Nego Drama

domingo, 24 de julho de 2011

25 de julho Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha


       Nesta segunda-feira, 25 de julho celebramos o Dia da Mulher Afro-latino- americana e Caribenha. Não poderíamos deixar passar esta data, sem parabenizar a todas as mulheres e aqui pontuo todas as educadoras que nesta luta constante e diária, defendem uma educação pública de qualidade.
       As mulheres negras da diáspora africana celebram 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, como símbolo de (re)união e de (re)conhecimento mundial de suas histórias de vida guerreira, combativa e imprescindível à construção de um mundo solidário, multiétnico e pluricultural.
       A escolha da data ocorreu no I Encontro das Mulheres Negras da América Latina e do Caribe, realizado na República Dominicana, em 1992. O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha é mais do que uma data comemorativa, representa a luta pelo empoderamento das mulheres negras fora da África.
      No Brasil, as mulheres negras têm, em comum, vidas marcadas pela opressão de gênero, agravadas pelo racismo e pela exploração sexual. Só será possível pensarmos em um mundo novo ou num outro Brasil, quanto as diferenças forem consideradas como riquezas e não utilizadas como sinônimo de inferioridade.
      Deixamos o poema a seguir, como homenagem, temos plena certeza que ainda é pouco, mas que nossa escrita se torne mais um instrumento de reflexão nos 365 dias do ano. O poema  fala um pouco da trajetória dessas mulheres sempre presentes na caminhada para a superação das dificuldades, escrito por Serafina Machado (in Cadernos Negros 29).
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NEGRA
Para Gizelda
Sou mulher
Sou Negra.
Escura como a noite.
Escura como o Nilo, jorrando ondas de negralma.
Fui escrava.
Como mucama limpei o caminho dos meus senhores.
Fui corpo, sangue, orifício para o prazer do outro.
Fui operária, doméstica, lavadeira...
Negrimaculei a alvazia sociedade.
Costurei o rasgo da invisibilidade.
Subi o morro:
Favela de São Jorge.
Lá no alto, fui pássaro... Cantei.
Da África para o mundo
Mostrei minha voz humilhada,
porém, no ritmo do tambor,
forte.
Fui vítima
da minha cor, do meu sexo.
Muitas portas fechadas.
Fui guerreira e acordei
No meio da noite... tiroteios
São Jorge havia liberado o dragão.
Cuspes de fogo tentaram queimar meus sonhos.
Resisti...
Sou mulher
Sou Negra
Sou pobre
Sou história.
Escura como a noite.
Escura como o Nilo, jorrando ondas de
negralma.

Parabéns, Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas!!!


Professora Marielda Medeiros

Marielda B. Medeiros
Departamento Pedagógico / Equipe de Diversidade
Assessoria do Afro Brasileiro e Quilombolas / 5ª CRE / Pelotas 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

África do Sul canta 'parabéns pra você' pelos 93 anos de Nelson Mandela


A África do Sul comemorou nesta segunda-feira o 93º aniversário de Nelson Mandela: as crianças das escolas cantaram para o ex-presidente, e toda a população foi convidada a realizar boas ações em homenagem a sua luta política.

Por iniciativa de sua fundação, o 18 de julho foi declarado "Dia de Mandela", data reconhecida agora pela ONU como uma convocação mundial para que cada pessoa consagre 67 minutos de seu tempo a ajudar seus semelhantes, conforme os valores defendidos pelo ex-presidente sul-africano.
Estes 67 minutos representam os 67 anos que Mandela dedicou ao combate do apartheid e por uma democracia multirracial.
Por Stephane de Sakutin
Em todas as escolas da África do Sul, às 08H05 (03H05 de Brasília), mais de 12 milhões de crianças cantaram um "parabéns para você" especial, africanizado para a ocasião por um compositor sul-africano.
Rádios e televisões transmitiram a canção e todos os moradores do país foram convidados a cantá-la ao mesmo tempo.
"Como primeiro presidente de uma sociedade livre e democrática na África do Sul, ele criou as bases de uma sociedade verdadeiramente não racista, não sexista, democrática e próspera", declarou o presidente Jacob Zuma em sua mensagem de felicitação.
No âmbito da operação do Dia de Mandela, os sul-africanos foram convidados a limpar ou pintar os colégios e orfanatos, a reparar as casas em mau estado em favelas pobres, a ajudar os necessitados, a doar sangue, etc.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, ampliou a operação, exortando todos os cidadãos do mundo a consagrar também 67 minutos a fazer o bem.
Nelson Mandela, presidente de 1994 a 1999, se retirou da vida política em 2004. Dada a fragilidade de seu estado de saúde, comemorará o aniversário em família em sua cidade de Qunu, no sul do país.

