Escola Louis Braille
Apresenta
Atividade Cultural
Dia 18/11-19 horas
Ingresso R$ 3,00
Auditório Externo do Colégio Municipal Pelotense
Teatro/ Louis Braille
Grupo Amigos Para Sempre/ Louis Braille
Grupo Vocal/ Louis Braille
Grupo de Capoeira/ APAE
Grupo Nossas Raizes/ CERENEP
Grupo Olodumaré/ AFROPEL
Projeto ODARA
Cia de Dança Afro Daniel Amaro
Projeto Literário EJA/CMP
Projeto Cantando no Recreio/EMEF Dona Mariana Eufrásia
Show de Encerramento com Daniela Brizolara e Banda.
Cabe aqui dizer que o projeto " Nem Chá, Nem Café, degustamos História e Cultura negra" foi classificado entre as trinta e três melhores práticas de todo o país, através do 5º Prêmio Educar para Igualdade Racial, organizado pelo Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade/CEERT / São Paulo, sua execução só é possível pelo envolvimento dos professores da nossa escola, que percebem o quanto é importante e necessário trabalhar este tema. Também por estar numa seleção de abrangência nacional, ficando entre as dezesseis melhores práticas na categoria professor, onde foram escritos trabalhos de todas as regiões do nosso país, coloca a Escola Louis Braille e este projeto numa condição de grande reconhecimento.
Texto: Marielda Medeiros 17/11/2010
* Marielda é professora da Escola Louis Braille e Militante Ativista do Movimento negro de Pelotas
Blog criado para divulgação das ações dos diferentes grupos, pessoas e instituições, que compõem o Movimento Negro de Pelotas, do Estado do Rio Grande do Sul, Brasil.
Nego Drama
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Centro Municipal de Cultura recebe exposição sobre Cultura Negra
O Centro Municipal de Cultura Inah Emil Martensen inaugura nesta quarta-feira, às 18h, a exposição de pinturas Reflexo das Raízes Africanas.
A mostra ocorre em homenagem à Semana da Consciência Negra e foi organizada por Paulo Corrêa, fundador do Grupo de Artistas Plásticos Quilombos Urbanos de Pelotas. As obras são de autoria dos artistas Jonas Santos, José Darci Barros, Paulo Corrêa e Valdir Ferreira.
Na abertura da exposição, a comunidade poderá apreciar a apresentação do Coral Municipal Cidade do Rio Grande e do Grupo Vocal da Escola Estadual Bibiano de Almeida, sob a regência de Márcia Helena Guadagnini Granada.
Sobre os artistas Paulo Luis Silva Corrêa é autodidata, filho de um pintor automobilístico Gilberto N. Corrêa e teve contatos com as cores desde os quatro anos de idade. Criou seu mundo entre traços e cores e assim passou sua adolescência e juventude.
Entre formas e texturas, tenta expressar-se procurando retratar a realidade da etnia negra, com figuras sociais até mesmo polêmicas. Participou de várias exposições individuais e coletivas, inclusive no exterior, como o 14º Circuito Internacional de Arte Brasileira, no Chile, em Isla Negra. Foi premiado no Salão de Arte Afro do RS e homenageado por várias entidades por ter contribuído, através das artes plásticas, para a cultura negra. Desde 2002, realiza atividades como retratista e oficineiro.
José Darci Barros realizou Curso de Pintura óleo e acrílica sobre tela no Senac sobre a supervisão da Professora Iara Su Kaes Braga de 1997 a 1999. Depois, participou de várias exposições individuais e coletivas, como em 2001 na 1ª Conferência Estadual da Comunidade Negra em Caxias do Sul e, em 2009, do 14º Circuito Internacional de Arte Brasileira e segunda etapa Isla Negra no Museu Pablo Neruda - Santiago do Chile.
O período de visitação ocorre de 17 de novembro até 10 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 11h30min e das 13h30min às 18horas, com entrada franca. O Centro Municipal de Cultura está localizado na rua Marechal Floriano, 91.
fonte: jornal AGORA
fonte: jornal AGORA
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Festa reúne em espaço chique de SP elite negra do Brasil
S. Paulo - Em clima de glamour e num dos espaços mais
chiques da cidade – a sala S. Paulo, a maior sala de concertos da América Latina
– a elite negra do Brasil estará reunida nesta segunda feira segunda-feira,
15/11, para a festa da 8ª Edição do Troféu Raça Negra, instituído pela Afrobras
– Sociedade Afrobrasileira de Desenvolvimento Sócio-Cultural, mantenedora da
Faculdade Zumbi dos Palmares.
O presidente da Afrobras e reitor da Zumbi, José Vicente, destaca neste ano a presença de convidados internacionais, como a primeira dama de Angola, Ana Paula dos Santos, que será uma das homenageadas, juntamente com o cantor Milton Nascimento (foto). O Troféu e a festa tem patrocínio de grandes empresas como a Ford, a Telefônica, a Coca-Cola, e bancos como a Caixa Econômica Federal, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e Itaú.
Por cerca quatro horas, celebridades da música (Alcione, Fafá de Belém e Margareth Menezes), do cinema e da televisão (Jeferson De, ganhador do Festival de Gramado e Sérgio Loroza), dividirão o mesmo espaço vip com autoridades como o prefeito de S. Paulo, Gilberto Kassab, o governador eleitor Geraldo Alckmin, ministros do Governo Federal, como Miguel Jorge, e do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffolli – dois dos homenageados da noite.
Prêmios
Além dos homenageados, nacionais e internacionais, o Troféu, que passou a ser conhecido como o “Oscar” negro brasileiro, será entregue aos escolhidos pelo voto popular que disputam as categorias de Cinema (ator e atriz), Televisão (ator e atriz), Jornalismo (apresentador (a)/repórter), Música e Teatro. A escolha feita pela Internet terminou na última quarta-feira, dia 10/11.
No comando da mega-festa, que tem início previsto para as 19h30, estarão as duplas de mestre de cerimônias compostas por atrizes e atores da TV Globo, Sheron Menezes e Paulo Betti e Deo Garcês e Maria Ceiça. Os atores Milton Gonçalves e Chica Xavier prestarão homenagem especial a Milton Nascimento, escolhido para ser o principal homenageado deste ano pelo conjunto da obra.
Milton, que lança o CD “...E
agente sonhando”, será acompanhado por cerca de 30 músicos e compositores de
Três Pontas, sua cidade natal, no interior de Minas, que com ele participam do
show.
Personalidades internacionais
A primeira dama de Angola, que é presidente do Comitê Internacional para a Promoção Econômica da Mulher Rural, não será a única personalidade internacional a ser homenageada.
Personalidades internacionais
A primeira dama de Angola, que é presidente do Comitê Internacional para a Promoção Econômica da Mulher Rural, não será a única personalidade internacional a ser homenageada.
![]() |
| Ana Paula dos Santos 1ª Dama de Angola |
Também receberão o Troféu o vice-presidente de relações governamentais da
American Express, David Morgan, o Reverendo Jerome King Del Pino, Secretário
Secretário Geral das Instituições Metodistas no mundo, e Ken Yamada, assistente
Especial da Secretaria Geral e responsável pelo Fundo Metodista de Educação
Global e Desenvolvimento de Lideranças.
Veja a lista de celebridades que já confirmaram presença.
