusão, segurança e cultura.

Francine Pinto e Sandra Obama - Política internacional.

Joseph Handerson e Ivete Oliveira da Silva -
Educação.

Geovane Lessa - Geração de trabalho e renda.

Carla Ávila - Moradia.



Também participam os militantes: Professor Éder Coutinho, como observador; Ademar Ornel e Cláudia Ferreira pelo poder público; Sérgio Dorneles representante do o CODENE.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Divergências sobre presidência e religião marcam preparatória de conferência

Por Juliana Cézar Nunes, colaboradora do blog
e integrante da Comissão de Jornalistas
pela Igualdade Racial do DF (Cojira-DF)



Genebra - Representantes de governos e organizações da sociedade civil trabalham para concluir, até o final de semana, o documento preliminar da Conferência de Revisão de Durban, a ser realizada de 20 a 24 de abril, na sede das Nações Unidas (ONU), em Genebra.


Durante as reuniões do comitê preparatório, as delegações tentarão resolver diversos impasses. Entre eles, a escolha do presidente da conferência. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a ser cotado para o cargo, mas descartou a possibilitade em virtude de outros compromissos assumidos e em respeito às candidaturas africanas.


O governo do Quênia apresentou o nome do procurador-geral do país. A indicação recebeu uma objeção do relator especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston. Os representantes europeus seguiram a objeção e também fizeram restrição à candidatura queniana.

Esta semana, os países africanos reiteraram a indicação do nome do procurador-geral e solicitaram razões pelas quais fora rejeitado. As negociações prosseguem nos bastidores e transformam os encontros preparatórios em reuniões fechadas. Outro impasse central seria a reivindicação dos países islâmicos para que seja estabelecido no documento base da conferência um parágrafo sobre proteção às religiões. Os europeus são contrários e defendem uma redação que proteja, na verdade, o direito dos indivíduos à religião.

A disputa gira em torno do texto final do parágrafo 11, o qual reconhece com profunda preocupação os estereótipos negativos de religiões que resultam na negação ou ameaça aos direitos de pessoas com elas associadas, e o crescimento global no número de incidentes de intolerância racial ou religiosa”.


Após o 11 de setembro, as comunidades islâmicas passaram a apontar o ressurgimento da difamação religiosa, termo que os Estados Unidos e União Européia consideram inaceitável. “A conferência estava bem adiantada, com as tratativas próximas de um acordo, mas, na quinta-feira, as posições tornaram-se mais difíceis.


Há uma certa resistência, tanto por parte da União Européia quanto por dos grupos de países islâmicos, na aceitação de uma determinada redação que se refira a questão da difamação religiosa e de incitação ao ódio religioso. "É isso que vamos tentar clarear”, afirmou a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, delegada permanente do Brasil em Genebra. De acordo com Azevedo, as delegações pretendem seguir logo para reuniões pequenas e informais sobre temas mais controversos, tais como os mecanismos de segmento da Conferência de Durban, o tráfico de escravos, holocausto e genocídios.


“Esses outros temas eu vejo com mais otimismo quanto ao resultado. O problema maior é a questão religiosa. Há um facilitador russo, que tem a partir de consultas construído um texto. Como o Brasil e os países da América Latina têm posições mais equilibradas e centradas em temas de racismo, nossas posições acabam sendo de compromisso. O Brasil tem participado fazendo a ponte entre extremos”, ressalta a embaixadora.


Para ela, caso os impasses sejam resolvidos, a presença de ministros de Estado na conferência pode ser reforçada. Os países não querem correr o risco dos ministros virem a Genebra para trabalhar a partir de um texto controverso. A tendência, no entanto, é que as delegações cheguem a um consenso, uma vez que temem o insucesso da revisão de Durban.

O fracasso poderia representar a deslegitimação dos mecanismos multilaterais de ação.“Eu reconheço que existem divergências legítimas de visão sobre alguns assuntos que estão em debate nesse processo de revisão de Durban. Para encontrar uma base comum nesses assuntos, necessitamos trabalhar juntos e em boa fé, com as mentes abertas e o pensamento construtivo”, disse a alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navanethem Pillay. Segundo Pillay, a luta contra a intolerância deve ser o principal interesse de todos. “O processo de negociação do documento preliminar demonstra que um acordo amplo é possível”, considerou a alta comissária.