quinta-feira, 7 de julho de 2011


Batalhão dos PMs do caso Juan é um dos mais letais


O 20º Batalhão de Polícia Militar (BPM), na Baixada Fluminense, onde trabalhavam os quatro policiais suspeitos de envolvimento na morte do menino Juan de Moraes, de 11 anos, é um dos quatro batalhões que mais matam no Rio de Janeiro.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria Estadual de Segurança (Seseg), em 2010 e 2011 (até maio), militares lotados no 20º BPM foram responsáveis por 87 autos de resistência - morte de suspeito em confronto com a polícia. Em média, são pelo menos cinco ocorrências por mês.
Ao longo de suas carreiras, somente os quatro PMs envolvidos no caso Juan se envolveram em 36 autos, todos na Baixada. O batalhão que mais matou este ano também fica na região, o 15º BPM, em Duque de Caxias, com 52 ocorrências.
Somando-se os autos de resistência de todos os batalhões do Estado, foram 311 ocorrências em 2011. A média nos cinco primeiros meses do ano é menor que a de 2010, quando 855 casos foram registrados. Entre 2007 e o ano passado, 4.700 pessoas morreram.
De acordo com a assessoria de imprensa da PM, as ocorrências envolvendo suspeitos mortos em confronto são encaminhadas para a delegacia da área. Os policiais civis, "geralmente", solicitam as armas dos militares. "Se na investigação ficar comprovada a culpabilidade dos policiais, eles podem sofrer punições diversas, dependendo de cada caso e da sentença do juiz", informou. 
A Seseg disse que 947 policiais civis e militares foram demitidos ou expulsos entre 2007 e o início de 2011 porque tiveram "algum comportamento grave". Durante a inauguração do teleférico do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse que qualquer servidor da Seseg que estiver envolvido em desvio de conduta, seja da natureza que for, será punido "exemplarmente".
"Mesmo que muitas vezes a gente erre, como a polícia errou, essas pessoas serão responsabilizadas. E, se por ventura, esses policiais tiverem qualquer tipo de participação nesse fato horrendo, eles serão punidos", disse, referindo-se aos quatro militares, afastados na quarta-feira pelo comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte.
Enterro
O corpo de Juan, que desapareceu em 20 de junho após incursão de militares do 20º BPM à comunidade Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada, deve ser enterrado amanhã. A reconstituição do crime também está marcada para esta sexta-feira.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Racismo e Preconceito na Sociedade de Classes: Contraposições, iniciativas e quebra da reprodução de conceitos racistas


Existe uma prática cotidiana de taxar o negro de racista às avessas, quando reproduz algum tipo de preconceito a outro segmento racial. Acreditamos que para este debate é fundamental entender dois conceitos. Primeiro, o conceito de racismo. Alguns intelectuais erram quando restringem o racismo ao ódio entre as raças. O segundo ponto é a concepção de preconceito.


O racismo é o preconceito contra um grupo racial distinto, fazendo com que o grupo opressor construa mecanismos de distanciamento e de controle sobre outro grupo racial. O racismo cria mitos, padrões, formatos, critérios, etc. Esses elementos juntos conformam-se em valores morais e estéticos, formalizando o que é certo e o que não é, o que é bonito e o que é feio, o que deve ser aceito e o que deve ser repudiado. Não é necessário entrar no debate já superado sobre o conceito de raça biológica. Todos sabemos que, do ponto de vista biológico, as raças não existem. Reivindicamos a raça negra sob critério político, de um segmento étnico no Brasil, em sua maioria afrodescendentes que sofreram e sofrem preconceito e discriminação. 

