Nego Drama

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ex-ministro da SEPPIR assumirá Palmares

Brasília - O ex-ministro da SEPPIR, Elói Ferreira de Araújo, acaba de ser confirmado pela ministra da Cultura, Anna de Hollanda, como o novo presidente da Fundação Cultural Palmares, em substituição a Zulu Araújo.
Elói Ferreira de Araújo, novo presidente da Fundação Cultural Palmares


O ex-ministro, inicialmente pretendia permanecer à frente da SEPPIR, onde estava desde 1º de abril de 2010, quando substituiu o ex-ministro e deputado deferal reeleito pelo PT do Rio, Edson Santos. Chegou a autorizar o lançamento de um manifesto com a defesa do seu nome e anunciar planos para o caso de ser confirmado pela Presidente Dilma Rousseff.

No período em que esteve à frente da SEPPIR, Elói conduziu as negociações que resultaram na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, sendo o principal interlocutor, juntamente com o senador Paulo Paim e com o próprio Edson Santos, das conversas com o Partido Democratas (DEM), para aprovar o projeto, com modificações que, segundo expressivos setores do movimento negro, acabaram por desfigurá-lo.

Durante o período em que esteve à frente da SEPPIR, Elói acabou por se afastar do deputado e ex-ministro, considerado o principal defensor da sua permanência no cargo. Embora não rompidos, as relações políticas de ambos, de acordo com um observador bem situado, “estão estressadas”.

Carreira

Elói Ferreira de Araújo foi chefe de gabinete de Edson Santos, durante os cinco mandatos exercidos pelo atual deputado como vereador na Câmara do Rio. Desde 1.990 é bacharel em Direito, tendo, em 2002, concluído o Mestrado em Engenharia de Transportes pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O novo presidente da Fundação Palmares militou no PC do B entre 1.981 a 1.993, quando retornou ao PT, Partido de cuja fundação participou.



Fonte: Afropress

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mário Theodoro será o novo secretário executivo da SEPPIR

Brasília - O economista Mário Lisboa Theodoro, 53 anos, diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), é o novo Secretário-Adjunto da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e deve assumir o cargo no próximo dia 1º de fevereiro.
Mário Lisboa Theodoro


Afropress apurou que a transição com o atual secretário executivo, João Carlos Nogueira, até já teria ocorrido e o anúncio da escolha pela ministra chefe, Luiza Bairros, deverá dar início a mudança de toda a equipe dirigente sob a gestão do ex-ministro Elói Ferreira de Araújo.

A nova ministra também já teria escolhido a historiadora Wânia Santana, do Rio, que deverá assumir a Secretaria de Planejamento e a professora Silvany Euclênio, de Ribeiro Preto, cuja função não teria sido ainda definida.

Carreira

O novo secretário executivo da SEPPIR é formado em ciências econômicas pela Universidade de Brasília (UnB), e é mestre em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco.

Theodoro também é doutor em economia pela Université Paris I – Sorbonne, e pesquisador associado ligado ao Mestrado em Política Social da UnB desde 1.999. Antes de assumir ele foi técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA em 1.986 e 2003 e pertence ao quadro de consultores legislativos do Senado Federal desde 2003.

Ele foi o responsável pelo documento com reivindicações, entregue ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, elaborado pelos organizadores da Marcha Zumbi + 10, em 2005, que reuniu cerca de 20 mil ativistas na Esplanada dos Ministérios em Brasília.

A Marcha, que teve como um dos organizadores, o jornalista Edson Cardoso, acabou por expor profundas divisões no Movimento Negro, ao opor publicamente ativistas ligados a Organizações Não-Governamentais, com apoio de instituições internacionais, especialmente norte-americanas, e forte presença na Academia, e ativistas militantes de Partidos políticos – em especial PT e PC do B.

Esses grupos acabariam por realizar outra Marcha no dia 22 de novembro – data que lembra a Revolta da Chibata e o heroísmo de João Cândido. As duas Marchas tiveram audiência no Planalto, porém, o Governo nunca deu uma resposta formal às reivindicações.

Dança das cadeiras

A troca da equipe de comando da SEPPIR deve acontecer na primeira quinzena de fevereiro, segundo apurou Afropress. A nova ministra pretenderia manter apenas Ivonete Carvalho, que assumiria a Secretaria de Comunidades Tradicionais, em lugar de Alexandro Reis, ativista do PC do B e da UNEGRO, que perderia espaço também com a saída do ex-deputado e assessor parlamentar Benedito Cintra.

Além de Reis, outro que deverá deixar a SEPPIR é Martvs Chagas, Secretário de Ações Afirmativas, um dos responsáveis pela articulação que resultou na Secretaria, em março de 2003. Chagas chegou a ocupar o cargo de ministro interino, após a queda da ex-ministra Matilde Ribeiro, exonerada, em fevereiro de 2008, por envolvimento no escândalo dos cartões corporativos.