Abel Neto
Adriana Bombom
Ailton Carmo
Alcione
Aldemir Bendine (Presidente do Banco do Brasil)
Alexandre Raposo (Presidente da Record)
André Ramiro
Andrea Matarazzo (Secretário de estado da Cultura)
Antonio Pitanga
Babu Santana
Benedita da Silva
Chica Xavier
Cínara Leal
Cintia Rosa
Cris Vianna
Da Gama
Dandara de Morais
Deo Garcês
Dias Toffoli (Ministro do Supremo Tribunal Federal)
Douglas Silva
Dulcinéia Novaes
Eduardo Silva
Elisa Lucinda
Eloi Ferreira Araújo (Ministro da Seppir)
Erico Brás
Fabiana Cozza
Fafá de Belém
Fernando Bispo
Filó
Gabriel Jorge Ferreira ( Presidente do Conselho de Administração do Fundo Garantidor de Créditos)
Grupo Bom Gosto
Isabel Filardis
Izzy Gordon
Jerferson De
Jéssica Barbosa
João Carlos Di Gênio (Presidente da UNIP)
Jorge Vercilo
Josanna Vaz
Joyce Ribeiro
Juliana Diniz
Lenine
Leny Andrade
Lincoln Tornado
Luciana Camargo
Luis Antonio Pilar
Marcello Melo
Margareth Menezes
Maria Ceiça
Maria Júlia Coutinho
Miguel Jorge (Ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento)
Milton Gonçalves
Milton Nascimento
Nanda Lisboa
Nando Cunha
Patrícia de Jesus
Priscila Marinho
Quitéria Chagas
Roberta Rodrigues
Robson Caetano
Rocco Pitanga
Rodrigo dos Santos
Romeu Evaristo
Ronnie Marruda
Paulo Betti
Samuel de Assis
Sergio Loroza
Sheron Menezes
Sidney Santiago
Silvio Guindane
Simoninha
Thiago Oliveira
Toni Garrido
Toni Tornado
Washington Feijão
Internacionais
Ana Paula dos Santos (Primeira Dama de Angola)
Veja a lista de celebridades que já confirmaram presença.
Abel Neto
Adriana Bombom
Ailton Carmo
Alcione
Aldemir Bendine (Presidente do Banco do Brasil)
Alexandre Raposo (Presidente da Record)
André Ramiro
Andrea Matarazzo (Secretário de estado da Cultura)
Antonio Pitanga
Babu Santana
Benedita da Silva
Chica Xavier
Cínara Leal
Cintia Rosa
Cris Vianna
Da Gama
Dandara de Morais
Deo Garcês
Dias Toffoli (Ministro do Supremo Tribunal Federal)
Douglas Silva
Dulcinéia Novaes
Eduardo Silva
Elisa Lucinda
Eloi Ferreira Araújo (Ministro da Seppir)
Erico Brás
Fabiana Cozza
Fafá de Belém
Fernando Bispo
Filó
Gabriel Jorge Ferreira ( Presidente do Conselho de Administração do Fundo Garantidor de Créditos)
Grupo Bom Gosto
Isabel Filardis
Izzy Gordon
Jerferson De
Jéssica Barbosa
João Carlos Di Gênio (Presidente da UNIP)
Jorge Vercilo
Josanna Vaz
Joyce Ribeiro
Juliana Diniz
Lenine
Leny Andrade
Lincoln Tornado
Luciana Camargo
Luis Antonio Pilar
Marcello Melo
Margareth Menezes
Maria Ceiça
Maria Júlia Coutinho
Miguel Jorge (Ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento)
Milton Gonçalves
Milton Nascimento
Nanda Lisboa
Nando Cunha
Patrícia de Jesus
Priscila Marinho
Quitéria Chagas
Roberta Rodrigues
Robson Caetano
Rocco Pitanga
Rodrigo dos Santos
Romeu Evaristo
Ronnie Marruda
Paulo Betti
Samuel de Assis
Sergio Loroza
Sheron Menezes
Sidney Santiago
Silvio Guindane
Simoninha
Thiago Oliveira
Toni Garrido
Toni Tornado
Washington Feijão
Internacionais
Ana Paula dos Santos (Primeira Dama de Angola)
David Morgan (Vice-presidente de relações governamentais da American Express)
Dr. Jerome King Del Pino (Secretário Geral das Instituições Metodistas em todo o mundo)
Dr. Ken Yamada (Assistente Especial da Secretaria Geral e responsável pelo Fundo Metodista de Educação Global e Desenvolvimento de Lideranças)
Dois mil participam de caminhada contra intolerância religiosa
Segundo Valnízia, no candomblé, as tradições são passadas para as crianças, mas elas que escolhem se irão ou não seguir a religião, sem alguma imposição.
Consciência negra - Celebrado no dia 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra é dedicado à reflexão sobre a inclusão do negro na sociedade brasileira. A data foi escolhida porque neste dia, no ano de 1695, morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.
* com informações de Moisés Costa Pinto, do A TARDE
domingo, 14 de novembro de 2010
14 DE MARÇO TRAIÇÃO DE PORONGOS
O dia 14 de novembro de 2010 marca os 166 anos do episódio conhecido por Traição de
Porongos, que foi o massacre sofrido pelos Lanceiros Negros na Revolução Farroupilha.
Os negros (escravos) eram recrutados junto aos estanceiros (seus donos), e lutavam em troca da liberdade ao final da guerra. Ficaram conhecidos por Lanceiros Negros, por causa da bravura e dos grandes serviços prestados ao exército, formando uma “tropa de choque” farroupilha.
No final da guerra, os farrapos e os imperiais se preparavam para assinar o tratado de paz (tratado do Poncho Verde), mas discordavam num ponto: a libertação dos Lanceiros Negros. Os imperiais queriam que eles voltassem à condição original de escravos.
Nesse contexto, os líderes farrapos não encontraram outra saída para a paz, senão trair os negros que arriscaram a vida pela causa abolicionista. Os farroupilhas desarmaram as tropas de Lanceiros Negros, e os imperiais atacaram-nos de surpresa, acabando com o empecilho para a paz.
Esse fato é relatado em documentos, mas não aparece nos livros de escola. E se pouco já se fala dos negros na guerra e de seu heroísmo, em quase nada se toca no assunto da ignóbil traição sofrida por eles.
Os negros (escravos) eram recrutados junto aos estanceiros (seus donos), e lutavam em troca da liberdade ao final da guerra. Ficaram conhecidos por Lanceiros Negros, por causa da bravura e dos grandes serviços prestados ao exército, formando uma “tropa de choque” farroupilha.
No final da guerra, os farrapos e os imperiais se preparavam para assinar o tratado de paz (tratado do Poncho Verde), mas discordavam num ponto: a libertação dos Lanceiros Negros. Os imperiais queriam que eles voltassem à condição original de escravos.
Nesse contexto, os líderes farrapos não encontraram outra saída para a paz, senão trair os negros que arriscaram a vida pela causa abolicionista. Os farroupilhas desarmaram as tropas de Lanceiros Negros, e os imperiais atacaram-nos de surpresa, acabando com o empecilho para a paz.
Esse fato é relatado em documentos, mas não aparece nos livros de escola. E se pouco já se fala dos negros na guerra e de seu heroísmo, em quase nada se toca no assunto da ignóbil traição sofrida por eles.