O racismo constrói leis, regras e mecanismos para manter o poder político e econômico, em detrimento da raça oprimida. Conforme Lênin, “o Estado é a organização especial de um poder: é a organização da violência”. A Universidade, na qual entram os filhos das elites, que são os das melhores escolas particulares, que por uma naturalização perversa são os filhos dos não-negros. A televisão, que prefere “gente bonita” que obedece a um padrão de beleza europeu, que é necessário para aparecer na mídia; logo, o padrão negado – o negro, no caso do Brasil -, não estará na televisão. Obviamente existem exceções, existe um ou outro negro que se adapta ou adéqua ao padrões para adquirir aceitação. Enfim, o racismo é um mecanismo perverso de manutenção de hegemonia, para exercê-lo é fundamental conseguir preponderância, coisa que hoje a população negra não possui. Não existem leis, regras, universidades, política, normas que fortaleçam uma dominação negra contra um segmento dominado.
O preconceito, por sua vez, é um juízo preestabelecido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou culturas consideradas diferentes. O ser humano tenta de forma equivocada estabelecer conceitos sobre coisas das quais desconhece, ou conhece superficialmente. Reproduzir o preconceito é um equívoco irrefletido.
As opressões sempre são geradas a partir de um movimento em cadeia, responsável por sua perpetuação. Três atores são fundamentais na constituição da opressão racial: o ser hegemônico, que organiza a opressão; o emissor da opressão; e o receptor oprimido. Dois dos maiores emissores do racismo, Demétrio Magnoli e o deputado federal Jair Bolsonaro, repetem que todos os avanços das políticas afirmativas criam uma sociedade divida em raças. É bastante cômico, pois não fomos nós quem criamos a sociedade racializada, ela foi construída com tijolos sólidos pelos não-negros. Existindo esta sociedade racializada, utilizamos o conceito político de raça para exigir reparação. No final, percebemos que não debater a divisão racial da economia é manter as estruturas como estão, o que não é nada ruim para a elite hegemônica, que no Brasil é formada por não-negros.
Nesse sentido, a ministra Matilde Ribeiro ousou ao afirmar que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”. E disse ainda: “A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”. Entendemos que a declaração da ministra aponta na direção de desconstruir a ideia de um racismo às avessas, uma vez que a prática racista apóia-se em um tripé político-econômico-étnico, inacessível ao trabalhador negro. O racismo é uma prática eminentemente política, interessante a uma elite branca que oprime política e economicamente. É importante ressaltar essas dimensões política e econômica do ato racista, pois existem os milhões de brancos brasileiros descendentes de imigrantes europeus pobres que vieram trabalhar na lavoura do café no fim do século XIX, após a abolição da escravatura, e que mais tarde, no veloz processo de urbanização e industrialização do país no século XX, com o declínio da economia cafeeira, migraram para as grandes cidades e transformaram-se nos operários oprimidos pela mesma hegemonia racista, que de tão abrangente afeta também o branco pobre. Portanto, é preciso revelar a luta de classes, em que há uma elite branca opressora e uma imensa massa oprimida, em grande maioria negra, mas que também incorpora os não-negros que historicamente sofreram o êxodo rural e os descendentes dos povos indígenas, que tiveram suas terras violentamente roubadas. O brasileiro trabalhador que discrimina seu companheiro negro reproduz irracionalmente o discurso do ser hegemônico, que organiza, legitima e dissemina a opressão racial e a falsa inferioridade do povo negro.