Ao contrário de informações que, num primeiro momento, circularam na Esplanada, também deverá deixar o cargo, o Ouvidor, advogado Humberto Adami, funcionário licenciado do Banco do Brasil.

Adami foi o único dirigente que, tornou público ter sido recebido por três horas pela nova ministra “o que nunca antes tinha ocorrido”, o que teria sido entendido por alguns, como sinal da prestígio para continuar na nova equipe.

Sabe-se, porém, que, apesar de ser um nome ligado ao grupo político da qual a ministra seria mais próxima e do qual fazem parte figuras como o próprio Edson Cardoso, de quem é cunhado, Sueli Carneiro e Jurema Werneck, o Ouvidor também deverá ser sacado.



Fonte: Afropress

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dilma tira crucifixo do gabinete. Falta o resto do país - por Leonardo Sakamoto


A Folha de S. Paulo, deste domingo, traz a informação de que a presidenta Dilma Rousseff, em sua primeira semana de trabalho, retirou o crucifixo da parede de seu gabinete e a bíblia de sua mesa. Foi uma medida simples, mas carregada de um simbolismo que surpreende.
Defendo fortemente que o exemplo seja seguido por todos os que ocupam cargos públicos no país. Dilma afirmou ser católica durante as eleições (ok, como disse na época, eu ainda aposto que ela e José Serra são, no limite, agnósticos – mas vá lá), mas não foi eleita para representar apenas cristãos e sim cidadãos de todas as crenças – inclusive os que acreditam em nada.


A questão da retirada de crucifixos, imagens e afins de repartições públicas gerou polêmicas ao longo da história a partir do momento em que um Estado se afirma laico (e não desde o lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, como querem fazer crer o pessoal do “não li, mas não gostei”). A França retirou os símbolos religiosos de sedes de governos, tribunais e escolas públicas no final do século 19. Nossa primeira Constituição republicana já contemplava a separação entre Estado e Igreja, mas estamos 120 anos atrasados em cumprir a promessas dos legisladores de então.
Em janeiro do ano passado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou uma nota em que rejeitou “a criação de ‘mecanismos para impeder a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União’, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas”.
Adoro quando alguém apela para as “raízes históricas” para discutir algo. Na época, lembrei que a escravidão está em nossas raízes históricas. A sociedade patriarcal está em nossas raízes históricas. A desigualdade social estrutural está em nossas raízes históricas. A exploração irracional dos recursos naturais está em nossas raízes históricas. A submissão da mulher como reprodutora e objeto sexual está em nossas raízes históricas. As decisões de Estado serem tomadas por meia dúzia de iluminados ignorando a participação popular estão em nossas raízes históricas. Lavar a honra com sangue está em nossas raízes históricas. Caçar índios no mato está em nossas raízes históricas. E isso para falar apenas de Brasil. Até porque queimar pessoas por intolerância de pensamento está nas raízes históricas de muita gente.
Quando o ser humano consegue caminhar a ponto de ver no horizonte a possibilidade de se livrar das amarras de suas “raízes históricas”, obtendo a liberdade para acreditar ou não, fazer ou não fazer, ser o que quiser ser, instituições importantes trazem justificativas fracas como essa, que fariam São Tomás de Aquino corar de vergonha intelectual. Por outro lado, o pessoal ultraconservador tem delírios de alegria.
A ação da presidenta não foi a única. Em 2009, o Ministério Público do Piauí solicitou a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos, atendendo a uma representação feita por entidades da sociedade civil e o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro mandou recolher os crucifixos que adornavam o prédio e converteu a capela católica em local de culto ecumênico. Algumas dessas ações têm vida curta, mas o que importa é que percebe-se um processo em defesa de um Estado que proteja e acolha todas as religiões, mas não seja atrelado a nenhuma delas.
É necessário que se retirem adornos e referência religiosas de edifícios públicos, como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Não é porque o país tem uma maioria de católicos que espíritas, judeus, muçulmanos, enfim, minorias, precisem aceitar um símbolo cristão em um espaço do Estado. Além disso, as denominações cristãs são parte interessada em várias polêmicas judiciais – de pesquisas com célula-tronco ao direito ao aborto. Se esses elementos estão escancaradamente presentes nos locais onde são tomadas as decisões sem que ninguém se mexa para retirá-las, como garantir que as decisões serão isentas?
Como já disse aqui antes, o Estado deve garantir que todas as religiões tenham liberdade para exercer seus cultos, tenham seus templos, igrejas e terreiros e ostentem seus símbolos (tem uma turma dodói da cabeça que diz que isso significaria a retirada do Cristo Redentor do morro do Corcovado – afe… por Nossa Senhora!). Mas não pode se envolver, positiva ou negativamente, em nenhuma delas. Estado é Estado. Religião é religião.
Como é difícil uma democracia respeitar suas minorias.
Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política.