ASSINATURA

PEÇO A TODOS QUE UTILIZEM ESSA FERRAMENTA PARA COMUNICAÇÃO
QUE FAÇA SUA ASSINATURA EM BAIXO.
OU CITEM A FONTE DA MATÉRIA!!!!!




CLÁUDIO RODRIGUES

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cresce Mobilização para a II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial

Montenegro sedia o encontro da Região 1, que abrange a Região Metropolitana, Vales dos Sinos, do Caí, do Paranhana e do Jacuí. Governos Federal, Estadual, Municipal e Sociedade Civil constróem o encontro juntos.

Nos dias 22 e 23 de maio, Porto Alegre sedia a II Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial (II COEPIR) do RS, a qual pretende mobilizar os quilombolas, as comunidades de terreiro, os clubes sociais negros, os mestres de capoeira, os artistas, a juventude, as mulheres, as associações de samba, os núcleos de estudos étnicos, os povos indígenas, as populações ciganas, os palestinos e judeus em solo gaúcho, bem como todos os setores interessados na promoção da igualdade na diversidade.

O foco central da II COEPIR é a análise dos "Avanços, Desafios e Perspectivas da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PNPIR)", com prioridade no debate sobre os seguintes temas: Terra, trabalho, educação e saúde.

Segundo a Coordenadora Estadual de Promoção da Igualdade Racial do RS (COPIR/SJDS www.sjds.rs.gov.br), Sátira Machado, o encontro é um divisor de águas. "O diálogo sobre a igualdade racial chega aos lugares mais longíquos do Rio Grande do Sul. São novas vozes, novas lideranças gaúchas emergindo. Mais e mais municípios estão fortalecendo as parcerias com a sociedade civil, nomeando gestores e conselheiros, com o objetivo de impulsionar as políticas públicas de igualdade racial.", destaca.

A II COEPIR é organizada pela Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social do RS, através do Departamento de Direitos Humanos, em conjunto com a Sociedade Civil. A II COEPIR é precedida da Etapa Regional, conforme calendário: Região 1- Montenegro: 18 de maio; Região 2 - Santa Cruz do Sul: 18 de maio; Região 3 - Caxias do Sul: 8 e 9 de maio; Região 4 - Osório: 14 de maio; Região 5 - Pelotas: 16 de maio; Região 6 - Santana do Livramento: 9 de maio; Região 7 - Santa Rosa: 15 de maio; Região 8 - Santa Maria: 16 de maio; Região 9 - Passo Fundo: 15 de maio.

Alguns municípios realizarão encontros municipais para participar das etapas Regional e Estadual, antecessoras da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (25 a 28 de junho - DF).

As propostas apresentadas na II COEPIR serão incluídas na Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, documento que servirá de subsídio para a construção do Planoi Estadual de Promoção da Igualdade Racial, a ser aderido também pelos municípios gaúchos.

Mais informações através do e-mail:conferenciaigualdaderacialrs@gmail.com
PORTAL DA NEGRITUDE GAÚCHA

sábado, 21 de fevereiro de 2009

9° Acampamento de Cultura Afro da Região Sul

Data - De 20 a 22 de março de 2009

Local - Galpão Crioulo do Camping

Organização - Vera Lucia Rodrigues Duarte - gd Afro Munjolo

Descrição do evento
- A Associação do Movimento Popular de Cultura Afro - Região Sul/RS, tem o prazer de convidar a participar conosco do “IX Acampamento Regional de Cultura Afro".


Principais objetivos - Resgatar a Cultura Afro Regional, valorizando e estimulando os grupos já existentes; fomentar a integração Cultural entre os municípios da região.

Resgatar a dignidade e a alegria de nossos afro-descendentes junto à sociedade, através da musica, dança, artes plásticas, artesanato, canto, capoeira, culinária, seminários, ferramentas excelentes para nos conduzir à reflexão de nossa realidade, resistência de nossa luta.

Nos últimos anos, a luta dos afro-gaúchos pelo reconhecimento pleno de sua cidadania, cultura e religião avançou significativamente, graças à organização da comunidade afro, juntamente com seguimentos da sociedade, os quais se uniram aos negros na luta contra a discriminação.