Ainda abordando o “racismo às avessas”, podemos citar o caso do bloco afro ilê aiyê, que sofreu muitas acusações de promover essa atitude. O bloco surgiu em 1974, e desde aqueles dias até hoje tem provocado muita polêmica. Quando surgiu, o jornal “A Tarde” publicou: "Bloco Racista, Nota Destoante", declarando que “não temos, felizmente, problema racial. Esta é uma das grandes felicidades do povo brasileiro”. Naquela época, os blocos de Salvador faziam um criterioso pente-fino com foto, endereço e faixa salarial para acessar ou não um bloco de carnaval pago. De lá para cá algumas coisas mudaram. O Bloco ganhou notoriedade, organizou movimentos, afirmou um povo e propõe a igualdade, a seu modo, empurrando o dedo na ferida. Mesmo com fama e prestígio, o Ilê Aiyê representa as cotas no Carnaval, na festa onde os trabalhadores negros trabalham para os brancos beijarem-se e divertirem-se. Para acessar o Ilê o critério não é meramente econômico, até porque se fosse assim excluiria a população negra. O critério para acessar o ilê aiyê é racial, é político, utiliza um mecanismo de combate ao racismo que se chama “discriminação positiva”: discriminar para dar entrada aos excluídos. O seu principal objetivo é fazer luta. Com certeza, um dia o Ilê se abrirá, mas quando houver igualdade.
O sentido de políticas afirmativas, como a do Ilê, é corrigir as desigualdades historicamente construídas, não criar um novo apartheid. O povo negro não deseja incitar o ódio ou a segregação, como afirmam os servos midiáticos da elite, mas protagonizar o processo de libertação dos trabalhadores oprimidos. “A grande tarefa humanística e histórica dos oprimidos é libertar-se a si e aos opressores,” como anunciou Paulo Freire. Isso só se torna possível quando os oprimidos lutam para libertar-se da situação de opressão em que vivem e modificar as estruturas do sistema opressor, que permite a violência do dominador, para que ninguém mais seja oprimido. Até porque, caso contrário, a luta não teria sentido, pois seria apenas uma troca de elites.
O problema da ação do capital no Brasil se dá principalmente em detrimento da população negra. Para Marx, “a história da sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes”. A luta de classes no Brasil está intrinsecamente ligada à luta anti-racista. É necessário organizar uma contra-ofensiva, não orientada pelo ódio – inútil à revolução - , mas norteada pela consciência da luta de classes e pela revolta contra esse modo indigno, desumano e injusto de organização social, promovido pela elite branca contra o trabalhador, especialmente o trabalhador negro. Não perdemos de vista que “o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor”, como afirmou Che.
A tarefa é árdua, mas a vitória virá! Evidentemente, nós, negros e negras organizados, devemos dialogar nossas pautas cotidianamente com os setores que fazem a luta. Existem muitos aliados não-negros, por isso militantes da esquerda, movimentos sociais, dos direitos sexuais e das mulheres devem permanecer unidos.
Tendo em vista os aspectos observados, percebemos que os negros muitas vezes até reproduzem o preconceito que eles sofrem, mas isso não pode ser chamado de racismo. Mesmo assim, qualquer tipo de preconceito é nocivo, perverso e deve ser extirpado das relações humanas. O preconceito racial deve ser denunciado e excluído de toda forma de ação do Estado ou política pública. Para tal, nos organizemos duramente contra esse mal! Recordando o grande Luther King, “devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.”
Herlom Miguel é Militante do Coletivo Nacional Enegrecer
Diego Lustosa e Estudante História da Universidade Católica de Salvador, Militante da Kizomba e aliado da Luta Anti-racista

Por Herlom Miguel * e Diego Lustosa**
"A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido"
(Steve Biko)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Centro Cultural Erico Verissimo realiza Recorte Étnico

O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) promove, de 8 de junho a 6 de julho, a exposição Recorte Étnico no Rio Grande do Sul, com a participação de artistas plásticos descendentes de portugueses, espanhóis, japoneses, alemães, italianos e africanos, que tem a coordenação geral de Estelita Branco e de Arte, Mara Caruso. A mostra pode ser vista de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h e aos sábados das 11h às 18h, na sala O Arquipélago, primeiro andar.

O objetivo da exposição é homenagear as matrizes étnicas formadoras do povo brasileiro, com destaque à indígena, portuguesa e africana e a alguns grupos de imigrantes radicados no Estado: alemães, espanhóis, italianos e japoneses.