Ainda hoje, há tradicionalistas que contestam o acontecido, vociferando aos quatro ventos que os historiadores são contra a cultura gaúcha e que querem macular os heróis farrapos. Mas eles só querem, isto sim, que a verdade venha à tona, para que se possa conhecer melhor o nosso passado e a nossa história.
Para atenuar um pouco da culpa e fazer uma simbólica homenagem à esses heróis anônimos da Revolução Farroupilha, uma pequena área do parque Redenção (em Poa) foi denominada de Espaço Lanceiros Negros, por proposta do vereador e historiador Raul Carrion (PC do B).
Isso foi um triste episódio da história gaúcha e um desonroso final para uma revolução que tanto nos enche de orgulho. Que não sirva esta nossa façanha de modelo a nenhuma terra.
Isso foi um triste episódio da história gaúcha e um desonroso final para uma revolução que tanto nos enche de orgulho. Que não sirva esta nossa façanha de modelo a nenhuma terra.
sábado, 13 de novembro de 2010
Zebra no Tênis TENISTA NEGRO GAEL MONFILS ENTRA PARA ELITE DO TÊNIS MUNDIAL
Paris - O tenista francês, negro, Gael Monfils, entrou para a elite do
tênis mundial ao vencer o suíço Roger Federer, este sábado (13/11) por 2 sets a
1. Federer era o favorito e a vitória foi considerada "surpreendente" pela mídia
esportiva especializada.
Com o apoio da torcida, o tenista francês – número l1 do
ranking da ATP - chega a final do Master 1.000 de Paris, que será disputada
neste domingo. Foi a primeira vitória do francês contra Federer em cinco jogos
disputados.
Neste domingo, a Monfils disputa o título contra o sueco Robin Soderling, que eliminou na outra semifinal seu compatriota Michael Llodra, também por 2 sets a 1.
O confronto entre Monfils e Federer foi uma verdadeira para batalha e começou muito equilibrada. Mesmo depois de salvar três break-points, o número 2 do ranking sucumbiu à força do jovem francês, que fechou o primeiro set em 9/7.
A segunda parcial do duelo foi novamente disputada e não houve quebra de saque até o 6/6, quando Federer abriu logo 5 a 1 no tie-break e fechou em 7/1. No terceiro set, Monfils chegou a estar perdendo por 4 games a 1, mas conseguiu de forma supreendente virar o placar e fechar o jogo em novo tie-break: 7/4.
A Imprensa esportiva francesa e internacional considerou a vitória do jovem tenista negro de "surpreendente".
Neste domingo, a Monfils disputa o título contra o sueco Robin Soderling, que eliminou na outra semifinal seu compatriota Michael Llodra, também por 2 sets a 1.
O confronto entre Monfils e Federer foi uma verdadeira para batalha e começou muito equilibrada. Mesmo depois de salvar três break-points, o número 2 do ranking sucumbiu à força do jovem francês, que fechou o primeiro set em 9/7.
A segunda parcial do duelo foi novamente disputada e não houve quebra de saque até o 6/6, quando Federer abriu logo 5 a 1 no tie-break e fechou em 7/1. No terceiro set, Monfils chegou a estar perdendo por 4 games a 1, mas conseguiu de forma supreendente virar o placar e fechar o jogo em novo tie-break: 7/4.
A Imprensa esportiva francesa e internacional considerou a vitória do jovem tenista negro de "surpreendente".
fonte: Afropress
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Pesquisa Ibope/Ethos expõe a desvantagem de negros
S. Paulo - Pesquisa divulgada nesta quinta (11/11)
pelo Instituto Ethos de Responsabilidade Social e pelo Ibope revela que a
proporção de negros no quadro funcional das 500 maiores empresas cresceu de
25,1% para 31,1% entre 2007 e 2007, porém, também expõe - especialmente nos
cargos de direção e gerência - o abismo da desigualdade provocada pela herança
de quase 400 anos de escravidão.
Os resultados da pesquisa "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas e suas Ações Afirmativas - 2010", que é feita a cada dois anos, foram divulgados na Faculdade Zumbi dos Palmares, no Clube Tietê, em S. Paulo, e revelam que a presença de funcionários brancos caiu de 73% para 67,3%, porém, continua superior a mais que o dobro da de negros.
Os resultados da pesquisa "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas e suas Ações Afirmativas - 2010", que é feita a cada dois anos, foram divulgados na Faculdade Zumbi dos Palmares, no Clube Tietê, em S. Paulo, e revelam que a presença de funcionários brancos caiu de 73% para 67,3%, porém, continua superior a mais que o dobro da de negros.
O estudo contabilizou respostas de mais de 620 mil empregados de 109 empresas, que na sua maioria, registram faturamento anual entre R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões. Entre as 500 pesquisadas, porém, apenas 109 – pouco mais de um quinto do total – respondeu os questionários.
Abismo
Os números revelam que o abismo maior se dá nos cargos de direção, embora tenham melhorado em 50%: o número de negros no comando das empresas que responderam a pesquisa, é de 5,3% contra 3,5% no último levantamento, em 2007.
O perfil da direção das 500 maiores Empresas brasileiras, segundo a pesquisa, continua quase que 100% branco: diretores brancos representam 93,3%, com uma queda mínima em relação a 2007, quando esse percentual era de 94%. Em cargos de gerência e supervisão a presença negra é de 13,2% e 25,6%, respectivamente.
Ausência de políticas
Em se tratando de uma população que corresponde a 51,3% da população do país, os números da Pesquisa, causaram espanto, até mesmo no presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, para quem a desigualdade entre brancos e negros no universo corporativo deve-se a “uma forte questão cultural arraigada na sociedade e à falta de políticas de diversidade nas empresas”.
"Existe uma certa acomodação, evita-se apostar no novo, criar políticas de diversidade. A presença da mulher negra em posições executivas é de 0,5%, dado assustador", constatou Abrahão.
Mulheres
O abismo da desigualdade se estende as mulheres. Embora constituam a maioria da população brasileira, elas também estão sub-representadas. Nos quadros diretivos das empresas, a presença de mulheres aumentou de 11,5% para 13,8% desde o último levantamento, mas caiu em relação ao quadro funcional geral – de 35% para 33,1%.
“Isso revela grande discrepância: se fizéssemos seleção às cegas, tapando o nome e o sexo, considerando apenas a qualidade, a maioria das contratações seria de mulheres", avalia.
No caso das mulheres negras, continuam a ocupar as piores posições: 9,3% no quadro funcional, 5,6% na supervisão, 2,1% na gerência e apenas 0,5% no quadro executivo.
De acordo com o levantamento, entre as 119 mulheres ou entre os 1.162 diretores – negros e não negros, de ambos os sexos -, cuja cor ou raça foi informada pelas empresas, foi registrada a presença de apenas 6 negras – todas pardas.
As mulheres negras representam uma parcela de 50,1% do dotal de mulheres brasileiras e correspondem a um contingente de 25,6% de toda a população.
Parcerias
O Instituto Ethos e o Ibope fazem a Pesquisa, desde 2001, a cada dois anos e é realizada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Este ano foi patrocinada pelo Instituto Unibanco e Phillips do Brasil com o apoio institucional da Inter American Foundation (IAF) e da Atletas pela Cidadania.