Informes:

1) Chegada: 20 de março, a partir das 13h.

2) A Programação será composta de música, dança, painéis, oficinas, apresentações artísticas, desfile afro, lazer e diversão.

3) Recepção e Credenciamento: dia 20, a partir das 13 horas.

4) Trazer: material para café, barraca, colchonete, pratos, talheres, roupa de cama.

5) Cada delegação deverá trazer também duas bandeiras, sendo uma do município e outra da entidade.


Valores:

Estadia do Camping – Livre (não será cobrada na portaria pela administração do Camping).

Alimentação – R$ 4,00 para refeição.

Certificado –R$ 2,00.

7) Durante o acampamento ocorrerá a 9ª Edição do Concurso Pérola Negra Região Sul/RS, Escolha da Musa do Acampamento e do Mais Belo e Criativo Traje Afro.

8) Confirmação de presença, envio de listagem e ficha de inscrição (concurso) até 19/03, pelo e-mail kilombomunjolo@yahoo.com.bryanassoafro@hotmail.com aos cuidados de Vera Duarte.



Observação: A AMOPOCUA não se responsabilizará por possíveis perdas de qualquer gênero e não será permitida a utrilização do Galpão Crioulo como alojamento.

Soweto: O bairro mais negro de Johanesburgo

Fonte: Diario Catarinense


Soweto, o bairro mais negro de Johanesburgo, e também o mais cheio de história. Foi lá, na época do Apartheid, que moravam todos os negros; a maior parte em condições subumanas.

Hoje, é praticamente uma cidade, onde podem se avistar boas casas, de alvenaria, casinhas de madeira, trailers e casebres de papelão e pedaços de tábuas. Difícil de acreditar que permanecem em pé. As crianças são lindas e o povo é bastante receptivo aos turistas.

Uma curiosidade: nunca pedem esmola. Querem vender seus produtos, não mendigar. Muito legal este orgulho do povo africano.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

De um lado, o Carnaval; de outro... a fome total!


Por Maurício Pestana
(Presidente do Conselho Editorial
da revista Raça Brasil)
pestana.raca@escala.com.br


A cultura, em um mundo globalizado, é setor estratégico em vários países. Prova disso são os relatórios do Banco Mundial, indicadores que 7% do PIB do planeta provêm deste produto.

A América Latina e a África, apesar da diversidade cultural que possuem, não somam 4% da movimentação desse mercado em que apenas cinco paises controlam 60% de toda a produção. Somente as empresas de Hollywood possuem 80% das salas de cinemas de todo o planeta. No Brasil, segundo os últimos dados do IBGE, a indústria cultural conta com mais de 269 mil empresas e emprega 1, 4 milhão de pessoas (sem contar a economia informal).

Em um país onde a cultura negra é patente, presente em todos os aspectos, tais como música, culinária, religião, artes visuais, moda, dança, entre outros, torna-se praticamente impossível pensar no Brasil sem reportar à sua influência. E qual a contrapartida econômica que esta contribuição tem dado a nós negros?

Nas vésperas de realizar o maior evento cultural do país, o Carnaval, ressurge a velha história: quando se trata de setores estratégicos e lucrativos, mesmo sendo nós os protagonistas da festa, não levamos a maior parte do bolo. Das grandes escolas de sambas, concentradas principalmente no eixo Rio-São Paulo, a maioria não é mais comandada por famílias negras, como no passado, quando o Carnaval não era um negócio lucrativo dos milhões de dólares dos dias atuais.

Se focalizarmos a cidade onde a cultura negra é soberana - onde mais de 80% de sua população é negra - o retrato será igualmente desolador e a história se repete: os que mais lucram no Carnaval de Salvador não são os negros. Registrado no Guinness Book como a maior festa popular do mundo, o Carnaval soteropolitano, neste ano, tem investimentos astronômicos de empresas que vão de grandes cervejarias à telefonia móvel, passando pelas de cartões de créditos, entre outros gigantes financeiros.

A cobertura jornalística se fará em180 paises, através de 24 jornais (oito internacionais e 17 nacionais) e 37 emissoras de televisão estrangeiras. Estima-se que mais de dois milhões de pessoas circularão durante a festa, (das quais 450 mil são turistas brasileiros e do exterior) , o que gera uma receita de US$ 87.000.000, segundo as Secretarias de Cultura e deTurismo da Bahia (Bahiatursa).

