Nego Drama

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Candidatos participam de debate com a comunidade negra gaúcha


Evento foi uma promoção dos clubes sociais negros do Estado em parceria com lideranças do Movimento Negro

"Diálogos para a promoção da Igualdade Racial" foi o tema do evento que reuniu entidades e lideranças do Movimento Negro do Rio Grande do Sul, autoridades e candidatos nesta quinta-feira (05/08), na Sociedade Satélite Prontidão, em Porto Alegre. O encontro foi organizado em conjunto Movimento de Clubes Sociais Negros em parceria com lideranças das religiões de Matriz Africana e do Movimento Negro.

A mesa de debates contou com a participação do senador da República Paulo Paim, do ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal, Eloi Ferreira de Araujo, do candidato do Partido dos Trabalhadores ao Governo do Estado do RS, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro, do deputado estadual e presidente estadual do PT, Raul Pont, do presidente da Sociedade Satélite Prontidão, Nilo Feijó. Também estiveram presentes o presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra do RS (Codene), Victor Hugo Amaro, o representantes do RS na Comissão Nacional de Clubes Sociais Negros, Luis Carlos de Oliveira, que também é vice presidente da Associação Floresta Montenegrina de Montenegro, a Ialorixá Sandra Bueno e o representante do Movimento Hip-Hop, o rapper PX.

Prestigiaram a atividade candidatos à vagas para a Assembléia Legistiva gaúcha e para a Câmara dos Deputados.

Debates

A trajetória e a luta da comunidade negra para a criação até a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial pelo Congresso Nacional foi exaltada pelo ministro da Seppir, Eloi Ferreira e pelo senador e candidato à reeleição, Paulo Paim.


O candidato ao Governo do Estado, Tarso Genro, parabenizou a organização do evento e salientou a implementação da política de cotas nas universidades federais, através do ProUni, quando foi ministro da Educação e do Pronasci, no Ministério da Justiça, que atua com a segurança cidadã, envolvendo jovens das periferias.

Os representantes do Movimento Negro enfatizaram a necessidade do apoio do Poder Público para as manifestações e entidades religiosas e culturais afrobrasileiras, bem como para a formulação de políticas públicas de igualdade racial no Estado, que contemplem a população negra.

Clubes Sociais Negros
O movimento Clubista envolve um número aproximado de mais de 100 clubes sociais negros, distribuídos em diversas cidades do Brasil, tendo no Rio Grande do Sul sua maior expressão com 55 dos clubes da federação. Entre estas entidades, algumas já completaram mais de um século de história como reduto permanente da cultura e hábitos dos negros de nosso país.

Conforme descreve o poeta e historiador Oliveira Silveira, “os Clubes Sociais Negros são espaços associativos do grupo cultural étnico afro-brasileiro, originário da necessidade de convívio social do grupo, voluntariamente constituído e com caráter beneficente, recreativo e cultural, desenvolvendo atividades num espaço físico próprio”.

Texto e fotos:
Lisandro Láercio Rangel Paim - jornalista/RS - MTE 12878
Presidente da Associação Cultural e Beneficente Seis de Maio - Gravataí/RS
Coordenador Região Metropolitana Movimento Clubes Sociais Negros/RS
Secretário Municipal de Comunicação substituto - Gravataí/RS
Contatos: (51) 81063486 / e-mail: lisandro_rpaim@yahoo.com.br

domingo, 1 de agosto de 2010

Abdias do Nascimento Rebate a Tentativa de Manipulação Por Parte da SEPPIR


Brasília - O ex-senador Abdias Nascimento, 96 anos, o maior ícone vivo do Movimento Negro Brasileiro, não gostou da tentativa de manipulação feita pela Coordenação de Comunicação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que apresentou uma carta sua datada de 20 de julho como parte da propaganda em favor do texto do Estatuto aprovado pelo Senado e sancionado pelo Presidente da República.

Em outra carta enviada ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro chefe da Seppir, Elói Ferreira de Araújo e ao senador Paulo Paim (PT-RS), o velho líder é incisivo. “A sanção do Estatuto nos termos negociados não me inspira qualquer sensação de euforia ou ufanismo, e muito menos de vitória. Todos nós sabemos que, no processo de negociação do texto prevaleceu o peso das forças contrárias ao ponto de descarecterizá-lo de forma significativa”, afirma.

Sobre o texto, Abdias acrescenta que “é mais do que tínhamos antes, sim; é uma referência jurídica nova, sim”. Mas, o ganho é ínfimo diante das justas demandas da população negra e diante dos próprios avanços que o movimento social já conseguiu construir”.
Fonte: Afropress

Veja, na íntegra a carta enviada por Abdias

Rio de Janeiro, 23 de julho de 2010.
Carta Aberta aos Excelentíssimos Senhores
Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República
Elói Ferreira de Araújo, Ministro Chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Paulo Paim, Senador da República,

Ao ato de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, tive ocasião de dirigir a Vossas Excelências, e à todos os presentes àquela cerimônia, uma saudação respeitosa reconhecendo possibilidades que a nova legislação oferece. A Seppir publicou o texto em seu site caracterizando-o como aplauso.

Minha mensagem homenageia as pessoas que atuaram durante uma década com competência, compromisso e dedicação na construção do projeto, observa a intervenção de forças políticas contrárias no conteúdo do Estatuto; constata que mesmo assim ele constitui uma referência jurídica de apoio a ação social em busca de reais avanços; afirma que o movimento negro continuará a sua luta; oferece aos ativistas desse movimento palavras de incentivo e axé.

Senhor Presidente, Senhor Ministro, Senhor Senador,

A sanção do Estatuto nos termos negociados não me inspira qualquer sensação de alegria, euforia e ufanismo, e muito menos de vitória. Todos nós sabemos que, no processo de negociação do texto, prevaleceu o peso de forças contrárias ao ponto de descaracterizá-lo de forma significativa. Em aspectos específicos seus dispositivos estão aquém do alcance de ações já existentes. Ficamos com um conjunto de princípios gerais enunciados em linguagem de notável confusão conceitual. É mais do que tínhamos antes, sim; é uma referência jurídica nova, sim. Mas o ganho é ínfimo diante das justas demandas da população negra e diante dos próprios avanços que o movimentos social já conseguiu construir.

A substituição da palavra “racial” pela palavra “étnica” em todo o texto reflete a triste permanência da ideologia racial que nos oprime há meio milênio. Arautos da continuação de privilégios raciais encastelados por meio da discriminação hoje inventam um absurdo imaginário em que os alvos dessa discriminação se tornaram culpados de um suposto racialismo. Os inventores de tal imaginário manipulam o ingênuo senso comum e popular de igualitarismo, tão equivocado quanto é caro à identidade nacional. A má fé desses manipuladores se manifesta em ataques covardes difundidos pelo poder da grande imprensa contra intelectuais dignos como o professor Kabengele Munanga, cuja boa fé ninguém em sã consciência consegue duvidar.

Não me cabe apoiar ou aplaudir a legislação do país. Cabe-me sim, apoiar e aplaudir as forças políticas que se dedicam a combater o racismo. Isto eu farei sempre.

Atenciosamente,
Abdias Nascimento

Cresce mobilização em defesa do voto negro e anti-racista


S. Paulo - A frustração de setores expressivos do ativismo com o acordo que resultou na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, desfigurado e transformado em alvo de marketing, está provocando uma inédita reação no Movimento Negro Brasileiro que passou a defender com mais ênfase o voto negro e anti-racista nas eleições de 03 de outubro deste ano.

O exemplo mais eloqüente disso são as duas iniciativas programadas para a primeira quinzena de agosto, quando efetivamente começa a campanha, com a veiculação da propaganda eleitoral gratuita na TV.

Segundo o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil – 2007/2008, do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais, e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), coordenado pelo economista Marcelo Paixão, da UFRJ, dos 513 deputados eleitos nas eleições passadas, apenas 11 eram negros – 10 homens e uma mulher – e 35 pardos, 33 homens e duas mulheres.

No total, os negros (pretos e pardos) foram apenas 46 deputados – 43 homens e três mulheres, o equivalente a apenas 9% dos deputados eleitos. Em 2.006, pretos e pardos representavam 49,5% da população brasileira. Atualmente, segundo dados do IBGE, são 51,3% da população brasileira.

Para onde vai o voto?