Veja, na íntegra, a Pesquisa "Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas e suas Ações Afirmativas - 2010".
http://www1.ethos.org.br/EthosWeb/arquivo/0-A-eb4Perfil_2010.pdf
Negros já são a maioria da população
S. Paulo - A Pesquisa do Instituto Ethos e Ibope
também mostra que o contingente de negros na população brasileira cresceu 3,1
pontos percentuais entre 2004 e 2009. Em 2004, a proporção de pretos era de
5,9%: em 2009, passou a 6,9%, com aumento de 1 ponto percentual.
A proporção de pardos era de 42,1%; passou a 44,2% com aumento de 2,1 ponto percentual. Somados pretos e pardos já são maioria no país: pularam de 48% para 51,1%, o que, em números absolutos representa 98 milhões de pessoas.
Por sua vez, a população branca, no mesmo período decresceu de 51,4% para 48,2% o que, em números absolutos, significa 92,5 milhões de pessoas.
A pesquisa também aponta dados do Anuário dos Trabalhadores editado pelo DIEESE, segundo os quais os negros (pretose pardos), formam 46,5% da população economicamente ativa e 45% da população ocupada.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
NO BRASIL NÃO EXISTE RACISMO, SOMOS UM PAÍS MISCIGENADO...
Mais um debate – o primeiro confronto pela Band, entre os
presidenciáveis que disputam o segundo turno - e, mais uma vez, o mais absoluto
silêncio sobre o tema que interessa e diz respeito diretamente a 51,3% da
população brasileira e, indiretamente, a todo o país: a desigualdade racial,
fruto de quase 400 anos de escravismo e de mais 122 de racismo pós-abolição. A
dívida eterna, reconhecida pelas elites dominantes, porém nunca paga.
Nenhuma palavra de Serra ou Dilma sobre os indicadores da
desvantagem, todos notórios porque recolhidos por organismos de pesquisa
insuspeitos - do IPEA, órgão do Ministério de Planejamento do próprio Governo
Federal, ao DIESSE, instituição mantida por Sindicatos e centrais
sindicais.
Todos os indicadores expõem, com a eloqüência dos números, os lugares que ocupamos na pirâmide social brasileira: os piores, sempre os piores.
* empregados negros ganham menos do que os brancos - até 50% menos - dependendo da região do país;
* há mais desemprego entre os negros do que entre os brancos nas várias regiões metropolitanas do país;
* Negros tem 2,2 anos a menos de escolaridade média do que os brancos, desde 1.929;
* A indigência é 70% negra, embora os negros representem 51,3% da população. Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) dos 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza 70% são negros, entre os 53 milhões de pobres do país, 63% são negros.
* As mulheres negras tem ainda maior desemprego e menor renda que os homens negros;
* a mortalidade infantil tem caído mais para brancos do que para negros;
* o analfabetismo é maior entre negros que entre brancos, quadro que se mantém apesar da diminuição do analfabetismo em ambos os grupos;
* o esgoto e a água tratada vão menos a larres negros do que a lares brancos;
* a expectativa de vida para os negros é, em média, seis anos menor que para os brancos.
Entretanto, tanto para Serra quanto para Dilma, esse não chega a ser problema, ou não é relevante o bastante para merecer atenção e propostas. Ainda assim, querem o nosso voto.
O candidato e a candidata se ocupam de quase tudo: do aborto, da privatização, falam de saúde, educação, segurança etc; quando falam de segurança, por exemplo, sempre de passagem e genericamente, é como se não soubessem que na guerra não declarada do Estado contra os pobres quem morre mais são os negros.
Aborto, polêmica falsa e agenda conservadora
Todos os indicadores expõem, com a eloqüência dos números, os lugares que ocupamos na pirâmide social brasileira: os piores, sempre os piores.
* empregados negros ganham menos do que os brancos - até 50% menos - dependendo da região do país;
* há mais desemprego entre os negros do que entre os brancos nas várias regiões metropolitanas do país;
* Negros tem 2,2 anos a menos de escolaridade média do que os brancos, desde 1.929;
* A indigência é 70% negra, embora os negros representem 51,3% da população. Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) dos 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza 70% são negros, entre os 53 milhões de pobres do país, 63% são negros.
* As mulheres negras tem ainda maior desemprego e menor renda que os homens negros;
* a mortalidade infantil tem caído mais para brancos do que para negros;
* o analfabetismo é maior entre negros que entre brancos, quadro que se mantém apesar da diminuição do analfabetismo em ambos os grupos;
* o esgoto e a água tratada vão menos a larres negros do que a lares brancos;
* a expectativa de vida para os negros é, em média, seis anos menor que para os brancos.
Entretanto, tanto para Serra quanto para Dilma, esse não chega a ser problema, ou não é relevante o bastante para merecer atenção e propostas. Ainda assim, querem o nosso voto.
O candidato e a candidata se ocupam de quase tudo: do aborto, da privatização, falam de saúde, educação, segurança etc; quando falam de segurança, por exemplo, sempre de passagem e genericamente, é como se não soubessem que na guerra não declarada do Estado contra os pobres quem morre mais são os negros.
Aborto, polêmica falsa e agenda conservadora

A polêmica sobre o aborto - mais falsa que uma nota de mil - revela que um e outra estão irremediavelmente presos a uma agenda conservadora que não se propõe a discutir os problemas reais do país. Não tocam nem de passagem em outra questão fundamental para os cidadãos (ãs): uma reforma profunda no modelo político-eleitoral-partidário que apodrece à olhos vistos e à céu aberto pela corrupção e a compra de votos declarada.
Serra e Dilma tornaram-se reféns dessa agenda por uma razão muito simples. Dilma e o lulo-petismo, que algum dia já foram de esquerda, e Serra e tucanos, que em passado remoto se pretenderam representantes da social democracia brasileira, não conseguem mais esconder de quem detenha um mínimo de informação, o que de fato, são: expressões da velha política de centro direita que hoje dá as cartas em plena era Lula.
O que temos então, em resumo, são dois candidatos que, do ponto de vista político e ideológico, tentam se vender como diferentes, porém, tem muito mais convergências do que divergências entre si.
Sim, porque ninguém com um mínimo de honestidade poderá atribuir ao Governo Lula qualquer resquício de esquerda, posição de que abdicou ele próprio pouco depois de assumir a Presidência, no mesmo contexto em que confessou que, na Oposição, se tornara especialista em bravatas. É o “pai dos pobres”, a quem mantém com o Bolsa Família, e a “mãe dos ricos” – os banqueiros, que “nunca antes neste país” lucraram tanto.
Sustentado por índices de popularidade, só comparáveis a Getúlio Vargas, no auge do populismo getulista, Lula – pela agenda e pelo programa – faz um governo escancaradamente de centro direita. Quem tiver alguma dúvida, confira quem são os parlamentares eleitos sob o guarda-chuva do lulo-petismo nestas eleições e tire as conclusões por sua própria conta e risco.
Ainda assim, se dúvidas restar, observe como o PMDB, com Michel Temer de vice, afia os dentes para lançar-se, com a voracidade que lhe é própria, aos nacos da Esplanada que ainda não domina ou influencia.
Serra e o seu PSDB, por sua vez, são produto do que pretendeu ser a social-democracia brasileira. Uma social-democracia que, sem nunca ter botado a mão na massa – nem se apresentado como oposição de fato, coisa que os tucanos de punho de renda jamais se dispuseram a fazer - há décadas tornou-se a expressão dos setores da classe média paulistana, com viés udenista moralista.