Mas não são necessárias estatísticas para demonstrar a nítida desigualdade!O protagonismo negro apresenta-se maciçamente na outra ponta da economia, a dos trabalhos informais, como cordeiros de blocos, ambulantes de acarajés, picolés, venda de coco na praia, catadores de latinhas, evidências incontestáveis da verdadeira face do Apartheid social e racial existente na principal cidade negra do país.

Em meio a todas essas desigualdades, e depois de muitos protestos dos blocos Afros, algumas ações do governo têm procurado atenuar as disparidades. Uma delas é o programa Ouro Negro, que, no ano passado, distribuiu R$ 3,7 milhões de reais como apoio a 106 blocos de matriz africana, os quais, sem esse auxílio, não teriam condições de sair às ruas.

Outra importante iniciativa é o incentivo ao turismo étnico, com o objetivo de alavancar negócios na comunidade negra, ainda tímida diante do tamanho da desigualdade que, nos dias de hoje, mudaria o verso do poeta Vinicius de Moraes para: "Se o samba nasceu lá na Bahia e se hoje ele é branco na poesia, ele é ..." branco demais também na divisão dos lucros!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Cursos afro terão R$ 3,6 milhões em 2009!



Conforme solicitação de 72% dos municípios, em seus planos de ações articuladas (PAR), a formação de professores na temática étnico-racial, história e cultura afro-brasileira, o Ministério da Educação selecionou 27 universidades públicas, federais e estaduais, para organizar os cursos e produzir material didático-pedagógico em 2009.

Para executar essa tarefa, as universidades terão R$ 3,6 milhões. Cada projeto recebeu, no final de 2008, entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Entre as 27 universidades, o Ministério escolheu duas instituições para organizar livros e criar vídeos para uso de professores e alunos nas salas de aula.

A UFSCar vai produzir livros para o professor e para o aluno das séries finais do ensino fundamental, e a UFRGS vai criar um vídeo sobre a história da África. Entre as instituições que farão seleção para curso no início deste ano, está a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Campus da cidade de Jequié.

O curso está previsto para começar em 21 de março. Entre as disciplinas do currículo elaborado pela UESB, estão a antropologia das populações afro, história e cultura afro-brasileira, diversidade lingüística. As aulas terão início em fevereiro.

Entre os temas a serem abordados, estarão a literatura africana e afro-brasileira, violência e relações raciais, estudos sobre a África, relações étnico-raciais no Brasil, territórios quilombolas, saúde e grupos étnico-raciais.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Oliveira Silveira: Tua presença na ausência fortalece a nossa luta!


"...Nossos mortos não morreram, eles estão presentes entre nós.."
(Birago Diop - poeta africano senegalês)


O professor, poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira morreu nesta quinta-feira, 01/01/09, em Porto Alegre. O óbito ocorreu na noite do Dia Mundial da Paz, em decorrência de um câncer, no Hospital Ernesto Dornelles, onde estava internado há 15 dias.

Natural de Rosário do Sul (RS), era formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com especialização em língua francesa, e professor aposentado da rede pública de ensino. Era divorciado. Deixa filha e netos. Seu corpo será cremado amanhã, em cerimônia reservada. As cinzas serão transportadas para sua cidade natal, de acordo com desejo expresso a familiares e amigos.

Era conhecido nacionalmente pelo 20 de Novembro - cujas comemorações se iniciaram em 1971 pelo Grupo Palmares, na capital gaúcha -, como data referência para os afro-brasileiros em contraponto ao 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura.

Em sua homenagem, deixamos aqui postado um dos poemas mais forte, belos e reconfortantes. Assim como o convite para inspirados em teus versos permanecermos firmes na luta iniciada por ti. Que Oxalá te receba com a distinção a qual sempre fizeste por merecer. Axé!



Treze de Maio

Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão

Liberdade de asas quebradas como este verso.

Liberdade asa sem corpo: sufoca no ar, se afoga no mar.

Treze de maio – já dia 14 o Y da encruzilhada: seguir banzar voltar?

Treze de maio – já dia 14 a resposta gritante:pedir servir calar.