Fonte: Blog do Sakamoto

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Elói Ferreira de Araújo na Fundação Cultural Palmares ???

 Fonte ligada ao Ministério da Cultura indica que Elói Ferreira de Araújo será o novo presidente da Fundação Cultural Palmares


Tudo indica que o Partido dos Trabalhadores (PT) não se contentará apenas com o cargo principal do Ministério da Cultura (MinC), entregue à cantora Ana Buarque de Hollanda. O Partido da presidente Dilma, que vinha reclamando de desprestígio nas gestões Gil e Juca – ambos ligados ao Partido Verde -, agora volta com força ao cobiçado ministério. É dado como certo que, além da ministra, o PT terá mais dois importantes cargos no MinC: o ator Antonio Grassi voltará à presidência da Fundação Nacional das Artes (Funarte), cargo que exerceu na primeira gestão do ministro Gil, e Elói Ferreira de Araújo, que acaba de deixar a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR, assumirá a presidência da Fundação Cultural Palmares, unidade do MinC voltada às políticas para a cultura negra.     
Elói Ferreira assumiria o cargo no lugar do arquiteto e produtor cultural baiano Zulu Araújo, que está na Fundação Cultural Palmares há oito anos – primeiro como diretor de promoção cultural (entre 2003-2006), depois como presidente. Se a substituição de Zulu Araújo por Elói Ferreira se confirmar, será uma mudança significativa à frente da Fundação Palmares, evidenciando o critério partidário, pois, ao que se sabe, o ex-ministro não possui trajetória na área cultural. Zootecnista e advogado, Elói Araújo é militante histórico do PT e foi assessor do gabinete do vereador Edson Santos (RJ), desde 1989, em cinco mandatos consecutivos. Em 2008, Elói acompanhou Edson Santos quando este se tornou ministro da SEPPIR, como secretário-adjunto, substituindo-o em 2010, quando Edson deixou o ministério para mais uma disputa eleitoral.
Conforme afirmou o então ministro Gilberto Gil, em 2007, durante a posse de Zulu Araújo, além de incentivar a produção cultural negra, a Fundação Cultural Palmares ganhou na gestão do presidente Lula o status de incrementar o intercâmbio cultural entre o Brasil e os países africanos. Uma das mais recentes ações da Fundação Palmares foi a promoção da cultura brasileira no Festival das Artes Negras – Fesman, que ocorreu em dezembro, no Senegal.
A Fundação Cultural Palmares é também a instituição responsável pela emissão da Certidão de Autorreconhecimento às comunidades remanescentes de quilombos. Após emitir o certificado, a Palmares oferece assistência jurídica para que a comunidade adquira o documento definitivo de posse da terra emitido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) - ou seja, a titulação, que garante a propriedade do território e a autonomia da comunidade.

FONTE: André Luís Santana (da Redação do Correio Nagô)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Itamaraty terá cotas para negros

Brasília - O Ministério das Relações Exteriores terá cotas de 10% para negros a partir de 2011, no concurso que selecionará diplomatas. A portaria com o novo critério foi publicada no Diário Oficial da União na semana passada.



O concurso, aplicado pelo Instituto Rio Branco, deverá acontecer no primeiro semestre do ano que vai e oferecerá 26 vagas. Os candidatos negros, serão identificados pelo critério da autodeclaração no momento da inscrição. As cotas serão aplicadas somente na segunda das quatro fases da seleção. 

De acordo com o Itamaraty, as exigências para o candidato chegar à segunda fase não serão alteradas. Atualmente, o concorrente precisa acertar, no mínimo, 40% das questões da prova objetiva, composta por questões como língua portuguesa, história do Brasil, política internacional, língua inglesa, entre outras. Para passar para a fase seguinte, também precisa estar entre as 300 melhores notas.

Entre a segunda e terceira fase das provas, o candidato precisará acertar, no mínimo, 60% do total da prova a fim de passar para a quarta e última fase.

“A ideia é que a pessoa passe no concurso pelos seus próprios méritos. O instituto vai facilitar um pouco mais na segunda fase para os afrodescendentes, mas a seleção vai seguir os mesmos rigores”, informou a Assessoria de Imprensa.