Mais do mesmo
Um e outro – Serra e o PSDB, e Dilma e o PT – embora com passados e histórias diferentes apontam oferecem a mesma alternativa. É como se, aceitando o que propõe ambos, estivéssemos irremediavelmente condenados a escolher “mais do mesmo”.
São e representam expressões distintas de como lidar com a mesma agenda e nesta agenda os temas relevantes para a população não têm espaço, porque nem um nem outro - a não ser pelo esforço da propaganda – conseguem responder a seguinte questão:
a) como retirar o país – que é a oitava economia do Planeta - da vergonhosa condição que ocupa, como um dos 10 mais desiguais do mundo, sabendo-se que a desigualdade social tem como um dos seus elementos estruturantes a desigualdade racial, a herança maldita do escravismo; b) como responder as demandas reais dos setores explorados da população – na sua imensa maioria, negra - que ocupa os piores indicadores sociais e cuja juventude nas perifereias é alvo da matança cotidiana, generalizada e sistemática pelas mãos da Polícia – um horizonte e um futuro.
Aliás, nesse tema do aborto – mais apropriado ao moralismo carola -, as posições de ambos são rigorosamente iguais. Serra e Dilma defendem a discriminalização. Como se trata de tema explosivo por envolver valores morais arraigados na sociedade e pelas pressões da Igreja, incluí-lo na agenda acaba se tornando até útil porque não deixa de ser uma cortina de fumaça para evitar o debate real, que tudo indica, não acontecerá nesta campanha.
É pela mesma e inversa razão que a temática da desigualdade racial passa ao largo e os dois candidatos silenciam, com uma única diferença: os setores conservadores católicos e evangélicos tem força para impor o aborto na agenda; nós negros, embora representemos 51,3% da população brasileira, não.
E não temos força por duas razões:
1 - pela omissão da parcela de intelectuais negros e não negros – alguns dos quais ativistas e cotistas indignados. Tais intelectuais, ou estão presos às carteirinhas dos partidos a quem servem, ou tem uma visão conservadora da política: consideram até legítimo e necessário defender cotas e ações afirmativas em colóquios e seminários, porém, “fogem como o diabo da cruz”, quando se trata de assumir publicamente suas posições políticas, inclusive para preservar seus próprios interesses como interlocutores com o Estado e com Governos;
2 - pelo fato da maioria de ativistas e lideranças terem sido cooptados pelos “puxadinhos” dos partidos e Governos, para serem uma espécie de alegoria de uma inclusão que não há nem nunca houve. A cooptação se dá pela mesmo caminho com que o Governo Lula domesticou os movimentos sociais – inclusive as entidades e articulações negras -, a quem mantém sob controle, como uma espécie de tropa de reserva para a defesa das suas posições.
Política nos Partidos
Para essas lideranças, fazer política sim, desde que seja no espaço dos seus respectivos partidos. Curiosamente os setores mais conservadores e tradicionalistas da sociedade tem exatamente essa visão: a política é tarefa para os políticos.
Tais lideranças negras aceitam, passiva e docilmente, a regra de que a política deve ficar a cargo dos políticos que dirigem os seus partidos. Como sabemos que todos esses partidos – de A a Z - reproduzem racismo institucional, dão às costas ao tema do racismo, e se recusam a ajustar contas com a herança maldita de quase 400 anos de escravismo e de mais 122 anos de racismo pós-abolição (veja-se o caso do deputado Aldo Rebelo, maior liderança do PC do B no Congresso e abertamente contrário às cotas e ações afirmativas) qualquer discussão sobre o tema fica inviável.
Não se propõem a sequer negociar junto aos presidenciáveis que apóiam, uma pauta com propostas que no diga respeito, conforme propõe o Movimento Negro Unificado que, embora rejeitando um deles – no caso Serra -, conclama a que o apoio a Dilma seja condicionado a um programa, a um projeto e a compromissos da candidata de enfrentar o abismo da desigualdade que nos atinge.
A urgência da organização política dos negros
Por tudo isso, convém lançar na pauta, desde já, um tema que não pode mais ser protelado: a criação de uma organização política negra e antirracista de caráter nacional, capaz de abranger todos os setores excluídos da sociedade – negros, indígenas e os pobres, os setores médios progressistas, que pretendam romper os muros do modelo reprodutor da injustiça e da desigualdade em que tucanos e o lulo-petismo querem que nos mantenhamos.
No modelo tucano-petista, ou lulo-petista-tucano, concentrador de renda, excludente e nada democrático, a Democracia não é para nós – a plebe rude, majoritariamente negra - mas apenas para os “cidadãos” como na Grécia antiga - não reconhece direitos aos escravos - no caso os seus descendentes que somos todos -, nem sequer para merecer menção em um debate entre os dois candidatos que disputam a Presidência da República.
A amplitude da Democracia que defendem e praticam chega, no máximo, aos estratos da classe média incluída dos grandes centros urbanos.
O único espaço disponível nesse modelo é o “puxadinho”, o atalho da inclusão subalterna em que a porta que reservada a nós para o acesso à cidadania é a dos fundos, vale dizer: uma cidadania, de segunda classe, de segunda mão, na prática: cidadania alguma.
Dê-se o nome de Partido, Frente, Congresso, ou o que seja, não importa. Chegou a hora de rompermos a tutela perversa que nos ata a esse modelo concentrador e excludente. Temos história, temos homens e mulheres capazes de romper os muros do gueto e falar para o Brasil, em todas as áreas de atividade – nas artes, na música, na política, na Academia, nos movimentos sociais.
Lideranças como João Jorge, do Olodum, Mano Brown, o líder dos Racionais, Reginaldo Bispo, Hamilton Borges, Márcio Alexandre, e tantos outros por esse Brasil afora, estão chamados a dar voz de comando, convocando uma grande encontro ou Convenção, ou Congresso – para estancar a dispersão que tem caracterizado as iniciativas, a maior inimiga da nossa união e empoderamento.
Há, em cada bairro, em cada gueto desse país, em cada favela, em cada morro, centenas de ativistas honestos e dedicados, jovens anônimos, que não aceitam negociar a dignidade nem a alma rebelde “por trinta dinheiros.”
Não há modelos prontos, nem acabados. Tudo é construção. O mais importante é que seja uma organização política, com um Programa, capaz de romper de vez com a servidão negra, que recupere a nossa auto-estima tão lesionada pelo racismo e a história dos movimentos e organizações políticas desde a resistência dos quilombos.
E que se proponha à construção de uma agenda que ponha no centro do debate do país, a questão da igualdade; que seja capaz de propor novas alternativas, de Estado, de Governo, de Democracia e modo de vida.
Não tenho dúvidas de que, uma organização que não tenha como centro de sua ação, a disputa de eleições – muito menos pelo modelo político-eleitoral-partidário vigente – com uma proposta de união na diversidade de posições políticas e ideológicas, sem a busca de hegemonismos fáceis e unida por um Programa de Ação, será capaz de reunir e aglutinar a energia militante de centenas, quem sabe, milhares de homens e mulheres negros em todo o país, e dos nossos aliados antirracistas, para sonhar e lutar por uma República e por um Brasil em que não sejamos mais “bucha de canhão” ou “a carne mais barata do mercado.”
A hora é agora. Mãos à obra!
fonte afopress/ Por Dojival Vieira
domingo, 26 de setembro de 2010
Adolescentes negras em revista.