O Movimento Negro Unificado (MNU) e mais entidades como a CONLUTAS, o MST, a Intersindical, o Tribunal Popular, o Círculo Palmarino, o Coletivo de Entidades Negras, a FORJUNE, e a Abraço – Associação de Rádios Comunitárias, além da Frente Negra e Popular em Defesa dos Territórios Quilombolas, promovem no dia 13 de agosto na sede da APEOESP, centro de S. Paulo, debate sobre “Prá quem vai o voto negro e popular (Nulo, útil ou na esquerda?).”

Na primeira semana, será a vez da Educafro, a Rede de Cursinhos Pre-Vestibulares, dirigida pelo Frei David Raimundo dos Santos, que promove debate com candidatos negros, na sede da entidade, à Rua Riachuelo Centro de São Paulo.

Para terem chance de receber apoio dos ativistas, os candidatos terão de assumir os compromissos contidos na Carta–Compromisso com a População Afro-Brasileira.

Entre os compromissos estão o da reserva de vagas para pobres e negros nas universidades públicas, e a defesa de projetos com cota mínima a ser definida segundo o IBGE, para afro-brasileiros nos cargos de confiança dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, bem como em todos os escalões da Administração Pública.

Sub-representação

Segundo o Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil do Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais, e Estatísticas das Relações Raciais (LAESER), 87% dos parlamentares eleitos em 2.006, eram brancos; 0,8% amarelos e 3,3% não se auto-classificaram. Nenhum parlamentar se assumiu indígena.

No caso das mulheres, o Relatório aponta apenas uma mulher negra, correspondendo a 0,2% e duas pardas 0,4%. No total, pretas e pardas representavam apenas 0,6% dos deputados, para uma população correspondente a 24,8% da população.

Vazio nos Partidos

No Senado, a situação não era diferente: 76 dos 81 senadores eram brancos (93,8%), somente quatro pardos e apenas um negro. Senadores pretos e pardos eram apenas 6,2%. Todas as 10 senadoras eram brancas (12,3%).

O Relatório das Desigualdades também aponta a sub-representação negra nos partidos: No PMDB, 93,3% é de brancos;no PT, 83,1%, PSDB, 92,4%, no PFL (DEM) 86,2%, no PTB, 95,5%, PDT, 87,5%, no PPS 81,8% e no PSB, 96,3%.

Mais preto no branco

A exemplo do que fez há quatro anos com o lema “Mais preto no branco da política”, a Afropress, passa a abrir espaço para a campanha nacional pela eleição de parlamentares negros e anti-racistas nas eleições de 3 outubro.

O objetivo é aumentar a representação parlamentar negra e de deputados comprometidos com a defesa do combate ao racismo, a adoção de ações afirmativas e cotas na Educação e no mercado de trabalho, a denúncia da intolerância religiosa e da escalada de violência que atinge a juventude negra nas periferias das grandes cidades.

Semanalmente será reservada matéria especial sobre eleições com entrevistas com candidatos negros e anti-racistas, comprometidos com a defesa da igualdade e com o aprofundamento da democracia no Brasil.
Fonte: Afropress

Censo inicia nesta segunda feira dia 2 de agosto, afirme sua NEGRITUDE



Quantos somos? Quem somos? Como vivemos? Quem emigrou? Quem imigrou? Onde estamos? Estas e outras perguntas serão respondidas no Censo 2010 e o resultado nos dirá como é a cidade, o Estado e o país em que vivemos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) inicia em todo o país, no dia 2 de agosto a coleta de dados junto a milhões de residências de Norte a Sul do Brasil. O prefeito Fetter Júnior (PP) será o primeiro a receber o recenseador, na segunda, 2 de agosto, data da abertura do Censo 2010.

Daiane Ferreira Pinheiro, 26, e Elvino Araújo Pinheiro, 29 residem com os filhos no extremo Norte de Pelotas, junto à BR-116, quilômetro 493, na divisa com Turuçu, há dois anos e serão uma das famílias a receberem os recenseadores. Distante dos Pinheiro está Jorge Luiz Chagas Oliveira, 47, que mora no extremo Sul há mais de 20 anos, na rua Alberto Rosa, número um, com o filho Rainã Oliveira, 6.

Na reportagem especial do jornal Diário Popular de domingo (1°) o leitor poderá conhecer um pouco mais sobre o trabalho dos recenseadores, que terão a importante tarefa de definir o perfil do brasileiro.
fonte: Diário Popular

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lula diz que dívida do Brasil com negros não pode ser paga em dinheiro


Ao comentar a sanção da lei que cria o Estatuto da Igualdade Racial na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (26) que a dívida do Brasil com os negros não pode ser paga em dinheiro, mas com solidariedade.

No programa semanal "Café com o Presidente", ele avaliou que a importância da lei está em garantir que, a partir de agora, não exista diferença entre brancos e negros no País. Lula lembrou que o projeto tramitou no Congresso Nacional por vários anos, até a elaboração de uma proposta única.

“Não é tudo o que a gente quer. Ainda faltam coisas pra gente fazer, mas é importante que a gente tenha a clareza de que hoje nós temos o Estatuto da Igualdade Racial, nós temos uma lei que dá mais direitos, que recupera a cidadania do povo negro brasileiro”, disse.

O estatuto prevê garantias e políticas públicas de valorização, além de uma nova ordem de direitos para os brasileiros negros, que somam cerca de 90 milhões de pessoas. O documento é formado por 65 artigos e tem como objetivo, segundo a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a correção de desigualdades históricas no que se refere às oportunidades e aos direitos dos descendentes de escravos do País.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Paim comemora sanção do Estatuto da Igualdade Racial


O senador Paulo Paim (PT-RS) anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sanciona nesta terça-feira (20) o Estatuto da Igualdade Racial, originado de um projeto de sua autoria, e agradeceu a ajuda recebida de vários movimentos sociais que colaboraram com sugestões para a proposta. Em discurso nesta segunda-feira, Paim lembrou a luta pela aprovação do estatuto, dizendo que foram anos "de sangue, suor e lágrimas".
Ao comemorar a sanção do estatuto, Paim afirmou que não são as palavras nem as ações de discriminação que causam a maior dor a quem é discriminado, mas a discriminação "sentida no olhar".
- É algo, eu diria, inexplicável. Mas dói, e dói muito! Chega a atravessar o nosso peito, cutuca o nosso coração e atinge a alma - disse o senador.
Paim lamentou que após dez anos de debate o Estatuto da Igualdade Racial tenha sido aprovado sem grande parte das reivindicações que ele acreditava pudessem ser contempladas. Reconheceu, no entanto, que o estatuto já é um avanço.
- É um passo à frente; é uma conquista. Possui uma representatividade jurídica, histórica, legal e moral - assinalou.
Paim lembrou que a Abolição da Escravatura não instituiu políticas públicas para os negros, mas que esta parcela da população, "com resistência e luta, alcançou o estatuto". Ele disse que o Estado brasileiro abre os olhos e começa a encarar a dura realidade do processo de exclusão vivenciado pelos descendentes de escravos.
- Temos que olhar para o futuro sem esquecer o passado. O Estatuto da Igualdade Racial não é o fim e nem é o começo. Ele faz parte de um novo patamar de formulação das políticas públicas no nosso país - afirmou.
Da Redação / Agência Senado

domingo, 18 de julho de 2010

Assinala-se domingo o Dia Internacional de Nelson Mandela


Luanda – Assinala-se domingo, 18 de Julho, pela primeira vez, o Dia Internacional de Nelson Mandela, instituído em Novembro de 2009 pela Assembleia Geral da ONU, pela contribuição do ex-presidente sul-africano para a cultura da paz e da liberdade.

Por consenso dos 192 países membros, a ONU determinou que, a partir de 2010, se passe a celebrar o Dia Internacional de Nelson Mandela, na data do aniversário do dirigente negro que, em 1993, partilhou o Prémio Nobel da Paz com o seu compatriota sul-africano Frederik de Klerk.

A Assembleia Geral decidiu assim reconhecer, o primeiro da organização a um individuo, a contribuição fundamental de Mandela, nascido em 1918 na pequena vila de Mvezo, para a resolução dos conflitos, a liberdade no mundo e a promoção das boas relações entre todos os grupos étnicos.

Reconheceu também a dedicação de Mandela ao serviço da humanidade na resolução de conflitos, relações entre raças, promoção e protecção dos direitos humanos, reconciliação, igualdade entre os sexos e os direitos das crianças e de outros grupos vulneráveis.

Por ocasião da data, que se celebra sobre o slogan “Dia Internacional de Nelson Mandela: Pela liberdade, a justiça e a democracia”, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que Mandela é um "exemplo vivo dos principais valores das Nações Unidas. Um cidadão global exemplar".