Os artistas buscam com esse trabalho resgatar biografias e cartografias, descrevendo formas, objetos, lembranças e emoções. "E com a imersão nessa fonte autêntica de inspiração deram vida à imaginação artística", diz a coordenadora Estelita Branco. Segundo ela, o envolvimento com histórias e heranças culturais do grupo escolhido propiciou laços com antepassados e com objetos familiares significativos. O retorno no tempo pode levá-los à reflexão, produzindo obras que reivindicam o direito à subjetividade e a autonarração.

Durante o processo de criação e elaboração dos trabalhos, as imagens dos objetos e personagens que fazem parte de todas essas histórias foram representadas nas mais diferentes técnicas e materiais, onde cada artista expressou as suas criações sobre a etnia e a cultura que escolheu trabalhar.

Processo de criação
Foram dois anos de pesquisa, nos quais o grupo formado por Estelita Branco, Déo Miranda, Júlia Toba, Leci Bohn, Mara Caruso, Sandra Fraga e Suzana Campozani, fez reuniões para apresentação dos estudos realizados, além de trocar idéias e lançar novos desafios. O elemento integrador entre as etnias focalizadas, durante o processo de criação e elaboração dos trabalhos, foi o mar.

Estelita Branco ressalta também que na construção do trabalho foram realizados almoços étnicos, com suas comidas, bebidas e objetos típicos. A partir desses eventos daí foram confeccionados cartazes em técnica digital impressos sobre lona plástica.

Exposição Recorte Étnico
Quando: de 08 de junho a 06 de julho
Onde: sala O Arquipélago, 1º andar, Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas 1223 - Centro Histórico de Porto Alegre

Quanto: Entrada franca


Fonte: Diário Popular 06/06/11

terça-feira, 24 de maio de 2011

Morre aos 97 anos o líder negro Abdias do Nascimento

Morreu na manhã desta terça-feira, no Rio de Janeiro, o ativista do movimento negro Abdias do Nascimento, 97. Ex-deputado, secretário estadual e senador, Abdias foi também pintor autodidata, escritor, jornalista, poeta e ator.
Ele estava internado desde abril. Ainda não há informação sobre a causa da morte e do horário do enterro.
Secretaria lamenta a morte do ativista Abdias do Nascimento
Veja galeria de fotos de Abdias do Nascimento
Leia, no acervo da Folha, entrevista concedida por Abdias do Nascimento em 2010
Sua defesa dos direitos humanos dos afrodescendentes lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz em 2010.
Em março deste ano, esteve entre as lideranças negras convidadas para o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, Nascimento afirmou : "a visita do Obama é importantíssima para aprofundar as relações entre o Brasil e os EUA. O fato deles terem eleito um presidente negro é uma lição para o Brasil".
Foi dele a sugestão de instituir, em São Paulo, o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro desde 2006.

Abdias do Nascimento 1914 a 2011
POLÍTICA
Abdias do Nascimento foi o primeiro deputado federal do país a se dedicar à defesa dos direitos dos afro-brasileiros, de acordo com o PDT, sigla que o ativista representou no Congresso. Ele assumiu o cargo em 1983, eleito pelo Rio de Janeiro. Em seu mandato de quatro anos, segundo dados da Ipeafro (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros), foi de autoria de Nascimento o primeiro projeto de lei de políticas públicas afirmativas da história do Brasil.
O ativista também foi suplente de antropólogo Darcy Ribeiro no Senado e assumiu a cadeira entre 1991 e 1992 e de 1997 a 1999.
Abdias nasceu em 14 de março de 1914 na cidade de Franca, localizada no interior de São Paulo, a 400 km da capital. Filho de uma doceira e de um sapateiro, viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro, onde se formou em economia.
Começou a militar na década de 30, quando ingressou na Frente Negra Brasileira. Em uma viagem pela América do Sul com um grupo de poetas, assistiu a um espetáculo onde um ator branco pintava o rosto para interpretar um negro.
O episódio marcou Abdias e o levou a fundar o Teatro Experimental do Negro, em 1994, após ter cumprido pena na penitenciária do Carandiruo, preso pelo governo de Getúlio Vargas por resistir a agressões racistas.
O Teatro Experimental do Negro formou a primeira geração de atores e atrizes afrodescendentes do Brasil, e também contribuiu para a criação da literurgia dramática afro-brasileira.
Abdias se encontrava nos Estados Unidos quando o regime militar promulgou o Ato Institucional nº 5 e, por causa de diversos inquéritos policiais dos quais era alvo, foi impedido de retornar ao Brasil.
Seu exílio durou 12 anos.
Além do Teatro Experimental do Negro, o legado de Abdias inclui também o Ipeafro, fundado por ele em 1981, o jornal "Quilombo", criado em 1968 e mais de 20 livros publicados durante várias décadas.
Além da indicação ao Prêmio Nobel da paz --que ele afirmou nunca esperar vencer, ementrevista exclusiva à Folha, em 2010--, Abdias recebeu honrarias dos Estados Unidos, Nigéria, México, Unesco e ONU. No Brasil, recebeu das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador --a honraria mais alta outorgada pelo governo brasileiro.