Como a adolescente negra é representada
nas revistas voltadas ao público dessa faixa etária? Essa questão
norteou pesquisa desenvolvida por Carolina dos Santos para sua
dissertação de mestrado apresentada em agosto de 2009. A professora
Nilma Gomes, da Faculdade de Educação da UFMG, orientou o trabalho.
A pesquisadora conta que a primeira motivação para sua investigação
se deu a partir de uma experiência pessoal: “como adolescente negra eu
não conseguia me identificar com as modelos que apareciam nas revistas”.
Mais tarde, como professora de história, ela percebeu que suas alunas
liam as mesmas revistas e que o discurso permanecia o mesmo. Após algum
tempo, Carolina notou que as adolescentes negras passaram a ter espaço
nessas publicações e decidiu analisar como isso ocorria.
Por que você optou por analisar a revista Atrevida dentre as publicações para adolescentes disponíveis no mercado?
No início, a ideia era trabalhar com Capricho e Atrevida. A Capricho porque eu era leitora da revista, comecei a ler a Atrevida há menos tempo. As duas têm a maior tiragem e circulação, além disso, são muito parecidas. Porém, a Atrevida tem a singularidade de ser da mesma editora da revista Raça Brasil [publicação voltada ao público negro]. Isso me levou a optar por ela, pois dentro da editora já se discute a questão da imagem do negro.
Como a adolescente negra é tratada na revista Atrevida?
A publicação segue um ideal de beleza branco europeizado, bem demarcado. Quando há outra aparição, como a adolescente negra, ela serve como um gancho para dicas de como minimizar as diferenças e se aproximar, ao máximo, do ideal de beleza perpetuado pela revista. A jovem negra tem aparições esporádicas no lugar do exótico e alternativo, ou seja, no lugar do outro. Isso acontece também com as asiáticas e com as indígenas, embora apareçam menos. Outras diversidades, como diferenças de peso e homossexualidade também quase não são abordadas. A diferença é contemplada para ensinar a ser igual: você tem a diferença, mas a Atrevida te ensina a acabar com ela.
Algum aspecto chamou mais sua atenção?
O que mais me marcou foi a questão dos lábios. Em várias edições, o discurso é o mesmo: os lábios grossos e carnudos não devem ser destacados, mas sim afinados. A Atrevida ensina várias técnicas, que se repetem nas edições, de como a leitora que tem os lábios grossos pode disfarçá-los. Isso acontece também com o nariz e o com cabelo. No discurso, sempre aparece a ideia de que o cabelo tem que ter brilho, maciez e balanço, o que não é característico de um cabelo crespo.
O modo como a questão racial é tratada na revista é um reflexo de nossa sociedade?
Quando fazemos uma leitura desatenta, pensamos que a revista não opera com a questão racial. Porém ela é ambígua, assim como o racismo brasileiro, ou seja, mesmo não nomeando, explicitamente, suas leitoras como brancas, ela faz isso quando insere a adolescente negra. Isso porque, quando a publicação introduz o outro, ela mostra o tipo de adolescente que ela privilegia. É uma revista que também configura um tipo ideal de comportamento feminino, que é uma mulher que tem que pensar sempre no sexo oposto e em como se comportar para atingir isso. O que resume bem é a ideia da “branquitude normativa”: o branco é o representante da espécie, os outros são os outros. Isso está bem dentro do contexto das relações raciais no Brasil.
Mesmo com os problemas apontados em sua pesquisa, você
considera que esse material pode ser utilizado pelos professores em sala
de aula?
Primeiro, é preciso tirar a revista desse lugar marginal. A lembrança de que tenho, como aluna e mesmo como professora, é a de o aluno lendo escondido esse tipo de publicação, debaixo da mesa e depois passando para o colega do lado. O que pode ser feito é focar nesse material. Essas revistas pretendem ser instrutivas em algum sentido, com seções que falam, por exemplo, sobre profissões. Os professores poderiam usar alguns desses textos para problematizar carreiras. Além disso, elas pretendem tratar de temas atuais. Mesmo que as discussões propostas não sejam completamente satisfatórias, elas podem ser um ponto de partida ou um pretexto para trabalhar outros temas.
(Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – Ceale – da Faculdade de Educação da UFMG)
Por que você optou por analisar a revista Atrevida dentre as publicações para adolescentes disponíveis no mercado?
No início, a ideia era trabalhar com Capricho e Atrevida. A Capricho porque eu era leitora da revista, comecei a ler a Atrevida há menos tempo. As duas têm a maior tiragem e circulação, além disso, são muito parecidas. Porém, a Atrevida tem a singularidade de ser da mesma editora da revista Raça Brasil [publicação voltada ao público negro]. Isso me levou a optar por ela, pois dentro da editora já se discute a questão da imagem do negro.
A publicação segue um ideal de beleza branco europeizado, bem demarcado. Quando há outra aparição, como a adolescente negra, ela serve como um gancho para dicas de como minimizar as diferenças e se aproximar, ao máximo, do ideal de beleza perpetuado pela revista. A jovem negra tem aparições esporádicas no lugar do exótico e alternativo, ou seja, no lugar do outro. Isso acontece também com as asiáticas e com as indígenas, embora apareçam menos. Outras diversidades, como diferenças de peso e homossexualidade também quase não são abordadas. A diferença é contemplada para ensinar a ser igual: você tem a diferença, mas a Atrevida te ensina a acabar com ela.
O que mais me marcou foi a questão dos lábios. Em várias edições, o discurso é o mesmo: os lábios grossos e carnudos não devem ser destacados, mas sim afinados. A Atrevida ensina várias técnicas, que se repetem nas edições, de como a leitora que tem os lábios grossos pode disfarçá-los. Isso acontece também com o nariz e o com cabelo. No discurso, sempre aparece a ideia de que o cabelo tem que ter brilho, maciez e balanço, o que não é característico de um cabelo crespo.
Quando fazemos uma leitura desatenta, pensamos que a revista não opera com a questão racial. Porém ela é ambígua, assim como o racismo brasileiro, ou seja, mesmo não nomeando, explicitamente, suas leitoras como brancas, ela faz isso quando insere a adolescente negra. Isso porque, quando a publicação introduz o outro, ela mostra o tipo de adolescente que ela privilegia. É uma revista que também configura um tipo ideal de comportamento feminino, que é uma mulher que tem que pensar sempre no sexo oposto e em como se comportar para atingir isso. O que resume bem é a ideia da “branquitude normativa”: o branco é o representante da espécie, os outros são os outros. Isso está bem dentro do contexto das relações raciais no Brasil.
Primeiro, é preciso tirar a revista desse lugar marginal. A lembrança de que tenho, como aluna e mesmo como professora, é a de o aluno lendo escondido esse tipo de publicação, debaixo da mesa e depois passando para o colega do lado. O que pode ser feito é focar nesse material. Essas revistas pretendem ser instrutivas em algum sentido, com seções que falam, por exemplo, sobre profissões. Os professores poderiam usar alguns desses textos para problematizar carreiras. Além disso, elas pretendem tratar de temas atuais. Mesmo que as discussões propostas não sejam completamente satisfatórias, elas podem ser um ponto de partida ou um pretexto para trabalhar outros temas.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
A BIBLIOTECA NEGRA DE PELOTAS E O CLUBE FICA AHÍ. CONVIDAM PARA O V CICLO CONVERSAS
A Biblioteca Negra de Pelotas e o Clube Fica Ahí realizarão uma nova edição do ciclo de conversas. O principal objetivo das conversas, tem sido um diálogo com os participantes sobre temáticas que envolvem a cultura negra
PROGRAMAÇÃO:
25/09. Ivete
Oliveira da Silva: O Negro na educação. Mudando práticas e posturas na escola:
a lei 10639/03.