Por sua vez, a família de Mandela anunciou que o ex-presidente sul-africano comemorará seu 92º aniversário em casa, em Johanesburgo, com pessoas próximas. Um total de 95 crianças do povoado de Mvezo, no sudeste do país, onde nasceu Mandela, e da cidade próxima de Qunu viajarão para Johanesburgo para "passar o dia com ele", afirmou sua neta Zwelivelile Mandela, que disse que toda a família se reunirá com o líder.

Mathole Motshekga, líder do grupo parlamentar do Congresso Nacional Africano (CNA), ao qual pertence Mandela, anunciou que as principais comemorações oficiais do aniversário do ex-presidente serão realizadas em Mvezo, uma comunidade pobre na província do Cabo Oriental.

Motshekga afirmou que o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, assistirá às comemorações em Mvezo, para promover a campanha "Faça de Cada Dia o Dia de Mandela", que pretende estimular as pessoas a tornarem seus dias cada vez melhores.

Nelson Rolihlahla Mandela coordenou, em 1961, uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para a Argélia para treinamento paramilitar.

Em Agosto de 1962, Nelson Mandela foi preso após informações da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas anti-apartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de Fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prémio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de Julho de 1991 a Dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de Maio de 1994 a Junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Após o fim do mandato de presidente, Mandela recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª, a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Nelson Mandela recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias à cooperação internacional (1992), Ordem ao mérito do Reino Unido (1995),Prémio Lenin da Paz (1962), Prémio Internacional Simón Bolívar (1983) e Prémio Nacional da Paz (1995)

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em Junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou a sua retirada da vida pública.

sábado, 17 de julho de 2010

Lula sancionará dia 20 Estatuto Racial



Brasília - Será no próximo dia 20 deste mês, às 9h, no Palácio do Planalto, a cerimônia de sanção do Estatuto da Igualdade Racial, aprovado pelo Senado, alvo de protestos de lideranças e entidades negras descontentes com o projeto aprovado no mês passado no contexto de um acordo envolvendo a SEPPIR, o senador Paulo Paim – autor da proposta original – e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Segundo o Secretário das Comunidades Tradicionais da SEPPIR, Alexsandro Reis, está prevista uma grande atividade no Palácio com o Presidente Lula, e a presença de lideranças que apóiam a iniciativa de todo o país, que serão convidadas à Brasília.

Reis confirmou a participação na Assembléia Negra e Quilombola promovida na semana passada em Brasília para pedir ao Presidente o veto ao projeto, porém, negou que tenha falado e se retirado imediatamente. “Fiquei mais de meia hora, depois de falar, e só saí porque tinha outro compromisso”, justificou.

Segundo ele, algumas das entidades que estão no movimento pró-veto sempre foram contrárias ao Estatuto. “O MNU sempre foi contra”, acrescentou.

Lista errada

Reis também disse que nomes de entidades e de parlamentares incluídos na lista de apoio ao veto, já desmentiram que estejam apoiando esse movimento. Ele citou o caso dos deputados Walmir Assunção, do PT da Bahia e Zezéu Ribeiro, este último deputado federal, que já teriam se declarado a favor do Estatuto aprovado.

“Nós queremos dialogar com os contrários, mas é preciso dizer que por falta de informações muita gente está adotando posições equivocadas. Há ainda muitas entidades que não foram consultadas para autorizar a inclusão do nome nas listas de apoio ao veto”, afirmou.

O dirigente da SEPPIR, que pertence a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), corrente de ativistas ligados ao PC do B, lembrou que o parecer do senador Demóstenes Torres estava pronto desde dezembro do ano passado e que ninguém se preocupou em convocar uma Assembléia do Movimento Social para discutí-lo. “Agora, tem força para se mobilizar contra o Estatuto, mas não se movimentaram para ir ao Congresso fazer a disputa. É uma aventura para se agarrar numa bandeira. Parece brincadeira”, finalizou.
fonte; afropress

domingo, 4 de julho de 2010

Estatuto da Igualdade Racial: o debate que não houve

Por Jaqueline Lima Santos

Encontramos, no Movimento Negro, há alguns anos, diferentes posturas sobre o texto, tantas vezes alterado, para implementação desta lei.

Apresentado em 2005 pelo Senador Paulo Paim, a lei 6.264/05 tinha como objetivo geral “garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnico-raciais individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnico-racial”. Ao longo desses cinco anos, uma série de alterações foram realizadas no texto original, provenientes de acordos e negociações entre as forças presentes no legislativo brasileiro, retrocedendo frente às reivindicações do Movimento Negro, estas construídas em encontros, congressos, seminários e conferências.

Inicialmente, a crítica maior é de que o Estatuto tem um caráter autorizativo, sem o poder de imposição legislativa, ou seja, não obriga o Estado Brasileiro, em todas as suas instâncias, a implementar os pontos nele apresentado. Outra crítica é a de que não havia nenhum recurso direcionado para a implementação do mesmo, logo, um Estatuto autorizativo, sem verba, seria implementado como? Se o Estado lhe garante o status de facultativo, e não direciona nenhum recurso para sua implementação, o Estatuto se configura, parafraseando Reginaldo Bispo, como a nova Lei Áurea, não muda nada, e continuamos reféns do racismo institucional, preconceitos, discriminações e da ausência de políticas específicas que atendam nossas demandas.

O debate que não houve, sobre esse estatuto, foi com a sociedade civil. O Estatuto não foi discutido em audiências públicas, e pouco se levou em consideração os documentos retirados em conferências, congressos e seminários de organizações do movimento negro sobre o mesmo, isto é, quando as organizações se propuseram a discutir o documento em questão, pois esse debate ficou esvaziado dentro desses próprios grupos, como se o Estatuto, independente do seu texto, trouxesse grandes avanços para nós, negras e negros. Muitos defendem o Estatuto sem ao menos conhecê-lo na íntegra, acompanhar o debate que está sendo travado em torno do mesmo, simplesmente por carregar o nome “Estatuto da Igualdade Racial”. Ainda há uma alienação coletiva do processo.

O MNU (Movimento Negro Unificado), como resolução de Congresso Nacional, propôs na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), e em debates públicos, a retirada desse Estatuto para que este fosse debatido pelos setores do movimento negro e sociedade civil, e posteriormente fosse apresentado ao Estado brasileiro. Esta proposta dividiu a delegação da II Conferência, que mesmo votando a favor do Estatuto, se posicionou contra as negociações partidárias que tirassem da pauta direitos reivindicados por negras e negros. Nossa organização tem travado um debate crítico sobre o Estatuto a mais de três anos, sem recuar em nossas reivindicações históricas e nos negamos a abrir mão dos nossos direitos, nos recusamos a trocá-los por migalhas.

Mesmo estes e outros problemas sendo levantados, o Estatuto, ao invés de avançar, levando em consideração os apontamentos trazidos por alguns setores movimento negro, retrocede novamente. Isto mostra como as vozes que ainda tem força na sociedade brasileira são as vozes das elites brancas, isto porque, nós negros, neste campo, não temos o direito de decidir sobre o nosso próprio futuro, e as políticas de Estado que são direcionadas para o nosso segmento ainda depende dos “superiores” sobre o que é o mais importante para nós, dou exemplos para esta afirmativa.

O Estatuto da Igualdade Racial aprovado no dia 16 de junho de 2010, fruto do acordo entre os DEMOcratas e a SEPPIR, esta ultima responsável pela Conferência Nacional de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, espaço onde delegadas e delegados de todo o Brasil se manifestaram contra a retirada de direitos reivindicados historicamente pela população negra do Estatuto, teve como suprimidos pontos referentes as ações afirmativas, identidade, direitos dos quilombolas e saúde da população negra. Segundo Reginaldo Bispo “o projeto diz não a titulação das áreas quilombolas, a cota no serviço publico, nas universidades, nas legendas partidárias. Não ao auto-reconhecimento identitário. Proíbe que doenças com maior incidência em negros, sejam consideradas assim (...)”.

Para Jurema Werneck as mudanças no capítulo de saúde do Estatuto e a supressão quesito cor no atendimento do SUS desrespeitam deliberações construídas em espaços de democracia participativa, como o Conselho Nacional de Saúde, e ignora uma série de conquistas históricas no campo da saúde, além de prejudicar diretamente a população negra. Ignora as especificidades e os dados estatísticos que trazem a tona a vulnerabilidade e risco social que este segmento está submetido, o que contribuiu para o reconhecimento da necessidade de um atendimento específico para esta parcela da população. Logo concluí que “o Estatuto faz mal para a saúde da população negra, ao Sistema Único de Saúde, e à sociedade brasileira”.