O concurso do Instituto Rio Branco é considerado um dos mais disputados do Brasil. Em 2010, foram oferecidas 108 vagas para 13.771 inscritos. Todos os 108 aprovados já foram nomeados, segundo o Itamaraty. As provas do próximo ano, que ainda não têm data marcada, serão realizadas em todas as capitais do país. O edital do concurso deve ser publicado até o final de fevereiro.



fonte: Afropress

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

CNPIR tem novos conselheiros para biênio 2010-2012


Evento de posse também marca a entrega de decretos e títulos de terra a comunidades quilombolas
O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) passou a ser composto por 44 membros, representantes do governo e sociedade civil.  A cerimônia de posse aconteceu, na última terça-feira 14 de dezembro, no Salão Monumental II, do Hotel Grand Bittar, em Brasília.
Os novos integrantes do CNPIR assumirão o conselho para o biênio 2010-2012, com a finalidade de propor, em âmbito nacional, políticas públicas para a população negra e outros segmentos raciais e étnicos do país.
Durante o discurso de posse, um dos novos conselheiros, Cristiano Xadê, que representa a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), destacou que o órgão é uma das vozes da SEPPIR, trabalhando por uma sociedade mais justa  com representação de povos negros, indígenas, ciganos, palestinos . “Temos que estar mais atuantes”, concluiu.
A representante da Secretaria Geral da Presidência da República no CNPIR, Quenes Gonzaga, fez uma apresentação das atividades e programas realizados pela SEPPIR nesses oito anos de governo. Para o ministro Eloi Ferreira de Araujo “este é um momento de balanço. Nesses oito anos, o Brasil avançou muito na questão racial, mas muito ainda tem que ser feito. O presidente Lula chamou atenção do estado brasileiro para combater o racismo. Um gesto de sensibilidade e coragem”.
O evento também marcou a entrega de decretos e títulos de terra para as comunidades quilombolas. O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Rolf Rackbart e o ministro da Igualdade Racial, Eloi Ferreira de Araujo fizeram a entrega dos certificados dos decretos que declaram de interesse social, para fins de desapropriação, os imóveis abrangidos pelos  territórios quilombolas de Dandá, no município de Simões Filho, na Bahia; Kalunga do Mimoso, de Arraias e Paraná, no  Tocantins; Salamina Putumuju,no município de Maragojipe, na Bahia; Parateca e Pau D’Arco, no município de Malhada, na Bahia; Serraria e São Cristóvão, município de São Mateus, no Espírito Santo; Invernada dos Negros, no município de Campos Novos e Abdon Batista, Santa Catarina; Casca, município de Mostarda, Rio Grande do Sul e Morro Seco, município de Iguape, São Paulo.
Segundo o presidente do INCRA,  “hoje já são 11 mil famílias beneficiadas. 119 relatórios de decreto e titulação foram publicados e nenhum foi negado. Por isso, se organizem, busquem mais unidade” orientou Rolf Rackbart.
De acordo com levantamento da Fundação Cultural Palmares, atualmente há no Brasil, 3.524 comunidades identificadas. Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul concentram a maior quantidade de comunidades remanescentes de escravos do país.
Por Comunicação Social da SEPPIR/PR

Pelotense vence concurso Top Mirim da Xuxa


A pelotense Alice Farias Ávila, de apenas quatro anos, acaba de ser consagrada vencedora do concurso Top Mirim, organizado pelo programa TV Xuxa, da Rede Globo. Desfiles, sessões de fotografia, filmagens e aulas, algumas delas inclusive dadas pela própria Rainha dos Baixinhos, decidiram os rumos da competição. 

Foram duas semanas no Rio de Janeiro dedicadas aos treinos e gravações, que ocorriam diariamente, das 10h às 17h30min. “Eu gostava mais de desfilar. Quem me ensinou foi o meu pai. A gente começou a treinar antes, em casa”, diz a vencedora.
Na final, exibida na manhã deste sábado (18), Alice foi avaliada junto a outras duas meninas por Angélica, Fernanda Tavares, Solange Meneghel e Eli Hadid, da agência Mega Models. Com 115 pontos, a pelotense desbancou Maria Vitória Ferreira (113) e Luísa Bastos (110).

A mãe, Geneci Ávila, conta que muitas pessoas se surpreendiam ao se deparar com a “menina da Xuxa” pelas ruas e que a pequena inclusive já foi abordada por fãs que buscavam uma foto com a minicelebridade. “Uma mulher parou perguntando se era ela. Desceu do carro e pediu para tirar foto”, conta Geneci, que disse já ter saído com a filha disfarçada, de tranças e boné, para esconder a cabeleira. “Nem assim adiantou”.

A Top Mirim 2010, foi presenteada com um book, um vídeo book, um contrato com uma agência de modelos e já foi fotografada por grandes nomes como Fernando Torquato. Cheia de planos, a pequena modelo já sabe onde investir os prêmios conquistados. “Quero comprar o meu quarto. Todo rosa”, adianta.
fonte: Diário Popular

sábado, 11 de dezembro de 2010

Luiza Barrios é a ministra da SEPPIR com benção de Wagner



Brasília - Nem Vicentinho, como queria a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) – articulação de lideranças mais próximas ao PT -, nem Elói, como pretendia o grupo do ex-ministro Edson Santos, atualmente no poder: a nova ministra chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) é a socióloga Luiza Barrios, atualmente Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Bahia.