Recebendo a comenda do presidente lula e 2006


fonte: Folha.com 



sábado, 14 de maio de 2011

Neste dia 14 de maio sábado, estiveram reunidos na casa da companheira Marielda Medeiros o coletivo de educadores e lideranças do Movimento Negro de Pelotas para avaliar a atual conjuntura do Movimento e a discussão sobre novas candidaturas negras no município, também foi discutido assuntos como as leis 10639/03 e 11645/08 e como se implementar na cidade.
Reunião do dia 14 de maio pós abolição 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Afro-Cena celebra o 13 de maio

13 de maio é uma data a qual a comunidade negra não comemora, mesmo ela tendo sido o dia no qual foi assinada a Lei Aurea, que tinha o princípio de libertar todos os escravizados. Mas com a lei em prática os negros escravizados saíram das senzalas e foram para as margens da sociedade. Sem direito a escola, trabalho, sem direito a ter direito. A Afro-cena sendo uma companhia cultural de integrantes negros, não poderia deixar essa data passar em branco sem promover uma reflexão. Apresentou na noite de sexta-feira, 13 de maio, na Sociedade Leituras o espetáculo ‘Um Sorriso Negro’, com um texto de improviso, o enredo apresentou uma história que começa na África alegre, viva, rica e bela. Passa pela escravidão, o sofrimento dos escravos e seus senhores. Os acontecimentos históricos e culturais, a Nossa Senhora Negra, a capoeira, as amas de leite, que alimentavam com seu leite materno os filhos dos fazendeiros, o carnaval a maior festa popular até os dias de hoje, onde apresentou a história de uma família desestruturada.  O pai, um rico empresário, que passou grande parte da sua vida voltado apenas para o trabalho, deixando de lado a família. Perdeu a mulher, uma cantora. E apenas sustentou e educou seus dois filhos, esquecendo do principal, o afeto e os sonhos dele. Viu sua empresa crescer e gerar um grande patrimônio, mas não viu seus filhos crescerem e se tornarem adultos, que acreditavam nos seus objetivos. O filho formado em arte cênicas e que acreditava nos seus sonhos e projetos. A filha estudante de contabilidade, por obrigação do pai, mas na verdade ela sonhava em estudar direito. Depois de uma longa discussão, o pai entra num surto e vê passar diante dos seus olhos a história da África, alegre, guerreira. E em função dessa viagem ele aceita ver o projeto do filho. Um filme que contava a história da cultura negra. O pai se emociona e percebe que estava errado em pensar e viver apenas a história da sua empresa e esquecendo que tinha uma família ao seu lado, filhos que o chamavam de pai, quando ele mesmo já havia esquecido o que era filho. Uma história carregada de emoção, mensagens fortes sobre racismo e sobre a importância da valorização humana. A importância de se ter e valorizar uma família.
A apresentação que contou com música, teatro, dança, poesia e filme, fez parte das comemorações do mês de aniversário do município, que está completando 120 anos, contou com o patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura e com o apoio da Arte em Flor, Moda Festa e Potira Heinen. No elenco os atores da Afro-Cena, Maico Back – Capitão do Mato, Adriano da Conceição – escravo’ I Ato’ – filho – II Ato, Ana Laura Rosa – negra africana – I Ato – filha – II Ato e Sérgio Rosa. Como convidados especiais participaram Thereza Pinheiro da Silva – negra africana, Jaqueline dos Santos – uma passista, Amanda Ferreira, uma criança africana representando a cultura africana e Andressa Cabral da Silva – Nossa Senhora, Brenda Vedói da Silva – ama de leite, as duas são integrantes do Projeto Pé Pequeno, na Vila Batisti. Durante o espetáculo, foi lido um trecho da peça ‘Negra Gente Brasileira- I Ato’, foi cantado ao vivo por Sérgio Rosa e Adriano da Conceição trechos das musicas ‘Um Sorriso Negro – Dono Ivone Lara’, ‘O que é, o que é – Simone’, Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós – Samba Enredo Imperatriz Leopoldinense 1989′, e ‘Negro Nagô’.
Sérgio Rosa – Dir. Cia. Afro-Cena