Frei Leandro, integrante da Educafro, considera este Estatuto “capenga, descaracterizado em sua origem e sem forças políticas para o movimento negro brasileiro. Com efeito, a aprovação satisfez as posturas conservadoras de algumas entidades negras. Porém, na verdade, o que foi aprovado foi um Estatuto do Senador Demóstenes Torres (DEM - GO) que fez descer goela a dentro um texto que, político e ideologicamente, representa o Partido Democratas, corado por seu conservadorismo e atraso social”.

Guacira Cesar de Oliveira apresenta os argumentos do setor conservador que defende as alterações no Estatuto: “o estatuto vai racializar a sociedade brasileira, como se a idéia de raça, da superioridade branca e inferioridade negra não tivesse fundado o Brasil desde a colônia; não existe racismo no Brasil, como se quem vive o racismo na pele, na verdade estivesse sofrendo delírios; as quotas vão racializar a sociedade brasileira e gerar confrontos que hoje não existem, como se o assassinato de jovens negros pela polícia nesse país fosse uma peça de ficção”. Estes argumentos, segundo ela, se contradizem com a realidade colocada, em que o racismo se expressam em dados de exclusão, preconceito e discriminação.

Hoje, anos depois, o Estatuto é colocado no centro do debate das redes do movimento negro. Alguns celebram, outros lamentam.

Edna Roland defende que não há mais negociações, e que o Estatuto de Demóstenes viola uma série e Convenções, Declarações e Documentos em que o Estado brasileiro assinou, e logo teria o compromisso de combater o racismo em forma de discriminação e preconceito, além de promover políticas de promoção da igualdade racial. Para Edna Roland, o Senador Demóstenes nega as contradições sociais produzidas pela escravidão e, ao substituir palavras como “derivadas da escravidão” do Estatuto, ao afirmar que no Brasil não há discriminação por causa da cor, ao defender a meritocracia, mutilou um projeto original construído pelo Senador Paulo Paim. Ela afirma também que é “impossível para o relator manter a coerência: não ousou retirar o Racial do nome do Estatuto, nem pode eliminar tais palavras dos conceitos discriminação racial ou étnico-racial, e desigualdade racial, mas pretende eliminar do conteúdo de tais conceitos. Assim, o Senador Demóstenes Torres, se arvora o direito de mutilar não apenas o projeto do Estatuto, mas também a própria Convenção Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial: para ele raça não é um fator com base no qual ocorra a discriminação racial, já que ele insiste em utilizar uma definição genética de raça e geneticamente raça não existe. Para ser coerente, o Senador deve propor o veto integral ao projeto, pois se trataria, segundo ele, de um projeto acerca de algo que não existe”. Com isso, ela conclui afirmando que estamos por nossa própria conta, e que “não podemos esperar nada de um Senador da República com a mentalidade de um senhor de escravos: segundo ele qualquer política que promova a igualdade no mercado de trabalho vai produzir rancor dos que vão perder os seus privilégios e portanto não devem ser aprovadas”, e que é preciso relembrar Palmares, se a história já mostrou o que deu certo, “há momentos em que somente a derrota pode nos salvar”.

Segundo Onir de Araújo, membro do GT quilombola do MNU-RS, o Estado brasileiro, desde a conquista da Constituição de 1988, não cumpriu o seu papel de entregar os devidos títulos as terras quilombolas, e o Estatuto de Demóstenes, ao retirar o direito à titulação das terras quilombolas do texto original, marca a posição da bancada ruralista e reforça a ADI 3239 dos DEMOcratas, que defende os interesses dos grandes latifundiários e viola os direitos das comunidades quilombolas, ameaçando-as de perderem o direito a titulação de seus territórios. Não foi a toa que elegeram tal Senador para ser o relator desse projeto lei.

O propositor das alterações, Demóstenes Torres, é o mesmo que nas audiências públicas sobre cotas no STF, em março deste ano, negou as mazelas da escravidão brasileira e afirmou que as mulheres negras consentiram com os estupros dos quais foram vítimas de senhores brancos no período da colonização, utilizando este argumento para, mais uma vez, afirmar que nós constituímos uma harmonia racial, sem contradições e correlações de força. No caso do Brasil, por exemplo, a miscigenação não significou a ausência de racismo, mas a causa de uma racismo diferente, que envolve uma discussão sobre raça e sexualidade. A miscigenação ainda hoje é glorificada como exemplo da nossa “democracia racial”, utilizada para justificar a existência de uma harmonia entre a Casa Grande e a Senzala, como dizia Gilberto Freire em seus escritos. O que não é levado em consideração é a violência pela qual foram expostas milhares de mulheres negras diante do sistema colonial, desconsidera-se os atos de violência sexual, estupros em detrimento do discurso de que não temos conflitos raciais e que somos um povo misturado.

Nós, negras e negros, que devemos ser os propositores, temos que ser protagonistas das nossas próprias histórias. Até quando teremos que ter nossas vozes caladas pelas vozes da elite branca, ou teremos que falar pelas vozes das elites brancas? Temos nossos próprios enunciados, e estes devem ser levados em consideração. Porém, nosso debate sobre esse Estatuto ainda está esvaziado.

No Brasil fala-se tanto da democracia participativa, da importância dos Conselhos e Conferências como forma de exercer o controle social sobre o Estado, mas diante desta questão eu me pergunto: quem tem exercido o controle social, a sociedade civil ou o Estado? Como afirma Silvany Euclênio, “fomos traídas e traídos”.

Há quem jogue a culpa do fracasso do Estatuto nos críticos que colocaram os problemas desta lei em debate, defendendo que deveríamos ir para o Congresso Nacional pressionar os parlamentares para que a nossa pauta seja atendida. Ora, já fomos para conferências, congressos, seminários, organizamos marchas e caravanas, ajudamos a eleger uma série de parlamentares, e mesmo assim houve quem tentou esvaziar o debate crítico, e hoje temos esse Estatuto, fomos traídas e traídos. Não existe mais negociação, o Estado, a SEPPIR, o DEM e os adesistas desse Estatuto passaram por cima da democracia participativa.

Vamos aderir a Mobilização Nacional para que o Presidente Lula não sancione o Estatuto do Demóstenes e da SEPPIR.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Por que iremos à Assembleia Nacional Popular e Negra em Brasília

Nota Pública do Círculo Palmarino sobre a NÃO aprovação do Estatuto de Igualdade Racial e sobre a Assembleia Nacional Popular e Negra de Brasília


No dia 30/06 ocorrerá em Brasília a Assembleia Nacional Popular e Negra convocada por várias organizações do Movimento Negro e Social brasileiro. Na pauta, dois pontos principais: contra a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI-3239), movida pelo DEM contra o Decreto 4887, que regulamenta as terras ocupadas por remanescentes de quilombos e pelo veto de Lula ao Estatuto de Igualdade Racial aprovado pelo Senado.

Nós, do Círculo Palmarino, organização do Movimento Negro pautada no afro-comunismo, decidimos participar da Assembleia por entender que a mesma se pauta na cultura estratégica dos movimentos sociais de luta e ação direta sobre a institucionalidade para pressionar por mudanças na ordem burguesa, mesmo sabendo da insuficiência de tais ações sem levarem ao objetivo final: a mudança de sistema econômico-social capitalista.

Entendemos que durante o histórico de lutas do Movimento Negro, algumas características se arraigaram em nossa forma de agir na sociedade, como o movimento ser pautado pela ação coletiva do negro como sujeito político no combate para criar direitos para nosso povo e incidir na luta social de nosso país. Sempre de forma independente e autônoma em relação ao estado, partidos políticos e seus governos.

Sendo assim, nós do Círculo Palmarino sempre defendemos a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial por entender ser essencial um marco legal que possa garantir ao nosso povo direitos sociais historicamente negados. A versão original do Estatuto foi apresentada no Congresso Nacional há 15 anos atrás como produto da Marcha 300 anos da Imortalidade de Zumbi dos Palmares, que reuniu mais de 30 mil militantes negras e negros em Brasília, hegemonizadas por um bloco de forças negras de caráter democrático, socialista e popular. Ou seja, foi construída com lastro e legitimidade social e no calor da luta política. Hoje, vemos uma total inversão dessa lógica de mobilização social e, por isso, uma derrota do Movimento Negro com a aprovação de um NÃO Estatuto da Igualdade Racial.