Ela aceitou o convite da presidente eleita Dilma Rousseff e se comprometeu a costurar apoio de movimentos sociais ao seu nome, como condição para que seja confirmada no cargo. Barrios, é gaúcha, ligada ao PT e preenche outros dois critérios adotados pela nova presidente: é mulher e negra.

Além de ter caído nas graças de Dilma, que teria se encantado com a sua desenvoltura, desde quando a presidente era ministra da Casa Civil, a nova ministra teve ainda a benção do governador baiano, Jacques Wagner.

Com o anúncio de Barrios confirmada – já que o apoio dos movimentos sociais a que se refere são negociações com a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), corrente ligada ao PC do B, e com a própria CONEN, que reúne os negros ligados ao PT – saem derrotados, a própria CONEN, especialmente os negros de S. Paulo, e o grupo do ex-ministro Edson Santos, que apostou suas fichas na manutenção do atual ministro Elói Ferreira de Araújo, no cargo.

Em entrevista esta semana à Afropress o ministro celebrou o lançamento de um manifesto de lideranças do Rio em apoio ao seu nome e disse que aceitaria permanecer, preocupado em não criar constrangimentos à presidente eleita. Chegou a antecipar planos, caso viesse a ser convidado, como construir o Museu da Escravidão.

Por sua vez, os apoiadores de Vicentinho também lançaram manifesto em que destacam sua história política no movimento sindical e a luta contra o racismo.
                
                 Por: REDAÇÃO  - Fonte: AFROPRESS - 11/12/2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Benedita da Silva se Solidariza Com Cabral por Ocupar Favelas no Rio.

Rio - As cenas de guerra transmitidas ao vivo pela TV, em que se vêem, de um lado, bandos de homens armados fugindo desesperados e, de outro, famílias inteiras querendo escapar ao cerco das forças militares apoiados por blindados da Marinha de Guerra, não foram suficientes para quebrar o silêncio dos parlamentares negros cariocas eleitos nas eleições de outubro.


Ocupação do Morro do Alemão


Tanto o ex-ministro chefe da SEPPIR, Edson Santos, quanto Benedita da Silva, ex-governadora, ex-ministra e ex-secretária de Ação Social do Estado (foto), optaram, em seus blogs, por ignorar o tamanho da tragédia humana para as milhares de famílias – a maioria das quais negras – alvo dos efeitos colaterais da guerra com o tráfico. 


Ex Governadora do RJ Benedita da Silva


A ex-governadora chegou a comentar em seu blog ter visto “aquelas imagens assustadoras da fuga de criminosos pelas matas da Vila Cruzeiro, na Penha". “Pudemos distinguir o grande número de jovens negros entre os fugitivos. Espero que esta semana tenha trazido luz à consciência das diversas entidades representativas do segmento afrodescente para que, acima das vaidades pessoais e cores partidárias, unam-se, lutem e participem verdadeiramente das ações pela igualdade racial”, escreveu, fazendo questão de se solidarizar não com as famílias, mas com seu aliado político. "Governador Sérgio Cabral, estamos juntos”, afirmou.

Quilombo

Antes de se tornar favela, a Vila Cruzeiro era reconhecida como Quilombo da Penha, formado no final do século XIX - logo após a Abolição – nas vizinhanças da Igreja de Nossa Senhora da Penha, a quem pertencia as terras de uma fazenda doadas por seu proprietário à Irmandade católica. A formação do Quilombo deveu-se a atuação de um padre abolicionista e republicano. O Santuário foi visitado pela Princesa Isabel, 18 dias antes de proclamada a Lei Áurea. 
Já o ex-ministro chefe da SEPPIR, Edson Santos, eleito com os votos majoritários de negros dessas comunidades, preferiu ser mais cauteloso: optou pelo silêncio.


Dep. Edson Santos e ex Ministro da Seppir

Rompendo o silêncio

Ao contrário da ex-governadora e ex-ministra e ex-secretária da Ação Social, que preferiu a comodidade do “aplauso” ao governador Sérgio Cabral, o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembléia Legislativa do Rio, deputado Marcelo Freixo, do PSOL, escreveu para a coluna Tendências e Debates, da Folha de S. Paulo, na edição deste domingo, 28/11, que “Não há vencedores”.

“Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a Polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo”, afirma.

Freixo, que não é negro, nem tem qualquer vinculação com o Movimento Negro, acrescenta. “Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática”. 


Dep. Marcelo Freixo

Ao comentar o fato de que 99% das pessoas que habitam o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro são trabalhadores negros e que as “dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, (...) em fuga pelo meio do mato” (...)“com as armas nas mãos e cabeças vazias”, (...) “não defendem ideologia” (...)“não disputam o Estado”, (...)"a maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa”, Freixo, termina. “Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário...”

Prá onde vão

Segundo o economista e professor do Ibmec-RJ, Sérgio Ferreira Guimarães, subsecretário da Adolescência e Infância da Secretaria de Estado e Ação Social, o tráfico, no Rio, emprega 16 mil pessoas, vende mais de cem toneladas de droga e arrecada R$ 633 milhões por ano. O total de empregos é o mesmo da Petrobrás na capital fluminense e a arrecadação equivale a do setor setor têxtil no Estado.