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Morto há 30 anos, Marley continua um mito e ganha novo disco e filme


Três décadas depois, completadas na próxima quarta, a estrela rastafári segue brilhando alto, tanto no céu, ao lado de Jah, como na Terra


No dia 11 de maio de 1981, o mundo chorou a perda do jamaicano Bob Marley, com apenas 36 anos, em decorrência de um câncer generalizado. Três décadas depois, completadas na próxima  quarta, a estrela rastafári segue brilhando alto, tanto no céu, ao lado de Jah, como na Terra.
Afinal, o Rei do Reggae nem de longe perdeu o seu trono, continuando a ser o maior artista pop musical nascido fora do eixo Estados Unidos-Europa. Sua vibração positiva move antigos e novos fãs, como destaca Sérgio Nunes, 40 anos, vocalista do grupo de reggae  Adão Negro. “Minha filha Alice, 9 anos, tem dezenas de músicas dele no MP3. A música e as ideias de Bob não saem de moda”, diz. 
Tributos  Homenagens à memória do ídolo não param de surgir. O álbum Bob Marley and The Waylers, Live Forever (Universal), que registra o último show, é uma delas, assim como o documentário Marley, que estreia até o fim do ano.  Dirigido por Kevin Macdonald, de O Último Rei da Escócia, o filme pretende ser uma obra definitiva, trazendo depoimentos de amigos e familiares, como o filho Ziggy, um dos 12 herdeiros.
Também há rumores de que um filme biográfico sobre o rastaman  será rodado em breve. Apesar de que a cineasta britânica Jenny Ash ainda não conseguiu os direitos das músicas de Bob, que pertencem à ex-mulher Rita. Esta também quer produzir um filme, baseado em sua autobiografia No Woman No Cry: Minha vida com Bob Marley.
Conexão Brasil Saído da favela de Trenchtown para se transformar no maior divulgador do reggae no mundo -  sua coletânea Legend, de 1984, é o disco de reggae mais vendido do planeta –  Bob tem história de sobra para alimentar um bom filme. Nesse enredo fantástico, que inclui atentados, romances conturbados e a morte por um câncer cujo tratamento foi negligenciado por conta do rastafarianismo, há um ingrediente lembrado por todo fã brasileiro: a visita ao Rio em 1980.
Na Cidade Maravilhosa, Bob jogou uma partida de futebol ao lado de Chico Buarque, Toquinho, Moraes Moreira e o craque tricampeão Paulo César. Mas, se infelizmente não passou pela Bahia, vale lembrar que dois artistas da terra já estavam antenados ao jamaicano. Em 1971, no exílio em Londres, Caetano Veloso foi o primeiro  brasileiro a citar o reggae em Nine out of Ten, do disco Transa.
Oito anos depois, Gilberto Gil lançou Não Chore Mais, versão para No Woman No Cry, de Bob, que virou um hino da anistia no Brasil.  “Bob foi um dos grandes intérpretes dessa consciência de exclusão, de desigualdade”, lembra Gil, que em 2002 gravou Kaya N'Gan Daya, com músicas de Bob. “Foi o último artista a quem dediquei atenção profunda. Hoje ainda é das coisas que mais gosto de ouvir”.
Raiz baiana Parceiro também de Jimmy Cliff, outro reggae man jamaicano com quem fez um show histórico na Fonte Nova, em 1980, Gil é mesmo tido como um irmão espiritual de Bob, numa relação que virou tema de Carnaval na década de 80.
“Tem, tem, tem dois neguinhos/ Um morava na Jamaica, outro mora no Brasil/ Um se chamava Bob Marley e o outro é Gilberto Gil/ Mas Bob Marley foi se embora e se foi para o além /Mas deixou Gilberto Gil, que está indo muito bem”, dizia a canção de  Celso Bahia.
Presidente do bloco afro Muzenza, criado como um tributo a Bob, Jorge Santos, 49, destaca a importância do artista para os baianos na década de 70. “Os jovens da periferia se identificaram com ele. A realidade na Jamaica era parecida com a nossa”. Ele recorda como, na Liberdade, a Rua Alvarenga Peixoto foi apelidada de Avenida Kingston, em homenagem à cidade do ídolo.
O produtor Raimundo Santos ‘Bujão’, 53,  ressalta que a postura política de Bob foi logo absorvida pelos movimentos negros locais. “O reggae surgiu aqui com essa concepção militante, diferente de como foi no Maranhão”, compara.
Outro fanático por Bob, o cantor Lazzo Matumbi, 54, concorda que sua música era a sua melhor arma: “Porque, quando ela te atinge, você não sente dor... ”, diz, citando a letra de Trenchtown Rock. “Depois de 30 anos, a gente ainda ouve Bob Marley como se fosse a primeira vez”.
fonte: Missão Quilombo