Por isso, mesmo participando da Assembleia não nos furtamos de fazer a crítica na forma como várias organizações do Movimento Negro trataram a questão da aprovação do Estatuto, principalmente UNEGRO, CONEN e CNAB, invertendo a lógica dos movimento sociais, investindo em acordos de gabinete através da SEPPIR, desmobilizando as bases e não priorizando a luta e a ação direta para aprovar o Estatuto. Entendemos que todas as modificações que o Estatuto teve desde a apresentação da versão original do mesmo, culminando em uma lei que significa um retrocesso em relação a vários temas como cotas raciais, saúde da população negra e quilombola e em tantos outros é apenas autorizativa, sem determinar ações concretas por parte do estado é uma derrota de tal postura dessa parte do movimento negro e nós, do Circulo Palmarino, denunciamos isso na II CONAPIR, após a NÃO aprovação do Estatuto na câmara, quando da não convocação da etapa do CONNEB de Salvador e neste momento.

Entendemos que as forças políticas conservadoras, capitaneadas pelo DEM e seu senhor de engenho Demóstenes Torres, saíram vitoriosas desse processo porque parte do Movimento Negro achou que poderia atuar na institucionalidade com tanta desenvoltura como aquelas que dominam o estado brasileiro a mais de 500 anos. A troca da luta, mobilização e ação direta por cargos, financiamentos do estado e espaço no aparato burguês se demonstrou uma profunda derrota para essa parte do Movimento Negro.

Por fim, entendemos que a Assembleia é um espaço impar para que as organizações do Movimento Negro que reivindicam a autonomia do movimento negro em relação ao Estado, aos governos e aos partidos políticos construam uma frente com unidade de ação para mobilizar a maioria da população deste país, nós negras e negros, a construir um projeto político para nosso povo. Por isso, voltamos a propor a criação da Aliança Negra Brasileira (ANB). O principal desafio ao construir a ANB é mostrar que a NÃO aprovação do Estatuto não representa o fim das lutas do povo negro: tramitam no Congresso Nacional diversos projetos de Leis que beneficiam a população negra, sejam leis afirmativas ou reparatórias, e estes passam a ser o grande alvo da luta das/os militantes na busca destes marcos legais que promovam, efetivamente, alteração dos indicadores sociais do cotidiano da população negra e seus territórios. É necessário lutar contra o processo de extermínio, encarceramento, desterritorialização e pauperização dos territórios negros urbanos que denunciamos como uma verdadeira Faxina Étnica, a serviços dos interesses da burguesia branca e racista.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

CONDICA / GAEC / CLUBE FICA AHÍ / COEP, promovem passeio ciclístico




Campanha do agasalho, dia 20 de junho de 2010, as 9h:30, com
concentração na AV. Bento Gonçalves (Enfrente ao Altar da Pátria), o
objetivo do evento é proporcionar o lazer para os participantes,
desenvolvendo a concientização da preservação do meio ambiente, na
estimulação do uso da bicicleta como meio de transporte que causa
menos empacto ao meio ambiente.
inscrição: um agasalho no local do evento, com sorteio de vários
brindes entre os participantes.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pobres foram removidos para embelezar a Cidade do Cabo

Moradores pobres na Cidade do Cabo foram removidos de albergues e prédios invadidos perto de estádios e pontos turísticos e realocados em Blikkiesdorp, um assentamento de barracões de ferro ondulado cercado por um muro de concreto, informa o jornal americano "The Washington Post", após denúncias de ativistas de direitos humanos.

O motivo para estarem ali? "A Copa do Mundo", responde ao jornal Shirley Fisher, 41, que foi retirada de um albergue perto de um estádio onde as estrelas do futebol treinam.

Segundo o "Washington Post", ativistas de direitos humanos acusam as autoridades sul-africanas de forçarem milhares de pobres a mudaram-se para Blikkiesdorp e outros assentamentos, para apresentar uma boa imagem durante a Copa.

"Estamos vivendo em um campo de concentração", diz ao jornal Padru Morris, 47, outro morador.

Em Blikkiesdorp, milhares de pessoas vivem em barracões de um cômodo, cada um ocupado por entre cinco e sete pessoas, que têm de dividir as camas. Quatro barracões dividem um banheiro e uma torneira, segundo a reportagem.

Como o local fica longe do centro, os moradores reclamam que é muito caro se locomover e que não têm dinheiro para levar seus filhos à escola ou ao médico, informa o jornal.

"Esse é um depósito de lixo para pessoas", disse Jane Roberts, uma moradora e ativista da Campanha Contra Expulsão do Oeste do Cabo. "É como o apartheid, apenas praticado por caras novas", disse ao jornal.

Blikkiesdorp foi construído há dois anos para pessoas que ocupavam prédios ilegalmente, e autoridades de Cidade do Cabo dizem que o lugar serve como "área de realocação temporária" até que se consiga construir moradias apropriadas, diz o jornal.

"Reconhecemos que Blikkiesdorp não é uma solução perfeita, mas é o que podemos fazer com os recursos existentes", disse Kylie Hatton, porta-voz de uma subprefeitura, em entrevista ao "Washington Post". Ela defende que ninguém foi "removido deliberadamente" de nenhuma região por causa da Copa.

Em março, a enviada especial da ONU (Organização das Nações Unidas) para moradias adequadas, Raquel Rolnik, reportou que cidades como Cidade do Cabo estavam priorizando "embelezamento acima das necessidades dos moradores locais".

Segundo o jornal, a Anistia Internacional também reportou casos crescentes de assédio de policiais contra os pobres, incluindo expulsão de sem-tetos e de moradores de ruas de áreas próximas a localidades da Copa e destruição de "moradias informais".
fonte: folha.com de 11/06

quinta-feira, 10 de junho de 2010

SEPPIR faz acordo com DEM para votar Estatuto da Igualdade

Brasília - O senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás), que em março passado tentou fazer a revisão da história negando um dos aspectos mais perversos do escravismo - o estupro das mulheres negras -, conseguiu o que parecia impossível: um acordo com a SEPPIR para votar o Estatuto da Igualdade Racial.

O texto do relator que irá à votação suprime pontos como as cotas – já implantadas em mais de 90 universidades brasileiras – rejeita qualquer menção as desigualdades “derivadas da escravidão”, nega a existência de uma identidade negra no país e repõe os pressupostos do mito da democracia racial, que negam os efeitos do racismo.

Com o acordo o projeto do Estatuto na versão Demóstenes, será votado na sessão da próxima quarta-feira, dia 16 de junho, a partir das 10h, um dia depois da estréia do Brasil na Copa do Mundo e às vésperas do recesso parlamentar de julho.

Aval do ministro

A Afropress apurou que o acordo teve o aval do ministro chefe da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo (foto). O senador Paulo Paim – autor do projeto do Estatuto apresentado em 2003 -, também participou das negociações. Paim, porém, mostrou-se resistente as alterações feitas por Demóstenes e evitou, até o momento, fazer declaração pública defendendo o acordo.

A jornalista Sandra Almada, da Assessoria de Comunicação da SEPPIR, não quis falar sobre os termos do acordo, mas adiantou que nesta sexta-feira (11/05) será distribuído documento com a posição da Secretaria defendendo o entendimento para aprovação do projeto como um primeiro passo.

A SEPPIR defende que o texto de Demóstenes mantém uma série de avanços e ao mesmo tempo abre espaço para negociações futuras. O entendimento é de que “se trata de um passo, um ponta-pé inicial que terá vários desdobramentos".

Retrocesso

O senador Demóstenes Torres mantém na sua versão do Estatuto as posições defendidas na Audiência Pública, promovida em março deste ano pelo Supremo Tribunal Federal para discutir as ações afirmativas e cotas na Universidade de Brasília (UnB).

O senador demista tornou-se o pivô de uma polêmica e despertou a indignação, especialmente das mulheres, ao propor a revisão da história, fazendo a defesa de que as mulheres negras teriam consentido nos estupros em massa de que foram vítimas no período do escravismo.

No texto, o senador goiano é enfático na defesa do mito da democracia racial. “Geneticamente, raças não existem. Na medida em que o Estado brasileiro institui o Estatuto da Igualdade Racial, parte-se do mito da raça. Deste modo, em vez de incentivar na sociedade brasileira a desconstrução da falsa idéia de que raças existem, por meio do Estatuto referido o Estado passa a fomentá-la, institucionalizando um conceito que deve ser combatido, para fins de acabar com o preconceito e com a discriminação“, afirma.

Ele também nega os efeitos do racismo – que aparece em todos os indicadores sócio-econômicos -, rejeita qualquer menção a raça no Estatuto, nega-se a reconhecer a existência de uma identidade negra no Brasil (“o que existe é uma identidade brasileira”) e minimiza os efeitos da cultura da discriminação que atinge predominantemente negros.