Segundo o mesmo estudo, o tráfico vende o equivalente a cinco vezes mais do que ao total de apreensão anual de cocaína pela Polícia Federal, em todo o país.

Em relação a mão de obra, o pesquisador utilizou estudo da ONG Observatório de Favelas sobre a participação no tráfico de jovens residentes em comunidades e projeções da polícia. Só o complexo do Alemão que está sendo invadido pelas tropas e representa a principal fonte de renda do mercado de de droga hoje no Rio, tem faturamento anual estimado em R$ 8 milhões, de acordo com a Polícia. 

Modelo da ditadura

Para o professor Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e um dos autores do roteiro do filme Tropa de Elite 1 "o modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania".

"A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável. Ineptas para identificar erros, as polícias condenam-se a repeti-los. Elas são rígidas onde teriam de ser plásticas, flexíveis e descentralizadas; e são frouxas e anárquicas, onde deveriam ser rigorosas. Cada uma delas, a PM e a Polícia Civil, são duas instituições: oficiais e não-oficiais; delegados e não-delegados", escreveu ele em seu blog.
Luiz Eduardo Soares
Segundo Luiz Eduardo "o tráfico que ora perde poder e capacidade de reprodução só se impôs, no Rio, no modelo territorializado e sedentário em que se estabeleceu, porque sempre contou com a sociedade da polícia, vale reiterar". "Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios –as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia", continou.

"Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção? Como se refundarão as instituições policiais para que os bons profissionais sejam, afinal, valorizados e qualificados? Como serão transformadas as polícias, para que deixem de ser reativas, ingovernáveis, ineficientes na prevenção e na investigação?", conclui.


FONTE: AFROPRESS

sábado, 27 de novembro de 2010

Mv Bill - SOLDADO DO MORRO HIGH QUALITY

Com este vídeo da para ver a real situação da CIDADE MARAVILHOSA!! O recado já era dado, mas infelizmente nossos "POLÍTICOS" preferem votar em mais presídios do que em escolas...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vicentinho lança balão de ensaio para assumir a SEPPIR

S. Paulo - Mesmo admitindo não ter sido convidado, nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem pela presidente eleita Dilma Rousseff, o deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, se auto-lançou para assumir o cargo de ministro chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade (SEPPIR), na sucessão do atual ministro, Elói Ferreira de Araújo.

“Ninguém falou comigo. Todo mundo comenta isso, inclusive na Câmara, mas ninguém me procurou. Eu me sinto honrado por ser lembrado e vou ajudar a presidente Dilma de qualquer maneira seja como deputado ou como ministro”, disse nesta sexta-feira (26/11) durante entrevista à Rádio ABC, ao repórter Leandro Amaral, do Diário on line, do ABC.




O balão de ensaio de Vicentinho – uma maneira incomum de políticos assumirem que disputam cargos no primeiro escalão do Governo – seria uma forma de colocar o PT na disputa pela SEPPIR com um nome de S. Paulo. Até agora, os nomes mais ventilados tem sido os do ex-ministro Edson Santos, do próprio ministro Elói Ferreira de Araújo – que teria planos de permanecer – do Secretário de Ações Afirmativas, Martvs Chagas e do Secretário-Adjunto, João Carlos Nogueira.

Os dois primeiros nomes são do Rio. Martvs é de Minas, e Nogueira, de Santa Cataria – todos do PT.

O PC do B aposta suas fichas no nome da vereadora de Salvador, Olívia Santana, mas também contaria com um nome de expressão em S. Paulo, a cantora e deputada estadual eleita, Leci Brandão.

Mantendo a imunidade

O auto-lançamento de Vicentinho faria parte da estratégia de lideranças negras de S. Paulo que perderam poder desde a queda da ex-ministra Matilde Ribeiro, de recuperar influência na SEPPIR.

Também atenderia a estratégia do PT paulista de garantir o retorno de José Genoíno à Câmara. Genoíno, é um dos acusados do mensalão e, sem mandato, perde a imunidade parlamentar. Com a ida de Vicentinho para a SEPPIR, como primeiro suplente, Genoíno não correria esse risco porque manteria o mandato.