02/10. Caiuá All Allam: O Negro e a pena de morte em
Pelotas.
09/10. Beatriz Loner; Operariado e o negro em
Pelotas.
16/10. Junara Ferreira Nascentes: O negro na saúde
pública e o racismo institucional.
23/10. Jandir Zanotelli. Ciclo Filosofia Africana:
Filosofía Africana?
30/10. Jandir Zanotelli. Ciclo Filosofía Africana: A
obra de Cheick Anta Diop.
06/11. Jandir Zanotelli. Ciclo Filosofia Africana: A polêmica sobre a
etno-filosofia.
13/11. Jandir Zanotelli. Filosofia Africana: Os
sinais africanos da filosofia.
20/11. Amaury Mendes Pereira: O movimento negro e a
crise da teoria social do Brasil
Haverá certificados para os assistentes, entrada é totalmente
gratuita.
Denúncia: salão de beleza nega-se a cortar cabelo de criança negra
Funcionários do “Salão Fascínio”, localizado no andar térreo do Shopping Itaigara, em Salvador, recusaram-se hoje, dia 23 de setembro, a cortar o cabelo de uma criança negra, de seis anos, recomendando a mãe
que “passasse a máquina”, pois aquele cabelo “não dava para ser cortado,
nem desembaraçado”. A mãe da criança, a jornalista Márcia Guena, acusou os funcionários e a dona do salão de racismo e logo procurou a administração do shopping para formalizar a denúncia. Neste caso
configura-se um duplo crime por tratar-se de racismo e de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por expor umacriança a uma situação vexatória.
Acompanhado da mãe, o menino M.S.G.S.O. entrou no salão por volta das 18:30, do dia 23 de
setembro, quando Guena solicitou ao único funcionário homem do salão, para quem foi indicada pela atendente Selma (a qual foi identificada como dona do salão), um corte estilo “black”, mas não muito alto. O funcionário então respondeu que para “aquele cabelo” só dava para “passar a máquina”. A mãe então disse: “eu não
solicitei que passem a máquina, mas que cortem o cabelo do meu filho. Eu já indiquei o corte que desejo”. O atendente repetiu: ”só dá pra passar a máquina”. Guena retirou a criança da cadeira e saiu imediatamente
do salão para não expor a criança a uma discussão motivada pelo racismo explícito. Mas diante da violência cometida contra a criança, que foi exposta a uma situação vexatória, e a recusa de cortar o cabelo de um negro, a mãe voltou com a finalidade de procurar a gerente e formalizar a denúncia de racismo.
Ao retornar, Guena disse para Selma que a recusa em cortar o cabelo de seu filho configurava-se racismo, um crime inafiançável e que iria formalizar a denúncia junto ao Ministério Público. Selma, identificada como
Maria Tavares de Oliveira, contestou dizendo que a mãe estava errada e que seus funcionários disseram que não sabiam cortar o cabelo da criança e que seria muito difícil desembaraçá-lo. Por isso, sópoderiam
passar a máquina, insistindo na resposta inicial do funcionário.
A mãe retirou-se do local e procurou a administração do Shopping. Guena foi recebida por Alda, que se identificou como administradora, e reconheceu a gravidade do problema, confirmando tratar-se sim de uma
situação de racismo. Imediatamente ligou para Selma (Maria Tavares Oliveira) reclamando da forma como foi realizado o atendimento.
Texto enviado pela jornalista Márcia Guena
Contatos: marciaguena@gmail.com
que “passasse a máquina”, pois aquele cabelo “não dava para ser cortado,
nem desembaraçado”. A mãe da criança, a jornalista Márcia Guena, acusou os funcionários e a dona do salão de racismo e logo procurou a administração do shopping para formalizar a denúncia. Neste caso
configura-se um duplo crime por tratar-se de racismo e de violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), por expor umacriança a uma situação vexatória.
Acompanhado da mãe, o menino M.S.G.S.O. entrou no salão por volta das 18:30, do dia 23 de
setembro, quando Guena solicitou ao único funcionário homem do salão, para quem foi indicada pela atendente Selma (a qual foi identificada como dona do salão), um corte estilo “black”, mas não muito alto. O funcionário então respondeu que para “aquele cabelo” só dava para “passar a máquina”. A mãe então disse: “eu não
solicitei que passem a máquina, mas que cortem o cabelo do meu filho. Eu já indiquei o corte que desejo”. O atendente repetiu: ”só dá pra passar a máquina”. Guena retirou a criança da cadeira e saiu imediatamente
do salão para não expor a criança a uma discussão motivada pelo racismo explícito. Mas diante da violência cometida contra a criança, que foi exposta a uma situação vexatória, e a recusa de cortar o cabelo de um negro, a mãe voltou com a finalidade de procurar a gerente e formalizar a denúncia de racismo.
Ao retornar, Guena disse para Selma que a recusa em cortar o cabelo de seu filho configurava-se racismo, um crime inafiançável e que iria formalizar a denúncia junto ao Ministério Público. Selma, identificada como
Maria Tavares de Oliveira, contestou dizendo que a mãe estava errada e que seus funcionários disseram que não sabiam cortar o cabelo da criança e que seria muito difícil desembaraçá-lo. Por isso, sópoderiam
passar a máquina, insistindo na resposta inicial do funcionário.
A mãe retirou-se do local e procurou a administração do Shopping. Guena foi recebida por Alda, que se identificou como administradora, e reconheceu a gravidade do problema, confirmando tratar-se sim de uma
situação de racismo. Imediatamente ligou para Selma (Maria Tavares Oliveira) reclamando da forma como foi realizado o atendimento.
Texto enviado pela jornalista Márcia Guena
Contatos: marciaguena@gmail.com
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
A NOITE DOS COMPOSITORES COM ENTREGA DO TROFEU AKIRA
A NOITE DOS COMPOSITORES COM ENTREGA DO TROFEU AKIRA
15 COMPOSITORES PELOTENSES SERÃO HOMENAGEADOS.
SÁBADO DIA 25 DE SETEMBRO
HORÁRIO:21:00HS
CLUBE CULTURAL FICA AHÍ
Happy Hour, Ensaio Aberto : Giamarê.Possidônio Tavares e Fábio Andrade
Neste sábado dia 25/09/10 a partir das 19:00
Happy Hour e ensaio aberto com Giamarê, .Possidônio Tavares e Fábio Andrade
Local: Estímulo, Centro de Arte e Movimento, rua Barão de Sta Tecla nº 768
Esperamos todos lá
ProUni é exemplo de cotas.
![]() |
| Ministro da educação Fernando Haddad |
Haddad criticou a tese defendida pelos críticos das cotas, segundo os quais o sistema estimularia o conflito racial. “O conflito não aconteceu, pelo contrário, a diversidade se impôs, e nada melhor que brancos convivendo com negros. Conviver com a diferença é um elemento fundamental da educação. Se você não sabe conviver com a diferença, não está educado”, destacou.
O ministro da Promoção da Igualdade Racial, Elói Ferreira de Araújo, salientou que um dos principais desafios para o próximo governo é o combate ao racismo. “O Estado brasileiro precisa superar o racismo. O mito da democracia racial sempre povoou os olhares de estudiosos e da inteligência nacional e apenas colaborou com a segregação”, disse Araújo.