“Não existe no Brasil uma “identidade negra”, paralela a uma “identidade branca. O que existe é uma identidade brasileira. Apesar de existentes, o preconceito e a discriminação no País não serviram para impedir a formação de uma sociedade plural, diversa e miscigenada, na qual os valores nacionais são vivenciados pelos negros e pelos brancos”, conclui.

O senador goiano do Democratas vai além. “Encontram-se elementos da cultura africana em praticamente todos os ícones do orgulho nacional, seja na identidade que o brasileiro tenta construir, seja na imagem do País difundida no exterior, como samba, carnaval, futebol, capoeira, pagode, chorinho, mulata e molejo".

Desse modo, acrescenta, existem valores nacionais brasileiros que são comuns a todos os tipos e cores que formam o povo. Por nunca ter havido a segregação das pessoas por causa da cor, foi possível criar um sentimento de nação que não distingue a cultura própria dos brancos da cultura dos negros”.

Estranheza

Por enquanto, apenas os APNs – Agentes Pastorais Negros, organização com origens na Igreja Católica -, assumiram publicamente a defesa do acordo com Demóstenes. Segundo o coordenador nacional dos APNs, Nuno Coelho, “não é o momento de discutirmos os pontos frágeis do projeto e nem criarmos embate com os contrários a versão final do Estatuto, mas sim de garantirmos a imediata aprovação deste documento que será objeto de emendas no futuro”.

Coelho está mobilizando os Agentes pastorais negros para estarem em Brasília e o movimento negro para lotar as galerias do Senado para pressionar os parlamentares. Não explica o porque haveria a necessidade de pressão se já houve um acordo, inclusive avalizado pela SEPPIR.
fonte: AFROPRESS

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Círculo de Conversas Clube Cultural Fica Haí e Biblioteca Negra



O ciclo de conversas neste sábado dia 29 passado no espaço Cultural do Samba do Clube Cultural Fica Ahí uma ação da Biblioteca Negra de Pelotas e o Fica Ahí foi um sucesso. A Tematica Clubes Negros resistencia Cultural foram muito bem explanada pelas palestrantes a Historiadora Fernanda Oliveira que conversou a respeito dos Clubes Negros de Pelotas e Giane Vargas Escobar Mestre em Patrimônio Cultural que conversou sobre o movimento nacional de Clubes ela que faz parte da comissão Nacional e um pouco do genesis deste processo que iniciou em 2005 tendo como um dos grandes articuladores o professor Oliveira Silveira. As palestrantes deram um Show a parte, tivemos também o testemunho do Chove Não Molha com o processo de revitalização de seu espaço fisico. Um ponto a destacar foi a presença do publico que permaneceu por mais de quatro horas no evento. O Ciclo de Conversas proporcionou aos presentes uma mostra do saudoso Professor Oliveira Silveira.

fonte: Rubinei Machado

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sábado, 22 de maio de 2010

Propostas devem sair do papel, conclui Conferência nos EUA

Atlanta/EUA - Terminou nesta sexta-feira (21/05) em Atlanta, Geórgia, com a presença do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon e do ministro chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Elói Ferreira de Oliveira, a IV Conferência "Call do action" (Chamado à Ação) do Plano de Ação Conjunta Brasil/EUA para a Eliminação da Discriminação Étnico-Racial e a Promoção da Igualdade.

A Conferência que reuniu representantes da sociedade civil e doze jornalistas convidados pelo Departamento de Estado - entre os quais o editor de Afropress, Dojival Vieira - faz parte do Plano assinado em março de 2008, ainda sob o Governo Bush pela secretária de Estado, Condeleeza Rice, e pelo ministro da SEPPIR, deputado Edson Santos.

O ex-ministro esteve presente em Atlanta à convite do Departamento de Estado e participou da abertura da Conferência no Centro Martin Luther King, localizado na Auburn Avenue, na quinta-feira (20/05). No Centro, inaugurado em 1.968 para celebrar a memória do líder americano do movimento dos direitos civis, estão os túmulos do Reverendo King, assassinado em 1.968, e de sua mulher, Coretta King, morta em 2006.

Segundo o ministro Elói Ferreira “o evento ganhou uma importância extraordinária pela participação dos Governos e sociedade civil”. “Esse Encontro está vitorioso porque celebra o congraçamento a paz entre duas nações irmãs para vencer o preconceito e a discriminação. O Plano coloca mais liga na relação do Brasil com os EUA”, destacou Ferreira.

Relação global

O embaixador Shannon, ao falar na abertura no auditório Bank Of America da Faculdade Morehouse - instituição em que estudam majoritariamente negros -, definiu o conceito do Plano. “Esse é um tema muito relevante para os dois países. O Plano de Ação conjunta somente pode ter sucesso na medida em que empoderarmos a sociedade civil”, afirmou.

Shannon disse que o Plano faz parte de um novo conceito de relações entre os dois países - de bilateral para global. “Não se trata mais de relação entre governos, mas também entre as sociedades. É uma diplomacia inovadora. Quero que todos fiquem sabendo que estão agora forjando o futuro entre as duas principais democracias do mundo ocidental”, concluiu o embaixador sob aplausos.

Sociedade civil

Na entrevista coletiva de encerramento, o embaixador Arturo Valenzuela, que chefiou a delegação americana, voltou a destacar a importância da sociedade civil na execução do Plano. “Trata-se de uma diplomacia de inclusão social. Governos, setor privado e sociedade civil, todos trabalhando em conjunto. Esse é um novo campo para nós diplomatas. Eu me sinto entusiasmado e encorajado para reforçar o entendimento entre Estados e Governos”, afirmou.

Empresas americanas como a Delta Airlines e a Coca-Cola já assumiram compromissos com a implementação do Plano, porém, nenhuma empresa brasileira, até o momento se comprometeu com o projeto, nem esteve presente em Atlanta.

A delegação brasileira foi chefiada pelo embaixador nos EUA, Mauro Vieira, e pelo ministro chefe da SEPPIR.

Valenzuela também destacou que, depois de quatro encontros (Brasília, Salvador, Washington, e Atlanta) agora é a fase de Planejamento com reuniões técnicas, a cada semestre, e reuniões anuais com participação do setor privado e da sociedade civil.

Oportunidades

Do Brasil, cerca de 40 ativistas e lideranças de vários setores - Olimpíadas, Saúde e Educação e Comunicação - participaram da Conferência, participação que se dividiu em várias etapas - inclusive a visita a comunidade haitiana do bairro Little Haiti (Pequeno Haiti), em Miami.

João Bosco Borba, do Coletivo de Empresários Afro-Brasileiros, disse que a visita a Little Haiti, onde vive uma comunidade de cerca de 1 milhão de haitianos, foi uma descoberta para os empreendedores brasileiros. “São muitas as oportunidades de colaboração mútua”, afirmou.

Segundo o sub-secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas, que é responsável pela Coordenação geral do Plano de Ação, a Conferência representou um passo adiante na direção da concretização das ações que levarão a uma maior interação entre os dois países para o enfrentamento das desigualdades raciais.

O coronel Jorge da Silva, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), coordenador de Estuados e Pesquisas em Ordem Pública, Polícia e Direitos Humanos, e o jornalista Paulo Rogério, ao final, destacaram as oportunidades que o Plano abre, em especial, pelo interesse americano em inseri-lo no contexto das relações com o Brasil.

Segundo Rogério, da reunião de Salvador para a de Atlanta, o Plano “deu um salto”. “É possível dizer que o Plano deu um salto nesta conferência. Agora é preciso passar à ações concretas”, afirmou.
 
Júlia Nogueira, Secretária Nacional de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Telma Vicotr, da Secretaria de Formação da CUT/SP e representante do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR) também consideram que daqui para a frente é necessário sair do plano das intenções e partir para a ação com a execução de propostas concretas.
fonte: afropress 22/05/10

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Referência para inúmeros artistas negros, Malcolm X faria 85 anos hoje


Ele era um excelente aluno e um dia resolveu falar para seu professor que queria ser advogado. O mestre riu de sua cara e respondeu que no máximo seria carpinteiro. Essa pequena cena é sintomática na formação do grande Malcolm X, que ao lado de Martin Luther King, é um dos responsáveis pelas conquistas dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e exemplo para as lutas contra o racismo em todo o mundo. O lider que nasceu Malcolm Little e depois, ao se converter ao islamismo, tornou-se El Hajj Malik El Shabazz, faria 85 anos nesta quarta-feira (19), se não fosse tragicamente assassinato em 1965.
Com uma infância paupérrima, sua adolescência e o começo da fase adulta foram na bandidagem até ser preso. Sobre os anos de prisão, ele declarou: “A prisão, depois da universidade, é o melhor lugar para uma pessoa ir, se ela estiver motivada, pode mudar sua vida”. Na cadeia, Malcolm se converteu ao islamismo.