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Mãe Stella fala sobre cultura iorubá e sincretismo religioso na Bahia

Mãe Stella de Oxóssi

Mãe Stella de Oxóssi foi a personalidade convidada para a volta do projeto “Com a palavra o escritor”, na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, em Salvador.
A plateia ficou lotada de pessoas interessadas em literatura e cultura baiana. No encontro mediado pela escritora Yeda Castro, Mãe Stella respondeu a perguntas do público. O bate-papo girou em torno de temas como sincretismo religioso.
Frases de Mãe Stella foram projetadas entre fotos da escritora, que tem cinco livros publicados. Mãe Stella foi a primeira Ialorixá a escrever sobre a cultura iorubá. Doutora “honoris causa” da Universidade Federal da Bahia e com vários prêmios, Mãe Stella autografou suas obras.
História
Maria Stella de Azevedo Santos, conhecida como Mãe Stella de Oxóssi, Iya Odé Kayode, é respeitada por suas ideias no país e no exterior, sendo uma referência no diálogo inter-cultural e inter-religioso . Ela falou sobre suas cinco obras publicadas, entre elas: “Meu Tempo é Agora” e “Oxóssi – O Caçador de Alegrias”.
Mãe Stella de Oxóssi, foi a primeira Ialorixá a escrever livros e artigos sobre sua religião. Para isso, ela viajou várias vezes à Africa para aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura iorubá transformando-a numa herança escrita (historicamente a cultrura iorubá é passada oralmente).
O trabalho de Mãe Stella, possibilitou maior divulgação dos cultos africanos e da religião dos orixás em todo o país. Ela tem feito palestras e participado de seminários em diferentes partes do Brasil e do mundo.
Em 2005, ela recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia. Ela ganhou também as comendas Maria Quitéria (Prefeitura do Salvador), da Ordem do Cavaleiro (Governo da Bahia) e comenda do Mérito Cultural (Presidência da República).
Na Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), contra o racismo e a intolerância, ocorrida em Durban, em agosto de 2001, ela foi uma das mais fortes lideranças brasileiras.
Fonte G1