Os brancos não fizeram mais que meia obrigação

O que fomos de adubo o que fomos de sol ao que fomos de burros cargueiros

o que
fomos de resto o que fomos de pasto senzala porão e chiqueiro

nem com pergaminho nem pena de ninho nem cofre de couro nem com lei de ouro.

O que fomos de seiva, de base, de Atlas o que fomos de vida e luz chama

negra em
treva branca quem sabe só com isto:

que o que temos nós lutamos para sobreviver e também somos esta pátria em nós

ela está plantada nela crispamos raízes de enxerto mas sentimos

e mutuamente
arraigamos quem sabe só com isto:

que ela é nossa também, sem favor, e sem pedir respiramos seu ar a largos narizes

livres bebemos à vontade de suas fontes a grossas beiçadas fartas tapamos-

destapamos horizontes com a persiana graúda das pálpebras escutamos seu

baita
coração com nosso ouvido musical e com nossa mão gigante

batucamos no seu
mapa, quem sabe nem com isso

e então vamos rasgar a máscara do treze

para arrancar a dívida real com nossas
próprias mãos.


Oliveira Silveira Banzo - Saudade Negra

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Pesquisa aponta aumento da proporção da população negra no país



Fonte: G1
(de 16/12/2008)


A proporção de negros no país, entre 1993 e 2007, passou de 45,1% para 49,8%, de acordo com a terceira edição da pesquisa “Retrato das Desigualdades”, divulgada nesta terça-feira. Entre a população masculina, os negros são maioria desde 2005, representados por 51,1% da população; enquanto os brancos são 48,1%. Já entre as mulheres, a tendência de crescimento também é verificada, mas as mulheres negras ainda são minoria: 48,5% frente a 50,6% da população branca.



O aumento da população identificada como preta ou parda ocorre em praticamente todas as faixas etárias, o que indica, conforme a pesquisa, que o aumento da população negra no país não é causado por uma maior taxa de natalidade entre os negros. Segundo os pesquisadores, o aumento da população negra não está relacionada ao número de filhos, mas ao auto-reconhecimento das pessoas como negras.

A ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, ressaltou que a política de cotas tem sido um elemento absolutamente importante para o crescimento dessa auto-afirmação. Outro fator observado na pesquisa é o envelhecimento, quando este também é uma tendência observada no país.

Entre 1993 e 2007, o grupo de homens brancos com 60 anos ou mais passou de 8,2% para 11,1%, enquanto o de negros nessa mesmo faixa etária aumentou de 6,5% para 8%. Entre as mulheres, no mesmo período, o grupo de brancas passou de 9,4% para 13,2% e o de mulheres negras nessa faixa etária passou de 7,3% para 9,5%.


Chefia de família

Um dos principais indicadores da pesquisa referentes à estrutura familiar indica que, entre 1993 e 2007, houve um crescimento das famílias chefiadas por mulheres. O índice passou de 22,3% para 33%. A tendência é observada, de acordo com o levantamento, tanto em famílias da zona urbana quanto da zona rural, mas de forma mais intensa nas áreas urbanas. Do total das famílias chefiadas por mulheres, houve um decrescimento das monoparentais femininas, de 63,9% em 1993 para 49,2% em 2006. Já entre as famílias chefiadas por homens notou-se o crescimento do número de famílias monoparentais masculinas, de 2,1% em 1993 para 3% em 2007.


Educação

No que diz respeito à educação, a pesquisa revela desigualdades racial e de gênero no acesso à escolaridade. Em 1993, a taxa de analfabetismo para homens brancos de 15 anos ou mais era de 9,2%, passando a 5,9%, em 2007. Entre as mulheres brancas na mesma faixa etária, o índice passou de 10,8% para 6,3%, e entre as mulheres negras passou de 24,9% para 13,7%. Mesmo com a redução observada nas taxas de analfabetismo para os diversos grupos, as desigualdades entre os grupos raciais, segundo a pesquisa, ainda são significativas (mais de oito pontos percentuais entre homens brancos e negros e mais de sete pontos percentuais entre as mulheres destes grupos). Com relação aos anos de estudo, houve um aumento médio de dois anos de estudo no período analisado pela pesquisa, em todos os grupos etários, de gênero e raciais.