Durante os anos de conversão, divulgou a seita religiosa Nação do Islã que tinha como tese que Deus criou primeiramente o homem negro e o homem branco é uma invenção de um cientista louco negro chamado Yakub.

Expulso da seita por ciúmes de seus participantes, ele funda a Organização da Unidade Afro-Americana. Sua linha de militância passava por 3 pontos vitais: O islamismo, o socialismo e a violência como resposta ao racismo.

E foi exatamente essa mesma violência que o matou, em 1965, com 16 tiros à queima-roupa, transformando o homem em mito.
Sua influência perdura até hoje, seja no rap com Afrika Bambaataa, Public Enemy ou Jay-Z, como no cinema representado na figura de Spike Lee. Até nos esportes ele provocou mudanças, o grande Cassius Clay alterou seu nome para Muhammad Ali por influência das ideias de X. E com certeza, sua figura será sempre acionada enquanto houver racismo no mundo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Polícia e barbárie: alvo é o suspeito padrão!!!

No espaço de trinta dias, dois motoboys assassinados - um sob tortura num quartel da Polícia Militar na Zona Norte e outro espancado até a morte na frente da própria mãe, quando chegava em casa -; um aposentado baleado na cabeça, por um segurança de empresa privada, ao se dirigir a uma agência bancária para receber a primeira parcela da aposentadoria que não pôde usufruir. Só em S. Paulo, na Grande S. Paulo.


Todos negros. Não os únicos; os mais chocantes, talvez.

Todos sabemos que os três casos são apenas os mais recentes. Todos sabemos que, se somados os episódios de violência e morte, de cada cidade, de cada Estado, se teria uma noção, uma idéia mais próxima das dimensões da guerra civil, que está sendo travada e que tem como teatro das operações, principalmente, as periferias das grandes cidades.

O risco que corre um jovem negro no país da democracia racial de ser assassinado é 130% maior que o de um jovem branco, segundo o Mapa da Violência e Anatomia dos Homicídios no Brasil, divulgado pelo Instituto Sangari, com base nos dados do Subsistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.

Só no ano de 2007 mais de 17,4 mil jovens foram assassinados no Brasil, o que representou 36,6% do total ocorrido no país.

Será coincidência, que sejam negros os alvos?

Claro que não. Os dados do Mapa da Violência são eloqüentes demais. Quando numa guerra, as baixas se dão apenas em um dos lados é porque esse lado é o mais fraco, é o mais vulnerável. Quando é o Estado que mata, por meio de agentes pagos pela população, com requintes de selvageria e crueldade; quando o grau de barbárie chega ao ponto de se matar a pancadas, chutes e pontapés um pobre e franzino garoto em frente à sua casa, na presença de sua mãe, como um cão, ou um inseto, estamos diante de algo que repugna, causa horror e nojo a qualquer ser humano, digno dessa condição e atributo. Todos os limites foram ultrapassados.

É impossível falar-se em guerra neste caso, sem se que se explicite a natureza do conflito: trata-se de uma guerra desigual movida por parte de um Estado - que, ao menos no papel, se apresenta ao distinto público como Republicano e Democrático de Direito -, com armamento pesado e com o suporte dos mais sofisticados e caros equipamentos de inteligência.

Se o diagnóstico está feito, porque razão não esboçamos uma reação a essa matança sem fim, acobertada por “pedidos” de desculpas e pelo marketing com que Governos fingem implementar políticas públicas para enfrentar o abismo da desigualdade sócio-étnico-racial?

Por que não temos sequer a capacidade de mobilizar as forças democráticas e progressistas da sociedade, porventura ainda existentes, as mesmas que se uniram nas ruas contra a ditadura, para exigir do Governador de S. Paulo a exoneração imediata de todo o Comando da Polícia Militar, bem como do seu Secretário de Segurança Pública, incompetentes para coibir a onda de violência, que começa a assumir ares de chacina pública?

A resposta é simples: não temos um Movimento Negro protagonista capaz de cobrar de Governos um paradeiro para esses massacres à céu aberto; temos poucas lideranças capazes de enxergar para além dos próprios umbigos; não temos entidades - ou como alguns preferem chamar pomposamente de organizações - com capacidade de esboçar ações unitárias.

Os que não estão presos à lógica dos “puxadinhos” (dos Partidos, dos Governos, ou na Academia), preferem o atalho - que não deixa também de ser uma espécie de puxadinho - do discurso prenhe de fórmulas, de raiva e ressentimento, rosário de clichês de uma sub-esquerda negra, incapaz de um mínimo de análise da realidade, tampouco de qualquer ação.

O grande debate que hoje ocupa espaço nas cabeças de uma certa militância é o casamento inter-racial. Um homem negro casado com uma branca? Oh! blasfêmia inominável, dizem os puristas e o seu esquadrão patrulheiro de usos e costumes, o último guardião da pureza racial, que deve-se se manter intacta, a qualquer custo e a qualquer preço.

À propósito, antes que os patrulheiros de plantão se pintem para a guerra, antecipo: considero o projeto de quem acha que relações amorosas devem se subordinar a lógica das relações raciais, de índole absolutamente totalitária, uma espécie de racismo primitivo que, na melhor das hipóteses constitui a expressão de espíritos tacanhos e, na pior, resulta em nazismo, puro e simples.

Não temos um Movimento Negro digno de todos os negros e os aliados anti-racistas, ainda - embora a luta de resistência dos negros e pobres por Justiça e Liberdade, Democracia, Direitos, tenha a idade do país.

E não temos porque nenhum movimento social digno desse nome pode abdicar da política como instrumento de ação, numa sociedade de classes, capitalista, vale dizer, profundamente dividida por interesses e em que os grupos que detém e monopolizam os meios de produção - e por extensão, o Estado -, mantém privilégios seculares às custas de modelos de exclusão da massa pobre em que negros são a imensa maioria.

Um Movimento Social que abdica de fazer política, na verdade faz a política dos que cotidiana e rotineiramente nos massacram. Na prática, o que faz é uma opção pelo conservadorismo. É reacionário na essência, porque desarma os despossuídos, os desvalidos, do único instrumento de que dispõem para mudar o rumo das coisas.

Mas, não serão as nossas lideranças extremamente politizadas? Não temos entre os nossos quadros, os negros do PT, do PMDB, do PSDB, do PC do B, do PTB, do PSOL, até negros do DEM - o partido dos herdeiros da Casa Grande? Sim, é verdade.

Temos políticos negros fazendo e submetidos à agenda de todos os partidos, subordinados às suas direções, que reproduzem - conscientemente ou não - o racismo institucional que permeia todas as relações sociais, econômicas, políticas e de poder.

Porém, não temos negros políticos, com capacidade de usar os Partidos existentes para influenciar a sua pauta, para romper com os limites impostos por suas direções (todas adeptas do mito/mentira da democracia racial) e para impor a agenda de um movimento social que, representa, no mínimo os interesses da banda excluída do país.

Este é o quadro que se mantém intacto e que explica porque diariamente continuam sendo mortos - por bala perdida, nas chacinas, no tráfico ou nas mãos da polícia -, Eduardos, Alexandres, Domingos...

Quem serão os próximos? Até quando?