Para assumir a SEPPIR, além de garantir o retorno do grupo de petistas negros de S. Paulo, no ostracismo após a saída de Matilde, Vicentinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e ex-presidente da CUT, conta com o fato de ser amigo pessoal e um dos parlamentares mais próximos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele foi reeleito em outubro com 141.068 votos.
FONTE: afropress

Somos Todos Filhos da Terra

LANÇAMENTO DO PROJETO RS NEGRO PARTE III

Sátira Machado e Cláudio Rodrigues
Entregas dos Kits do projeto RS Negro
Recebendo os Kits a prof. Rosemar Lemos, Prof. Clotilde, Lisiane lemos 


Prof Ivete, Cláudia Ferreira e Diretora do IEAB

Marta, Sérgio Mattos, Giamarê e Cláudia Fereira

Prof. Roselaine e presidente da Câmara de vereadores Miltinho

LANÇAMENTO DO PROJETO RS NEGRO PARTE II

Também nessa quinta feira dia 25 foram entregues os Kits para instituições e pessoas ligadas a causa negra na cidade de Pelotas.

Aproveitando o evento e representando o Fórum do Movimento Negro, o companheiro Dilermando Freitas entregou para o presidente da Câmara e o vereador Ademar Ornel o regimento e as propostas do Fórum.

Dilermando Freitas(Odara e representante do Fórum), Presidente da Câmara de Vereadores Miltinho, Vereador Ademar Ornel e Sandro Mesquita Coordenador da Central Única das Favelas.

Prof. Beatriz Lonner e Sec de Educação,  Prof. Fernanda e Sec de Projetos Especiais, Prof. Georgina e os Vereadores Miltinho e Ademar Ornel.








LANÇAMENTO DO PROJETO RS NEGRO

O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social, lançou o projeto RS Negro: educando para a diversidade. A ação vem ao encontro de lei federal que estipula a inclusão da história e da cultura afro-brasileira no currículo oficial da rede nacional de ensino. Integram o kit a segunda edição do livro RS Negro: cartografias da produção do conhecimento, o vídeo-documentário Sou, a revista RS Negro, o Posterbook RS Negro, um CD de aulas RS Negro e um CD de áudios Negro Grande.

Sec. Educação Sérgio Mattos, Sec. Projetos Especiais Cláudia Ferreira, Vereadores Ademar Orne e Miltinho e a Jornalista e Coordenadora do Projeto RS Negro Sátira Machado.
" A coordenadora do Projeto RS Negro, Sátira Machado, explicou como foi a elaboração do material. "É importante destacar que, no Kit, temos um CD com aulas em PowerPoint para serem utilizadas pelos professores. Este é um trabalho de muitas mãos, que mostra a importância do negro na construção da identidade do Rio Grande do Sul e do Brasil."







quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Marcha Zumbi dos Palmares de Zumbi de Palmares a João Cândido Felisberto, 100 Anos 100 Chibata na Marinha Brasileira

É nesse sábado dia 27 de novembro a Marcha do Movimento Negro de Pelotas. Com saída as 09:00 como sempre do altar da pátria e chegada no largo Edmar Fetter por volta das 11:30.
Traga sua bandeira, suas faixas e vamos comemorar mais este dia de resistência negra na cidade de Pelotas.
A tarde terão várias atividades no Centro de Desenvolvimento do Bairros Dunas, com roda de conversas a partir das 16:00 com Professora Georgina Nunes, Maritza Freitas, Max, Carla Ávila e Jonas.
A partir das 18:00 em frente ao CDD-Casa Brasil várias atividades Culturais como Grupo Afropel/ Grupo Odara/ Cia de Dança Afro Daniel Amaro/ Theatro com Geanine/  Grupo Renovação/ Griôs/ Giamarê/ Chega de Kaô/ Unidos pelo Rap/ Banca CNR ( gravação de clip musical)/ Grupo de Pagode É Segredo + recreação infantil. Apoio e transmissão ao vivo: www.inovetv.com.br/zumbidunas
Contamos com a presença de tod@s.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pensamentos de um cabelo bom


Quando foi a última vez ou a primeira que você viu um filme africano? Não é segredo pra ninguém que o cinema é aula de cultura com imagens, cenas, linguagens e costumes daquele ou desse lugar. Somos tão ignorantes de Áfricas. Quando eu e meu filho, Juliano Gomes, hoje cineasta, mas então, com dezesseis anos, fomos a Moçambique, ele me disse, ao meio do segundo dia naquele pais. Mãe, tô com uma vergonha dos moçambicanos, eles sabem tudo de nós e eu não sei nada deles.” Tinha razão o adolescente. Fomos então os dois buscar livros imediatamente. O mesmo se deu comigo ao desembarcar em terras caboverdianas. Nunca tinha visto tanta gente com cara de parente, com jeito de gente de minha família capixaba. Lá mulato de olho verde é mato.