Saúde

Os cânceres de mama e de útero são os mais frequentes na população feminina e, segundo a pesquisa, a doença está entre as principais causas de morte de mulheres entre 30 e 60 anos, ao lado de doenças circulatórias e mortes provocadas por causas externas. Em 2003, no entanto, ainda de acordo com o levantamento, 32% das mulheres que moravam em áreas urbanas nunca haviam realizado o exame clínico de mamas. Em áreas rurais, esse índice sobe para 63% das mulheres, no mesmo ano.Ainda em 2003, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi responsável por 63,5% dos atendimentos e 69,3% das internações no país. Para a população branca, esse índice corresponde a 54% dos atendimentos e 59% das internações. Quando os dados do SUS são referentes à população negra, os atendimentos e internações correspondem, respectivamente, a 76% e 81,3%. Pouco mais de 33% dos brancos possuem plano de saúde privado e menos de 15% dos negros estão na mesma situação.


Saneamento

Quase a totalidade dos domicílios urbanos do país (98%) contam com coleta de lixo, o que corresponde à ampliação de uma cobertura que, em 1993, chegava a 85% das cidades. Não há distinção na distribuição desse serviço entre domicílios chefiados por homens e mulheres e mesmo entre os brancos e negros a diferença é de menos de três pontos percentuais (99% das casas chefiadas por brancos e 96,7% das chefiadas por negros). A Região Nordeste é a que apresenta o menor percentual de domicílios cobertos por esse serviço (94,2%). O serviço de esgotamento sanitário atende a 82,3% dos domicílios. As desigualdades de raça, região e renda com relação a esse serviço são destacadas pelo estudo. Enquanto 88% dos domicílios chefiados por brancos possuíam esgotamento sanitário em 2007, esse percentual era de 76% para os domicílios chefiados por negros.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Agenda Negra de Dezembro

01 – Rosa Parks recusou-se a ceder lugar no ônibus para um branco, no Alabama (USA) sendo presa por isso, em 1955. Este fato provoca o início do movimentopelos direitos civis nos Estados Unidos.– Dia Mundial de Luta contra a AIDS.02 – Dia Nacional do Samba.06 – Morreu João Cândido Felisberto, em 1969.- Faleceu João do Vale, cantor e compositor, em São Luís, Maranhão, em1996,Sendo sepultado em sua cidade natal, Pedreiras.- Falece, em 1961, o célebre psiquiatra martinicano, Frantz Fanon, autor dos Livros “Escuta Branco”, “Os condenados da Terra” e “Pele Negra, Mascarasbrancas”.07 – Independência da Costa do Marfim, em 1960.10 – Dia da Declaração dos Direitos Humanos, instituído em 1948, pela ONU.- Proclamação da Declaração Universal dos Direitos do Homem.- Fundação do M.P.L. A – Movimento Popular de Libertação de Angola, em1956.11 – Independência do Kênia, em 1963.13 – Início da Balaiada, em 1838, no Maranhão, cujos líderes foram: Manoel Francisco dos Anjos Ferreira e Negro Cosme.14 – Rui Barbosa, decretou, em 1890, “a queima de matrículas de escravizados(as),dos(as) ingênuos(as), filhos(as) livres de mulheres escravizadas, libertos(as) esexagenários(as)”.16 – Fundação do “Umkonto we Sizwe” (A Lança da Nação), braço armado do ANC (African National Congress), na luta contra o apartheid, na África doSul, em 1960, e presidido por Nelson Mandela.17 – Morre Rainha Nzinga , em 1663. Nascida em 1582, na região do Ndongo, Angola, despertou e encorajou o primeiro movimento nacionalista de que se tem conhecimento em África.20 – Morre, em 1980, Eduardo de Oliveira e Oliveira, escritor, sociólogo, pesquisador, autor teatral, co-autor da peça: “E agora falamos nós”; criadordo Coral Negro, em 1969; co-fundador, juntamente com Tereza Santos, do Centro de Cultura e Arte Negra.21 – Morte de Chico Mendes (1988).

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Redenção!

Velhos piratas, sim, eles me roubaram. Venderam-me para navios mercantes.

Minutos depois, me jogaram no fundo do porão, mas minhas mãos foram

feitas pelas mãos do TODO PODEROSO.