Segundo ele, o acesso à educação da população negra sobressai dentre as ações afirmativas. “Hoje 300 mil jovens pretos e pardos estão nas universidades brasileiras por meio do ProUni e mais 50 mil com os sistema de cotas das próprias universidades”, salientou
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, apontou o caráter estratégico da cultura para o desenvolvimento do País e destacou o aumento do orçamento da pasta, que passou de 0,2% (R$ 236 milhões) para 1,3% (R$ 2,5 bilhões).
“Antes a cultura não era tratada como uma política pública. Hoje sabemos que ela é responsável por 6% do PIB [Produto Interno Bruto, soma de todos os bens e serviços produzidos no País] nacional e incorpora quase 7% da mão de obra com carteira assinada. Não dá para pensar que o desenvolvimento cultural é uma espécie de perfume que emana no desenvolvimento econômico. É preciso investimento”, disse o ministro.
Para ele, mais importante que o orçamento é pensar na ampliação do acesso da população à atividade cultural. “A cultura é um direito de todos, e o Estado tem o dever de proporcionar o acesso a esse direito.”
O tema principal do 10º Encontro Nacional de Assuntos Estratégicos é “Rumo a 2022: Estratégias para a Segurança e o Desenvolvimento do Brasil”. O evento termina amanhã (24).
domingo, 12 de setembro de 2010
Gaúchos lançam Negra mais Brasil 2010
O Concurso – que elegerá a Negra mais bonita do Brasil -, está em sua segunda edição e promete movimentar os clubes sociais negros para a escolha das representantes em Canoas, no dia 04 de dezembro. A vencedora ganhará um computador notebook.
A coordenadora do Coletivo de Sociedades Negras e presidenta da Sociedade Négo Futebol Clube, Isabel Landin, o Concurso “Negra Mais Brasil” é considerado um dos maiores
concursos de beleza negra do Brasil.
“Mas, muito além da beleza das jovens candidatas,o Negra Mais Brasil demonstra a cultura e organização de nossos clubes e entidades negras”, salientou.
Em 2008, a vencedora foi a representante da Associação Cultural e Beneficente Rui Barbosa, Pabline Correa, de Canoas. “Foi muito gratificante participar deste concurso e ter ficado com o título de Negra Mais Brasil durante estes dois anos. Aprendi muito sobre a cultura negra neste
período e espero que a próxima eleita também aproveite estes belos momentos”, Afirmou a vencedora.
A 1ª Princesa 2008, Débora Chimenes, também comentou a satisfação de representar o seu clube de Montenegro na corte do concurso.
Inscrições -
O presidente da ACB Rui Barbosa, César Augusto, reforçou o convite para que todos os clubes sociais e entidades negras participem do Concurso, inscrevendo suas candidatas
e levando suas torcidas para Canoas. O endereço da entidade é rua Farroupilha,834, bairro Nossa Senhora das Graças, Canoas/RS.
As inscrições podem ser feitas até o dia 26/11/2010. Informações sobre o Concurso pelos telefones (51) 8445.8754 e 3476.3199 ou pelo e-mail: sociedaderuibarbosa@gmail.com e
pelo site: www.resgaters.com.br .
No lançamento do cronograma que aconteceu domingo passado, em Montenegro, estiveram presentes o presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra do RS (Codene),Victor Hugo Amaro, o representante do RS na Comissão Nacional de Clubes Sociais Negros, Luis Carlos de Oliveira, que também é vice presidente da Associação Floresta Montenegrina.
fonte; afropress
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Secretaria estuda recomendar criação de cotas raciais por decreto
Universidades devem ser orientadas para criação de cotas raciais.
Eloi Araujo informou que documento será apresentado até 20 de outubro.
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"Na nota técnica vamos tomar providências no sentido de buscar que pretos e pardos tenham direito de ingressar no ensino superior. A nota técnica poderá dizer que é necessário um decreto. Eu estou aguardando a finalização da nota técnica para marcar audiência com o presidente. Eu penso que um decreto é uma boa medida para adotar se não houver por parte de todo mundo a adoção da política de cotas", afirmou o ministro.
"A nota técnica vai orientar inclusive como as cotas deverão ser observadas pelas instituições de ensino superior. Algumas organizações imaginam que haja uma autonomia universitária. A autonomia não é absoluta, é relativa", completou o ministro.
De acordo com ele, a nota técnica será finalizada e entregue a Lula até o dia 20 de outubro, dia em que o estatuto entra em vigor. O texto foi sancionado pelo presidente no último dia 20 de julho e tem 90 dias para começar a vigorar.
Se a população é composta por 80% de pessoas que ganham até cinco salários, então vamos fazer isso [com as cotas sociais]. Se for qualquer outro número, é só para dizer que está fazendo. É coisa para inglês ver. É como se não tivesse havido a grande ofensa da escravidão e houve. Qualquer informação que não leve em consideração a gravidade que foi a escravidão, não é sequer educativa. Deveria observar os dois aspectos, sociais e raciais"
Ministro Eloi Araujo, ao criticar ações afirmativas de universidades que não considerem questões raciais
De acordo com Eloi Araujo, não se trata de golpe porque a lei é clara. "A lei é soberana. É dura, mas é a lei. E prevê a adoção de ações afirmativas. O Congresso aprovou essa lei." Ele afirmou crer que uma definição sobre um eventual decreto para estabelecer cotas saia ainda neste governo.
Eloi explicou que o grupo de trabalho é formado por técnicos da secretária, como professores e advogados. Esse grupo será responsável pela nota técnica que vai dar uma diretriz sobre o que deve ser regulamentado no estatuto. Cinco temas devem ser priorizados: educação, trabalho, moradia, cultura e saúde.
"Nossa preocupação diz respeito ao propósito de contribuir com os amigos da Corte, aqueles que têm defesa de nossas ações. No Supremo Tribunal Federal (STF) temos ações muito perversas contra a população negra, contra cotas, contra o Prouni e contra as comunidades quilombolas. (...) Esse grupo está debruçado em oferecer subsídios nesses casos com base no estatuto."
Cotas sociais
O ministro afirmou ser contra universidades que privilegiam cotas sociais a cotas raciais. Estudo do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) divulgado no começo desta semana mostrou que 71% das universidades federais e estaduais já têm cotas com base em seus conselhos ou leis estaduais. A maioria das instituições, porém, favorece as cotas sociais, para quem vem de escola pública.
Segundo ele, ações afirmativas que só privilegiam o lado social, sem analisar a questão racial, devem ser revistas. "Essas medidas precisam ser revistas porque deveriam ser observados dados técnicos oferecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Se a população é composta por 80% de pessoas que ganham até cinco salários, então vamos fazer isso. Se for qualquer outro número, é só para dizer que está fazendo. É coisa para inglês ver. É como se não tivesse havido a grande ofensa da escravidão e houve. Qualquer informação que não leve em consideração a gravidade que foi a escravidão, não é sequer educativa. Deveria observar os dois aspectos, sociais e raciais."
Para Eloi Araujo, no entanto, pode-se discutir por quanto tempo as cotas raciais seriam válidas. "Isso é justiça social e não precisa ser para sempre. Podemos estabelecer por um período, duas décadas, e depois analisar a evolução."
fonte: G1
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