São Paulo, 11/5/2010

Dojival Vieira
Jornalista Responsável
Registro MtB: 12.884 - Proc. DRT 37.685/81
Email: dojivalvieira@hotmail.com; abcsemracismo@hotmail.com

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Dilma defende cotas raciais e diplomatas negros no Itamaraty

A pré-candidata à presidência pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, defendeu nesta sexta-feira (14) a continuidade de políticas raciais afirmativas, com a adoção de cotas em universidades e uma maior formação de diplomatas brasileiros negros.
"O que nos une é o compromisso de que isso vai continuar, que vamos continuar fazendo políticas afirmativas e de cotas, queiram eles (oposição) ou não queiram", disse a ex-ministra da Casa Civil, defendendo ainda maior empenho dos governantes em políticas de cunho social para a população negra.
"Quando tiramos 24 milhões da miséria, sabemos que outros ficaram na miséria e na pobreza e que temos que assumir compromisso com o fim da miséria nessa década. Entre os pobres está um contingente enorme da população negra, e isso não podemos aceitar", afirmou a pré-candidata, que participou do Encontro Nacional de Negros e Negras do PT e cobrou maior formação de diplomatas negros.
"Temos de ter negros no Itamaraty e esse é um compromisso do presidente Lula, que fez a política mais afirmativa. O Brasil estava voltado de costas para a África desde a época do trafico negreiro. Fizemos muita coisa. Não é o suficiente porque são séculos e séculos de desatenção e descaso", afirmou, completando: "o movimento negro tem que procurar políticas permanentes".
Sem citar nominalmente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma destacou que o País vivia uma situação de "estagnação", "sem espaço e condições" de melhoria da população pobre. O mesmo teor de críticas a FHC foi utilizado no programa partidário petista que foi ao ar em dezembro do ano passado e se tornou ontem alvo de multa por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"O Brasil construiu condições que são muito importantes para que uma parte expressiva da nossa população tenha mobilidade, (...) que as pessoas possam mudar de vida, não ter mais aquela obrigação de ficar sempre estagnado em um determinado momento. Ate o início de 2003 (havia) estagnação, desemprego, desigualdade e sem espaços e sem muitas condições para tecer e armar nossa luta. O presidente Lula construiu um novo momento de prosperidade, e o Brasil abriu um caminho pelo qual sua população pode trilhar e ter certeza que podemos transformar esse País em uma grande nação", disse Dilma.
"Isso não vai parar, vamos levar isso a frente. Se o Brasil mudou, mudou porque tivemos a capacidade de construir as condições para ele mudar", destacou a pré-candidata do PT.
fonte: site do terra do dia 14/05/10

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Maioria de quem vive em condição de escravo é negra

Três de cada quatro trabalhadores submetidos a situações análogas à escravidão são negros (pretos ou pardos), segundo estudo do professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O estudo foi elaborado a partir do cadastro de beneficiados pelo Programa Bolsa Família, do Governo Federal.

São consideradas situações análogas à escravidão pessoas trabalhando em situações degradantes, com jornada exaustiva, dívidas com o empregador que o impedem de largar o posto e correndo risco de serem mortas.

Segundo o Estudo, pretos e pardos representam 73% de trabalhadores nessa condição, apesar de representarem 51% da população brasileira. O estudo utilizou como critério, o mesmo usado pelo IBGE, a autodeclaração, a partir das cinco opções disponíveis - preto, pardo, amarelo, indígena e branco.

Paixão disse que o estudo demonstra que a cor do escravo de ontem se reproduz nos dias de hoje. “Os negros e índios, escravos do passado, continuam sendo alvo de situações em que são obrigados a trabalhar sem direito ao próprio salário. É como se a escravidão se mantivesse como memória”, acrescentou.

De acordo com estudos do IBGE, pretos e pardos também representam a maioria da população mais pobre: eles são 74% entre os 10% mais pobres.

Paixão frisou que ainda que hoje a cor não seja o único fator a determinar que um trabalhador esteja numa condição análoga à escravidão, a conclusão do estudo não deixa dúvidas: ser preto e pardo no Brasil eleva - e muito - a possibilidade de equivalência à condição de escravo.
Fonte: Afropress - 13/5/2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

SETE ATOS OFICIAIS QUE DECRETARAM A MARGINALIZAÇÃO

SETE ATOS OFICIAIS QUE DECRETARAM A MARGINALIZAÇÃO
Frei David Santos



1º ATO OFICIAL: IMPLANTAÇÃO DA ESCRAVIDÃO NO BRASIL

Através da Dum Diversas ao Rei de Portugal, Afonso V o papa Nicolau diz: “...nós lhe concedemos, por este documento, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades... E REDUZIR SUAS PESSOAS À PERPÉTUA ESCRAVIDÃO, E APROPRIAR E CONVERTER EM SEU USO E PROVEITO E DE SEUS SUCESSORES...”,

Apoiados nesse documento, os reis de Portugal e Espanha promoveram uma DEVASTAÇÃO do continente africano, matando e escravizando milhões de habitantes.



2º ATO OFICIAL: LEI COMPLEMENTAR À CONSTITUIÇÃO DE 1824

“... pela legislação do império os negros não podiam freqüentar escolas, pois eram considerados doentes de moléstias contagiosas.”

Os poderosos do Brasil sabiam que o acesso ao saber é uma alavanca de ascensão social, econômica e política de um povo.

Com este decreto, a população negra foi encurralada nos porões da sociedade.

Juridicamente, este decreto agiu até 1889, com a proclamação da República. Na prática a intenção do decreto funciona até hoje.

3º ATO OFICIAL: LEI DE TERRAS DE 1850, N.º 601

Quase todo o litoral brasileiro estava povoado por QUILOMBOS.

O sistema, percebendo o crescimento do poder econômico do negro e que os brancos do interior estavam perdendo a valiosa mão -de- obra para sua produção, decretam a LEI DA TERRA:

“... a partir desta nova lei as terras só poderiam ser obtidas através de compra. Assim, com a dificuldade de obtenção de terras que seriam vendidas por preço muito alto, o trabalhador livre teria que permanecer nas fazendas, substituindo os escravos”.

A partir daí o exército brasileiro passa ter como tarefa, destruir os quilombos, as plantações e levar os negros de volta as fazendas dos brancos. O exército exerceu esta tarefa até 25 de outubro de 1887 quando um setor solidário ao povo negro cria uma crise interna no exército e comunica ao Império que não mais admitirá que o exército seja usado para perseguir os negros que derramaram seu sangue defendendo o Brasil na guerra do Paraguai.

A lei de terras não foi usada contra os imigrantes europeus.

Segundo a coleção “Biblioteca do Exército” considerável parcela de imigrantes receberam de graça grandes pedaços de terras, sementes e dinheiro. Isto veio provar que a lei de terras tinha um objetivo definido: tirar do negro a possibilidade de crescimento econômico através do trabalho em terras próprias e embranquecer o país com a maciça entrada de europeus.



4º ATO OFICIAL: GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870)

Foi difundido que todos os negros que fossem lutar na guerra, ao retornar receberiam a liberdade e os já livres receberiam terra. Além do mais, quando chegava a convocação para o filho do fazendeiro, ele o escondia e no lugar do filho enviava de cinco a dez negros.

Antes da guerra do Paraguai

População negra do Brasil: 2.500.000 pessoas (45% do total da população brasileira).

Depois da guerra

População negra do Brasil: 1.500.000 pessoas (15% do total da população brasileira).

5º ATO OFICIAL: LEI DO VENTRE LIVRE (1871)

Esta lei até hoje é ensinada nas escolas como uma lei boa: “Toda criança que nascesse a partir daquela data nasceria livre.”

Na prática, esta lei separava as crianças de seus pais, desestruturando a família negra. O governo abriu uma casa para acolher estas crianças. De cada 100 crianças que lá entravam, 80 morriam antes de completar um ano de idade.

O objetivo desta lei foi tirar a obrigação dos senhores de fazendas de criarem nossas crianças negras, pois já com 12 anos de idade as crianças saíam para os QUILOMBOS à procura da liberdade negada nas senzalas. Com esta lei surgiram os primeiros menores abandonados do Brasil.



6º ATO OFICIAL: LEI DO SEXAGENÁRIO (1885)

Também ensinada nas escolas como sendo um prêmio do “coração bom” do senhor para o escravo que muito trabalhou.

“Todo escravo que atingisse os 60 anos de idade ficaria automaticamente livre”.

Na verdade esta lei foi a forma mais eficiente para jogar na rua os velhos doentes e impossibilitados de continuar gerando riquezas para os senhores de fazendas, surgindo assim os primeiros mendigos nas ruas do Brasil.

7º ATO OFICIAL: DECRETO 528 DAS IMIGRAÇÕES EUROPÉIAS (1890)

No poder, o partido Republicano: a industrialização do país

A industria precisava de : matéria prima e mão de obra.

Matéria prima no Brasil não era problema.

Quanto à mão de obra, o povo negro estava aí, disponível! A mão de obra passou a ser problema quando o governo descobriu que se o negro ocupasse as vagas nas indústrias, iria surgir uma classe média negra poderosa e colocaria em risco o processo de embranquecimento do país. A solução: decretar, no dia 28 de junho de 1890 a reabertura do país às imigrações européias e definir que negros e asiáticos só poderiam entrar no país com autorização do congresso.


E quando a cota é pra negro todo mundo se indigna mas disso ninguém lembra!!!