 Cabo Verde, hoje eu sei, se considera um pedacinho do Brasil. Isto está em suas canções e nas conversas do povo, que se assume, talvez por causa da mestiçagem, como nosso irmão.   Mas  a  ignorância brasileira sobre a história das “áfricas” ainda campeia, pois só agora a lei que garante ensino  de vida e costumes daquele continente em nossa formação  na escola começa a engatinhar.  Me preocupa e me entristece que ainda se possa testemunhar, passivamente, a estúpida ignorância que o racismo é, a fazer seu incalculável estrago. Quem me conhece sabe: não sou de gueto, não me apetece. Tudo o que faço aqui, nestas poucas linhas para tão  vasto tema,  propõe a  mistura contra o separatismo e não o contrário. Creiam-me, nas escolas, enquanto vos  escrevo, o modelo de um só tipo de beleza continua a excluir meninos e meninas negras ou mestiças que, por motivos étnicos, em geral, não são escalados nos papéis de príncipes ou de princesas. Ou seja, já na escola o menino negro é o eterno “sapo”, o vilão, o bandido. A toda hora nesse país um adolescente afro-descendente é tratado, ao contrario do que nos garante a constituição, como presumidamente suspeito. É revistado com grosseria e desrespeito como se morasse na etnia o gene do ladrão. Trata-se de um pensamento que, além de injusto é imperfeito, pois se observarmos bem, nos grandes escândalos de corrupção envolvendo políticos e sofisticados ladrões, quase não tem preto compondo essas quadrilhas. Uma vez, passeando na Lagoa, num domingo de manhã, a polícia abordou meu filho que ia na frente de bicicleta. A alegação da “autoridade”, quando eu perguntei o porquê, foi ridícula: “O cabelo dele é suspeito.”
O inconsciente brasileiro, muitas vezes sem se dar conta, nos reserva um lugar de segunda categoria. Mesmo os mais esclarecidos, que tanta falta fazem a esta causa, se atropelam no assunto. Sem se aperceberem, também esses, vão solidificando conceitos preconceituosos como o de “cabelo ruim, cabelo bom”, por exemplo. Ora, o cabelo crespo não é um sub-cabelo, não está errado nem órfão de qualidades. Ruim por que? Feriu alguém? Por acaso o crespo é o primata da estória capilar que um dia alcançará o posto de cabelo sapiens que seria o cabelo liso?Meu cabelo é bom. Desculpe-me, forçar a vossa mentalidade assim, mas é que é o mês da consciência negra e eu fui incumbida de tocar na “raiz” do problema. Precisamos impedir que se prossiga com essa lavoura de problemas, onde todo o dia se planta aos pouquinhos a semente da desigualdade. Teve festa do troféu Raça Negra na sala São Paulo homenageando Milton Nascimento, e eu ganhei o premio de melhor espetáculo. Era uma nata, uma afro-nata, digo:  Luiz Melodia, Milton Gonçalves, Sandra de Sá, Antonio Pitanga e tantos outros, que dava gosto de ver! Meu sonho é que todo cidadão, de qualquer tom, seja respeitado sem ter que ser famoso para isso. Todos os dias o preconceito desperdiça futuros cidadãos brasileiros. Portanto,  qual tem sido a vossa pegada sociológica? Ou seja, assim como na ecologia, que tipo de rastro social nosso atos deixam? Desmatar é tão predador quanto excluir, e nesta peça qual tem sido vosso papel? Não sou eu, é a justiça quem nos pergunta. Bem, o assunto continua depois;  sei que as guerras étnicas são um problema do mundo. Mas é bobo, embora tanto sangre. Pois como água, a verdade escorre entre os dedos. Ninguém segura. Do mesmo modo a terra é de todos os homens, e não há como deter essa verdade.
Texto: Elisa Lucinda

sábado, 20 de novembro de 2010

SIGNIFICADO DA CONSCIÊNCIA NEGRA!

"Ter consciência negra, significa compreender que somos diferentes, pois temos mais melanina na pele, cabelo pixaim, lábios carnudos e nariz achatado, mas que essas diferenças não significam inferioridade.
Ter consciência negra, significa que ser negro não significa defeito, significa apenas pertencer a uma raça que não é pior e nem melhor que outra, e sim, igual.


Ter consciência negra, significa compreender que somos discriminados duas vezes: -
uma, porque somos negros, outra, porque somos pobres, e, quando mulheres, ainda mais uma vez, por sermos mulheres negras, sujeitas a todas as humilhações da sociedade.

Ter consciência negra, significa compreender que não se trata de passar da posição de explorados a exploradores e sim lutar, junto com os demais oprimidos, para fundar uma sociedade sem explorados nem exploradores.
Uma sociedade onde todos tenhamos, na prática, iguais direitos e iguais deveres.

Ter consciência negra, significa sobretudo, sentir a emoção indescritível, que vem do choque, em nosso peito, da tristeza de tanto sofrer, com o desejo férreo de alcançar a igualdade, para que se faça justiça ao nosso Povo, à nossa Raça.

Ter consciência negra, significa compreender que para ter consciência negra não basta ser NEGRO e até se achar bonito, e sim que, além disso, sinta necessidade de lutar contra as discriminações raciais, sociais e sexuais, onde quer que se manifestem. "
(Raimunda Nilma de Melo Bentes, Cedenpa ).