Nós avançamos nessa geração triunfantemente.Tudo o que eu sempre tive foram

canções de liberdade.

Você não irá ajudar-me a cantar essas canções de liberdade?

Porque tudo o que eu sempre tive foram canções de redenção.

Liberte-se da escravidão mental. Ninguém além de você pode libertar sua mente.

Não tenha medo da energia atômica, porque eles não podem parar o tempo.

Por quanto tempo vão matar nossos profetas, enquanto nós permanecemos de

lado, olhando?

Sim, alguns dizem que é apenas uma parte de nós que têm que cumprir o livro.


Canção da Redenção
(Bob Marley)

sábado, 22 de novembro de 2008

Marcha de 20 de novembro de 2008: Homenagem a Oliveira Silveira, nosso poeta maior!

Há mais de 30 anos, o poeta gaúcho Oliveira Silveira (1941-2009) sugeriu que se comemorasse em 20 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, pois essa data era mais significativa para a comunidade negra brasileira do que o 13 de maio. “Treze de maio traição, liberdade sem asas e fome sem pão”, assim definia Silveira o Dia da Abolição da escravatura em um de seus poemas, referindo-se à Lei que libertou os escravos, mas sem lhes dar condições de trabalhar e viver com dignidade.


Oliveira Silveira: "Livres",
mas sem condições de viver com dignidade


Em 2003, o Congresso brasileiro aprovou uma Lei Federal que criava e tornava obrigatório nas escolas o estudo sobre a história e a cultura afro. A ideia é ensinar aos alunos de todo o país a história dos povos africanos, a luta dos negros no Brasil e a influência do negro na formação da sociedade nacional.

O dia 20 de novembro é aniversário da morte de Zumbi, grande líder guerreiro do quilombo dos Palmares, assassinado em 1695, há mais de 300 anos. Ele é considerado simbolo da resistência contra a escravidão e, por isso, as entidades e organizações não governamentais dos movimentos negros no Brasil definiram esse dia para manter viva a memória dessa figura e sua importância na luta pela libertação dos escravos.

Quem é Oliveira Silveira

Oliveira Ferreira da Silveira, Serra do Caverá, Distrito Touro passo, município Rosário do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, 1941. A partir de 1959, residência de Porto Alegre. Mantida ligação com cidade e meio rural de origem. Atuação no movimento negro: Grupo Palmares que, por sugestão sua, propôs e assinalou, desde 1971, a data de 20 de novembro. Palmares, mais tarde considerada Dia Nacional da Consciência Negra por iniciativa do MNU em 1978;



grupos Razão Negra e Tição; Movimento Negro Unificado-MNU; participação do grupo Semba, de arte negra, com a filha Naira, desde o início do trabalho em 1979.Dispersos na imprensa gaúcha (além de entrevistas) estudos, reportagens notas como Luis gama; Palmares; jornal de negros O Exemplo ( Porto Alegre, 1892-1930); Sociedade Floresta Aurora, centenária ( fundada por negros em 1871 ou 72 em Porto Alegre); Maçambique de Osório-RS; o negro no Rio Grande do Sul; a obra de Oswaldo de Camargo; a poesia de Seghor, Césaire, e Langston Hughes ( com tradução de poemas). Redação do livreto Mini-História do Negro Brasileiro, Porto Alegre, Grupo Palmares, 1976. Co-autoria do livreto História do Negro Brasileiro- Uma síntese, Porto Alegre, Prefeitura Municipal- SMEC- 1986 ( com Anita L. P. Abad, Helena Vitória S. Machado, Luiz Mário T. da Rosa e Marisa Souza da Silva).

- Mostra Internacional de São Paulo, Bienal Nestlé-SP, Encontros de Poetas e Ficcionistas Negros Brasileiros ( I-SP e III-RJ), curso de extensão universitária ( PUC- UFRGS) e promoções do movimento negro. Estudos em andamento: Jongo e outras manifestações artísticas. Prefácios a Atabaques, de Éle Semog e José Carlos Limeira, Rio de janeiro, ed. dos autores, 1983, e a Cristal Noturno, de Abelardo Rodrigues ( em processo de edição).

Racismo, sem açúcar e se, afeto. Valeu Zumbi ! Valeu Oliveira Silveira!